Esta história é longa e detalhada. Por se tratar de fatos verdadeiros, vivenciados e não inventados, será contada na íntegra. Trata-se de uma história original do meu parceiro Melga38, que me passou para que pudesse reescrever e publicar. Assim, publicarei tudo em uma só parte.
Uma tarde eu estava chegando de uma das minhas viagens de trabalho e recebi uma ligação do meu primo Serafim.
— Oi primo! Como está? E onde está? – Ele sempre é meio apressado ao telefone.
Somos muito amigos desde a infância e só não nos vemos mais porque moramos em cidades muito distantes.
— Estou desembarcando agora. Chegando de mais uma viagem. Por sorte esta semana terei apenas mais uma e depois folgo a próxima.
Eu sabia que quando ele liga quer sempre pedir algo ou consultar sobre algo.
— Então está muito bom! Trabalhando muito e ganhando também! Olha aqui, Lenir, você vai ao Rio de Janeiro nos próximos dias? – Vi que ele já ia chegar ao ponto.
— Exatamente. Amanhã vou ao Rio. Mas é apenas por um período. Uma reunião. À noite já posso estar de volta. — Deixei a dica para ele explicar o que pretendia.
— Puxa! Melhor ainda. Quero um favor seu Lenir. Se puder.
— Diga. O que precisar.
— Estou preocupado com o meu filho, o Maninho, casado com a Gui, quer dizer, a Guilhermina. — Ele foi direto ao ponto.
Lembrava-me do Maninho, filho dele, que eu tratava como sobrinho, garoto inteligente, músico talentoso, com músicas de sucesso nas novelas, e também do casamento dele ainda jovem com a Guilhermina, uma atriz e modelo fotográfica, há uns 4 anos antes. O rapaz havia lançado a música que foi tema de uma das telenovelas daquele ano, ganhara certo reconhecimento na mídia, fazia bastante sucesso no seio da juventude, e com isso encantou a garota, uma linda menina tipo “fadinha”, pequena, toda certinha, um corpo modeladíssimo e aquele rostinho muito belo que até incomodava. Na época ela fazia muitas propagandas e fotos de anúncios em revistas. Era muito linda e boa gente.
— Puxa! O que houve? Preocupado com o quê? – Na hora me ocorreu algum problema com droga ou algo do gênero.
— Não! Nada sério! É que eles estão numa fase meio complicada! A crise tem afetado a vida dos dois. Muito jovens, não sabem como lidar. Andam em conflitos, a loja da Gui não vai bem, os shows do Maninho diminuíram, e eles estão se desentendendo. Maninho me revelou que eles brigam com frequência.
Eu tentei tranquilizar:
— Deve ser só falta de experiência, acho que é falta de orientação.
— Por isso pensei em você passar por lá, verificar o que ocorre, e dar uns conselhos. Essa é a sua praia. — Ele esclareceu o que pretendia.
Respirei mais aliviado ao ouvir o pedido dele. Pensei rapidamente. Era uma quarta-feira. Eu iria ao Rio logo no dia seguinte, na quinta-feira, poderia passar uns dias por lá, relaxar, e dar uma orientada nos jovens. Eu vivo disso mesmo. Sou consultor de empresas. Tenho 50 anos. Depois de ter sido alto executivo, de dirigir várias empresas e ajudar a fortalecer dezenas de outras companhias por 25 anos, após ter um divórcio do primeiro casamento, e depois da separação das minhas duas ex-companheiras seguintes, resolvi não ter mais emprego fixo. Passei a viver mais livre, vendendo minha experiência. E estava dando certo. Fazia trabalhos em muitas cidades. Conquistava novos clientes indicados por outros.
Serafim pigarreou. Ele esperava minha resposta. Enquanto aguardava a minha bagagem ser liberada na esteira do aeroporto, eu disse:
— Faz o seguinte “Serafa”, me envia o número atualizado do celular dele. E não fale nada com ele. Eu vou ligar e dizer que terei alguns dias no Rio de Janeiro. Perguntarei se posso fazer uma visita. Vou deixar para eles confirmarem. E com isso terei a oportunidade.... Fica mais natural e nem desconfiam que você pediu.
Ouvi pelo telefone celular o suspiro de alívio que o Serafim soltou:
— Ufaaa! Melhor impossível! Eu sabia que poderia contar.... Obrigado! Grande ideia! Vou mandar o número do celular. Depois você me atualiza com foi. Pode ser? Adoro você por isso mesmo primo! É pau e bola!
— Fica “frio” “Serafa”, se cuide! E como vão as coisas aí? — Eu sabia que ele estava bem, sempre às voltas com sua pequena indústria de componentes eletrônicos, tentando competir com os preços imbatíveis dos chineses e indianos. Mas era um bom gestor e mantinha o negócio operando no azul.
— Aqui sempre a luta de todo dia. Mas vai tudo bem. Graças às suas preciosas orientações. Obrigado mais uma vez. — Ele desligou.
Minha mala veio chegando trazida pela esteira, eu apanhei e saí em direção ao ponto de táxi.
Naquela tarde mesmo, liguei para o Maninho que se mostrou surpreso com a chamada. Depois das saudações e cumprimentos de praxe eu disse:
— Maninho, eu tenho um trabalho rápido no Rio de Janeiro amanhã, mas depois terei uns dias de folga. Pensei em curtir uma praia, e marcar uma visita a vocês.
— Que “dez”, tio! Será um prazer. Vamos adorar.
Fui adiantando:
— Talvez possamos almoçar juntos ou jantar. Depende da vossa agenda. Faz tempo que não nos vemos. E se seu pai souber que passei no Rio e não procurei vocês ele vai ficar chateado.
— Me passa seu voo tio, ou liga-me assim que chegar e eu posso ir buscar, fique aqui com a gente. Temos um quarto de hóspedes na casa. Não é luxo, mas é confortável. A Gui vai ficar feliz. Adora receber.
Eu queria tudo feito muito natural da parte deles:
— Agradeço muito. Não quero incomodar, vocês têm sua rotina.
— Não, não, estou sem muitos shows, ou quase não tenho mais nada marcado, tenho tempo, e a Gui também não está atuando, deu um tempo nas filmagens e só tem a loja. Ela faz seu próprio horário. Fazemos questão! Por favor! Venha sim!
Prometi que avisaria logo que soubesse o meu horário de chegar. E fui para o Rio de Janeiro na manhã seguinte. Minha vida estava sendo mais em viagem do que outra coisa, estava habituado. Mas acabei deixando para ligar ao Maninho depois que acabou a reunião de trabalho, no meio da tarde. Fazia muito calor naquela quinta-feira. Eu marquei o ponto onde estava, num centro comercial da Barra da Tijuca e Maninho disse que a Gui estava de carro e iria me buscar. Seis minutos depois recebo uma mensagem de um novo contato:
“Oi tio Lenir. Aqui é a Gui, estou saindo agora da loja, e em meia hora devo chegar se o trânsito ajudar. Eu chegando aviso para o senhor descer. OK? Vou num Kia Picanto branco”. — Ela mandou a placa do carro também.
Salvei o contato, disse OK. Apareceu uma foto da Gui no avatar do aplicativo. Estava apenas o rosto dela, mas sempre lindo. Dei um olá com três exclamações e um emoji de beijinho. Depois teclei: “Senhor está no céu viu”... “Chame de você”. E mais o emoji de sorrisinho. Ela respondeu com dois emojis de positivo, um beijinho e um sorriso.
Pouco menos de quarenta minutos ela chegou e eu fui ao seu encontro no pátio de estacionamento. Ao volante de um carrinho branco, bem feminino, estava a Guilhermina, ainda mais bonita do que na época de seu casamento. Havia engordado algumas gramas com a idade e ficara ainda mais gostosa, não era mais uma garota e sim uma jovem mulher na plenitude dos seus 22 anos.
Cabelos castanhos escuros compridos e lisos em corte Chanel abaixo dos ombros, olhos lindos de um azul esverdeado que chegava a brilhar, contrastando com sua pele mais bronzeada, a boca perfeita de lábios carnudos. Trajava um vestidinho azul escuro com pintinhas minúsculas amarelas e vermelhas, de tecido bem leve, com decote canoa, e bem curto, na altura do meio das coxas. Mas, sentada ao volante o vestido estava ainda mais curto deixando aparecer quase todas as duas pernas bronzeadas de pele lisinha e impecável. Nos braços apoiados ao volante apenas pulseiras de resina imitando casco de tartaruga e um pequeno relógio Piaget. As mãos continuavam sendo belíssimas e muito delicadas com unhas curtas pintadas de esmalte bem clarinho.
