Salvo pelo nerd viadinho do colégio

Por: joao-136 • 10/07/2026 • 102035 leituras
Capa do conto
Salvo pelo nerd viadinho do colégio
A reunião daquela manhã convocada pelo vice-presidente da empresa pôs fim às especulações em torno da vaga para diretor de produção e logística da multinacional para a qual eu trabalhava. Nós gerentes, aguardávamos ansiosos pela decisão de uma promoção interna para ocupar o cargo bem remunerado. É certo que o desempenho pífio dos últimos dois anos, conforme atestavam os resultados numéricos, não qualificava nenhum de nós e, tinha sido o motivo pelo qual o diretor anterior havia sido demitido.
Ao adentrar ao auditório acompanhado dos diretores financeiros e administrativo, talvez eu tenha sido o único naquela sala a reconhecer de imediato o sujeito boa-pinta que, o terno muito bem ajustado ao corpo sensual, deixou a mulherada toda ouriçada. Via-se que, ao contrário dos nossos, o terno dele havia sido talhado por um bom e caro alfaiate, ou adquirido numa dessas lojas de grife e certamente custado mais do que um dos nossos salários. A tonalidade caramelo claro dos cabelos ligeiramente ondulados continuava o mesmo, segundo a minha memória, dando ao rosto imberbe uma impressão de higiene e, aos olhos de um azul suave um tom quase angelical. Sem a menor dúvida, era ele, Eduardo Fehr Balesteiros, mais conhecido pelos corredores do renomado colégio particular onde estudávamos pelo apelido de bichinha da grife. Pois, estava sempre impecavelmente vestido com roupas de qualidade feito um mauricinho, e vivia cercado das garotas mais gostosas do colégio que mal se dignavam a olhar na nossa cara e, quando o faziam, era por algum interesse. Já ele não, elas o cercavam e o paparicavam e se sentiam valorizadas pela maneira disciplinada e educada com a qual as tratava. Ele sempre foi bonito, era um dos melhores alunos da classe, tinha um quê de aristocrático em todo seu modo de ser, o que o fazia ser querido pelos professores e funcionários. Colocava qualquer um de nós no chinelo e, por isso, decidimos que além de nerd, ele era viado e merecia nossas gozações, embora não houvesse base alguma para a nossa teoria. Quando digo nós, refiro-me a mim Carlão Bengala, ao Nahas o turquinho, ao Miguel Zé do arroto e ao Tadeu vacilou te fodeu. Havia onze anos que eu não o via, depois daquele incidente que me levou a ser expulso do colégio com esses três amigos, e responder a um processo criminal e passar seis meses numa casa de custódia para infratores. Hoje, tenho bem claro que esse episódio selou meu destino e me presenteou com essa vida medíocre que levo.
Ele não me reconheceu de pronto e, se o fez, não demonstrou, continuando a olhar para a plateia curiosa com um sorriso profissional e discreto que lhe caia muito bem. O vice-presidente exaltava suas qualidades justificando a escolha para o cargo. Formado na melhor faculdade de administração do país, com pós-graduação e MBA nos Estados Unidos, onde iniciou a carreira numa das maiores redes varejistas do país, alcançando em poucos anos seu primeiro cargo de diretoria. Aquela apresentação estava começando a me dar nos nervos. Foi impossível não fazer comparações. Quem era eu depois de ter tido praticamente as mesmas chances que aquele cara esbanjando jovialidade e competência? Um gerentezinho junior que só estava na função porque o anterior havia se demitido para ganhar um salário maior e, porque eu era o mais antigo do setor que conhecia a rotina melhor que os outros. Portanto, não estava no cargo por mérito, mas pelas contingências e, naquele momento, precisava desesperadamente dele para quitar minhas contas, o que me fazia abanar o rabinho feito um cachorrinho para qualquer superior hierárquico e fazer um punhado de horas extras para provar que servia a empresa com comprometimento.
O bando de puxa-sacos o cercou quando o vice-presidente deu a reunião por encerrada. Todos o cumprimentaram com aquele falso boas-vindas fazendo de tudo para que seus nomes não fossem esquecidos até a próxima reunião. Hesitei em cumprimentá-lo, primeiro, porque não queria parecer um puxa-saco; segundo, porque ele iria fatalmente me reconhecer, e isso seria humilhante demais, depois de tudo o que aconteceu entre nós no passado. Contudo, acabou sendo inevitável ficar cara-a-cara com ele, mesmo porque se não fosse naquele momento, seria dentro de alguns dias durante a rotina do trabalho.
- Como vai, Carlos? Surpresa te encontrar por aqui. – disse ele, sem pegar na mão que eu lhe estendi constrangido.
- Olá, Eduardo! Quanto tempo, não é? – eu gaguejei feito um palerma, pois a voz teimava em não sair, o que logo foi notado pelos colegas, uma vez que eu era tido como o garanhão do pedaço; e agora, tremia feito uma gazelinha assustada diante do novo diretor.
- Pois é, o que vem a corroborar a assertiva de como esse mundo é pequeno. – retrucou ele friamente, reparando não só no meu embaraço, como me medindo da cabeça aos pés com um certo ar de desdém. Eu não podia culpá-lo, no lugar dele me desprezaria e já começaria a pensar numa demissão sumária para as próximas semanas, como forma de me vingar pelo passado.
