ELA, A BUCETA

Por: Anônimo 04/07/2026 2 leituras
Capa do conto
Ela
Tem nome que ninguém diz em voz alta
mas todo mundo pensa.
Tem forma que a mão aprende de cor
antes que a mente processe.

É o centro de tudo —
não metáfora, não figura de linguagem:
literalmente o centro,
o ponto em volta do qual
o desejo orbita
e perde o rumo.

Quente como interior de terra,
úmida como manhã depois de chuva,
macia de um jeito que a memória
guarda melhor do que fotografia.

Tem lábios que não falam
mas dizem tudo.
Tem um pulso próprio
quando o desejo chega —
uma vida dentro da vida,
um ritmo dentro do ritmo.

Fecha quando tem medo.
Abre quando confia.
Aperta quando quer ficar
com o que entrou nela.

É generosa e exigente
ao mesmo tempo —
dá prazer e cobra atenção,
entrega e retém,
recebe e transforma.

Não é tabu.
É altar.

Não é pecado.
É origem.

Todo homem que já amou de verdade
sabe que existe um lugar no mundo
onde a pressa não tem vez,
onde a brutalidade vira ternura,
onde o mais forte se ajoelha
sem perder nada.

Ela sabe disso.

Sempre soube.

Sua imaginação também tem espaço aqui.

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