Na parte superior das coxas que apareciam sob o vestido, dava para notar uma diminuta penugem loira, descolorida pelo sol da praia. Os lindos pezinhos perfeitos, que deviam calçar 35, estavam em sandálias pretas bem delicadas com apenas uma tira de couro fino entre o dedão e os demais e outra que se fechava pouco abaixo do tornozelo. E as unhas dos pés pintadas com esmalte clarinho quase branco. Notei também uma tornozeleira delicada numa correntinha de ouro, com alguns pingentes diminutos.
Tudo isso eu notei numa olhada relâmpago de seis a oito segundos quando ela abriu a porta do carona. Coloquei minha mala e minha valise executiva no banco de trás do carro e me sentei ao lado dela na frente. Fui recebido com dois beijos carinhosos no rosto e senti a onda de perfume francês que reconheci na hora. Muito sensual. Sou um colecionador de odores de perfumes na memória, especialmente os usados por mulheres. Olhei-a com atenção e disse:
— Paco Rabanne Black XS feminino. Adoro.
Ele me olhou admirada:
— Acertou mesmo!
Eu continuei:
— Nossa! Como você está linda! Não acreditava que fosse possível, mas você está ainda mais bela do que quando se casou. A última vez que nos vimos.
O sorriso feliz em sua face indicava que o elogio a tinha agradado:
— Que isso tio! Faz quase cinco anos... E o sen... Você... O tempo não passa aí né? Está um homão muito do belo e charmoso! Devia fazer teste para galã da TV. Estão precisando de novos galãs maduros.
Notei que ela me observava sem nenhum tipo de vergonha, segura de sua condição de mulher casada e dona de si.
— Agradeço seu olhar generoso. Confesso que eu luto contra o tempo! Ginástica e caminhadas, cuidado na alimentação.... Mas para galã falta muito! Obrigado pela massagem no ego. Vou me lembrar sempre disso para melhorar minha autoestima.
— Pois saiba que está um maduro muito charmoso tio. Palavra! Eu pegava. — Ela riu maliciosa: — Aposto que chove namorada aí hein?
— Tomara que isso seja uma profecia! — Eu sorri divertido, fazendo o gesto com duas mãos em prece: — Não, não chove namorada, e as que aparecem estão muito titias para o meu interesse. Ou só querem o “din-din” do coroa.
Eu levava o papo meio na gozação, ri para ela também achar graça. Mas ela não achou. Prestou atenção me olhando nos olhos, por alguns segundos, antes de dizer, dessa vez com um sorriso enigmático:
— Hum... Melhor, melhor assim, evite compromissos. Muitas mulheres hoje estão mercenárias mesmo. Mas, eu por exemplo, gosto de homens maduros.
— Não estou com essa bola toda. — Eu agradeci notando que ela me observava com um olhar atento. Ela acelerou e a marcha automática engrenou. Ela foi dizendo:
— Se desse uma bobeira eu catava.
Aí nós dois demos uma boa gargalhada. Podia bem ter sido uma brincadeira dela feita como elogio, mas também podia conter outro sentido. Fiquei de antena em pé.
— Que bom que você está bem-humorada! É um bom sinal. — Eu disse enquanto ela saía com o carro. Seguimos para a saída do pátio do estacionamento enquanto eu colocava o sinto de segurança. Com isso pude observar novamente sua beleza enquanto dirigia. Não sei por que me veio um pensamento intuitivo que tentei registrar: “Acho que ela é muita areia para o caminhão do Maninho”.
— Então, veio passear um pouco? Que bom, ficamos muito felizes com sua vinda.
A expressão dela era sincera. Com aquela declaração me senti acolhido e fiquei mais à vontade. Com a experiência da consultoria, aprendi a fazer leituras muito rápidas de atitudes e expressões que denotam os sentimentos. Era um dado fundamental para as avaliações. Eu respondi:
— Não queria incomodar, tirar vossa rotina. Mas por outro lado também fico feliz de poder matar a saudade e saber mais de vocês. Esse reencontro me deixa muito contente. Mais de quatro anos. Passou rápido. Como estão as coisas? Novos planos?
Notei uma pequena sombra na expressão do piscar de olhos que ela deu, que logo se dissipou quando ela respondeu:
— Tudo bem, na medida no possível. O Rio de Janeiro está numa fase péssima, e tudo acaba sendo afetado... Maninho deixou de fazer shows como antes.... É a crise. A loja também anda ruim. E eu dei um tempo nos comerciais e nos filmes. Mas vamos levando lutando e superando.
Fiquei calado. Queria deixar que ela se manifestasse, precisava de informações. Mas ela também ficou um pouco em silêncio. Até que se sentiu incomodada com o próprio mutismo e falou:
— Não comente nada com o Maninho, mas temos tido algumas divergências, não estamos numa boa fase. Mas tentamos superar. Momentos tensos. Acho que é reflexo da crise, sei lá.
— Sei. — Eu não queria falar nada ainda sem ver o rapaz, mas tentei aliviar:
— Todos os relacionamentos passam por isso. Faz parte. Relaxe. Não falarei nada com ele. Mas, se precisarem de algum papo reto, contem comigo. Sou PHD em casamentos e crises de relacionamento.
Gui fez um gesto vago com a mão, como se dissesse “deixa para lá”, ficou calada mais alguns segundos, depois resolveu falar:
— Não sei tio. Vamos ver o que o Maninho diz. Não queremos estragar o seu passeio com “de erres” da nossa vida.
— Está certíssima, eu trago alegria e prazer e não nuvens de tempestade. Vamos nos divertir e matar a saudade. — Com isso eu encerrava o papo.
Estávamos cruzando uma ponte que cortava o canal da Barra e nos dava acesso à pista da praia. Olhei o sol ainda alto no céu e disse:
— Acho que ainda consigo dar um mergulho. Será?
— Claro, enquanto eu preparo algo para nosso jantar, pode sair e dar um mergulho. Maninho é capaz de ir junto. — Ela voltara a agir com descontração.
— Nada disso. Hoje vamos sair e jantar. Eu convido. Damos um mergulho, tomamos uns drinques, e saímos para jantar. Faço questão.
— Não precisa disso tio. — Gui estava entrando com o carro num condomínio de casas. Mostrou o cartão de moradora para o leitor magnético e os portões se abriram. Passamos para outro compartimento cujos portões só se abriram após o fechamento do externo. Cada vez mais as medidas de segurança se intensificavam. A classe média alta se protegendo da violência e da criminalidade atrás de muralhas vigiadas deixando a miséria da maioria do lado de fora. Depois, avançamos pelas alamedas entre as casas até chegar diante da morada deles.
Gui entrou na garagem e estacionou o Picanto ao lado do outro veículo, um SUV Renault Duster azul escuro que devia ser do Maninho. Descemos, peguei minha mala e logo vi o rapaz que se aproximava para me abraçar. De bermudão largo de brim caqui sem bainha, feito de uma calça cortada, camiseta folgada branca com estampa de John Lennon no peito e com sandálias de borracha, cabelo comprido ligeiramente anelado, e revolto; tatuagens nos braços e antebraço. Maninho, estatura média, magro e seco, barba meio rebelde, era a expressão da informalidade. Na hora me veio uma imagem de Woodstock, daqueles tempos quando “nem eu era nascido”, e sem querer eu disse:
— Rapaz! Chegou de Woodstock foi? Que pinta de hippie! Assim o rock não morre jamais!
Ele me abraçou com afeto e eu por cima do ombro dele olhei a expressão de Gui, toda bonitinha, delicada, que fez uma cara de resignada e disse:
— Matou a charada! Eu digo para ele que essa imagem de rebelde já era.
Percebi que precisava quebrar aquele clima de tensão, enquanto repetia o abraço:
— Que nada! Artistas são únicos. Quando a gente tem talento e nos impomos pela arte, nossa imagem se torna uma marca. Se o admiram, pode andar nu de cabeça para baixo que vão respeitar. Mas caso contrário, você tem que seguir os padrões.
Maninho gostou e sorriu concordando:
— As pessoas tentam nos embalar no sistema o tempo todo. Aceita quem quer. Quem puder quebra as regras. Tento ser como eu gosto de ser.
Gui virou-se e entrou na casa como se aquele papo não lhe agradasse mais. Maninho pegou na minha mala e entramos atrás dela. Era um chalé moderno, com três quartos, duas salas, escritório e copa-cozinha. Tudo muito “clean” e com design atual. Ao fundo a janela de vidro temperado da sala dava para uma varanda com piscina. Foram apresentar o quarto onde eu ficaria. Repeti a proposta de dar um mergulho. Maninho falou:
— Eu topo! Mas estou terminando um arranjo e não quero perder o embalo da ideia. Levo um tempinho para escrever, senão esqueço. Vocês podem ir que vou logo a seguir.
