O estrangeiro e seu caralhão

Por: amanda-328 • 18/07/2026 • 20040 leituras
Capa do conto

O estrangeiro e seu caralhão

Aposto que você nunca ouviu falar de Panagia, muito menos de Afrati e, se você não é grego e nem se aventurou como turista, muito provavelmente também não conhece Serifos, uma ilha a oeste das Cíclades no Mar Egeu, uns 170 quilômetros à lés-sudeste do Porto de Pireus. Sabe porque eu conheço a vila de Panagia e o vilarejo de Afrati? Simplesmente porque nasci na vila e cresci no vilarejo onde, aliás todos se conhecem, pois Serifos inteira nunca chegou a ter 1500 habitantes. A vida ali acontece devagar em meio a uma natureza estonteante, dominada pela quietude das águas coloridas.

Não me lembro de minha mãe, ela faleceu de uma doença misteriosa; uns diziam que foi um tumor que a levou, outros atribuíam sua morte à solidão, depois que meu pai foi levado pelo mar numa noite tempestuosa junto com alguns de seus companheiros pescadores, deixando viúva não só a minha mãe como outra meia dúzia de mulheres da ilha. Tudo o que lhes restou dos maridos foram algumas pranchas coloridas de madeira do costado da embarcação e outros itens sem importância que foram aparecendo na praia trazidos pelas marés algumas semanas depois de haverem partido para a pesca que os sustentava. Portanto, eu também não o conheci. Meu único parente era meu avô materno que me criou desde então. Na parede do meu quarto havia uma fotografia de cada um deles, embora eu não reconhecesse naqueles rostos nem um pai nem uma mãe, eram tão somente pessoas. Contudo, em certas ocasiões quando estava deitado na cama e as observava, brotavam-me as lágrimas; não sei se por não os reconhecer, ou por nunca os ter tido ao meu lado.

Morávamos numa casa caiada de branco com janelas e portas azuis no alto de uma colina implantada num terreno de cinco acres, onde cresciam oliveiras centenárias, limoeiros e laranjeiras próximos às janelas dos quartos e que perfumavam as noites de primavera com o perfume doce de suas floradas. A frente da porta da sala havia um parreiral que fazia sombra nas tardes quentes de verão, e sob o qual fazíamos as refeições nessa época do ano. Já nem se sabia mais há quantas décadas a propriedade estava na família do meu avô, as gerações foram se sucedendo, e ela abrigando a todas. Era uma casa grande, tinha bastante conforto com os cômodos amplos, iluminados e frescos, pois todas as aberturas deixavam passar a brisa constante do mar que soprava na direção sul-sudoeste. As noites nunca eram muito frias, nem mesmo no inverno, quando um cobertor fino dava conta do recado. Os dias eram ligeiramente mais quentes, mas no inverno um agasalho era obrigatório uma vez que o vento trazia ares mais gelados.

Serifos nunca foi uma ilha importante. Durante o Império Romano serviu de exílio. Um modesto crescimento econômico se deu no início do século XX com a exploração de seus extensos depósitos de minério de ferro, mas isso durou pouco, e o ostracismo voltou a dominar os dias da ilha e das poucas pessoas que a habitavam. Era uma vida pacata, guiada pelas estações do ano e pelas marés, nada mais parecia mudar ao longo dos anos. As pessoas incorporaram esse niilismo à sua existência e não esperavam muito mais do que aquela consecutividade monótona. Elas não se julgavam mutuamente, ou não se importavam com a maneira como cada um conduzia sua vida, pois se conheciam e sabiam por quais mazelas cada um havia passado. Portanto, julgar as ações do alheio, conhecendo seu passado, não fazia o menor sentido. As pessoas se aceitavam como eram, e isso as levava a fazer o mesmo com os outros.

Meu avô, Konstantin Karagiannis, descendia dos Karagiannis que chegaram à ilha alguns séculos depois da queda do Império Romano e, não havia em toda Serifos quem não conhecesse um Karagiannis. Por profissão era ourives, outra tradição secular que acompanhava os descendentes. No entanto, foi apenas meu avô quem mais se beneficiou da profissão quando seus trabalhos foram vistos por uma turista inglesa em férias pela Grécia, e que se encantou com as peças produzidas por ele, adquirindo-as para diversas joalherias em Londres e outras capitais europeias. Com uma demanda constante, à qual ele mal dava conta, vieram também os lucros, o que nos permitia ter uma vida estável e confortável. Aos dez anos eu já vivia sentado ao lado dele num dos cômodos da casa que abrigava seu ateliê, passando horas em sua companhia vendo-o trabalhar, ao mesmo tempo em que ele procurava incutir em mim o gosto pela ourivesaria, que também seria a minha profissão no futuro.

Meu tempo se dividia entre o ateliê, a escola e algumas horas de ócio que, no inverno eram usadas para fazer longas caminhadas em companhia do meu cão Zikos ou de algum garoto da vizinhança que encontrasse pelo caminho; e no verão eram passadas na praia da pequena enseada em formato de ferradura onde só se chegava descendo por uma trilha entre as rochas, onde a rapaziada se distraía com brincadeiras e mergulhos no mar. A praia ficava tão isolada que ninguém se preocupava em levar roupas de banho, tiravam-se simplesmente as que estavam no corpo e entrava-se nas águas transparentes da enseada que iam do incolor à beira da praia, passavam por um verde cristalino e continuavam com um azul índigo antes de ganharem o tom mais escuro do mar nas profundezas.

Eu gostava de ir ao encontro da molecada, pois sempre estavam ou jogando bola ou fazendo algo divertido. Para ser aceito nalguma brincadeira, costumavam me cobrar alguma coisa, uma vez que eu era o mais jovem dos rapazes do vilarejo, e não levava muito jeito para certos tipos de brincadeira sendo sempre preterido pelos que já estavam mais entrosados. As cobranças dependiam de quem estava no grupo, ou do que eu eventualmente trazia comigo, como alguma fruta, um chocolate, um petisco ou mesmo um brinquedo. Elas também iam de um pedido inocente, a algumas exigências libertinas, especialmente quando havia garotos na adolescência. Eles, por estarem com os corpos carregados de hormônios, sem terem muitas opções para liberarem o ardor que eles cobravam, viam na minha nudez a oportunidade de saciar suas taras. Eu não compreendia bem que prazer podia haver em deixar que lhe chupassem o pinto, uma das cobranças que os mais velhos me faziam para me deixar participar das brincadeiras; mas o fazia mesmo assim, e sem nenhuma culpa ou remorso. Eles acabavam rindo e se divertindo com a minha ingenuidade, e me ofereciam seus falos púberes assanhados com a lascívia a lhes transbordar pelos olhos em júbilo. Acabei ficando conhecido como Yorgos boqueteiro, o que não mudava muita coisa na minha vida, mas me permitia participar das brincadeiras.

Dimitrius e seu irmão mais novo, Karolos eram meio que os líderes da turma, uma vez que eram os mais velhos com até quatro anos de diferença entre o restante dos garotos, cujas idades se assemelhavam à minha. Nessa condição, eram eles que impunham as regras, decidiam sobre as brincadeiras e impunham castigos aos que ousassem questionar suas decisões. Ambos já haviam entrado na puberdade, tinham os corpos mais fortes e, juntamente com o Achilleus, eram os únicos a terem a virilha coberta de pentelhos densos e negros. Isso, por si só, já fazia com que os garotos os respeitassem, pois compreendiam que ele era um sinal de amadurecimento e poder, com o qual não viam a hora de também serem contemplados. Eu e o Dimitrius tínhamos uma estranha relação de dominância e submissão, uma vez que nunca lhe atribuí o poder que os demais garotos respeitavam. Por conta disso, ele procurava dobrar minha resistência em aceitá-lo como líder inquestionável, ao mesmo tempo em que se sentia responsável por me proteger dos demais garotos, quando tentavam me subjugar. Foi dele a ideia de me fazer chupar as rolas dos garotos para ser aceito no grupo, sendo o primeiro no qual fiz um boquete, com ele me orientando, dado que nunca tinha colocado uma pica na boca. No dia em que o fez, o grupo todo assistiu embasbacado eu lambendo e chupando um pinto, o pinto grosso e cabeludo dele, enquanto ele grunhia de prazer. Todos quiseram descobrir que tipo de prazer era aquele que deixava o Dimitrius tão extasiado e satisfeito. E, o descobriram quando os chupei, um a um, para me aceitarem naquela pequena e seleta comunidade. Eu não sentia nada de especial, fazia-o mecanicamente, dava umas lambidas em todo cacete, chupava uns poucos minutos a chapeleta e o tanto que conseguia colocar na boca e estava cumprida a missão. O que variava eram os sabores e os cheiros de uma rola para a outra, mas isso pouco me importava, eu ainda desconhecia a sensualidade, pois os hormônios responsáveis por incutir essa sensação ainda não circulavam em minhas veias.