Foi quando esse pensamento passou pela minha mente que fiquei verdadeiramente apavorado. Se fosse demitido, o que era bem provável, eu estaria fodido, literalmente. Dei um jeito de sumir das vistas dele, assim que outros se aproximaram para parabenizá-lo, e fui remoer minha desgraça no cantinho atulhado e abafado do escritório onde ficava meu posto de trabalho. Felizmente, não cruzei mais com ele nas duas semanas seguintes. Mas, o fantasma da demissão não me deixava sossego, ela ia acontecer, tão certo quanto dois mais dois são quatro. E aí, adeus ao pouco que tinha conquistado nesses últimos dois anos, um apartamento de dois quartos num condomínio simples e um carro usado trocado recentemente, ambos consumindo boa parte do que restava do meu salário, depois de descontados 30% referente a pensão alimentícia que pagava para um filho que fiz numa vadia aproveitadora a oito anos atrás.
Naquela noite não consegui dormir. As sombras do passado fluíam na escuridão do quarto, mesmo quando me forçava a fechar os olhos. O Eduardo, então garoto Nerd da classe, tirando sempre as melhores notas em todas as disciplinas, mesmo um ou dois anos mais novo do que eu, dava de 10 a 0 em todos nós; amarrado nu ao tronco daquela espatódea que ficava quase rente aos altos muros do colégio, longe das vistas de quem circulava pela alameda arborizada que conduzia até os edifícios das salas de aula. A ideia fora do filho da puta do turquinho, o Nahas, na verdade um filho de libaneses cujo pai tinha uma loja nas imediações da Rua 25 de Março e que, por conta disso, sempre tinha uma grana nos bolsos, que afanava do caixa-dois que o pai fazia no escritório da sobreloja para driblar o fisco. Foi ele quem comprou o vibrador num sexshop perto da loja do pai, um caralhão de 24 centímetros com a sensação tátil de pele verdadeira, macio por fora e duro por dentro, com veias salientes e um escroto avantajado, e sugeriu que déssemos um jeito de enfiar aquilo no cu do Eduardo. Parecíamos um bando de criminosos, estudando um plano para viabilizar a ideia do Nahas, cochichando e trocando bilhetes durante as aulas, e observando os hábitos do Eduardo no colégio durante os intervalos. Depois de quinze dias planejando, ficou decidido que o pegaríamos durante a aula de educação física, uma vez que o professor nos fazia dar uma corrida ao final da aula para os lados da divisa do colégio onde ficava o arvoredo mais denso e onde não seríamos pegos. Cada um foi incumbido de uma função, a minha era providenciar umas cordas e a fita-tape para grudar na boca dele e evitar que seus eventuais gritos atraíssem a atenção de alguém. O Miguel, descendente de uma mistura de europeus orientais ashquenazi era o sujeito mais feio do colégio, com seu cabelo ruivo e a cara cheia de sardas, ele seria o responsável para arrastá-lo até um canto seguro onde pudéssemos agarrá-lo e levá-lo até a árvore. O Tadeu, como eu, era um vira-latas cuja ancestralidade, uma mistura de espanhóis, portugueses e italianos que se perdia nas gerações, ficou responsável por vigiar os arredores e nos avisar se alguém se aproximasse. Estávamos eufóricos quando o plano se realizou sem nenhum percalço, éramos os bons, e ríamos da nossa astúcia. Hoje sei que fomos cretinos. O Eduardo esperneou o quanto pode, mas éramos quatro contra um e éramos bem mais encorpados do que ele, à exceção do turquinho, que nunca passou de 1,60 metro de altura e usava umas botas de salto plataforma ridículas para parecer mais alto. Colamos ele ao tronco grosso amarrando as mãos e as pernas abertas que o abraçavam, a fita-tape garantia seu silêncio, e arriamos o short expondo o bundão carnudo dele. A tara se apossou de nós, mal a bunda ficou de fora e já estávamos com os caralhos duros feito rocha, querendo sair dos shorts. De tão aficionados que ficamos com aquela bundinha tesuda e lisa, logo surgiu uma nova ideia, enrabar aquele cu antes de enfiar o vibrador nele. A sugestão foi do Tadeu que tirou a pica para fora já pingando pré-gozo. De nada adiantou alguém ter aventado a hipótese daquilo acabar dando merda, as cabeças das nossas picas falaram mais alto. O Nahas exigiu ser o primeiro, como tinha a rola menor, alegou que se fossemos antes dele, ele já pegaria o cu todo laceado e, sem perder tempo, deu um salto se agarrando ao Eduardo, pois se ficasse em pé não alcançaria a bunda dele. O Eduardo se contorcia todo, seus gritos eram abafados pelo tapa-boca, e onde seus braços e coxas encostavam no tronco estavam se formando escoriações, tal o desespero para se livrar das cordas. O turquinho parecia um macaco grudado no dorso do Eduardo, bombando o caralho no cuzinho dele num frenesi incontrolável, começamos a rir e gozar da cara do turquinho. Ele não demorou nem quatro minutos para encher a camisinha de porra, desmontou das costas do Eduardo e ria feito uma besta aloprada. Enquanto isso, nós batíamos uma punheta esperando nossa vez. O Miguel se atrapalhou todo para