Gui tentou argumentar, mas eu disse:
— Pronto, Gui, vamos à frente! Rápido trocar de roupa senão o sol escapa!
Ela se convenceu e entrou para o corredor dos quartos. Fechei a porta do quarto e abrindo a mala tratei de pegar um calção azul de natação, daqueles de malha com alta tecnologia, bem justo e bem elástico. Despi-me rapidamente, olhei no espelho e dei uma segurada na pouca barriga. Ainda estava bastante em forma.
Vesti o calção, calcei as sandálias de borracha e coloquei uma camiseta branca. Estava pronto. Peguei um pouco de dinheiro na carteira, coloquei por dentro do calção e saí do quarto. Fui para a sala e fiquei observando os detalhes da decoração. Era estilo clean e denotava bom-gosto. Ficava patente que tudo ali tinha aparência de ser escolha da Gui. Num quadro grande na sala uma foto belíssima da Gui em preto-e-branco, numa pose sensual, envolta com um véu diáfano, com uma luz incrível. Assinada pelo Lobato, um fotógrafo conceituado e que eu também conhecia bem. Não identifiquei nada ali que fosse um sinal do Maninho.
Menos de três minutos de espera e Gui apareceu na sala com o cabelo preso num rabo-de-cavalo, uma camiseta de crochê furadinha cor de mostarda, e por baixo se notava um biquíni branco. Estava com sandálias de borracha brancas que realçavam a delicadeza de seus pés. No tornozelo ainda a pulseirinha de ouro com os pingentes pequeninos. Trazia duas toalhas de banho na mão e colocou numa sacola de palha. Fez sinal de positivo, e siga-me. Fui atrás dela pela saída dos fundos, e seguimos até a portaria. Por um pequeno portão de ferro lateral, vigiado por uma guarita, que levava à saída com fechadura automática ganhamos a rua para ir à praia. Seguíamos em silêncio. Gui ao meu lado. Eu a observava caminhando e me admirava com sua graciosidade. Eu disse:
— Não queria que você viesse apenas para me acompanhar. Se não quiser não precisa.
Gui me olhou serena e sorridente:
— Eu adoro! Todas as manhãs eu venho aqui e caminho, nado e tomo sol, mas o Maninho acorda tarde e perde. Temos tempos distintos.
— É um privilégio morar na frente deste paraíso, não ter emprego fixo, poder organizar seu próprio tempo, e curtir isto aqui. Perder isso é jogar a vida fora. — Eu sabia que essa frase iria desencadear novas explicações. Ela concordou e comentou:
— São essas diferenças que nos separam.... Penso como o senh.... Você. — Ela sorriu — Desculpe. Realmente não é correto chamá-lo de senhor. — Gui fez um gesto de coçar a cabeça, discreto, mas indicava uma certa exasperação por algo que lembrou. Prosseguiu:
— O Maninho foi ficando muito envolvido com as composições musicais e os arranjos, estuda muito a harmonia das canções, e pratica teclados, vive dentro da música, mas perdeu o pique de promover suas músicas, de sair, de tocar em público. Com isso, sai cada vez menos, aceita menos shows, e se isola.... Estou preocupada.
Chegamos à praia, e caminhamos pela areia. Ela continuava:
— Eu, ao contrário, preciso sair, eu adoro dançar, adoro praia.... — De repente parou no meio da frase e me observando falou:
— Desculpe novamente, não estamos aqui para falar nisso, vamos aproveitar a praia.
Ela tinha um sorriso que tentava ser alegre. Eu sorri com toda a simpatia que pude e falei:
— Não se preocupe! Hoje, depois de ter vivido tanto, e já estou quase envelhecendo, entendo como a gente não tem a menor noção do que realmente importa para ser feliz.
Fiz uma pausa e notei que ela prestava atenção. Prossegui:
— Mas, nós teremos tempo para conversar. Você pode se abrir e falar o que desejar. Não tenha reservas. Vamos dar um mergulho?
Chegáramos à beira mar. Naquele horário havia pouca gente na praia. Os adiantados saiam e os retornados ou retardatários como nós ainda não haviam chegado em grande número. Retirei a camiseta e descalcei as sandálias. Gui despiu a camiseta de crochê e pude observar o corpo perfeito daquela mulher que parecia desenhado à mão por algum grande artista. O biquíni dela era bem pequeno de lacinhos nas laterais das ancas. O sutiã de cortininha também mínimo. Mal cobria os seios médios e naturais. Era uma perfeição de mulher que se mostrava segura de sua beleza. Gui fazia jus ao prestígio de modelo e atriz muito admirada. Tinha duas tatuagens, uma na virilha bem perto do púbis, de uma bela borboleta azulada, e outra tribal na linha da lombar, pouco acima das duas covinhas que se formavam antes da bunda. Como estava de fio dental, as nádegas firmes e perfeitas estavam à mostra. A bunda era uma escultura. E eu me deixei ficar ali admirando aqueles glúteos perfeitos e bronzeados.
Ela me pegou observando-a meio hipnotizado e por instinto feminino captou que não era apenas um olhar admirador, mas de um homem que se sentia atraído pela fêmea bela e sensual. Sua expressão mudou e seu olhar ficou atento. Ela perguntou com meio sorriso:
— O que está olhando? Faz tempo que não vê mulher de biquíni?
Meu olhar sorriu, minha boca sorriu, mas a minha resposta foi cuidadosamente estudada:
— Vejo mulheres de biquíni com muita regularidade... Lindas. Mas poucas são tão encantadoras! E você sabe que isto não é uma cantada de velho babão. Você, se me permite a sinceridade, está linda, de tirar o fôlego. E esse biquíni em você é uma provocação. É um caso muito sério.... Faz um homem perder o rumo.
Ela sorriu mais iluminada, como se minhas palavras a fizessem brilhar.
— Puxa tio! Que bom ouvir isso! Fico muito feliz. Diga isso ao seu sobrinho.
Depois ela mudou o tom:
— Claro que não é velho babão... Dou mais valor a uma declaração sua do que às “trocentas” cantadas dos “malas-sem-alça” que escuto todos os dias.
Você recebe muitas cantadas?
— Nossa tio! Os homens acham que uma mulher bonita pode ouvir toda a sorte de provocação e abuso. Tem horas que dá até raiva. É falta de respeito.
Eu precisava mudar o rumo da conversa, pois sentia meu corpo começando a esquentar por dentro. Temia uma ereção indevida:
— A nossa cultua é muito machista. Não vai mudar tão cedo. Nem ligue. É mais do que natural. Ou esperava ser apedrejada? Então muda para o Irã e usa uma burca.
Ela riu divertida.
Mudando de assunto cortei:
— Vamos cair nessa água antes que eu fique babando aqui até o sol ir embora.
Ela sorriu mais divertida ainda:
— Vamos, vou levar esse velho babão para nadar!
Eu dei risada. Estendi a mão e ela segurou, fomos andando para a água. Gui segurava minha mão com firmeza, e caminhava como se fosse uma holografia esvoaçante, seus pés delicados pisavam a areia que afundava e isso a fazia andar com mais rebolado. Era quase um desfile. E eu senti repentinamente meu coração batendo forte como há muito não sentia. Gui era apaixonante, e de fazer qualquer homem se encantar.
— Eu não posso molhar o cabelo tio. Mas até a cintura entramos.
Gui erguia as pernas para passar as pequenas ondas que vinham morrer suavemente na praia. O movimento que ela fazia suspendendo as pernas era muito gracioso.
O mar estava calmo e com ondas serenas. Fomos entrando na água aos poucos. Meu pau estava querendo acordar com a cena da morena rebolando para avançar.
Adiantei-me um pouco e chegando numa parte com água já na cintura, mergulhei, emergindo alguns metros à frente. Olhei para trás.
Gui havia parado e se abaixado, para molhar o corpo sem molhar o cabelo preso com elásticos. Quando a água molhou o biquíni, notei que sem o forro, o tecido branco de malha fina ficava quase transparente, deixando ver o tom mais escuro dos mamilos. Que imagem linda! E na calcinha, modelava uma vulva saliente com lábios externos bem volumosos. Era uma visão tentadoramente provocante.
Fiquei meio abaixado dentro da água. Não me atreveria a levantar, pois sentia o volume ter crescido dentro do calção.
