Seu perfil é de donas de casa, mães e profissionais liberais que entediadas com o dia a dia doméstico e profissional sonham em ser águias e voarem grandes alturas. Mas, as águias são conhecidas por suas impressionantes habilidades de voo. Elas podem alcançar alturas de até 10.000 a 15.000 pés (aproximadamente 3.000 a 4.500 metros) e, em alguns casos, até mais alto. Durante a migração, algumas espécies podem cobrir distâncias de até 250 milhas (cerca de 400 km) em um único dia. E como todos sabem é impossível transformar galinhas em águias, em consequência a maioria brinca de submissa por uma semana, as vezes duas e logo cansa porque não tem força nas asas para alçar voos altos. Ainda mais quando esta relação é basicamente virtual, onde o possível anonimato e a distância possibilitam muitas coisas, uma delas é a mentira. No entanto, as pessoas esquecem que podem mentir e enganar o mundo inteiro, porém a verdade sempre lhe será intimamente conhecida. A pior mentira é aquela que realizamos para nós mesmos.
É fácil desejar ser amarrada, humilhada, fodida com força, usar fantasias de couro e acessórios. Qualquer sex shop vende este tipo de produto. Lembre-se que no mundo da imaginação tudo é permitido, há um vasto cardápio de opções nos ARBNB do sexo.
No mundo dos contos todas as bucetas e cus estão abertos e prontos para serem arrombados pelas enormes picas dos comedores, dos machos alpha, dos Bolsonaristas inbrocháveis – não poderia perder a piada que recorda o vergonhoso 7 de setembro de 2020, centenário da Independia do Brasil. Nesse mundo dos maridos cornos e das relações abertas, “pero no mucho”, tudo é fascinante. N ficção as galinhas fogem, formam até uma República Independente, mas na realidade seguram a vassoura limpando a casa e sonhando que são bruxas encantadoras que realizam encantamentos com suas bocas, bucetas e cus mágicos. Na realidade paralela da internet são cinderelas, enfermeiras, prostitutas, gostosas e cheias de tesão. Seus machos são magníficos garanhões selvagens, com paus de 30 cm capazes de jorrar rios de porra em suas bocas, bucetas e cus sempre apertadinhos. Adoro isso, mesmo com o seu português ruim e a sua falta de contexto, roteiro e cenário, o sexo é sempre fácil e altamente satisfatório. Delícia.
Quando falamos de BDSM então, todos são personagens dos livros de E.L. James. As Anastácias e os Dorian Grey estão lá presentes em toda a sua exuberância e riqueza. Todos estão numa jornada de autoconhecimento, exploração de tabus, buscam entender a complexidade dos relacionamentos, entendem a dinâmica do poder e sabem tudo sobre seus limites e consentimentos. Falam de sadismo e masoquismo sem nunca terem aberto livros como “Os 120 Dias de Sodoma”, “Justine”, “Juliette" , "A Filosofia da Alcova” ou seja nem imaginam quem é Donatien Alphonse François de Sade. Neste mundo paralelo, as donas de casa acreditam que de forma terapêutica usaram o BDSM vestindo-se de submissas ou de dominatrix para curarem suas frustrações e realizarem seus desejos de serem amarradas, fodidas, penduradas, espancadas, humilhadas. Tudo para confidenciarem para suas amigas mais intimas no almoço de domingo as grandes descobertas e aventuras que vieram durante breves minutos de liberdade que a sua imaginação permitiu durante o intervalo da entediante novela da vida real.
Ao contrário dos que alguns possam estar pensando, embora seja um texto ácido, ele tem um objetivo muito claro: lembrar as galinhas que elas não podem voar com águias, até porque se voarem devem estar conscientes de que em algum momento virarão o lanche da tarde. Águias, por uma questão natural, enxergam as galinhas como um mero alimento e não sentem nenhum remorso em literalmente comê-las. Mas há um livro interessante, trata-se de a história da águia e as galinhas, popularizada por Leonardo Boff, é uma metáfora sobre a condição humana. A fábula conta sobre um camponês que encontra um filhote de águia e a cria junto com as galinhas. A águia cresce acreditando ser uma galinha, ciscando e vivendo como as outras galinhas. Um dia, um naturalista visita a fazenda e, ao ver a águia, insiste que ela é uma águia e não uma galinha. Ele tenta várias vezes fazer a águia voar, mas ela sempre retorna ao galinheiro. Finalmente, o naturalista leva a águia para o alto de uma montanha e a expõe ao sol nascente. A águia, ao ver a vastidão do céu, abre suas asas e voa, descobrindo sua verdadeira natureza. Essa história nos ensina sobre o potencial escondido dentro de cada um de nós e a importância de reconhecer e viver de acordo com nossa verdadeira essência.
Pois bem, eu sou este naturalista e desenvolvi meus métodos como já relatei nos contos anteriores. Não sou o galo Rocky e não desejo ter um harém de galinhas para comê-las no jantar ou num final de semana de sexo intenso. Estou aqui para mostrar as águias a vastidão do céu, mesmo que para isso seja obrigado a jogá-las na escuridão do precipício. Então, caso esteja pensando em se comunicar comigo fique a vontade, mas antes leia todos os meus contos, disse todos. Depois faça uma análise “sobre as suas verdadeiras intensões para consigo” e por último tenha clareza que não sou o Grey, sou o Marques de Sade. Um libertário acima de tudo. Gratidão as galinhas por existirem, pois sem elas não estaríamos nutridos.