Já nessa época, o Dimitrius, o Karolos e o Achilleus implicavam com meu corpo; talvez o termo correto não seja implicar, mas se extasiar com a minha nudez. Por alguma razão, eles gostavam de me tocar, de grudarem seus corpos ao meu quando me agarravam por alguma necessidade de uma brincadeira qualquer e, também de beliscar as minhas nádegas que eram, sem dúvida, as maiores dentre todos os rapazes. Também isso eu desconhecia, a capacidade que meu corpo tinha de excitar aqueles três fazendo com que me bolinassem a torto e direito. Ninguém via maldade naquilo, era tão somente uma brincadeira, uma maneira de zoar com um colega. Também com isso eu não me importava, achava natural, até porque essas mãos bobas eram sentidas por todos, como se fizéssemos parte de um formigueiro, onde cada formiga toca na outra para deixar seus feromônios e identificando os da outra como pertencente à mesma colônia.

A primeira vez em que fiquei realmente zangado com o Dimitrius, desistindo inclusive de participar da brincadeira daquele dia e voltando para casa, foi quando ao chupá-lo, ele ejaculou na minha boca, enquanto impedia que eu me afastasse de sua rola e me obrigando assim a engolir sua porra. Àquela altura, eu já sabia o que era aquele líquido espesso, leitoso e viscoso e para que ele servia, por isso fiquei tão furioso com ele.

- Volta aqui, Yorgos! Desculpe, foi sem querer! Você ainda precisa chupar os outros, ou não vamos te deixar brincar da próxima vez! – exclamava ele atrás de mim quando subia os rochedos para voltar para casa. – Volta aqui moleque! Se contar isso para alguém vou te dar uma surra!

Fiquei emburrado por alguns dias, sem voltar à praia, embora os dias estivessem bastante ensolarados e quentes. Meu avô me perguntou se eu havia brigado com meus amigos, e eu neguei. Por algum motivo eu não queria que ele ficasse sabendo do acontecia naquelas areias quentes longe das vistas de todos, especialmente de adultos que pudessem se objetar ao que vissem. Contudo, já fazia um tempo que eu queria entender o porquê de uns garotos, e mesmo homens, terem corpos tão diferentes uns dos outros, tanto no que tange à musculatura, à quantidade de pelos distribuídos pelo corpo quanto por aquela voracidade tão presente no Dimitrius, Karolos e Achilleus. O que significava aquele brilho que havia no olhar deles toda vez que observavam minha nudez, e que os demais garotos não tinham?

- Vovô, por que os homens são tão diferentes uns dos outros? – soltei subitamente, quando estava ao lado dele vendo-o incrustar uma pedra num pingente que ele havia fundido no dia anterior.

- Todos os indivíduos são diferentes entre si, não apenas os homens. Cada ser vivo é individual, é único! Por que a pergunta, Yorgos? De onde você tirou isso? – questionou.

- Não sei! É que tenho a impressão que alguns homens são mais homens que outros!

- Como assim?

- Sabe os nossos vizinhos, Dimitrius e Karolos, e também o filho da dona da padaria, o Achilleus, eles têm pelos em diversas partes do corpo, enquanto nós outros garotos não temos. – meu avô largou o que estava fazendo e me encarou, havia chegado a hora de ele me explicar algumas coisas que não sabia bem por onde começar. Daí um silêncio prolongado, onde notei que ele procurava uma maneira de responder à minha pergunta sem falar demais, e nem deixar uma abertura para aquele monte de porquês com os quais eu costumava atormentá-lo até que minha mente tivesse montado todo o quebra-cabeças de determinado assunto.

- Você em breve vai ficar parecido com eles, é o que acontece quando se cresce. – foi a melhor resposta que encontrou, não a que ia me satisfazer.

- Por quê?

- Porque durante o crescimento até o homem se tornar adulto e até depois disso, passamos por diversas fases. Desde um bebê até um homem velho como eu. – minha cara lhe dizia que ainda haveria mais porquês.

- Vou ficar peludo como você?

- Não sei, Yorgos! Provavelmente não tanto quanto eu, e acredite, isso é bom, pois essas costas todas peludas são muito desconfortáveis em dias quentes como hoje. Seu pai não era tão peludo, então acho que você também herdou essa característica dele, como tantas outras. Mas, só o tempo dirá! – toda vez que ele mencionava meu pai, eu aproveitava para lhe fazer algumas perguntas, pois já havia notado que ele não gostava de falar sobre esse assunto.

- Você gostava do meu pai, vovô?

- Ora que pergunta boba, Yorgos!

- Por que você não gosta de falar dele, vovô? Ele era ruim?

- Não Yorgos, claro que não! Seu pai era uma boa pessoa! Tomara que quando crescer você fique como ele.

- Então por que você não gosta dele, sempre evita falar dele?

- Porque ele morreu! Ele não podia ter morrido! – exclamou enfático

- Mas como ele ia fazer para não morrer se todos que estavam no barco também morreram?

- Você está impossível hoje, Yorgos! O que deu em você para fazer tantas perguntas num só dia? Se ele não tivesse morrido, sua mãe hoje estaria viva e conosco, por isso ele não podia ter morrido, não podia! Ela se foi para ficar junto dele, e nos deixou! – a dor de perder a filha ainda não estava superada, e aquele olhar marejado me dizia que jamais o seria. Resolvi encerrar meu interrogatório por aquele dia, embora ainda houvessem centenas de perguntas sem resposta.

Meio que estremecido com o Dimitrius, deixei de ir à praia por uns dias para não o encontrar. Eu sabia que aquilo que ele me fez engolir era fruto de sacanagem e, embora o sabor alcalino e amendoado daqueles jatos cremosos não fosse ruim, foi o olhar dele enquanto os ejaculava na minha boca que me deixou abalado.

Quando voltei, foi ele quem me ignorou, fazendo-se de ofendido. Porém, o irmão Karolos é quem estava com a corda toda naquela manhã. E algo me dizia que todo aquele fogo se devia ao fato de o Dimitrius ter lhe contado sobre o que aconteceu. Próximo a hora do almoço, a molecada foi deixando a praia desfazendo os dois times que disputavam uma pelada. Fui um dos últimos a entrar no mar para tirar a areia e o suor do corpo. Como sempre, todos estavam nus; era quase um ritual, descer o rochedo e se livrar das roupas para só então ingressar nas brincadeiras. Caminhei até onde as ondas chegavam à minha cintura, pois apesar de saber nadar com certa desenvoltura ainda carregava aquele medo que meu avô incutiu em mim narrando suas inúmeras histórias de pessoas que se afogaram no mar. O Karolos me seguiu de perto, mal dois passos de distância, e quando me abaixei para que a água lavasse meus ombros, ele me segurou abraçando-me por trás. Ao ficar novamente em pé, senti algo duro roçando meu reguinho. Virei-me rapidamente e, através da transparência da água, constatei que era seu pinto, que estava duro e acrescido.

- Você é tão gostoso, Yorgos! Sua pele, seu corpo, essa bunda redondinha e carnuda, me deixam maluco, sabia? Eu queria entrar nessa bundinha! Chupa minha rola como chupou a do meu irmão, até me fazer esporrar nessa boquinha linda! – grunhia ele junto ao meu ouvido, enquanto me encoxava com vigor.

- Para Karolos! Por que está esfregando essa coisa em mim? Me solta! – protestei, desconfiado que aquilo fosse outro tipo de sacanagem, pois ele, o Achilleus e o Dimitrius só andavam falando sobre sexo, seios e vaginas de garotas, bundinhas de nós ainda não entrados na puberdade e outro tanto de coisas que deixavam a molecada embasbacada mesmo que só parte daquilo tudo fosse compreensível.

- Porque estou com tesão, muito tesão nessa sua bundinha e no seu corpo tesudo! – respondeu ele. – Sabe o que é tesão, Yorgos?

- Não, não sei! E nem quero saber! Só quero que me solte e pare de esfregar seu pinto em mim! – exclamei, procurando me desvencilhar de seus braços musculosos, sem sucesso.