— Faz um tempo que não tomo um bom banho de mar. Posso dar uma nadada? Você espera? — Gritei para ela antes de avançar.
— Sim, claro. Pode nadar, mas não vá muito para longe, é perigoso.
Dei umas braçadas. Sei nadar muito bem, fui nadador da equipe do clube na juventude, e nunca perdi o estilo. Ao olhar para trás dando braçadas longas vi que Gui permanecia de pé me esperando, deixando que as ondas suaves lavassem o seu corpo até na altura dos seios. Quando a água abaixava com o recuo da onda, revelava aquela mulher belíssima, numa pose sensual, e com um traje que deixava antever partes muito provocantes. Era uma imagem inesquecível e tentadora. Aumentei as braçadas para descontrair mais e relaxar. Tive a sensação de que Gui estava gostando de ser admirada, curtindo o meu olhar que certamente devia revelar um desejo disfarçado e contido. Fiquei nadando uns cinco minutos para a direita e para a esquerda, com braçadas vigorosas, mantendo a visão em Gui de pé, como eixo central. Ela me observava. Quando voltei nadando para perto dela estava sem fôlego. Gui comentou:
— Cheio de estilo! Você nada bem. Mas aqui tem que tomar cuidado, muitas correntezas. Está sem fôlego?
— Estou cansado. Sem fôlego fiquei quando vi você de biquíni molhado. Devia ser proibido isso.
Ela achou graça num primeiro momento. Depois fez cara de desdém:
— Não me diga que também é desses machistas com preconceito! Não pode nem ver...
Ergui as duas mãos pedindo paz, e respondi rindo:
— Por favor, estou brincando! Por mim você devia ficar assim até na missa!
Eu falei rindo e ela achou graça. Depois, sorrindo, ela também respondeu:
— Bela saída.... Dessa vez dou o desconto. Adoraria ver a cara do padre.
Olhei-a nos olhos e ela percebeu que eu a avaliava mais profundamente do que parecia. Também manteve o olhar. Eu tinha a resposta ideal para aquela situação:
— Nessas horas eu só queria ter uns 20 anos a menos.... Aí sim, poderia falar por interesse.... Agora só me resta a sinceridade.
Gui ficou me olhando por alguns segundos, pensativa, analisava o que realmente eu teria dito. Eu não lhe dei tempo de resposta:
— Quando somos jovens podemos tudo, e nem ligamos muito para o que temos.
Gui acenou com a cabeça concordando. Depois ela mudou o rumo da conversa:
— Puxa Tio, você está se achando velho? Acho que está no ponto máximo. Eu prefiro homens maduros, são mais seguros e assumidos.
— Ora Gui, obrigado, me jogou lá em cima! Mas você deve aproveitar e agradecer que tem um jovem bonito e muito talentoso como marido. Quantas não invejam isso que você conquistou? A fila do Maninho também deve ser enorme.
Gui concordou novamente. Deu uma inclinada na cabeça, como se estivesse pensando em algo passado, depois disse:
— É verdade. Maninho é lindo mesmo e muito talentoso. Mas, às vezes, eu acho que ele é que deveria ver que a inversa é também verdadeira.
Senti uma ligeira pitada de mágoa ou frustração naquela frase dela e ia responder, quando vi lá longe no começo da praia que o Maninho vinha caminhando. Eu disse:
— Falou no milagre e aparece o santo! Lá vem ele, finalmente!
Gui achou graça, virou-se e viu Maninho se aproximar. Eu fiquei dentro d´água me preservando enquanto ele chegava ao ponto onde havíamos deixado as toalhas e as sandálias. Gui disse:
— Eu gosto muito dele tio. Mas ele anda meio angustiado, confuso, e perdeu parte do entusiasmo que sempre teve.
Eu nada disse. Maninho estava de calção, despiu a camiseta, descalçou as sandálias de borracha e veio correndo para onde estávamos. Quando chegou perto, Gui alertou:
— Não jogue água, não molhe o meu cabelo!
Maninho parou a corrida e veio mais calmo. Parecia sorridente e disse:
— Ainda consegui chegar a tempo para um mergulho.
De fato, o sol ao longe estava quase desaparecendo no horizonte. Faltavam alguns minutos. Maninho chegou perto de onde eu estava e mergulhou. Ao sair à tona falou:
— E aí Tio? Já começou a matar a saudade?
— Ainda não matei nada. Já não quero matar mais nada. Agora eu apenas reciclo, meu lema agora é fazer renascer!
Procurei fazer piada com aquilo. Eles perceberam e riram. Maninho irônico falou:
— Engraçado, teve vários casamentos, só dois filhos, pelo menos que a gente saiba.... Fez nascer pouco.... Acho que alguma coisa você não está fazendo direito!
Dei uma gargalhada e respondi de pronto:
— Ao contrário, para ter esse desempenho com a quilometragem que tenho, sem deixar muitos herdeiros da dívida, precisa ser muito bom no que faz!
Todos os três acabamos rindo e o ambiente ficou bem leve. Maninho chegou perto e notando a transparência do biquíni da esposa, mas sem fazer referência àquilo, disse apontando para mim:
— Este aqui, com cabeça branca e jeito de santo, de santo não tem nada! Passa o rodo geral. A fama dele é enorme.
Fingi que não captava a mensagem e continuei brincando:
— Meu pecado sempre foi amar demais.... Já deu até samba isso!
Novamente eles sorriram. Gui percebendo o cutucão do marido sugeriu:
— O sol agora vai logo desaparecer e ficará escuro. Vamos voltar? Estou começando a ficar com certa fome. Alguém nos convidou para jantar.
Maninho feliz disse:
— Oba tio. Deve ter sido você. A Gui eu sei que não é pois disse que ia cozinhar. Obrigado pelo convite. Eu vou adorar.
Sem mais comentários fomos saindo da água e caminhamos até onde havíamos deixado nossas toalhas e sandálias. Distante cinquenta metros havia um daqueles trailers de bebida e comida. Eu sugeri:
— Trouxe uns trocados. Vamos ali tomar uma gelada, para brindar este momento muito gostoso.
Eles não recusaram. E eu fiquei observado se a Gui ia vestir a camiseta de crochê. Ela apenas pegou as toalhas e a camiseta e colocou dobradas sobre a sacola à tiracolo. Continuou com seu biquíni bem provocante e semitransparente. Maninho também não falou nada. Aquilo poderia ser um sinal de que ela se sentia bem em provocar e o Maninho parecia não se opor. Seguimos para o trailer. Andei um pouco mais atrás para poder observá-los. Chegamos ao trailer e o rapaz que servia saudou o casal com intimidade, revelando que já os conhecia. Eu pedi uma cerveja Antarctica bem gelada e três copos. Tomamos fazendo tintim:
— Um brinde ao nosso visitante! Que ele aproveite bem! — Disse Maninho.
— Que ele continue sempre jovem com seu bom humor e com prazer de viver! — Emendou Gui.
— Que eu mereça tudo o que me desejam de bom, e que quem deseja receba em dobro. E sempre com uma boa Antarctica geladinha na praia para bebemorar.
Novas gargalhadas. Uma das coisas que sempre gostei do Rio de Janeiro era tomar na praia aquela deliciosa cerveja que lá tem aquele sabor todo especial. Enquanto bebíamos, eu prestava atenção nas sutilezas das atitudes.
O rapaz do trailer não tirava o olho do corpo de Gui. Esta tinha percebido os olhares e tentava fingir que não, mas seus mamilos estavam bem salientes sob a malha do biquíni. E Maninho também havia notado aquilo, mas só vigiava a minha atitude e se fazia de besta. Por isso, eu agia com a máxima naturalidade. Procurava descontrair e não deixar ninguém focar direito.
Enquanto bebíamos a cerveja nos afastamos um pouco do trailer. Eu contei para eles lembranças do tempo em que vivi ali naquela praia, de como tudo era ainda desabitado e selvagem:
— No meu tempo de jovem, há uns vinte e muitos anos a gente vinha aqui para surfar e ficava totalmente pelado, porque quase não havia ninguém nessa área. Era deserto mesmo. Agora regulamentaram as praias naturistas. Preciso dar uma olhada como andam.
Maninho comentou:
— Nós já fomos umas vezes. Abricó.... Lá em Grumari. Gostávamos.
Gui completou:
— Eu gostava, mas, é que nem sempre o nível é bom. Tem muito curioso deselegante e hoje com os telefones celulares com câmera perdeu-se a privacidade. Quando eu estava sob contrato com a TV não podia descuidar da imagem. Tive que deixar de ir lá.