colocar a camisinha, o que fez o Tadeu furar a fila e atolar a pica no cuzinho do Eduardo, que voltou a gritar e gemer enquanto estouravam suas pregas. O Tadeu também gozou rápido, aquilo tudo era uma grande novidade e nenhum sabia bem como trepar direito. Depois de conseguir finalmente encapar a rola com a camisinha, o Miguel praticamente arrancou o Tadeu o rabo do Eduardo, tamanha a fissura que estava. Demorou para ele conseguir enfiar a pica, ela escapava e ele tinha dificuldade de encontrar novamente a fendinha do Eduardo. Quando a encontrou, meteu a jeba com tudo fazendo o Eduardo ganir como até então não tinha ganido, o viadinho devia estar sentindo uma puta dor. Como o Miguel socava o rabo dele sem dó, acabou rasgando a camisinha e gozando diretamente no cuzinho do Eduardo, fazendo com que algumas gotas pingassem do cu dele diretamente sobre o solo arenoso que as absorveu. Eu já estava puto com aquela espera toda, por ter a maior pica, me fizeram esperar até todos se saciarem naquele rabão. Fui metendo devagar, o Eduardo se contorcia à medida que minha rola afundava no cu dele, de tanto tentar gritar, já estava exausto e soltava uns gemidos tão gostosos que quase me enlouqueceram de tanto tesão. Nem parecia que aquele cuzinho tinha acabado de ser lanhado por três caralhos, era estreito e apertava minha rola com um calor úmido. Comecei bombando devagar, o Eduardo dava umas reboladas para que minha pica deslizasse mais fácil sem machucá-lo tanto. Por uns instantes eu até me esqueci onde estávamos e o que estávamos fazendo, eu só queria comer aquele cuzinho. As costas do Eduardo e o pescoço estavam cobertos por minúsculas gotas cintilantes de suor, o perfume que vinha da pele dele entorpecia. Dei uma leve chupada no pescoço dele e, depois, abocanhei a pele e dei uma mordiscada, senti que já não estava aguentando mais segurar o gozo. De repente, a camisinha estava me apertando demais, estava me privando de algo que podia ser bem mais gostoso, sentir a mucosa quente do Eduardo encapando diretamente minha rola. Arranquei o caralho do cuzinho dele de uma vez e tirei a camisinha, voltando a enfiar lenta e progressivamente naquela fendinha quente. Abracei o tronco do Eduardo, o coração dele batia acelerado, a respiração estava ofegante, ele parecia um bichinho assustado e, por uma fração de segundo, eu senti um tesão tão grande que o gozo explodiu sem que eu pudesse controlar. Acabei dando uma tremenda leitada naquele rabo, como jamais imaginei que pudesse leitar.
- Vai ficar aí o dia todo? Acabou? Tira logo essa pica daí! Vamos enfiar o vibrador agora. – sentenciou o Tadeu, que segurava o consolo ligado numa das mãos enquanto o exibia em triunfo para os demais. Tive que desviar o olhar do rosto do Eduardo, ele estava chorando, e soltou outro gemidinho longo quando o Tadeu enfiou o vibrador no cu dele. Saímos correndo dali, deixando-o amarrado à arvore, todo arregaçado e sangrando, com aquela coisa enfiada no cu.
Foi um segurança do colégio quem o encontrou depois de um tempo de findas as aulas. Segundo os relatos, ele estava quase desmaiando quando foi socorrido e levado a um hospital. Ficamos reunidos na minha casa o restante da tarde, comemorando a trepada fenomenal que para a maioria tinha sido a primeira da vida, exceto para mim e para o Tadeu, pois ambos já tinham comido umas garotas vizinhas da casa dele.
Só fui cair na real quando, por volta das dez horas da noite, viaturas da polícia encostaram em frente de casa, perguntando por mim. Foi meu pai quem os atendeu no portão. Eu estava quase me cagando nas calças, sabia que estava muito encrencado. O Nahas e eu chegamos acompanhados dos nossos pais quase simultaneamente à delegacia, o Tadeu e o Miguel já estavam lá, com umas caras que dava dó de ver. Só o turquinho estava acompanhado de um advogado que o pai tinha requisitado às pressas. O delegado ouviu primeiramente um advogado do escritório do pai do Eduardo, do qual ele era sócio. O cara tinha presença, falava pausada e contundentemente, demonstrando sua capacidade de argumentar. O advogado do Nahas parecia um principiante, embora a idade revelasse o contrário, foi humilhado pelo delegado e enfiou o pouco brio que tinha entre as pernas, quando tentou apresentar os argumentos inconsistentes de seu cliente.
A expulsão dos quatro do colégio foi só o começo. No tribunal, o Miguel e eu fomos os mais fodidos, pois o exame de corpo de delito havia mostrado que a porra encontrada no cuzinho do Eduardo era dele e minha. O que nos custou uma condenação de dois anos de reclusão numa casa de custódia, pois os advogados do Eduardo conseguiram convencer o juiz a nos dar a pena máxima. O Nahas e o Tadeu tiveram que pagar uma espécie de indenização, apesar dos apelos dos advogados. Pouco mais de seis meses depois, por bom comportamento, eu e o Miguel estávamos livres e sob condicional, o que veio a demonstrar, mais uma vez, como a justiça é branda nesse país corrupto.