- Tesão é quando a gente quer fazer sexo, é quando como eu agora, fico cheio de vontade de enfiar minha pica no seu cuzinho, toda ela, até lá bem no fundo! – rosnava ele, tomado de uma gana desenfreada.

Os poucos garotos que ainda estavam na água, ficaram observando a cena, ele parecia um daqueles cachorros que sobem em cima da traseira das cadelas agarrado a mim que não encontrava uma maneira de me livrar dele. O Dimitrius nos observava da praia, sentado na areia com um sorriso ganancioso estampado na cara. De repente, uma onda maior se abateu sobre nós e ambos caímos no chão, foi minha chance de escapulir e correr em direção à praia, pegar apressadamente minhas roupas e escalar as rochas antes mesmo de vesti-las. Cheguei em casa esbaforido, pois parte inicial do trajeto fiz correndo e com o coração aos saltos. A partir daquele dia pressenti que corria perigo nas mãos daqueles três, só me faltava descobrir que tipo de perigo era esse.

Com o passar dos anos fui compreendendo o que significavam certos olhares que os rapazes, que deixaram de ser meninos e estavam virando homens, e mesmo alguns homens mais maduros, lançavam sobre mim e meu corpo. Eu não era como eles, havia crescido obviamente, mas era um rapaz sem todos aqueles pelos, sem tantos músculos, embora os que tinha fossem bastante harmoniosos, e principalmente, era um rapaz que não tinha aquele mesmo fogo pelas garotas ardendo dentro de mim. Onde quer que fosse ouvia a expressão – que garoto lindo – sendo pronunciada na maioria das vezes à meia voz. Contudo, eu não me achava mais bonito do que ninguém, e ignorava essas observações. Até onde eu julgava, na verdade gostava mais dos rapazes do que delas, apesar de ser amigo de muitas delas. Isso tudo também me fez encarar aquelas safadezas que faziam comigo por outro ângulo, eu agora reagia mais violentamente quando me apalpavam, bolinavam ou encoxavam, pois isso me fazia ter sensações estranhas que ainda me assustavam por não serem plenamente compreendidas.

- Eu acho que não sou um homem como os outros, vovô! Deve haver algo errado comigo! Todos os meus amigos ficaram peludos com jeito de homem, também gostam das meninas de um jeito diferente do que eu gosto delas, será que sou homossexual? – soltei essa conversa num dia chuvoso, onde mal deu para sair de casa, e me vi por horas ao lado do meu avô, que também parecia estar meditando sobre a vida.

- Você está obsessivamente preocupado com isso, Yorgos! O que te leva a pensar que não é homem e sim homossexual? Homossexuais também são homens, Yorgos! – retrucou ele, ao ser tirado de seus pensamentos.

- O Dimitrius e o Karolos dizem que não, que veados não são homens! – exclamei

- Ah, só podiam ser aqueles dois! E você dá ouvidos aqueles sem-vergonhas cafajestes e enche sua cabeça de dúvidas pelas besteiras que aqueles falam! Ser homem não reside apenas nas aparências, ser homem está aqui dentro, olha! – afirmou, batendo com a ponta dos dedos na cabeça. – Ser homem é ter valores, é ter caráter, é ser honesto, é ser solidário com as tristezas e fraquezas dos outros, é saber viver em comunidade respeitando as pessoas como elas são. Você não age assim?

- Sim! Acho que faço isso!

- Então não se aflija procurando uma resposta que virá com o tempo, à medida em que você for amadurecendo. E, se depois disso, você achar que ainda gosta mais dos rapazes do que das garotas, seja sincero consigo mesmo e viva sua vida pautada nisso.

- Mas e o que vão falar de mim?

- É com isso que está preocupado? Pois saiba que ninguém pode viver a sua vida por você, portanto, ninguém pode te julgar pelo que é. E, se alguém o fizer, nunca se deixe influenciar pelo que os outros dizem a seu respeito. Quem mais te conhece, é você mesmo! – sentenciou. – Em nossa cultura os homens são levados o tempo todo a provar que são homens, ao mesmo tempo em que a cultura masculina é homoafetiva. O homem gosta de estar com outros homens, de conversar com homens, rir com outros homens, admirar diversos aspectos em outros homens, celebrar outros homens, a até amar outros homens. Das mulheres eles querem o sexo, querem garantir sua continuidade, não as suas ideias e opiniões.

- Então gostar de outro homem não é uma coisa tão ruim assim?

- É claro que não, Yorgos! Se esse sentimento for verdadeiro, te fizer feliz e ao outro também, não há nenhum problema em amar outro homem. Na ancestralidade, sobre esse mesmo solo onde você pisa hoje, os relacionamentos entre dois homens não tinham a mesma conotação pejorativa que nossa cultura atual inculcou nas pessoas. Não se esqueça nunca, Yorgos, a moral é volátil, ela muda à maneira que as pessoas também mudam. – concluiu.

- Como vou saber que encontrei a pessoa certa, vovô? Essa pessoa que o senhor diz que vai me fazer feliz e eu a ela? Como se descobre isso?

- Você vai saber, não se preocupe. Isso acontece sem uma explicação lógica, só acontece por que o coração sabe e sente. Quando as tuas mãos e as dessa pessoa se encaixarem e você sentir uma onda de calor seguindo direto para o seu coração, essa será a pessoa certa. – disse ele, com seu sorriso afetuoso me observando.

Todas essas minhas dúvidas advinham do fato de eu, naquela época, já manter relações sexuais com quase todos aqueles meus amigos de infância. Foi algo que surgiu naturalmente, havia uma forte atração física, havia aqueles anos todos de amizade, havia a necessidade de expressar todo aquele tesão que nossos corpos carregavam.

Tudo começou quase como se já estivesse predestinado a isso, com os irmãos Dimitrius e Karolos, uma vez que eram os dois os que mais me acercavam. Foi num domingo de primavera durante o feriadão ortodoxo da Páscoa, na casa de um dos mais velhos moradores do vilarejo, o Sr. Dimopoulous, cuja família compunha quase um terço de todos os habitantes. Eles costumavam fazer uma grande festa em sua propriedade que já fazia parte das programações da ilha. Havia o círculo dos anciãos, dos homens casados, dos que ainda estavam solteiros mas tratavam de mudar seu status, das mulheres que falavam de seus maridos e filhos, das garotas solteiras que estavam ali para serem escolhidas por algum dos solteiros e a galera mais jovem, onde não havia distinção de gênero, rapazes e garotas falavam de assuntos típicos da idade. Era nesse grupo que eu estava engajado, até porque conhecia quase todos. Após o almoço, as rodinhas foram ficando menores, alguns procurando descansando sob alguma árvore mais frondosa, ou debaixo do parreiral, outros empreendendo uma caminhada pelos arredores que permitiam vistas esplendidas das baías mais abaixo, e outros simplesmente procurando um canto mais sossegado.

Havia um certo grau de parentesco entre o pai ou a mãe, não sei ao certo, com os Dimopoulous, o que permitia que o Dimitrius e o Karolos se enfiassem em cada canto da casa e da propriedade, mesmo não sendo convidados para tal. Ambos tinham provado mais do que o recomendável do Ouzo, uma espécie de aguardente à base de anis, uma vez que ninguém os vigiava. Com o cérebro embebido no Ouzo começaram a perder a inibição e me tornei o alvo de suas sacanagens. Nenhum dos dois estava bêbado, mas estavam mais assanhados do que deveriam e, junto com o assanhamento veio o tesão reprimido pelo meu corpo. Um pouco afastada da casa havia uma construção com grossas paredes de pedra onde o Sr. Dimopoulous armazenava alguns toneis de vinho que ele mesmo produzia, num porão cujo acesso era feito por uma escada estreita também de pedra. Foi lá que fui parar com aqueles dois me bolinando o tempo todo, o que também me deixou excitado. Eles queriam que eu os chupasse e, como já fazia algum tempo que aqueles cacetes deles me deixavam salivando, eu topei.