Aproveitei para testar o Maninho:
— Você é muito corajoso ou é liberal demais. Levar este avião na praia de nudismo é chamar todos os holofotes para si. Precisa ser muito macho para fazer isso.
Maninho riu divertido e fez um gesto de orar com as mãos juntas:
— Meu deus! Nem me fale. É verdade! Pior que a Gui gosta de ser admirada, sabe que é gostosa, e ela curte ser desejada. Não está nem aí pra paçoca. Abusa.
Gui sorriu com expressão marota e respondeu:
— Nada disso! Eu fazia tudo só para atormentar o nosso amigo aqui. Claro que me agrada ser desejada e admirada, quem não? Mas era mesmo mais para provocar o Maninho. Ele não assume, mas no fundo adora me ver admirada. E ele conseguia fingir que não era com ele. Ficava excitado e fazendo cara de paisagem.
Eu aproveitei para especular:
— Mas pelo menos não brigavam por isso. Sem cenas de ciúmes?
Gui deu de ombros como se fizesse pouco, mas era um gesto de propósito:
— O Maninho não falava nada. Mas depois lá em casa, ele ficava comentando que eu exagerei, e que eu dei trela, essas coisas. Ciúme bobo.
Ela parou um pouco, olhou para o marido, e falou:
— Gente que me conhecia da TV ou da publicidade vinha falar comigo. Eu nua na praia. Ele ficava para morrer, tinha ciúme, mas ficava excitado também ou então se fingia de paisagem.
Maninho sorriu se fazendo de malando e respondeu:
— Eu achava era bom! Acabava que quem saía ganhando era eu. A mulherada ficava louca para saber quem era o felizardo que estava com a modelo gostosa. Elas ficavam dando mole.
Eu comentei:
— O preço de desfilar com uma deusa é esse! A gente tem que ser anjo, e chove capeta em volta.
Os dois caíram na gargalhada. Eu também ri divertido.
Gui falou:
— Ele chora de barriga cheia. Basta eu me afastar e deixar ele sozinho um pouco que aparece garota de todo lado. Ele é famoso e tem milhares de admiradoras.
Acabamos a cerveja num clima descontraído e com mais intimidade.
Perguntei:
— Você sente ciúme como o Maninho Gui?
— Não, não sinto muito. Sei que ele é o artista que tem que agradar a todos. Mas sinto só um pouco quando ele me ignora. Ficar sozinha me deixa angustiada.
Recolhi os copos, voltei no trailer, paguei e entreguei a garrafa. Aproveitei para perguntar ao vendedor:
— Meus sobrinhos vêm sempre aqui? Já são fregueses?
— São sim, muitas vezes. Mas ele vem menos. Quem eu vejo mais é ela.
Ele falava discretamente. Eu disse:
— Sorte a sua! Queria ver todo dia né?
O cara achou graça da minha cumplicidade, deu uma piscadela e fez um sinal de positivo com um sorriso malicioso. Exclamou:
— Papa fina “merrmão”!
Dei um tchau sorrindo e voltei para regressarmos à casa. Já tinha algumas informações que precisava organizar. Na casa tratamos de tomar banho e nos arrumarmos para sair. Fomos com o carro da Gui. Maninho fez questão que eu seguisse na frente com a Gui e foi no banco de trás. Ele disse que atrás era apertado para minhas pernas, e eu não contestei.
Eu e ele estávamos bem informais, com calças jeans, sapatênis. Eu de camisa polo branca e ele com camiseta preta com uma arte abstrata em silk na frente. Gui vestia um bodysuit branco bem colante sem manga e sem costas e decote V profundo na frente. Se ajustava ao corpo perfeitamente. Ela colocara uma saia curta branca de tecido bem leve com um pregueado na barra. Com sua pele bronzeada ficava muito bonita e sensual. O bodysuit modelava os seios dela de forma muito sexy. Nos pés calçava uma sandália preta de salto bem delicada com fivelinhas prateadas. Estava com o cabelo solto e escovado e seu perfume novamente me envolveu.
Logo que nós saímos eu falei:
— Pelo menos no perfume nós escolhemos a mesma grife.
Gui observou-me, prestou mais atenção sentindo o meu, sorriu e concordou:
— Puxa, você reconheceu?
Sorri:
— Coleciono aromas. Tenho a mania de memorizar o perfume das mulheres. Acho uma das coisas que mais mexe com a libido são os aromas. Passei a prestar atenção e aos poucos fui conhecendo mais e hoje reconheço os mais famosos.
Ela sorriu e emendou:
— Engraçado. Não são muitos os homens que prestam atenção nesses detalhes a esse nível de conhecimento, reconhecer a marca e o modelo.
Pela segunda vez no dia eu havia acertado o perfume da Gui. Maninho falou:
— Eu memorizo se gosto ou se não gosto do perfume. Mas não saberia reconhecer nome algum, salvo aqueles inconfundíveis.
Expliquei que isso vem com o tempo se ele se dedicar a memorizar. Como ele memorizava frases musicais e associava a músicas.
Até chegar ao restaurante fomos conversando com calma sobre as trivialidades. Não foi difícil acomodação ao chegarmos. Fizemos nossos pedidos e na entrada já tomávamos vinho. Eu notara que apesar de serem atenciosos e educados um com o outro, Gui e Maninho se comportavam meio formais na minha frente, quase sem envolver muito carinho. Eu não sabia se era pela minha presença ou se era o jeito deles. Eu queria que eles se soltassem e por isso, apostei no vinho. E servi generosamente.
Ao final do couvert já tínhamos bebido a primeira garrafa. Assim, pedimos outra quando chegaram os pratos principais. Naquela noite comemos um peixe assado na telha que ficou divino. Acompanhado de arroz de brócolis e batatas salteadas. Eu tentava fazer o clima ficar divertido, e contava histórias pitorescas. Eles, curiosos, perguntavam dos meus romances e conquistas. Até que Maninho falou:
— Acho que você tem um repertório de experiências amorosas riquíssimo, se fizer música com isso e gravar dá um álbum duplo.
Ele usava a linguagem musical. Eu sorri:
— Menos! Menos! Acho que se for gravado em mp4 cabe num pen-drive de 4 megabytes.
Caímos na gargalhada. Gui já curiosa perguntou:
— Mas foram todos amores, casamentos, ou apenas aventuras?
Olhei para ela sorrindo, expressão divertida, mas olhando nos olhos eu disse com emoção:
— Nunca fiz uma aventura onde não me colocasse com toda paixão.
Gui arregalou os olhos surpresa com a resposta. Eu sabia que para ela aquilo tinha significado. Maninho já meio alegre falou tentando brincar:
— Colocou com toda paixão né tio? Penetrou sempre com amor! Mas saiu como? Duro ou mole?
Olhei para ele também sorrindo da malícia da frase. Ri por uns dez segundos achando mesmo graça do jeito que ele falou. Até a Gui achou graça. Esperei um tempo para responder:
— Nunca mais saiu! Não saiu mais de mim. Depois que eu penetro, não sai mais de mim. Jamais esqueço uma paixão. Guardo todas as paixões com o maior carinho e afeto. Até das que me deram problemas depois.
— Uauuu - Gui me observava com atenção.
Ela estava séria, embora seu semblante desse a entender que se divertia. Maninho não esperava esse tipo de resposta. Alegre, riu alto, depois perguntou:
— Mas as maiores paixões mesmo foram os casamentos? Foram três? Ou teve mais?
Dei um gole de vinho com os olhos arregalados, para criar suspense:
— Muitas paixões. Os casamentos foram somente casos mais graves e intensos de paixão, com muita entrega.... E alguns desses duram até hoje.
Maninho questionou:
— Como assim? Não separou? Ainda está com todas?
Eu sorri coçando a cabeça, como se estivesse embaraçado:
— Demorei a entender isso Maninho. Na verdade, eu me apaixono demais muitas vezes. E esqueço de esquecer. Esse é o problema. Sou muito volúvel! Aí embola tudo.
Maninho e Gui acharam graça. Mas depois nada falaram. Houve um silêncio de alguns segundos enquanto mastigávamos. Cada um pensando no que falar. As brincadeiras tinham esfriado. Então eu disse rindo:
— A porra é que eu sou um devasso muito volúvel!
Dessa vez eles acharam mais graça, gargalharam, e o clima ficou leve novamente.
Gui então curiosa perguntou:
— Fala sério tio. Você tem alguém? Ou está solteiro?
