Beija-Flor do teu corpo

Por: Anônimo 02/07/2026 701 leituras
Capa do conto
Teu corpo é uma flor aberta na madrugada,
cheirando a cio, a convite, a promessa.

Eu chego como beija-flor faminto,
o bico trêmulo, a língua pronta,
o desejo arfando nas asas.

Desço devagar, colhendo teu néctar quente,
beijando pétala por pétala,
até encontrar o centro onde tua seiva pulsa.

Meu toque te abre,
minha boca te recolhe.

Teu gemido é o bater rápido das minhas asas.
Tua pele, o jardim onde me perco.

Teus lábios, o mel que escorre quando me chupa fundo.
Sou o beija-flor que suga sem pressa,
que retorna sempre ao mesmo ponto,
porque ali, entre tuas pernas,
há um doce que vicia,
um sabor que prende,
um calor que me domina.

E quando teu corpo treme,
quando tua flor se desmancha em ondas,
é aí que eu me afundo inteira,
bebendo tudo o que escorre de ti,
até deixar teu caule cansado
e minha boca embebida do teu gozo.

No final, descanso no teu peito,
asas mansas, boca molhada,
sabendo que amanhã
serei beija-flor de novo,
porque teu néctar
é o único jardim onde quero morrer de prazer.

Sua imaginação também tem espaço aqui.

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