Tomados de lubricidade, antes mesmo de chegarmos ao fim da escada, ambos estavam com os cacetes de fora, prontos para serem envolvidos pela minha boca. O Karolos foi mais rápido que irmão e, tão logo eu estava ajoelhado aos seus pés, pincelou a jeba úmida no meu rosto. Imediatamente identifiquei aquele aroma sensual como sendo dele; àquela altura, eu já distinguia o cheiro de cada um dos caralhos da molecada. Envolvi a rola com meus lábios segurando-a com uma das minhas mãos para controlar a penetração, pois se deixasse isso por conta de qualquer um daqueles safados, as picas iam parar direto na minha garganta. Assim que o Karolos sentiu a maciez da minha boca encapando sua glande, soltou um gemido de satisfação enquanto um sorriso aparecia em seu rosto me encarando cheio de tesão. Chupei-o bem por uns dez minutos, ouvindo suas exclamações de prazer, o que ia atiçando o tesão do irmão que manipulava seu caralhão a pouca distância do meu rosto, esperando sua vez de ser agraciado pelos meus préstimos sexuais.

- Isso, Yorgos, chupa minha caceta, chupa gostoso como só você sabe chupar! – gemia ele, enquanto eu lambia e sorvia seu pré-gozo aromático e saboroso.

- Pega a minha também, seu tesudinho do caralho! Veja como estou babando para você! – exclamou excitado o Dimitrius, me exibindo sua rola cabeçuda da qual um longo fio translúcido e viscoso de pré-gozo era vertido pelo largo orifício uretral.

Com uma pica em cada mão, fui me revezando entre elas, mesclando seus sabores ligeiramente salgados com a minha saliva e deglutindo seus sumos. O Karolos sacou a pica da minha boca por duas vezes, pois estava a um triz de gozar, e como já não se continha mais, me puxou de encontro ao tórax, me beijou devassamente enquanto amassava minhas nádegas nuas e me debruçou sobre um daqueles tonéis vazios enfileirado a um canto. A curvatura do tonel me obrigava a ficar com as pernas ligeiramente abertas, ele se ajoelhou, abriu as bandas da minha bunda e começou a lamber meu cuzinho. Eu gemia alucinado com aquela língua libertina rodando sobre as minhas preguinhas, e empinava o rabo externando meu desejo. Ele se posicionou atrás de mim, apontou a cabeçorra na fendinha rosada e deu uma estocada firme, enfiando a pica no meu cuzinho virgem. Soltei um grito quando senti meu ânus sendo rasgado pela jeba grossa dele, enquanto ela deslizava fundo em mim.

- Ssshhh! Tesão do caralho, como esse moleque é estreito! – gemeu ele, compartilhando seu prazer com o irmão.

- Ai Karolos, para, para, está me machucando! – gani, quando uma segunda estocada fazia a rola penetrar ainda mais fundo em mim.

- Vai devagar, seu imbecil, não vê que está machucando ele? Foi por isso que eu falei que queria ser o primeiro, você é muito estúpido! O Yorgos é virgem, tem que abrir ele devagar e com carinho. Não é como as garotas da casa de madame Athina; em primeiro lugar porque um cu é sempre mais apertado que uma buceta, segundo porque o cuzinho do Yorgos nunca sentiu uma pica e isso machuca bastante na primeira vez, por mais cauteloso que se seja. – instruiu o Dimitrius ao irmão afobado.

- Eu não quero mais, chega! Tira Karolos, tira! Está doendo muito! Não quero mais continuar! – suplicava eu, com aquele cacetão pulsando indômito no meu rabo rasgado.

- Viu o que você fez, sua besta! Deixou o moleque apavorado! Sai daí, deixa que eu continuo! – ordenou o Dimitrius

- Não, não quero fazer mais, já chega! – implorei

- Eu ainda não gozei, quero gozar no cuzinho apertado dele! – exclamou o Karolos, determinado a não tirar a pica do meu cu. – Para quieto, Yorgos! Se está doendo é porque você não para de se agitar! – ordenou. Eu encarei o Dimitrius com os olhos marejados, ele era minha única salvação.

- A culpa não é dele, seu idiota! É sua que não sabe desvirginar um cuzinho! – afirmou o Dimitrius.

- Como eu faço então? Daqui é que eu não saio enquanto não esporrar nesse cuzinho apertado!

Seguindo as instruções do irmão, ele começou a me estocar com mais brandura, enquanto o Dimitrius colocava a rola na minha boca, tanto para sufocar meus ganidos agudos quanto para me incutir coragem, pois era do que eu mais precisava naquele momento. Eu estava tão apavorado e tenso que não conseguia relaxar os esfíncteres, por mais que ambos me pedissem, e só conseguia sentir muita dor enquanto ele me arrombava as preguinhas. Para sorte minha, o Karolos não demorou a gozar, estava tão excitado com aquela foda que não conseguiu se segurar por muito tempo e encheu meu cuzinho com sua porra pegajosa e quente, enquanto rugia feito um leão liberando aquela profusão de jatos. Quando quis ficar em pé, meu corpo todo tremia e, ao encarar o Dimitrius, vi que aquele olhar de cobiça ainda estava lá querendo ser saciado.

- Por favor, não, Dimitrius! Eu não vou aguentar! O Karolos me machucou, é sério, não estou brincando! – balbuciei assustado.

- Eu sei, Yorgos! Você foi muito corajoso, muito! Vem cá, me abraça, é assim mesmo na primeira vez, dói bastante e machuca, mas não vai ser sempre assim. Você vai gostar, eu prometo! – disse ele, me apertando contra o peito largo e forte, onde encostei meu rosto naquela abundância de pelos que o cobria.

Eu só pensava em sair dali, correndo se fosse possível, o que não era o caso, uma vez que parecia haver um rombo gigantesco no meu cuzinho úmido e dolorido.

- Seu bruto! Nunca mais vou deixar você enfiar esse troço enorme em mim! – sentenciei, quando nos sentamos nos degraus da escada.

- Me perdoe, acabei perdendo a cabeça! Você é muito mais gostoso do que as meninas de madame Athina. Juro que não vou te machucar da próxima vez, só não diz que não quer mais fazer comigo, pois eu não vejo a hora de fazer você outra vez, Yorgos! – penitenciou-se o Karolos, visivelmente arrependido da voracidade com que me fodeu.

Se, por um minuto, eu achei que meu suplício tinha acabado, estava redondamente enganado. O Dimitrius estava disposto a não sair dali sem também meter o cacete no meu rabinho. Ajudou o fato de eu estar em seus braços e de sentir o calor que o corpão musculoso dele emanava. Ele acariciava meu rosto enquanto conversávamos e pousava beijos sutis e úmidos sobre os meus lábios, o que fazia meu cuzinho lanhado piscar. Ele amassava minhas nádegas com suas mãos fortes, foi introduzindo gentilmente uma delas no meu reguinho, o que imediatamente acelerou minha respiração e me fez arfar. Um dedo rodopiou sobre as preguinhas rotas e molhadas, pois eu estava sangrando. Ele o introduziu lentamente no meu ânus e eu senti aquela dor querendo voltar, mais branda é certo, mas dando sinais que podia se tornar tão insuportável quanto a que senti com o pauzão do Karolos enfiado ali.

- O que você está fazendo, Dimitrius? Não faz isso comigo! – pedi, embora meu cuzinho tivesse uma opinião diametralmente oposta.

- O quê, Yorgos? Não estou fazendo nada!

- Então o que esse dedão, que não para de se mexer, está fazendo? Eu não quero!

- Não quer, ou está com medo? Pois eu estou sentindo o quanto o seu cuzinho me deseja! – exclamou lascivo provocando meu tesão. – Deixa eu te fazer, prometo ser bem cuidadoso. – sua voz propositalmente rouca era sedutora demais para resistir.

Logo me vi sentado em seu colo, de frente para ele, sendo beijado por aquela boca que não se desgrudava da minha e com a língua dele me vasculhando sem pressa numa sensualidade irrecusável. O dedo impudico não parava de se mover sobre a minha rosquinha e, lentamente foi sendo substituído pelo roçar da pica dura dele. Ele a guiou cautelosamente sobre a fendinha ferida e ao me sentar depois que lhe ofereci um dos meus peitinhos para ele chupar, a caceta entrou no meu cu. Voltei a gritar, mas já era tarde, a cabeçorra já estava engatada e meus esfíncteres que se contraíram abruptamente com sua introdução, a retinham no meu casulo. A porra do Karolos atuou como um lubrificante e com alguns impulsos vigorosos o Dimitrius meteu o pauzão até o talo no meu cuzinho, me fazendo sentir seus pentelhos roçando meu reguinho.

- Dói, Dimitrius! Está me machucando, é melhor parar! – balbuciei, enquanto ele me encarava e afagava meu rosto com sua mão quente.