Minha relação com meus pais nunca mais foi a mesma. Ao voltar da prisão, tive que procurar um emprego, uma vez que meu pai se recusou a me custear. Ele era uma pessoa com nível médio de instrução, tinha conseguido ser chefe de setor numa metalúrgica e, com a ajuda da minha mãe que complementava o orçamento doméstico costurando para fora, tinham dado um duro para me bancar naquele colégio de elite. Voltei a estudar num colégio público, no início até achei tudo fácil, a base que trazia da escola particular salvou a pátria, mas depois tomei bomba e me conscientizei que precisava estudar muito além daquilo que aprendia na escola se quisesse ingressar numa faculdade, o que só consegui uns anos depois e, mesmo assim, numa faculdade de quinta. Foi lá que conheci a Luciana, uma gostosa que logo foi se pendurando em mim, e com quem fui para cama já nas primeiras semanas do curso. Não perdi tempo, andava na secura, e meti naquela buceta mais vezes do que um coelho acasalando. Eu estava na faculdade procurando uma profissão, ela um macho para criar sua prole. Ao final do primeiro ano, ela estava grávida e triunfante, tinha conseguido um trouxa, depois de já ter rodado pelas cacetas de outros. Mandei que tirasse a criança, uma vez que nenhum dos dois estava em condições de criá-la. Ela se recusou ofendida, disse que era católica fervorosa, que todos na família eram e seguiam os preceitos da bíblia, e mais uma batelada de tolices. Houve momentos em que tive vontade de esganá-la, mas não era mais primário e estaria fodido se mais uma acusação caísse nas minhas costas. Para completar, essa notícia caiu feito uma bomba na minha casa, e acabei sendo expulso de lá, quando meu pai alegou que estava farto das minhas canalhices. Fui parar na mesma pensão que o Tadeu, outro que se fodeu depois que saiu da casa de custódia, uma espelunca que primava pela desordem e falta de higiene, mas onde tive que ficar até conseguir um emprego melhor depois de formado.
A Luciana me extorquia como podia, auxiliada por uma advogadazinha balofa de porta de cadeia. Nunca nos casamos, nosso relacionamento de pouco mais de um ano resultou numa gravidez indesejada, pondo um fim na relação conturbada antes mesmo de ela parir. Além da pensão alimentícia para o garoto com o qual eu não convivia, ela começou a exigir que eu pagasse uma escola para garantir o futuro dele. Ela não conseguiu nada a mais na justiça, e passou a usar um irmão para me intimidar. Nessa época eu já tinha saído da pensão e estava morando numa quitinete quando ela e o irmão tentaram mais um suborno. A confusão acabou em pancadaria nos corredores do edifício, onde quase desmontei o panaca do irmão dela e, no tumulto, acabei dando umas boas bofetadas na fuça dela, coisa que vinha desejando há tempos. Minha fama entre os moradores do condomínio não era das melhores, devido ao entra e sai de mulheres na minha quitinete. A confusão com a Luciana e o irmão me custou uma advertência e uma multa condominial. Por pouco, não voltei para a cadeia, uma fiança e a exigência de frequentar um curso para maridos agressores bastaram para eu ficar quites com a justiça.
Ao assumir o cargo que ocupava atualmente, pude me arriscar a financiar um apartamento de dois quartos num condomínio melhor localizado e adquirir meu primeiro carro zero quilômetro. Parecia que, enfim, ventos mais promissores sopravam na minha direção. Sempre fiz sucesso entre a mulherada na empresa, tanto solteiras quanto casadas ficavam de olho e sonhando com o que eu tinha entre as pernas, uma pica avantajada que mostrava seu contorno prodigioso devido as cuecas folgadas que usava, uma vez que gostava de sentir o bichão solto. As calças dos ternos que adquiria nas lojas masculinas dos shoppings quase nunca tinham um caimento perfeito que disfarçasse meu dote, algo que eu também não fazia questão de esconder, uma vez que funcionava como um ótimo chamariz e me garantia boas fodas. Eu ajeitava o sacão de um lado do gancho das calças e a rola grossa com mais de um palmo de comprimento do outro para me sentir minimamente confortável ao caminhar ou sentar e, essa visão era a que deixava a mulherada úmida e fazia até a bichinha da xerox se insinuar para mim toda vez que requisitava os serviços do setor.