— Eu tenho sempre alguém. Tenho uma grande companheira, parceira em tudo há muitos anos. Mãe dos meus dois filhos. Mas temos nossa vida individual, com total liberdade, cada um tem seu espaço, seu trabalho, sua casa, suas coisas, e ficamos juntos quando sentimos vontade. Como a paixão continua entre nós com muito afeto, funciona muito bem.
Maninho não resistiu e perguntou:
— Mas, e ela pode ter outros? Tudo bem para você?
Tentei ser bem claro:
— Parceria é liberdade, é respeito, confiança, admiração, carinho, querer bem, cumplicidade. Eu sempre defendo o direito de a pessoa fazer o que sentir vontade. Somente não se deve fazer nada escondido. Não precisa. O oculto é que estraga.
Gui e Maninho me olhavam um pouco admirados. Não perguntaram mais. Terminamos nosso jantar depois da terceira garrafa de vinho. E tomando um sorvete de creme com licor da Cassis como sobremesa.
No final, bem alegres, tive que chamar dois taxis. Um para nos levar e o outro motorista deixou seu carro e foi apenas levando o carro da Gui. Paguei duas corridas. Depois ele retornaria com o outro motorista para pegar o seu carro.
Na casa, chegamos bem alegres e o papo ficara animado. Devido ao calor fomos nos sentar na varanda, no deck que dá para a piscina. Com o vinho ingerido parecia que a noite ficara ainda mais quente. Maninho retirou a camisa e a calça, ficou de cueca, e Gui despiu as sandálias. Os pés dela descalços sobre a cadeira de descanso, lindos e delicados eram por si só um elemento de apelo sensual. A tornozeleira dourada com os pingentes figurava como um lindo adorno. Eu que sou admirador de pés femininos fiquei desfrutando daquele visual lindo. Eu e Maninho também ficamos descalços.
Durante a conversa no restaurante eu havia notado que por duas vezes Maninho quase disse ou perguntou algo que desejava. Mas não tivera a oportunidade, talvez por estamos em local público.
Gui foi buscar uma quarta garrafa de vinho na copa e trouxe as taças. Quando o papo engatou novamente, estávamos suando e bebendo já bem alegres. Maninho me disse que se eu desejasse ficar à vontade, podia despir a calça. Eu já retirara a camisa. Gui despiu a saia, ficando apenas com o bodysuit que modelava seu lindo corpo. Tanto os seios como o púbis estavam bem delineados naquela malha justa. Na parte lateral de suas coxas, como o bodysuit era cavado, dava para ver em sua pele bronzeada o sinal mais claro das tirinhas do biquíni. Ela estava fulminantemente sexy e sabia disso. E tudo indicava que fazia questão de se apresentar daquele jeito para demonstrar liberdade. Como se fosse um teste para mim e para o marido. Eu ficara excitado, mas controlava bem. Notei que havia um jogo de sedução feito por ela, cada vez mais presente. Mas Gui não se mostrava nem um pouco acanhada diante do marido. Desconfiei que ela quisesse mesmo nos testar.
Finalmente, com o calor que fazia, Gui resolveu dar uma nadada. Levantou-se da cadeira, caminhou para o deck e pulou na água da piscina dando um belo mergulho. Quando saiu à tona, exclamou:
— Ah.... Lá se foi o meu cabelo todo tratado. — E chamou — Venham, caiam na água. Está uma delícia.
Eu esperei a reação de Maninho que se levantou e disse:
— Vamos, deve estar boa mesmo!
Em seguida ele me estimulou:
— Vai, tira a calça e entra de cueca. Aqui não temos frescuras.
Despi a minha calça. Era inevitável ter um volume aumentado entre as pernas. Tratei de mergulhar na piscina seguindo Maninho que havia pulado. Na água esperava relaxar um pouco.
Realmente, como estávamos bem alcoolizados, o choque térmico com a água fresca ajudou. Mas ainda estávamos bastante altos. Para desconversar eu comentei que a casa deles era uma delícia, bem localizada e com ótimas instalações. Maninho falou:
— Com a piscina aqui eu até nem sinto tanta necessidade de ir ao mar. Mergulho um pouco aqui todos os dias.
Gui acrescentou:
— Eu sinto falta do mar, da areia, das pessoas. Adoro a praia. Vou quase todos os dias um pouco, me ajuda a manter a cor e as marquinhas.
Maninho respondeu:
— Ela adora se exibir para o pessoal da praia, isso sim, ficam babando...
Eu nada disse e Gui não respondeu a cutucada do marido. Ainda ficamos na água por uns quinze minutos, falando bobagens triviais de como valia a pena curtir os momentos de prazer. Mas Gui disse que estava sentindo arrepios de fio e falou que ia sair. Ela foi para a escadinha e subiu com calma saindo da água. O bodysuit de malha branca delicada, molhado, ficara completamente transparente, mais ainda do que o biquíni que ela usara na praia, e dava para ver perfeitamente a bunda com o vão escuro entre as nádegas. Quando ela se virou de frente para nós, já do lado de fora da piscina era visível a xoxota toda lisinha, depilada, com apenas um coraçãozinho de pelos aparados em cima do púbis, e as aréolas dos seios marcando o tecido fino. Era uma visão alucinante e com os cabelos molhados ela ficou ainda mais bela. Eu olhei admirando sem disfarçar e comentei com Maninho:
— Ela tem razão de se exibir. É muito bela. Você acertou na loteria!
Ele riu e disse:
— Fico orgulhoso tio. Realmente é um monumento. Não posso impedir que ela se mostre.
Gui estava se preparado para entrar na casa. Ela disse:
— Vou tomar um banho para tirar o cloro e secar os cabelos. Senão amanhã estão ressecados.
Vi aquela beleza se afastar. Eu falei:
— Seria egoísmo seu querer ela só para si, e impedir que ela se exibisse. O mundo merece.
Gui ia saindo da varanda e gritou:
— Estou ouvindo vocês cochicharem.... Falar pelas costas é feio!
Eu respondi meio gritado:
— Falei pelas costas não, falei pela bunda e pelo corpo todo.... É uma provocação!
Ela saiu rindo e respondeu:
— Gostou? Está bom. Amanhã tem mais.
Enquanto ela se afastava vi que Maninho me observava para ver se eu estava sendo sacana ou apenas sincero. Eu falei para tranquilizá-lo:
— Estou dando o que o ego dela espera. Ela de fato adora ser admirada. E merece.
Maninho deu com a cabeça concordando e em seguida foi saindo para a escadinha enquanto falava:
— É duro administrar isso tio, mas tem suas compensações.
Não respondi. Esperei que ele saísse da piscina e saí a seguir. Pegamos toalhas e nos enxugamos. Antes de entrarmos para a casa eu falei que ia dormir e me despedi. Fui para o quarto, despi a cueca molhada, deixei no banheiro e também tomei um banho. Depois caí na cama ainda nu e adormeci de imediato, excitado com as lembranças deliciosas daquela escultura feminina se exibindo na beira da piscina.
Na manhã seguinte, fui desperto por Gui que estava na porta aberta do quarto tamborilando na madeira e me observando. O aposento estava na penumbra. Ela bateu no portal. Eu cansado na véspera devia ter deitado sem fechar a porta. Ela viu que eu estava totalmente nu sobre a cama, mas não ligou e foi chamando:
— E aê.... Gostosão. Vai dormir a manhã toda? Desculpe chamar. A praia nos espera. Venha tomar café.
Ela não demonstrava nenhuma vergonha ou timidez de me ver nu. Eu me espreguicei. Tinha o pau meio teso como sempre que eu acordo, e disse que já iria levantar. Também não fiz nada para esconder. Ela saiu e eu me levantei e fui ao banheiro.
Tive primeiro que urinar, senão o pau não amolecia, me lavei, escovei os dentes, e colocando um calção branco e largo, e uma camiseta também branca fui para a copa onde estava servida a mesa do desjejum. Frutas, sucos, bolachas, pão, queijo, cereais, e até uma omelete.
— Nossa! Hotel cinco estrelas! E uma estrela como cheff! Que delícia!
Gui sorriu. Usava um pijaminha de jérsei de seda bem fininho, cor-de-rosa, onde a calça era só um micro short coladinho e a blusa apenas uma meia camiseta presa por alcinhas nos ombros. Os seios soltos balançavam firmes sob o tecido leve marcando os biquinhos. Acho que ela estava ainda mais tentadora do que se estivesse nua. Parei, dei um beijo de bom dia na face, e fiquei admirando Gui se movimentar servindo a mesa. Ela me perguntou:
— Está olhando o que? Nunca viu? Já viu ué...
