Cap. 26
Será que Eu Complico Tudo?
Os dias se passaram bem, eu peguei certa rotina, ajudava Diana a cuidar de Julia, estávamos bem próximos, eu passava tardes brincando com ela e a mimando. Eu so tinha saído de casa uma vez, pra ir ao supermercado com Diana, ela queria que eu fizesse uma lasanha, Diana adorava minha comida, e disse que já tinha enjoado da comida da empregada.
Estava eu na cozinha preparando um frango assado com batatas, e conversando sobre amenidades. Ate Artur entrar na cozinha.
- Cozinhando de novo? – Perguntou ele.
- Sim! – lhe respondi.
- Porque a pergunta Artur? – perguntou Diana ríspida.
- Por nada! É que o Dilan cozinha muito bem!
- Estou sabendo, desde que ele começou a cozinhar você não perde uma refeição aqui. –
- Pra você ver que eu to falando a verdade. –
- Hmmm! É mesmo bem difícil de saber quando você esta falando a verdade. –
- Puxa, você não tem medo de uma hora engasgar no seu veneno cunhadinha! –
Eu escutei calado o pequeno dialogo entre Artur e Diana. Eles estavam sempre se estranhando, minha irmã encontrou alguém pra infernizar, antes ela me infernizava, agora ela tinha Artur pra implicar. Eu até me divertia com suas alfinetadas. Durante o almoço era difícil eles ficarem calados, sempre um implicando com o outro, eu e Joao Carlos ficávamos falados, enquanto eles se alfinetavam.
- Dilan, você não gosta de sair! – perguntou Artur.
- Sair? – indaguei.
- É! Barzinho, beber, conversar. Essas coisas. -
- Ah, sim! – respondi.
- Nos vamos ir num barzinho aqui, e muito bom! Não quer vir com a gente? –
- Não! – respondeu Diana por mim.
- Hein Dilan? – disse Artur enfatizando meu nome.
- Obrigado pelo convite Artur. Mas hoje eu não tô a fim de sair. –
Artur apenas assentiu com a cabeça, enquanto Diana nos fuzilou com os olhos. Depois do almoço eu estava brincando com Julia na sala, e ela me mostrava seus brinquedos, Diana sentou se no sofá e ficou me observando, mas seus olhos gritavam, ela queria dizer alguma coisa.
- Fala! – eu disse pra ela.
- Me fala você. Tem alguma coisa pra me contar? –
- Eu não. O que foi? –
- Olha eu não sou mulher de rodeios, então vou falar de uma vez. Não quero ver você andando com o Artur. –
- Porque? –
- Por que o Artur é um folgado, um malandro e não vale nada. –
- Hmmm! –
- Tô falando serio, lembra que eu te avisei do Flavio. Voce não me ouviu e viu no que deu. –
- Tudo bem Diana. Eu não sou do tipo que fica com todo cara que aparece pela frente. Não viaja! –
- Fica esperto eu to de olho. –
Eu acabei rindo da cara dela, tive a impressão de ter visto Artur no topo da escada, mas não vi com clareza, apenas um vulto. Quando a noite chegou, eu já estava de banho tomado, lendo um livro no quarto, sentado na poltrona. Meu telefone tocou.
- Oi mae. – atendi.
- Oi bebê! Tudo bem? –
- Sim, e você? –
- Com saudades. –
- Ai, mãe não me faz sentir culpado. –
- Tudo bem, sei que você precisa de um tempo. Então como esta sendo os dias? –
- A Julia esta me distraindo muito. – respondi.
- Aquele garoto irmão do Flavio esteve aqui hoje. –
- É, o que ele queria? –
- Queria falar com você. Disse que liga pra você e só dá desligado. –
- Ah, eu nem passei meu numero pra ele... –
- Mas você não quer se afastar do Flavio? –
- Ah o Fabio não tem nada haver com o traste do irmão dele. –
- Ele deixou o numero dele. –
- É me passa ai. –
Eu anotei o numero dele, na capa do livro. Ainda nos falamos mais um pouco e desligamos, eu estava discando o numero de Fabio quando alguém bateu na porta.
- Entra! – eu falei.
- Oi, eae? – disse Artur entrando no quarto.
- Oi! –
- Vamos? –
- Ah! Não hoje não. –
- Tem certeza? –
- Tenho! –
- Eu sei que não tenho nada haver com sua vida, mas se você quer realmente esquecer seu ex você tem que sair, encontrar outra pessoa. Ou outras pessoas! –
Nos rimos um pouco, ele se aproximou e sentou se a beira da cama de frente pra mim.
- Você não tá querendo sair por causa do que sua irmã disse? –
- Ah, você ouviu? –
- Ouvi! –
- Não tem nada haver, eu só não quero sair mesmo. –
- Não mesmo? –
- Não. Minha irmã é meio biruta. Eu não dou muita ideia pra ela não. –
- Entao vai me prometer que vai sair comigo outro dia. –
- Tudo bem! – eu sorri.
- Vou cobrar! – disse ele apontando pra mim.
- Ok! –
Ele se levantou, estava todo arrumado, e perfumado. Diferente da primeira vez que eu o vi, tinha os cabelos em cachos caidinhos, vestia uma camisa jeans e uma calça jeans também, ficamos nos olhando por alguns segundos, ate ficar meio tenso o clima, mas nenhum de nos dois desviou o olhar, ele acenou pra mim e saiu do quarto, e ficou um silencio. Não pude evitar de pensar que ele era bonito, mas logo tratei de afastar esse pensamento.
Olhei a capa do livro e vi o numero de Fabio e resolvi ligar pra ele.
- Oi, Fabio! – eu disse quando ele atendeu.
- Dilan? –
- É sou eu. –
- Pensei que não fosse me ligar. Como você some e não me diz nada? –
- Calma! Eu nem pensei direito apenas agi por impulso. –
- Estou sabendo. E porque não me ligou? –
- Estou te ligando agora! –
- Tá! Não quero brigar, eu só fiquei preocupado. Soube que você terminou com meu irmão. –
- Sim. Terminei. –
- Qual foi o motivo? –
- Você já deve imaginar. Peguei ele me traindo. –
- Puxa, que bosta hein?! –
- É, foi tenso. –
- E onde você esta agora? –
- Na casa da minha irmã. –
- Nossa precisava ir pra tão longe? –
- Precisava. –
- Quando volta? –
- Ainda não sei. –
- Volta logo. – pediu ele, como se implorasse.
- Vamos ver. –
- Não some não. – Reforçou o pedido.
Nos despedimos e desliguei, confesso que ouvir sua voz desesperada, me fez sentir alguma coisa. Não sei bem o que, eu não o queria mais que um amigo, mas eu sei que agora que eu não estava com seu irmão todas suas esperanças se reacenderam, e isso era mais uma coisa pra eu pensar, eu sei bem o quanto o amor pode ferir, e ele era a única pessoa no mundo que eu não queria ferir. Porque é tudo tão complicado, ou será eu quem complico tudo.