Atualmente, eu me esbaldava na buceta de lábios volumosos da secretária do ex-diretor de produção e logística, uma solteirona de curvas generosas que tinha na bunda larga seu principal atrativo, uma vez que eu era simplesmente tarado por bundas bem desenhadas de contornos fartos. Não era uma mulher bonita de rosto, mas despertava a atenção dos homens por ter a cobiça de uma loba no cio, e ancas fartas como uma potranca insaciável. Era ela quem me repassava, em primeira mão, todas as informações que circulavam na diretoria, enquanto gemia debaixo de mim com a minha casseta fodendo sua xana, cujos grandes lábios eram bastante volumosos e proeminentes. Foram essas informações privilegiadas que muitas vezes me livraram de uma enrascada; por isso, eu a mantinha na minha agenda de diversões sexuais. A outra que constava dessa agenda era a gerente-assistente do RH, uma trintona tesuda de seios grandes, casada e mãe de um casal de filhos que o marido parecia não dar conta de satisfazer. Ela abusava dos decotes, pois sabia o quanto os machos da empresa gostavam de admirar suas tetas firmes quando se debruçava insinuante sobre as mesas quando tinha algum assunto a resolver com eles. Na maioria das vezes, não usava sutiã, ou o tirava intencionalmente ao chegar na empresa, fazendo com que os bicos dos mamilos ficassem evidentes debaixo das blusas. Os machos piravam ante essa visão e, além de mim, eu não saberia afirmar quantos gozavam do mesmo privilégio de chupar aqueles mamilos com ela cavalgando suas picas, feito uma amazona tresloucada. As tetas sacolejavam insinuantes diante dos meus olhos cobiçosos quando ela cavalgava meu mastro, gemendo e berrando para que eu apagasse o fogo que ardia em sua vagina ligeiramente laceada após a parição dos dois filhos. Eu supunha que ela não chegava ao clímax com o marido, que devia ter uma pica normal, pois até com o calibre da minha ela levava um bom tempo para gozar; quando então, soltava uns gritinhos histéricos encharcada de suor e fluidos que minavam da xana intumescida. O revezamento entre as duas, e mais umas que eu pegava quando saia com alguns amigos para uma noitada, praticamente garantiam minhas necessidades sexuais sem me envolver em compromissos e cobranças.
Foi por acaso, sem que eu nunca tivesse pensado na possibilidade, numa das inúmeras vezes em que fiquei fazendo hora extra para não só comprovar que era um funcionário dedicado e compromissado com a empresa, mas também para dar conta do trabalho que, não sei porque cargas d’água, se acumulava sobre a minha mesa que, acabei dando bola para a bichinha da xerox. Não era comum ele ficar até tão tarde, mas as reformulações pelas quais a empresa estava passando aumentaram a demanda do setor e ele se viu obrigado a ficar alguns dias depois do término do expediente. Fazia uns quinze minutos que eu segurava a vontade de mijar, querendo terminar de inserir uns dados numa planilha que estava preenchendo, o que me levou a sentir a ereção se formando, quando ele veio me entrar as cópias de uns formulários que eu havia enviado naquela tarde. Não havia mais ninguém no andar, eram quase nove da noite, o pessoal da faxina já havia concluído o serviço e deixado o andar. Ele não tirou o olhar babão da minha rola crescida, enquanto me entregava a papelada. Eu estava há três dias sem dar uma trepada ou me masturbar, os colhões abarrotados estavam me atormentando e consumindo meu bom humor. Por que não, pensei quando ele lambeu sensualmente os lábios finos? Ele era um rapazola de uns vinte anos, magro e seco, braços finos e pernas que mais se pareciam com duas taquaras nas calças justíssimas que usava e, dentro das quais não havia bunda alguma. Ela era reta feito uma prancha. Apesar de não haver atrativo algum nele, um boquete àquela hora seria bem-vindo, ao menos apaziguaria o incomodo opressivo das minhas bolas. Comecei a puxar conversa com ele, como se estivesse interessado na vida dele fora da empresa. Assanhado com meu interesse e com o que estava duro dentro da minha calça, ele soltou a franga, dando risinhos e afinando propositalmente a voz para me seduzir. Levei a mão à pica e fiquei alisando, dava quase para sentir os tremeliques no cu da bichinha.
- Gosta? – perguntei destemido.
- Gosto muito! – respondeu ele, querendo se fazer de pudico.
- Aposto que você deve saber fazer um boquete bem gosto. – joguei verde
- Ai “Seu” Carlão! – exclamou, fingindo uma falsa inocência.
- Fico imaginando o que esses seus lábios lindos seriam capazes de fazer pela minha rola carente. – provoquei. Ele já babava com a possibilidade de abocanhar minha casseta.
- Para ajudar o senhor eu até podia tentar. – disse ele, achando que eu ia engolir a mentira deslavada.
- Eu ia ficar muito agradecido, muito mesmo, entende o que quero dizer? – devolvi, começando a tirar a pica pela braguilha.
Bastou ele ver minha chapeleta úmida para se ajoelhar entre as minhas pernas e pegar meu caralho com uma das mãos levando-o gulosamente à boca. A experiência e afinidade que ele tinha em mamar uma rola saltava aos olhos, derrubando a imagem castiça que tinha tentado pintar há pouco. Não só abri bem as pernas, como desabotoei a calça para permitir que ele tivesse livre acesso a toda virilha. Ele terminou de sacar o restante da pica e o sacão lá de dentro e chupava minha rola como um bezerro faminto, enquanto massageava minhas bolas como um profissional do sexo. Agarrei a cabeça dele e a soquei contra a minha virilha, atolando a jeba na garganta dele, ele socava aflitivamente minhas coxas quando lhe faltava o ar, antes de eu retrair novamente o cacete. Como eu estava há três dias sem gozar, em menos de cinco minutos senti a porra acumulada querendo eclodir. Não o preveni, certamente muitos já tinham esporrado naquela boca hábil e, quando não consegui mais reter o gozo, deixei-o simplesmente fluir me desafogando daquele sufoco. O primeiro jato espesso espirrou até a garganta dele e o fez soltar minha pica com uma evidente expressão de nojinho na cara, onde os demais jatos o atingiram em cheio, enquanto eu tentava obrigá-lo a colocar a rola novamente na boca, pois detestava ver minha porra desperdiçada. Fazendo-se de indignado, alegou que não gostava de engolir porra, o que eu não sabia se era mais uma de suas tentativas de se fazer de pudico, ou realmente sentir engulhos com esperma de machos.