Eu sorri junto com ela. Depois segurei uma colher como se fosse um microfone, fui cantando imitando o Seu Jorge na música com a Ana Carolina:
— Eu não me canso de olhar pra você.... Eu não me canso de olhar....
Gui caiu na gargalhada e depois reclamou:
— Para com isso, assim fico encabulada tio.
Os biquinhos dos peitos bem empinados pareciam querer furar o tecido do pijama. Foi a minha vez de dar gargalhada. No meu calção um volume do pau crescendo já estava bem visível que eu tentava disfarçar com a camiseta larga. Respondi:
— Encabulada ficava a sua avó.... Se eu soubesse do tratamento deste Spa cinco estrelas eu tinha vindo muito antes! Faz a gente se arrepender de não ter mais vinte e cinco anos.
Gui falou em tom baixo, quase sussurrado:
— Gostou né? Seu safadinho. Onde já se viu? O que você faria com vinte e cinco anos que não pode fazer hoje?
Eu sorri e respondi com malícia fingida:
— Não posso casar com você. Caia matando nessa sobrinha mais linda!
Ela me olhou com ironia:
— Epa! Ficou guloso no café da manhã? Gosta de cardápio sem restrições? Cuidado com as altas pressões, hein tio! — E sorriu maliciosa.
— Eu só estou encantado com a recepção e a acolhida. Estou adorando tudo, a casa é uma delícia, e se soubesse teria vindo muito antes.
Ouvimos os barulhos de Maninho que se aproximava pelo corredor. Ele ouvira apenas o final da minha frase e não escutou a fala da Gui, então reforçou:
— Pois a casa está sempre à sua disposição, venha mesmo.... Sua presença nos faz muito bem.
Gui trocou olhares cúmplices comigo. Piscando um olho de modo malicioso, disse:
— Venha mesmo! Adoro receber! Ainda mais um tio divertido e animado assim.
Maninho não notou os detalhes de nossa brincadeira. A esposa dele estava brincando de me provocar intencionalmente. Mas sem maldade, era pura provocação sadia. Sentamo-nos à mesa e tomamos nosso café. Gui falou:
— Tio, falo sério agora, achei o máximo você ter vindo. Eu não o conhecia direito. O Maninho bem que falava que você é uma pessoa muito jovial. E eu adorei.
Maninho concordou e reforçou:
— O tio é o meu herói. Quero que venha para cá sempre que desejar vir ao Rio. Aproveite e nada de ficar em hotel.
Agradeci. Aos poucos, a intimidade ia aumentando, e ficávamos mais descontraídos. Gui com seu pezinho delicado de unhas pintadas com esmalte claro e francesinhas, pisou de leve sobre o meu pé, provocando. Eu podia ver através do tampo de vidro da mesa. Ela perguntou:
— Então? Nadador.... Pegamos uma praia?
Eu me arrepiei com aquele toque. Estava a fim de ir à praia e concordei. Maninho também disse que topava. E completou:
— Estamos por sua conta tio. Você diz o que deseja fazer!
Perguntei:
— Vocês trabalham hoje não? Então vou pegar essa praia agora de manhã, e depois eu me ofereço para fazer o almoço. A Gui vai para a loja a que horas?
Maninho disse:
— Então vocês vão nadar e eu vou preparar umas músicas. Quero depois do almoço lhe mostrar umas gravações de minhas novas criações.
Gui respondeu:
— Eu fico aqui de manhã e ajudo no almoço, mas depois tenho que ir para a loja, pois sexta –feira é sempre mais movimentado.
Pronto, estava decidido e tomamos nosso café num clima bem simpático. Gui falou:
— Agora que eu sei o motivo do sucesso seu com as mulheres, um homem que gosta de cozinhar, ganha muitos pontos.
Aproveitei e brinquei:
— Quando não se é bonito como o Maninho nem faz canções de sucesso, tem que descobrir outras armas. Cozinhar é uma delas.
Eles deram risada e logo depois eu e Gui fomos nos trocar e em dez minutos estávamos novamente de calção e biquíni a caminho da praia.
Estava um dia luminoso, o mar muito convidativo e nadamos um pouco. A Gui já sabia que de tarde iria ao salão e por isso aceitou nadar comigo. Foi bom nadar por uma meia hora, com ela me seguindo em ótimo estilo Crawl. Braçadas calmas, compassadas, e seu corpo deslizando na superfície quase ao meu lado.
Quando o nosso fôlego se esgotou, ficamos boiando um pouco para recuperar a capacidade de nadar de volta. A Gui então se aproximou e pediu:
— Me ajuda um pouco tio, para eu descansar.
Ela se pendurou nos meus ombros e ficou meio abraçada encostando-se ao meu corpo. Eu fazia força para sustentar os dois na superfície movimentando pernas e braços, mas eu não achei que ela precisasse de ajuda, estava apenas gostando de se encostar um pouco e provocando. Eu aguentei uns dois minutos ali e ela disse:
— Está fortão ainda tio, obrigada.
Depois ela se soltou e voltamos nadando. Fomos direto para a areia e ficamos ali, de pé, conversando e aproveitando o sol da manhã. Eu estava me sentindo muito feliz pela companhia daquela mulher linda e animada, sensual e descontraída.
Ao mesmo tempo me sentia um pouco incomodado, porque notava que ela estava procurando sempre me provocar, e sabia que ela e o Maninho não estavam se entendendo muito bem. Eu entrava na brincadeira mas não avançava o sinal, apenas curtindo o clima.
Ponderei que eu não podia ser um elemento que contribuísse para piorar o caso. Mas eu sentia também que a Gui estava muito contente de poder me fazer companhia e isso me enchia de felicidade. Ficamos pouco tempo na praia, cerca de uma hora, suficiente para tomar um sol e pegar uma cor na pele branca. Nossa conversa girou em torno de como ela estava vendo sua carreira de artista e modelo. Gui me confessou que gostava muito de atuar e de fazer comerciais, mas a exposição pública da imagem dela tirava a liberdade, e por isso, se dedicava mais à loja, para ter mais privacidade. Comentou que bastava o Maninho para ser assediado pelas fãs, e esses fatores tiravam a liberdade do casal. Ela contou:
— Quando eu estava com a peça em cartaz, e atuando na televisão, não podíamos sair, ir ao cinema, um bar, um restaurante que sempre apareciam admiradores e fãs, e cortava muito o prazer de estarmos juntos. Não havia paz e privacidade.
— É o preço do sucesso. E como estão lidando com isso? — Eu tinha mesmo curiosidade em saber.
— Eu parei com a televisão por um tempo, e a peça terminou a temporada. Resolvi parar um pouco e só faço alguns comerciais porque pagam muito bem. Mas o Maninho também reduziu muito os shows. É cansativo e ele está preparando o material para o próximo DVD, e apresentações. Hoje a internet e redes sociais tomam muito tempo.
Ficamos conversando descontraídos, às vezes eu passava protetor solar em seu nariz e testa com toques delicados e eu notava que muitas pessoas na praia ao passarem reconheciam a Gui e ficavam olhando, prestando atenção em mim. Comentei isso e ela rindo falou:
— Se prepara para sair no site de fofocas: “Guilhermina, atriz de sucesso sem contrato no momento, vista na praia com coroa charmoso e desconhecido! ”
Eu dei boa risada e disse:
— Vai chover mais na minha horta!
Ela achou graça também e então me abraçou e me deu um beijo no rosto dizendo:
— Se é assim eu vou ajudar um pouco mais!
Eu não perdi a oportunidade e a abracei pela cintura:
— Agora não quero mais ninguém. Confirmado o romance do coroa com a atriz!
Gui rachou de rir:
— Tio, você é bom de jogo!
Eu rindo:
— Eu jogo no ataque e na defesa, mas ataco sempre pelo meio.
Ela debochava:
— Pior que se sair mesmo essa fofoca aposto que o Maninho vai adorar essa história. Periga ele dar corda e dizer que está com ciúmes.
Demos risadas e depois de alguns minutos ali falando besteiras e rindo, ela me abraçou várias vezes fingindo namorar, para rir e me fazer carinhos discretos nos ombros e nos cabelos. Eu estava vendo a hora que meu pau ia dar sinal de vida. Mas por sorte consegui me desconcentrar.
Ao final de um tempo voltamos para casa e tomamos cada um uma ducha de chuveiro. Eu vesti o mesmo short que usava pela manhã e a Gui apareceu com uma camisa tipo social de microfibra cor creme, de mangas arregaçadas, e que só ia até o meio das suas coxas, mais curta um tiquinho do que um vestido normal. Parecia não usar nada por baixo. Fingi que não notei aquela tentação e perguntei o que ela tinha na geladeira para a gente cozinhar. Decidi fazer uma bela macarronada ao molho de bolonhesa, com carne moída e bacon. Comecei a cortar a cebola e o alho enquanto a carne dava uma fritada na panela.