- Eu sei que dói, meu tesudinho! Faz uma forcinha para aguentar, logo você vai sentir só o prazer, o prazer da minha pica pulsando no seu cuzinho, não é isso que você quer? – ele não era tão impulsivo quanto o irmão, já havia aprendido a ter paciência, a esperar pelo momento certo de forçar o cacete numa fendinha para tirar disso o prazer que almejava.

Eu fui cedendo, seus beijos ficavam cada vez mais saborosos, o latejar ritmado de sua rola fazia minhas entranhas vibrarem na mesma cadência, eu o desejei com todas as minhas forças e me entreguei por inteiro. Meu corpo tremia em suas mãos, eu sentia o tesão se apossando dele, meu pinto voltou a ficar rijo e, durante o vaivém daquele cacete entrando e saindo do meu cuzinho, eu me esporrei todo numa onda de prazer sem igual.

- Ai, Dimitrius! – gemi, liberando toda aquela devassidão que me consumia.

- O que foi Yorgos? O que tem o Dimitrius, fala para mim? O Dimitrius te fez gozar, foi? Fala para mim, tesãozinho do caralho! Faz o Dimitrius gozar também, faz! Faz ele encher esse rabinho guloso de porra, faz! – grunhia ele junto ao meu ouvido, enquanto sua boca úmida se esfregava em meu rosto me atiçando.

Em pouco tempo ecoou um urro rouco dele por todo o porão, enquanto os jatos de porra iam encharcando meu cuzinho. Eu parecia estar flutuando nas nuvens, meu corpo estava leve como uma pluma, ainda estremecendo nas mãos dele que o seguravam junto ao dele. A virgindade se foi, ela escorria viscosa e morna entre as minhas coxas, mas a experiência de dor e prazer que senti naquela tarde naquele porão jamais seria esquecida.

Levei uns dias para me recuperar completamente, para poder tocar no meu ânus sem desencadear aquela sensibilidade dolorida. Depois disso, procurei pelo prazer com todos aqueles amigos que cresceram comigo, Achilleus, Ermis, Omiros, Stamatios e, é claro, os dois que me desvirginaram iam sendo agraciados pelos meus favores sexuais. Nossas amizades ganharam novos contornos, éramos mais íntimos, mais ligados do que antes dos coitos que se sucediam à medida que o tesão clamava. Eu não era mesmo um homem comum, era um homem que gostava de estar com outros homens, era um homem que sentia e dava prazer a outros homens. Numa ocasião cheguei mesmo a saciar o Achilleus e o Stamatios numa dupla penetração que, embora muito prazerosa, também me deixou sem conseguir sentar e caminhar direito por alguns dias. O engraçado nisso tudo, é que eu não era visto como as putas de madame Athina, eu continuava sendo aquele amigo com quem se compartilhava segredos, se falava de tudo sem reservas, se trepava quando a carência pedia pelos meus afagos e pelo aconchego do meu cuzinho. Nunca me rotularam por ser como sou, eu era apenas aquele amigo que os compreendia talvez melhor do que eles a si próprios.

Questão de pouco mais de um mês após o meu aniversário de dezessete anos, numa manhã chuvosa de inverno, estranhei meu avô estar dormindo até tão tarde. Quando digo tarde, me refiro algo próximo às oito horas da manhã, pois ele costumava madrugar. Às seis costumava estar de pé, abrindo portas e janelas para arejar a casa, como sempre dizia, e preparando o primeiro café do dia, uma vez que os passava pelo menos três vezes ao dia, de tanto que apreciava a bebida.

- Vovô! Vovô! A chuvinha que está caindo lá fora te deixou preguiçoso, foi? – perguntei ao entrar no quarto dele. Não obtive resposta. – Ora vejam só que dorminhoco! Já fiz o café, não sei se vai gostar! Que tal se eu abrir essas janelas e deixar a brisa entrar, talvez se disponha a levantar! – continuei, enquanto ele continuava calado e coberto até o pescoço. – Está sentindo alguma coisa, vovô? Você nunca dorme até tão tarde? – novamente nenhuma resposta, o que me fez sentar à beira da cama e cutucá-lo. Imediatamente soltei um grito, ele estava pálido e rijo com uma expressão mortiça naqueles olhos azuis embaçados. Morrera dormindo, em silêncio, feito um passarinho.

De início fiquei sem ação, apenas chorava com a cabeça encostada em seu peito, onde tudo estava em silêncio. Nenhum movimento de respiração, nenhuma batida no coração, apenas a quietude cadavérica. A dor que se instalou em mim nunca teve paralelo, pois foi a primeira vez em que pude sentir a perda de um ente querido, uma vez que era pequeno demais quando perdi meus pais. Agora eu estava completamente só nesse mundo, e ele repentinamente me pareceu gigante demais diante da minha pequenez.

- Por que você fez isso comigo, vovô? O que será de mim agora, sem você? Por favor, volte vovô! Volte, e me diga que foi só um engano, que isso não aconteceu de verdade! – choramingava eu, mas ele continuava tão imóvel quanto antes, me fazendo ver que nunca mais ouviria sua voz me dando conselhos, nunca mais receberia aqueles seus sorrisos quando estava cheio de orgulho por eu ter feito alguma coisa, nunca mais sentiria aqueles olhares dele me observando como se eu fosse a coisa mais importante da vida dele.

Corri até o vizinho mais próximo e, lá chegando, despejei desordenadamente tudo o que estava na minha cabeça, entre o choro e a rapidez com que as palavras brotavam na minha boca.

- Acalme-se Yorgos! O Sr. Karagiannis morreu? É isso que está tentando nos dizer? – perguntava incrédulo o Sr. Dimopoulous. Eu só conseguia acenar com a cabeça e soluçar sem parar.

Logo a casa foi se enchendo de pessoas vindas de cada canto da ilha, e até nas ilhas vizinhas a notícia ia chegando aos poucos, pois muita gente conhecia o famoso ourives de Serifos, quase um patrimônio das Cíclades. Até o bispo ortodoxo do monastério de Taxiarchon se fez presente no velório, muito embora meu avô nunca tivesse sido um exemplo de fiel, pois tinha lá suas reservas quanto ao que a religião pregava, mas não era de todo ateu ou agnóstico. A divindade que ele cultuava estava nele mesmo, naquilo que a vida foi lhe ensinando e em suas próprias observações sobre o mundo e a natureza humana. De qualquer forma, o bispo resolveu lhe dedicar algumas palavras junto ao ataúde que se iniciaram com o proêmio – Bendito seja o nosso Deus, em todo tempo, agora e sempre e pelos séculos dos séculos – e terminou convocando a todos a lhe dar o último adeus – Vinde todos dar-me o último beijo, pois ontem estávamos juntos – antes do ataúde ser fechado. Apenas eu lhe depositei um beijo na testa com as lágrimas a gotejarem dos olhos chorosos. Lembro-me de ter pensado que deveria ir mais vezes à igreja, talvez eu pudesse compreender o porquê de todos meus entes queridos terem me abandonado.

Nas semanas e meses que se seguiram ao sepultamento nunca me deixaram ficar sozinho, a casa sempre tinha alguém me visitando, passando a noite, me trazendo alguma coisa para comer, vindo partilhar aquela dor para afugentar a solidão. As vizinhas meio que me adotaram e se sentiam na obrigação de fazer o papel de mães. Os maridos estavam sempre lá para me dar algum conselho ou me perguntar como eu ia me sustentar dali em diante, ao que eu respondia – fazendo o que o vovô me ensinou, ele me deixou um legado que não vou deixar morrer – o que os fazia me congratular. Os velhos companheiros de infância estavam sempre lá, ora apenas para conversar, ora para saciarem suas taras no meu cuzinho generoso. Prestativos, nunca me abandonaram. Até o Ermis, que engravidou uma garota na ilha de Cítnos, e se vira obrigado a casar sem nutrir nenhum sentimento pela moça, vinha afogar suas mágoas na minha cama. Ele fora vítima de uma armadilha ardilosa da garota, transara com ela apenas uma vez após uma balada quando ela estava no auge do período fecundo tentando se livrar do jugo de um pai autoritário e constantemente embriagado. O Ermis até tentou se isentar daquela barriga que crescia sem parar, mas quando o garotão que saiu lá de dentro já tinha traços tão semelhantes aos dele e, um teste de DNA provou que foram mesmo os espermatozoides dele que inseminaram a moça, não teve mais jeito. Toda vez que vinha ter comigo, falava no divórcio, mas não queria deixar de conviver com aquele garotão que crescia chamando-o afetuosamente de pai e rindo de qualquer besteira que ele dissesse, que não eram poucas, fica o registro.