- Está desperdiçando minha porra, seu viadinho do caralho! – exclamei irado para intimidá-lo, enquanto espalhava com a minha mão a porra lançada na cara dele.
- É que eu não consigo engolir, “Seu” Carlão! – balbuciou ele, tendo ânsia com aquela que descia pela garganta.
- É uma pena! Eu já imaginava nós dois fazendo outras coisas bem mais interessantes. – blefei, procurando garantir outros boquetes num futuro em que visse forçado a recorrer a uma boca sequiosa.
- Eu juro que na próxima eu vou tentar! Prometo para senhor! – a pilantragem da bichinha falava mais alto que seus pudores.
Antes do final da primeira semana do novo diretor de produção e logística, a secretária do ex-diretor foi demitida, com mais quatro outros funcionários sob seu comando. Deixando bem claro aos demais a que tinha vindo o Eduardo e, que as demissões não parariam por aí. Recebi a notícia da demissão logo cedo pela manhã da sexta-feira ao chegar à empresa, através da gerente-assistente do RH que trabalhava nos trâmites da demissão e espalhava a fofoca. Além de perder minha fonte de informações privilegiadas, das trepadas que incluíam penetrações no cu da cavalona, o que muitas mulheres não permitiam, acendeu-se o alerta que me deixou de cabelo em pé. A iminência de uma demissão tornava-se cada vez mais real. Nosso passado já era motivo mais que suficiente para o Eduardo não desejar minha presença e, o desempenho pífio do meu setor seria a justificativa perfeita para me dar um pé na bunda. Entrei meio que em desespero, a atual situação do país não perdoava os desempregados, e eu tinha dívidas a saldar que comprometiam praticamente todo o meu salário. Mesmo conseguindo me recolocar, certamente não conseguiria um salário como aquele, devido aos anos de empresa. Passei o final de semana redigindo meu currículo, pois era quase certo que ia precisar dele para conseguir um novo emprego. Ao formulá-lo, percebi que, depois de anos, pouco tinha a acrescentar ao que tinha me levado a ser contratado. Profissionalmente eu havia estagnado no tempo, perdido chances de evolução com cursos de aprimoramento enquanto caçava bucetas para satisfazer meu ego e entornava copos de cerveja com amigos pelos bares da vida. Eu estaria na próxima leva de demitidos, conclui, sem o menor esforço. Os dois últimos recém-formados que haviam sido contratados para o setor tinham mais conhecimento do que eu, eram mais ousados, tinham ideias e, mesmo eu sendo o gerente deles, me passariam a perna sem sombra de dúvida. Voltei a me questionar sobre a minha vida, o que fiz dela nessa última década? Aos poucos, começava a compreender a postura firme e reticente do meu pai em relação a mim. Pela primeira vez na vida senti vergonha de mim mesmo. Apesar da imagem de macho dominante que eu queria transparecer, no fundo eu era um babaca.
A sexta-feira da semana seguinte foi um novo capítulo de demissões; dez, numa batelada só. Dois gerentes acomodados como eu, a minha outra fonte de informações e orgias do RH e mais outros funcionários de poucos resultados. Isso acendeu o alerta na empresa toda, as sextas-feiras passaram a constituir um verdadeiro pavor, qualquer um que fosse chamado pela chefia já ia na certeza de ser decapitado, como bois que seguiam para o abatedouro. Meu medo só crescia. Passei a ser mais cauteloso, enfiava a cara no trabalho com um afinco que jamais demonstrei antes, tinha tanto pavor de mijar fora do penico que minha mente só se ocupava com o trabalho e o temor de perder o emprego. Felizmente, eu não havia sido incluído naquela última lista, mas estaria nas próximas, com toda certeza.
Não me bastassem essas preocupações, fui informado pela família da Luciana que ela estava muito mal na UTI de um hospital com metástases de um câncer de mama avançado e poucas chances de reversão. Eu não tinha a menor intenção de a visitar, nosso relacionamento relâmpago não me obrigava a nada. Mas, a família só me comunicou o fato por que começou a acenar com obrigatoriedade de eu ficar com o filho que tive com ela, quando ela morresse; o que realmente aconteceu poucas semanas depois. Era tudo o que não podia ter acontecido àquela altura do campeonato, ter que assumir a criação do garoto que, se não estivesse enganado, devia ter uns oito ou nove anos. A mãe da Luciana era viúva e alegava não ter condições nem de saúde nem financeiras para ficar com o garoto. O irmão, aquele cretino que vinha com ela me intimidar, vivia de bicos ou empregos que não o mantinham por mais de alguns meses e, que também tirou o corpo fora alegando que, devido as condições de saúde da mãe, precisava cuidar dela, o que não passava de uma desculpa esfarrapada para viver da pensão que a mãe recebia pelo marido morto. Mais uma vez me vi diante de um juiz, dessa vez da vara de família e juventude, sendo forçado a assumir a criação do filho que coloquei no bucho daquela golpista. Até tentei jogar a bomba nas costas dos meus pais, pois eram os únicos que mantinham um contato distante com o menino, movidos pela compaixão pelo único neto. Porém, só faltou me colocarem mais uma vez para fora da casa deles aos pontapés quando sugeri que acolhessem o menino com o qual não tinha o menor vínculo.