A Gui ia me entregando os ingredientes e os temperos que eu pedia, e quando eu indicava ela mexia aquele meio quilo de carne moída na panela, para não deixar grudar no fundo. Com um pouco de azeite a carne foi soltando a água e secando, depois começou a fritar. Quando a carne já havia secado e soava fazendo aquele chiado característico de fritura na panela, eu já havia cortado e preparado tudo. Colocara uma outra panela com água para ferver. Para cozinhar a massa. Como a massa cozinhava rápido esperei o molho ficar mais adiantado.
Acrescentei na carne umas seis fatias de bacon picado em pedacinhos, a cebola e o alho também picados, um pouquinho de cheiro verde picado, um pouco de orégano, um copo de vinho tinto, uma colher de sopa de vinagre de maçã, um pouquinho de pimenta do reino em pó, uma colher de sopa rasa de sal, e pedi para que a Gui mexesse lentamente esperando a mistura com a carne ficar bem homogênea. Aos poucos o chiado de fritura voltou a aparecer. O bacon soltava uma gordurinha cheirosa. Então eu despejei um pacote de molho de tomate na panela e uma colherinha de açúcar para quebrar a acidez do tomate e do vinagre. A Gui ia mexendo com uma colher de pau e quando a água da outra panela ferveu eu coloquei um pacote de 500 gramas de macarrão talharim com sêmola e deixei cozinhar na água fervendo, com uma colher de azeite na água para não deixar a massa grudar ao ser escorrida.
Deixei a Gui mexendo o molho de carne moída e eu fui mexendo um pouco a massa para amolecer sem grudar. Em quinze minutos o macarrão ficou cozido ao ponto e eu pude escorrer. Aproveitei e joguei mais um pouco de azeite na massa. Nosso almoço estava pronto. Gui colocou os pratos na mesa usando um jogo de suporte americano, depois serviu o molho à bolonhesa em uma tigela de vidro e a massa em outra maior. Maninho chegou atraído pelo aroma da comida e nos sentamos para comer. De fato, o cheiro estava muito convidativo.
Cada um se servia na quantidade de massa que desejasse com uma garra, e com uma concha servia o molho sobre ela. Na hora que a Gui se sentou na cadeira à minha frente, pelo tampo translúcido de vidro temperado da mesa, pude notar que a camisa que ela usava ficou mais curta e dava para ver o V da sua virilha e as coxas juntas escondendo a xoxotinha. A visão me arrepiou de imediato, mas tratei de disfarçar e me servir da comida. Realmente o almoço ficara muito saboroso e a Gui disse elogiando que aprendeu uma receita na prática. Eu aproveitei e brinquei:
— Tocar, dançar, jogar, fazer sexo, o melhor aprendizado acontece na prática.
Maninho sorriu concordando. Gui falou:
— Quero fazer um curso intensivo com você em todas essas modalidades.
Caímos na gargalhada, pois ela era mesmo muito boa na provocação. Maninho perguntou:
— Você toca alguma coisa tio?
Eu não perdi a chance de brincar:
— Sobrinho, não seja indiscreto. Toco várias..., mas, estamos à mesa do almoço.
Eles deram mais risada com a gozação e o almoço decorreu num clima muito gostoso. Só falando bobagens. Gui tinha umas fatias de pão italiano e foi gostoso comer a massa acompanhado daquelas fatias de pão meladas com o molho. Uma combinação muito saborosa.
Algumas vezes a Gui se movimentava um pouco na cadeira, as pernas se separavam um pouquinho, e eu podia ver de relance os lábios grossos de sua bocetinha espremidos entre as coxas. Era uma visão provocante, mas o Maninho sentado ao lado dela não tinha como ver. Disfarcei e almocei adorando ter aquele visual excitante. Depois do almoço o Maninho disse que lavaria a louça e a Gui foi se arrumar para o trabalho. Quando a Gui veio se despedir para ir trabalhar já toda arrumada, com saia e blusa elegantes, de seda verde escuro, e usando sandálias de salto em couro de cor natural, eu já estava terminando de secar a louça e Maninho ajudava a guardar.
Gui nos beijou e partiu. Então eu e ele fomos para o quarto que ele havia transformado em estúdio de trabalho e o rapaz me mostrou as suas últimas composições. Maninho era mesmo talentoso e algumas músicas me encantaram. Tinha composições muito bonitas. Comentei que ele deveria preparar um plano de shows para apresentar esse novo trabalho para lançar o novo álbum. Ele disse que ainda iria mexer um pouco nos arranjos, mas naquele ano ainda pretendia ter tudo pronto. Maninho então, me mostrou uma música que estava incompleta e não tinha ainda uma letra. Acabei me empolgando, e diante das lembranças dos momentos encantadores diante da beleza de Gui, e inspirado na foto dela no quadro da sala. eu escrevi um poema para que ele musicasse.
“A Garota da Foto”
Cresce em mim o desejo de tê-la
Mesmo que pareça impossível
Essa vontade existe e me ocupa
Mais do que o juízo de esquecê-la
Uma vez que possa ser factível
A partir de sua explícita atitude
Expondo-se oferecida em foto nua
Qual objeto que se vende por vaidade
Mantenho a imagem na memória
Alimentando cenas sem censura
Sua pele junto à minha sem ter culpa
Que eu levo na memória conquistada
Na possessiva mania de guardá-la
Entre todas as fantasias que alimento
Ainda que a libido seja um sonho
E se ocupe de me atentar tão linda
Com seu jeito de sedutora imóvel
Impudica entrega eternizada na imagem
Destrói minha fantasia na distância
Quase de trinta o espaço que separa
Meu trilhar em bons cinquenta dos vinte
De sua maravilhosa beleza nua.
Maninho ficou encantado, e já queria gravar, mas eu disse que ele deveria guardar segredo, fazer o arranjo com calma, e mostrar para a Gui somente depois que a música estivesse pronta e finalizada. Com isso, nos deixamos empolgar e nem vimos a tarde acabar. As horas foram passando. Esperava que o Maninho falasse comigo se havia alguma crise com a esposa, mas ele estava tão feliz em me mostrar suas composições, empolgado com as minhas reações de admiração diante das gravações e dos novos arranjos e com o poema que havia feito, em homenagem à esposa, que eu não quis estragar o clima.
Passamos uma tarde muito agradável, e em nenhum momento o Maninho deu mostras de que estava triste ou preocupado com alguma coisa. Até que no finalzinho da tarde a Gui chegou, com cabelos tratados, maquiada, e animada para sair:
— “Sextou” seus encravados. Vão me lavar para sair ou terei que chamar os universitários?
Ela estava muito animada e decidimos ir a um bar com ambiente para dançar. Fizemos um lanche rápido com sanduíches de pasta de atum, café cappuccino, e fomos nos arrumar para sair.
Maninho sugeriu o Coordenadas, um bar de Botafogo, com estilo rústico, onde tem pista de dança com DJ e no andar de cima espaço onde se apresentam bandas, trios e cantores com shows intimistas. Também tem boa comida e drinques ótimos. Maninho é amigo do proprietário, e ligou para ele avisando que a gente iria. Gui queria dançar, agitar e aprovou na hora. E fomos nessa onda.
Eu e maninho nos arrumamos mais rapidamente e ficamos esperando a princesa aparecer. Deu para a gente falar de músicas, de bandas prediletas e outros detalhes. Quando depois de uma hora a Gui apareceu pronta senti que não ia prestar. A danada estava deliciosa. Usava um vestido lindo de cetim azul-esverdeado bem clarinho, curto e justo ao corpo, que na frente do busto tinha um corte reto com duas alcinhas que passavam sobre os ombros e se amarravam dos lados do busto. O vestido não tinha costas o que revelava que ela não usava sutiã, e a parte de baixo começava na altura da tatuagem lombar. Dos lados da saia ele tinha uma costura com duas tirinhas que repuxava um pouco na vertical, amarrado com dois lacinhos ficando meio puxadinho dos lados. Calçava uma sandália vermelha de salto, com poucas tiras de couro, realçando seu lindo pé de unhas impecavelmente pintadas de esmalte clarinho e com as francesinhas que eu tanto admiro. Suas pernas bronzeadas e esbeltas pareciam aqueles anúncios de meias de tão perfeitas.
Trazia
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