- Por isso é tão bom transar com você, nunca se precisa temer por uma surpresa dessas! Não sei onde estava com a cabeça para cair numa cilada dessas? Ela nem de longe é tão apertada quanto você, aposto que fui o único trouxa que entrou naquela vagina sem uma camisinha, pois aquilo já estava mais do que laceado. – resmungava ele, o que me fazia rir.

- Pense no garoto, e esqueça o resto! – sugeria eu.

- Isso por que não é você que está casado com ela! Nem aguento olhar para a cara dela! – exclamava ele desolado.

- Então se divorcie! Que mal pode haver nisso? Faça um acordo para continuar convivendo com o seu filho, qualquer juiz vai entender sua situação.

- O problema é aquele pai e um irmão troglodita que ameaçaram me capar se eu me divorciar dela! – reclamava ele, me fazendo rir. – Estou aqui te contando meu drama e você só consegue tirar uma com a minha cara, que espécie de amigo é você, Yorgos?

- O tipo de amigo que sempre te deu um conselho que você nunca acatou – pense com a cabeça que está sobre o seu pescoço, não com a que está na ponta desse pintão – relembrava eu, abraçando-o e trazendo-o para o meu colo onde ele se deixava acariciar feito um gato manhoso.

Outro que havia deixado a ilha para estudar em Atenas foi o Achilleus, que me mandava mensagens diárias pelo Whatsapp contando de sua vida e do que estava aprontando por lá. Também se queixava de não ter encontrado ninguém tão estreito quanto eu onde pudesse enfiar sua rola, e vivia me pedindo para ir visitá-lo numa quitinete onde residia perto da universidade, e onde dizia que se masturbava todas as noites relembrando dos dias maravilhosos em que me enrabava na praia e era acalentado pelo meu cuzinho quente e receptivo. Toda vez que vinha visitar os pais por alguns dias, ele aparecia em casa querendo aplacar aquela carência imposta pela distância que nos separava.

Os demais daquele grupinho que ainda permaneciam no vilarejo estavam sempre me cercando com o mesmo tesão que os levava a me comer quando não passávamos de adolescentes despreocupados com a vida. Com os anos as suas vidas também mudaram, ora estavam namorando, ora estavam solteiros livres e soltos aprontando todas, ora vivenciavam dramas familiares e perdas inevitáveis ao longo do caminho.

Por sorte consegui manter o acordo que meu avô havia feito para a confecção de joias, passando eu mesmo a produzi-las conforme ele havia me ensinado. Usei os desenhos que ele havia esboçado e ainda não produzido; mas com o tempo, me aventurei a produzir peças próprias a partir de inspirações que via em revistas especializadas e de moda. Dessa forma, consegui me sustentar sem depender da ajuda de ninguém e, nem mesmo, tocando na reserva financeira que meu avô havia me deixado junto com a propriedade onde morávamos e um imóvel no centro da Chora alugado para um pequeno comércio.

Durante pouco mais de um ano, o Stamatios e eu engrenamos num relacionamento que até hoje não consegui definir. Foi algo como um namoro pode-se dizer, embora não o tivéssemos oficializado, o que não impedia dos demais colegas de infância transarem comigo. Essa falta de posicionamento dele e a questão do ciúme que ele parecia não sentir é que me deixava desiludido com o relacionamento, pois era como se ele não existisse.

- O que você quer que eu faça, que os impeça de te enrabar quando já fazem isso há anos? São nossos amigos! Vou arrumar briga com todos eles por serem tarados pelo seu cuzinho? – questionava ele quando eu pedia uma definição.

- Se me amasse de verdade é isso mesmo que faria! Não ia aceitar que eles continuassem a bolinar comigo. Sou só eu quem lhes impõem limites, você não faz nada. É capaz até de deixar eles me foderem na sua frente. – protestava eu, indignado com a indiferença dele.

- Você está fazendo uma tempestade de um copo d’água! Há tempos atrás você não reclamava quando metíamos nossas picas no seu cuzinho lá na praia! – retrucava ele.

- Era diferente! Naquela época não tínhamos um compromisso, eu não estava gostando de ninguém em particular, como gosto de você agora. – justificava eu

- É cedo demais para nos prendermos só a uma pessoa, não acha? Temos a vida toda pela frente! Ademais, não são estranhos, são nossos amigos de sempre, isso não é considerado traição! – argumentava ele.

- Você não me ama! Não sente nada por mim, por isso acha tudo natural. Então acho melhor que a partir de hoje você não passe mais tanto tempo aqui em casa comigo, como se fosse um namorado que não me assume. – impus. Ele se zangou, ficou umas semanas sem falar comigo e a coisa se resolveu dessa maneira. O que nunca me permitiu entender que relacionamento foi aquele.

Eu estava com 22 anos, estávamos em fins de abril, quando ele se mudou para a casa dos Laskaris nossos vizinhos, depois que o Sr. Laskaris teve um AVC e precisou ser internado numa clínica em Atenas onde moravam os dois filhos casados. A Sra. Laskaris sempre foi uma espécie de avó para mim e a partida dela para tão longe me entristeceu bastante, era como se mais um ente querido me abandonasse. Os filhos me convidaram a visitá-la quando quisesse, pois me conheciam desde garoto, mas isso seria algo esporádico, aquela passada rápida que eu dava na casa deles todos os dias para dizer um olá ou ver se precisavam de alguma coisa não seria mais possível.

- É um americano, jovem ainda, deve ter poucos anos mais do que você. Só não me peça para lembrar do nome dele, minha cabeça já não é mais a mesma com todas essas preocupações com a doença do Amyntas. É um rapagão imenso e forte, fala pouco, ou talvez seja porque não sei falar inglês e ele ainda está aprendendo nosso idioma, tem um rosto triste, mas isso pode ser apenas impressão de uma velha como eu que passou a ver a tristeza com mais facilidade depois que o Amyntas ficou doente. Ele integrou as tropas ocidentais que atuaram no Afeganistão, em 2019 voltou aos Estados Unidos, mas não conseguiu mais se adaptar à vida que levava antes e, desde então, vinha procurando um novo país para morar. Foi assim que veio parar na Grécia, é essa a história do sujeito, segundo me contou meu filho, que fez a negociação da venda da nossa propriedade. Eu espero que vocês se deem tão bem como nós durante todos esses anos com seu avô e você, que eu vi nascer. – revelou ela.

- Vou sentir saudades Vó Agnes! Desejo tudo de bom para a senhora e o Vô Amyntas!

- Prometa que vem nos visitar, Yorgos! – exigiu ela, embora eu soubesse que seria uma promessa difícil de cumprir.

Avistei-o algumas vezes de longe, mas não me atrevi a me aproximar, pois como tinha dito a Vó Agnes a cara dele não inspirava uma aproximação. Ao contrário dela, que definiu o rosto dele como triste, eu via nele um sujeito carrancudo nem um pouco disposto a estabelecer qualquer tipo de contato com os vizinhos. Talvez fosse um tipo de ermitão para vir parar num vilarejo tão sem importância numa ilha grega quase desconhecida pelo restante do mundo. O que traria um homem jovem como aquele para um lugar tão desolado? Foi o que me perguntei da primeira vez que o vi. Em poucas semanas me esqueci dele, assim como os demais vizinhos, inclusive aqueles que tentaram dar boas-vindas e foram tratados com frieza e indiferença. O que resultou disso foi que fiquei sabendo seu primeiro nome, Ryker, o que também explicava o fato da Vó Agnes não se lembrar de um nome tão impopular.

A praia da enseada era quase privativa por distar das mais procuradas pelos turistas que visitavam Serifos e pelo difícil acesso através do rochedo que começava no final da rua onde morávamos. Praticamente apenas nos moradores das redondezas iam até ela, isso explicava o porquê de nós garotos da vizinhança nos sentirmos tão à vontade nela, não nos preocupando em usufrui-la completamente pelados.

Naquele domingo ensolarado da última semana de maio, logo cedo o Dimitrius e o Karolos, além do Stamatios, do Ermis e do Omiros vieram passar o dia comigo. No meio da manhã fomos até a praia, já fazia calor e a água já estava mais quente prenunciando a proximidade do verão. Como de costume, descemos o rochedo e nos despimos expondo nossos corpos ao sol acalentador. Improvisamos uma partida de voleibol com os dois times desfalcados; eu, o Dimitrius e o Karolos contra os outros três. Era quase um clássico, pois toda vez que era para compor os times, o Dimitrius era bastante impositivo exigindo que fizesse parte do time obviamente capitaneado por ele. A dominação dele sobre mim não mudara nesses anos todos, eu achava até que ele tinha uma obsessão doentia não admitindo que ninguém tivesse essa primazia. Após uma lavada de três partidas a zero contra nossos adversários ele estava possesso, pois não admitia perder. Começou a me culpar pelo desastre, depois ao irmão, citando os lances que havíamos perdido.