- Não quero mais ver essa sua cara de canalha na minha casa! Foi você quem fez essa criança naquela pilantra, agora assuma seus erros! – berrou meu pai, com irrestrito aval da minha mãe quando fui lhes fazer a proposta.
Na ação que a família da Luciana havia movido para me obrigar a ficar com a criança, até tentei argumentar sobre uma possível adoção por uma família que tivesse mais estrutura para criá-lo, o que fez o juiz me passar uma admoestação, e me ameaçar com um pedido de prisão caso não desse à criança os cuidados obrigatórios de um pai. Eu estava fodido, essa era a verdade. Isso não poderia acontecer em pior momento. Trouxe o garoto para casa três dias depois de ele ver a mãe sendo enterrada. Como não sabia o que dizer, e ele estava perdido e assustado por ter que conviver com um estranho que lhe disseram ser seu pai, ficamos ambos calados, num silêncio doído que nenhum de nós sabia como romper. Tive que pagar uma escola particular onde ele pudesse ficar boa parte do dia, uma vez que teria que passar horas sozinho no apartamento enquanto eu estava no trabalho.
Em sua terceira semana na empresa, o novo diretor encabeçou uma reunião com todos os gerentes sob sua área de atuação. Alguns, inclusive eu, estavam se cagando nas calças após receberem a convocação pela intranet da empresa. Rolariam mais cabeças? Estaríamos prontos a lhe dar as devidas respostas aos seus questionamentos sobre o desempenho dos nossos setores? Havia tempo que ninguém nos cobrava alguma coisa da devida forma que exigiam as circunstâncias. Tratei de me sentar o mais distante dele possível, me faltava coragem para encará-lo, e não queria que, ao olhar para mim, lhe viessem as lembranças daquela tarde no colégio, pois apenas elas seriam suficientes para me comprometer com ele.
O Eduardo havia se transformado completamente, em nada lembrava aquele garoto tímido que se retraia ainda mais durante as aulas de educação física, quando sua bunda fazia a alegria da molecada mais atrevida. Sua postura impunha respeito, sua fala determinada denotava confiança e conhecimento, embora seus gestos sutis revelassem uma cordialidade ímpar, mas que não deixava enganar os menos desavisados de seu potencial aguerrido. Ao expor o que queria cobrar de nós, não pude deixar de reparar mais atentamente em seu corpo escultural que, sem o paletó, deixava aflorar toda uma sensualidade que então ficava camuflada. A bunda continuava um espetáculo, talvez mais até do que me lembrava, realmente era carnuda e gostosa, pois elas eram meu tendão de Aquiles. Ela preenchia sua calça de um jeito que dava um tesão da porra e me obrigava a ficar ajeitando o cacete a todo momento, pois o bichão parecia ensandecido. Procurei me concentrar na fala do Eduardo, no que estava nos cobrando, para tentar evitar uma ereção que teimava em se concretizar.
- Quero que me tragam os resultados do último ano de seus respectivos setores, desempenho, novas propostas, o percentual de ganhos que somaram aos resultados globais da empresa e toda informação útil que mostre o valor que seus setores representam para a companhia. – foi sua exigência. Meu pinto amolecia na mesma rapidez que minha mente tabulava os itens que ele enumerava, uma vez que não possuía essas informações e, muito provavelmente, o setor sob meu comando não tinha feito nada de relevante nesse sentido. Saí da reunião arrasado, como alguns outros, todos cientes de que íamos para o olho da rua depois de apresentarmos nossos resultados.
Assim que voltei à minha mesa, reuni os colaboradores sob minha chefia, comecei a exigir dados, planilhas, relatórios e o escambau. Tinha que fazer um relatório consistente, mostrar que não estava lá só para trepar com as funcionárias e ter o caralho mamado pelo viadinho da xerox. Precisava mostrar que era um homem cônscio de suas responsabilidades, que era capaz de estar naquele cargo, embora não soubesse bem como fazer isso. Levei tudo que foi reunido como lição de casa. Passei todo o final de semana debruçado sobre o notebook elaborando gráficos, fazendo demonstrativos, roteirizando relatórios gerenciais, tudo de que me lembrava ser incumbência de um gerente produtivo. Foram horas e horas empenhado naquilo, esquecendo-me até de comer e, correndo até o banheiro quando o mijo já começava a pingar sozinho. Estava difícil extrair água do solo árido. Vi que o setor tinha ficado acéfalo, enquanto eu corria atrás de bucetas e boquetes. Tinha assinado minha própria sentença de morte, sem nem desconfiar.
