EU, A BUCETA

Por: Anônimo 04/07/2026 2 leituras
Capa do conto
Eu
Eu existo antes de você.

Antes da sua mão me encontrar,
antes do seu olhar me aquecer,
antes de qualquer palavra
dita no escuro —
eu já estava aqui,
pulsando no meu próprio ritmo,
guardando o meu próprio calor.

Não preciso de você pra existir.
Mas quando você chega
eu me lembro
do que é ser completamente viva.

Eu sei quando você quer.
Sinto antes de você tocar —
uma antecipação que molha
antes do contato,
um preparo que o corpo faz
sozinho, sem consultar a cabeça.

Sou honesta assim.
Não finjo.
Não consigo.

Quando gosto, fico quente e aberta.
Quando não gosto, fecho.
Simples.
O resto do corpo às vezes mente —
eu nunca.

Me toca devagar
e eu me abro como flor que não tem pressa.
Me toca com pressa
e eu respondo com urgência igual.
Me toca com cuidado
e eu me lembro
de que existe ternura no mundo.

Quando você entra em mim
não é invasão —
é chegada.
Como quem volta pra um lugar
que reconhece pelo cheiro,
pela temperatura,
pelo jeito que o silêncio soa diferente ali.

Aperto porque quero você perto.
Aperto porque não quero que acabe.
Aperto porque o corpo tem memória
e a minha
guarda tudo.

Quando o prazer vem
não peço licença —
vem em ondas,
vem em tremores,
vem do centro pra fora
como pedra jogada em água parada
que faz círculos
até a margem.

E depois,
quando tudo passa
e você está quieto do meu lado
e o mundo voltou ao normal —

eu ainda pulso.

Devagar.

Lembrando.

Guardando.

Porque é isso que eu faço.

Eu guardo tudo
que passou por mim.

Sua imaginação também tem espaço aqui.

Escreva o seu conto

🔥 Os mais lidos da comunidade