- E os teus lances errados, por que não os imputa nas perdas das partidas? Você é tão culpado quanto seu irmão e eu! – revidei quando ele resmungava sem parar.

- Está me culpando por não conseguir levar o time sozinho nas costas, seu bundudinho do caralho?

- Estou! E você não levou o time sozinho nas costas, não fossemos nós dois você teria perdido bem mais, seu convencido arrogante! – devolvi zangado, pois também não esperava perder de tanto. Segui direto para o mar onde o Ermis e o Omiros já se refestelavam na água fresca.

Bastou eu me aproximar deles para começarem a brincar comigo, como nos velhos tempos, querendo afundar minha cabeça na água, passar mergulhando entre as minhas pernas e se aproveitarem para bolinar com as minhas nádegas. A velha tara não demorou a se manifestar, estavam com ereções enormes entre as pernas, o que os deixava ainda mais sedutores, agora que seus corpos eram bem mais másculos do que naquele tempo. O Ermis foi o primeiro a me agarrar, roçando sua rola rija nas minhas nádegas enquanto amassava meus peitinhos salientes com suas mãos devassas. O toque com aquele corpão deixou meu cuzinho assanhado e piscando, e eu empinei minha bunda contra a virilha dele, sentindo o cacetão se alojar no meu reguinho. Ele sussurrou umas sacanagens no meu ouvido e quando menos esperei, senti a jeba deslizando para dentro do meu cuzinho, me obrigando a ganir para controlar a dor da penetração abrupta.

- Esse rabinho fica cada vez mais delicioso! Rebola na minha pica, rebola tesudinho! – grunhia ele, forçando o pauzão para dentro do meu cu até eu sentir suas bolas comprimidas contra o reguinho.

- Vai devagar, Ermis! Não se esqueça que meu cuzinho não é vagina da sua ex! – protestei, quando das estocadas impetuosas dele.

- Como é que eu vou me esquecer, seu cuzinho é mil vezes mais apertado que aquela buceta! Você me deixa tarado, seu putinho gostoso! – devolveu ele, bombando lascivamente meu cu que já sentia o prazer de alojar aquela pica sedenta, me fazendo gemer sedutor e passivo.

O Dimitrius estava insuportável, a perda da partida e agora ver o Ermis me enrabando o deixou furioso. O Ermis mal tinha acabado de encher meu cuzinho de porra quando ele veio me cobrar explicações.

- Ficou maluco, eu não te devo explicação alguma! Para de ser tão autoritário, Dimitrius, já encheu!

- Quem vai te encher sou eu, e de porradas seu putinho safado! Eu tinha que ser o primeiro, ou você já se esqueceu de como funciona o esquema aqui na praia? – citou ele, como costumava fazer para eu ser admitido nas brincadeiras quando éramos moleques.

- Você não é meu dono! Os tempos de garoto já se foram! Se continuar me enchendo não vou deixar você me tocar, assim você aprende a não ser tão babaca! – revidei.

Ele veio para cima de mim feito um maluco e após uma pequena luta na qual tentei me livrar de seus braços, ele meteu o cacetão no meu cuzinho. Sempre gostei da forma como ele me possuía, havia algo de libertino em sua pegada forte, e na maneira como enfiava sua jeba grossa até o talo no meu rabinho, sacrificando algumas pregas durante a penetração. Estavam todos na água enquanto eu gemia com o Dimitrius abraçado a mim. Por exigência do Karolos fomos até uma parte mais rasa, pois ele queria que eu o chupasse enquanto o irmão continuava engatado no meu rabinho. Acabei dando para todos eles, embora isso não estivesse nos planos, mas como fazia tempo que não nos encontrávamos não se podia esperar outra coisa. Precisei de ajuda para escalar o rochedo ao regressarmos para casa, uma vez que meu cuzinho ardia feito brasa, depois de cinco machos se saciarem nele, deixando-o maravilhosamente encharcado com seus espermas cremosos. Confesso que eu gostava daquela sensação pegajosa que o néctar viril deles deixava nas minhas entranhas, e recompensava-os com aqueles mimos e carícias dos quais eles tanto gostavam e vinham procurar em mim.

A primeira vez que o encontrei foi na praça central de Afrati, ao entrar no supermercado. Ele vinha saindo com algumas compras nas mãos e se atrapalhou ao tentar abrir a porta. Como estava com as mãos livres, abri a porta e o deixei passar.

- Olá! Me chamo Yorgos, sou seu vizinho! Está gostando da casa dos Laskaris? Eles foram nossos vizinhos desde que eu era criança! E do vilarejo, é bem acanhado, já se adaptou? As pessoas daqui são muito acolhedoras, todos se conhecem, de uma forma ou de outra. – desatei a falar, com um sorriso meio aparvalhado, quando me deparei com sua figura máscula e musculosa, metida numa bermuda e numa camiseta que cobria um tórax largo e maciço. Era o homem mais sexy que já tinha visto.

- Não tenho nenhum interesse em me relacionar com pessoas como você! Se me der licença, estou com pressa! – respondeu ele, mal olhando nos meus olhos, o que me deixou sem entender o que ele quis dizer com – pessoas como você – uma vez que nunca nos tínhamos visto antes.

- Me desculpe, mas o que significam pessoas como eu? – questionei ofendido.

- Não me envolvo com veados, gays! Não gosto desse tipo de gente! – respondeu, esbarrando em mim com força, pois sem o notar eu atravancava parte de sua passagem.

Fiquei em choque, nunca antes alguém havia me chamado de veado ou gay, e a maneira como essas palavras soaram ao saírem da boca daquele homem me penetrou dolorosamente como se fosse um punhal. Eu tinha plena ciência e convicção de que era homossexual; porém, nunca ninguém havia me definido dessa maneira. Para todos eu era apenas Yorgos, o amigo, o colega Yorgos que todos conheciam e se relacionavam como se relacionavam com qualquer outra pessoa. Naquele dia ficou claro para mim que eu definitivamente não era um homem igual aos outros, como tantas vezes havia questionado meu avô. Aquele homem me distinguiu, me separou do que considerava ser um homem de verdade, e isso doeu.

- Imbecil! – exclamei, quando ele havia passado por mim.

- Eu ouvi isso! – devolveu ele com petulância. Que se foda, pensei comigo mesmo ao seguir meu caminho.

Aquilo me incomodou por alguns dias. Até então, as pessoas sempre tinham simpatizado comigo logo de cara. O que deu nesse sujeito para me tratar assim? Íamos ser vizinhos doravante, por que dessa hostilidade gratuita?

Algumas semanas depois, ao final de uma tarde quente de um dia em que eu fiquei muitas horas enfurnado no ateliê para terminar umas peças que estavam sendo aguardadas em Londres para os próximos dias, resolvi aproveitar o restante de sol mais ameno que só se punha por volta das 20:00 horas naquela época do ano, e fui até a praia dar uns mergulhos para exercitar os músculos e relaxar antes do jantar. Não avistei ninguém quando desci o rochedo em direção à areia, estendi a toalha e lancei minhas roupas sobre ela, seguindo nu até o mar como de costume. Após um quarto de hora mergulhando na água tépida, fui me estirar de bruços sobre a toalha, recebendo os últimos raios mornos do sol nas costas mais relaxadas.

- É assim que você fica esperando pelos machos para te enrabarem? – cheguei a me assustar ligeiramente, pois a areia quente e o sol me aquecendo me fizeram cochilar. Ao me virar na direção da voz, vi que era ele, em pé, a menos de dois metros de distância, olhando para a minha bunda sem aquela cobiça característica dos caras que eu conhecia.

- Qual é o seu problema comigo? – perguntei desafiador

- Nenhum!

- Então me esqueça, e suma daqui!

- Não me parece que a praia seja privativa, propriedade sua! Estou num espaço público, e tenho todo o direito de estar onde estou! – retrucou ele, com aquela mesma arrogância da primeira vez. – Também não é do meu conhecimento que esta seja uma praia de nudismo! Você não deveria cobrir todo esse despudoramento?

- Meus amigos e eu vimos a essa praia desde garotos, e nunca nos preocupamos ao ficar pelados! – devolvi indignado

- Há algumas semanas pude observar as safadezas que você e seus amigos fizeram por aqui! Quantas doenças venéreas você já teve, dando o cu para cinco machos sequencialmente? Vocês gays são de uma promiscuidade sem paralelo, algo nojento! – continuou ele. Não sei o que me deu, mas comecei a chorar e perdi a vontade de responder àquele sujeito que nada sabia sobre mim e minha vida para me dizer coisas tão descabidas e ofensivas.

- Idiota! – foi tudo que consegui exclamar, quando ele começou a se afastar.

- Também ouvi isso! – afirmou ele, já a certa distância.

Minha tarde acabou ali, fiquei tão desolado que juntei minhas coisas e só pensava em chegar em casa. Chorei o caminho todo, não sei se de raiva, ou porque aquele homem me fazia sentir um lixo. O Dimitrius havia acabado de chegar e, ao me ver vindo da praia, ficou me esperando no portão.

- O sujeito que acabou de passar é o seu novo vizinho? – perguntou, pois o sujeito caminhava algumas dezenas de metros à minha frente em direção a casa dele. – Você está chorando, Yorgos? – perguntou preocupado quando me encarou.

- Não! Acho que caiu um grão de areia no meu olho! – menti

- Você está chorando, Yorgos! Por quê? O que você estava fazendo com esse sujeitinho lá na praia? Ele fez alguma coisa com você, te machucou? – inquiria ele exigente.

- Nada! Eu não estava fazendo nada! Não estava com esse idiota! Só fui dar uns mergulhos, só isso! Por que, não posso? – devolvi, tentando disfarçar os olhos vermelhos e inchados.

- Não mente para mim, Yorgos! Você está chorando que eu estou vendo! Ele te machucou, foi isso! Vou matar esse filho da puta! Fala, Yorgos, o que foi que ele fez com você, caralho?

- Não grita comigo, Dimitrius! Não grita! – retruquei, precisando enxugar as lágrimas. Ele me enrodilhou em seus braços e afagou meu rosto.

- Eu estou aqui, nada vai te acontecer! Só me conta o que aconteceu lá na praia. Você confia em mim, não confia? – insistia, pousando um beijo carinhoso na minha testa.

- Não foi nada! Não aconteceu nada! Eu confio em você, é claro, você sabe disso! – devolvi, disposto a encerrar aquela conversa. – Faz dias que você não aparece, estava com saudades! Janta comigo?

- Precisei ir até Naxos resolver algumas coisas, também estava com saudades suas! Eu trouxe vinho e uma Kreatopita que minha mãe assou esta tarde quando eu disse que viria te visitar. Aliás, ela mandou que eu te cobrasse uma visita e mandou aquele montão de beijos que costuma colocar nas tuas bochechas.

- Devo mesmo uma visita aos teus pais, eles são sempre tão afetuosos comigo! Vou fazer uns pepinos com molho tzatziki para acompanhar.

- São só eles que são afetuosos com você, eu não conto? – indagou, ao me abraçar por trás e me encoxar fazendo sentir sua ereção.

- Não Dimitrius, hoje não! Me solta, não sou um pervertido! – exclamei, rechaçando-o.

- Ei, ei, ei, o que deu em você? Nunca me tratou assim! Quem disse que você é um pervertido? Nunca nenhum de nós falou um absurdo desses para você! – retrucou ele, abismado com a minha reação invulgar.

- Desculpe! Eu não quis dizer isso! Só estou um pouco nervoso! Não estou com vontade de fazer sexo hoje! – afirmei.

- Foi o sujeitinho, não foi? Foi ele quem te chamou de pervertido, não foi? Responda Yorgos! – de repente, ele estava amassando meu braço e exigindo uma resposta.

- Outro dia, na saída do supermercado, ele me disse que não se relaciona com pessoas como eu, homossexuais. Há pouco, ele me perguntou quantas doenças venéreas eu já tive por me entregar a cinco homens seguidos. Nunca ninguém me tratou com tanto desprezo, Dimitrius, nunca! – respondi, procurando abrigo em seu tronco peludo e sólido. – Eu nunca tive nenhuma doença por me deitar com vocês, você bem sabe, nunca Dimitrius! – emendei, deitando minha cabeça em seu ombro

- É claro que não, Yorgos! Todos sabemos disso! Nenhum de nós ia transar com você se soubesse que está com alguma coisa. Sempre que fomos fazer sexo com as meninas de madame Athina usamos proteção e, faz muito tempo que nenhum de nós vai procurá-las, você tem suprido todas as nossas carências de homem. Nós cuidamos de você como cuidamos de nós mesmos, até mais, porque te adoramos, Yorgos! Não se deixe influenciar pelo preconceito desse sujeitinho! – disse ele, numa voz mansa e rouca para me inspirar confiança. – O que esse sujeitinho está precisando é de uma lição, mas disso eu e os rapazes nos encarregamos, ele não perde por esperar! Vamos ver se depois ainda vai ter coragem de te ofender. – emendou.

- Não Dimitrius! Me prometa que vocês não vão fazer nada com ele! Não quero que se envolvam com esse sujeito e nem com meus problemas, deixem que eu resolvo essa questão! – retruquei impositivo. Se ele ia aceitar meu ditame já era outra questão.

A presença do Dimitrius me fez bem naquela noite, eu precisava de companhia e a dele era mais que bem-vinda. O Karolos apareceu depois de findo o jantar, tinha chegado em casa e sido informado que o irmão veio ter comigo e resolveu se juntar a nós trazendo outra garrafa de vinho. O Dimitrius contou tudo a ele deixando-o igualmente indignado e disposto a tirar satisfações. Pouco antes da meia-noite fomos para a cama, os três e, ao pegar no sono, meu ânus estava preenchido com o sêmen deles.

No meio da tarde do dia seguinte bateram insistentemente à minha porta. Demorei a atender pois estava fundindo umas peças e não podia interromper o processo.

- Não vai abrir? Sei que está em casa! – disse a voz exigente que logo reconheci como a sendo do sujeitinho, meu vizinho.

- Está aberta, pode entrar! – respondi, embora quisesse vê-lo longe. – Estou trabalhando e não posso interromper o que estou fazendo. – esclareci, quando ele chegou ao ateliê com a cara de quem levou uns belos socos que deixaram o olho esquerdo roxo e inchado, e o lábio superior no canto da boca com o dobro do tamanho normal e igualmente arroxeado. – O que faz aqui? Estou sem tempo para conversa! – emendei, sem fazer menção àquela cara estropiada, fingindo não tê-la percebido.

- Olá! O que está fazendo? – perguntou, sem obter uma resposta. – Não quero te atrapalhar, só vim saber se pode me fazer um favor. – continuou, depois que percebeu que eu não ia responder e que não me mostraria gentil.

- Um favor? Está querendo pedir um favor a uma pessoa como eu? – ironizei.

- É, um favor! Ainda está ressentido com as minhas palavras?

- O que você acha? Gentis é que elas não foram! – exclamei. – Agora se puder me dar licença, é um favor! – continuei, o que para um bom entendedor já significava o mesmo que – se manda, vaza!

- E o favor que vim te pedir? – insistiu

- Que favor? Desembucha e me deixe trabalhar!

- Você também não é nenhum exemplo de gentileza! – afirmou, observando-me atentamente a preencher a mufla com o ouro liquefeito no cadinho.

- Como é mesmo seu nome? – perguntei, pois até então ele não havia sequer se apresentado direito.

- Ah, é Ryker! Me esqueci que não nos apresentamos! – devolveu levemente constrangido pela falta de educação.

- Engano seu, eu me apresentei sim, na saída do supermercado, quando você me disse que não tinha interesse em se relacionar com pessoas como eu, chamando-me inclusive de veado e gay! – respondi. – Portanto, Ryker, não vejo motivo para você estar aqui me pedindo um favor. – emendei.

- É, você ficou zangado comigo, dá para perceber! – retrucou, ficando sem jeito.

- Talvez nem te interesse saber, mas você foi a primeira pessoa que me chamou de veado, de gay. Eu sei que sou homossexual, nunca neguei isso quando me perguntaram, mas o tom de sua voz quando pronunciou essas palavras foi ofensivo, no mínimo, desprezível.

- Não sei porque falei aquilo! Foi tolice minha, reconheço! – devolveu, mas não pediu desculpas

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