Para complicar, tinha que dar atenção ao meu novo hóspede, que dependia de respostas até para saber onde ficavam os talheres, no que podia mexer e no que não podia, onde arrumaria seus pertences pessoais, suas roupas, e se podia ou não descer ao playground do edifício para tomar um ar. Minhas respostas, muitas vezes desencontradas, se resumiam a – faça do jeito que fazia na casa da sua mãe, pegue o que quiser, depois eu te explico como fazer isso; vá, mas não se demore – e tantas outras respostas que eu dava sem nem ter prestado atenção direito aos questionamentos, tudo para que minha lição de casa não se transformasse no meu passaporte para o rol de desempregados. Ao final de dois dias inteiros e boas horas de sono perdido no avançar da madrugada, eu tinha míseras cinco páginas nas mãos, preenchidas com alguns gráficos e meia dúzia de parágrafos cujo conteúdo expunha toda a minha incompetência. Mais uma vez senti vergonha de quem eu era, um medíocre de um tarado que achava que estava no meu cacete a essência de quem eu era.
Fui o segundo a ser convocado à sala do Eduardo na semana seguinte. O primeiro convocado saiu de lá como se tivesse sido atropelado por um caminhão, cabisbaixo e quase mudo, desabou sobre sua cadeira como se tivesse saído de um ringue de boxe. Quando cheguei à mesa da secretária dele, uma jovem discreta e gentil, de postura compenetrada que substituiu a potranca em permanente cio, tive minha presença anunciada com uma voz firme e educada. Os papeis que levava nas mãos tremiam como se eu sofresse do Mal de Parkinson, o que a moça notou com discreta satisfação. Ele estava ao telefone quando entrei tão timidamente quanto um moleque assustado prestes a tomar uma injeção. Fez sinal para que me sentasse à uma mesa circular que ficava num canto ligeiramente afastado de sua escrivaninha, na sala redecorada com esmero e elegância após a saída do diretor anterior, até terminar a ligação.
- Boa tarde, Eduardo! – cumprimentei com uma voz falha. Ele apenas acenou com a cabeça. – Trouxe o que me pediu, são os resultados dos últimos doze meses. – emendei ligeiro, antes de lhe dar chance de retrucar, colocando o fruto do meu final de semana diante dele.
Tive que esperar no que me pareceu uma eternidade, embora os ponteiros do sofisticado relógio de pulso dele não tivessem avançado mais do que três minutos, ele inspecionar as cinco páginas que tinha diante dos olhos. Seu rosto não esboçava nenhuma reação, parecia com a de um jogador de pôquer, indecifrável.
- Houve algum progresso nesses resultados que está me apresentando em relação aos anos anteriores? – foi sua primeira fala quando soltou as folhas sobre a mesa.
- Fica difícil fazer uma comparação, uma vez que os dois últimos anos foram afetados pela pandemia da Covid. – gaguejei me justificando, pois não tinha recolhido dados além dos últimos doze meses, nem havia pensado nisso.
- Se esses números que me apresentou forem consistentes, não houve progresso algum no seu setor. Enquanto a empresa como um todo teve um boom de crescimento, justamente por conta da pandemia, quando nossa demanda mais que quadruplicou, vocês ficaram estagnados em patamares inferiores ao ano pré-pandemia, o que pode ser considerado um retrocesso, não acha? – o modo pausado como se expressou tornou a resposta mais dolorosa, eu me senti acuado, sacudia as pernas debaixo da mesa para extravasar o nervosismo, e torcia para ele não ouvir quando os meus joelhos se chocavam um contra o outro. Não encontrava uma resposta para a pergunta dele. Três minutos, três minutos foram suficientes para ele matar a charada, estava diante de um incompetente.
- São consistentes com o que há no sistema, foi dele que extraí os números. – só depois de terminar a frase, é que percebi que estava passando um atestado de incompetência, uma vez que eu mesmo não tinha dados mais precisos que deveriam ter sido compilados por mim, justificando assim, o desempenho do meu setor.
- Uma nova empresa está há meio ano revisando e modernizando o sistema que está cheio de falhas, como deve estar sabendo; portanto, basear-se apenas nele pode induzir a erros, como deve supor. – devolveu ele, fechando ainda mais o cerco ao redor do meu pescoço, já me começava a faltar o ar, as paredes da sala ampla pareciam estar se movendo lentamente na minha direção querendo me esmagar entre sua solidez.
- Sim, sim, estou sabendo! – mais uma resposta que não dizia absolutamente nada.
- Como acha que seu setor pode agregar valor às novas demandas da empresa, Carlos? – não faço a menor ideia, foi a primeira coisa que me passou pela cabeça, pois também não tinha uma resposta inteligente para essa pergunta; e ouvi-lo pronunciar o meu nome de maneira tão profissional e imparcial me deixou sem chão. Ele tinha diante de si um completo idiota.
- Talvez nos engajando no desenvolvimento de novas estratégias de armazenamento e despacho das mercadorias. – respondi, mesmo sem saber de onde tinha vindo essa luz que repentinamente se acendeu na minha cabeça e me fez articular a primeira frase coerente daquele encontro.
- Tem algum prospecto de modo viabilizar essa proposta? – caralho, será que ele tem um baú inesgotável de perguntas, faz apenas três semanas que está na empresa, como pode ter tantas informações e tantas dúvidas sobre essa porra de trabalho?
- Estamos trabalhando num. – respondi mentindo, para desafogar o laço que se fechava ao redor do meu pescoço.
- Quando posso vê-lo? – puta que o pariu! Essa tortura não acaba.
- Em breve, pelo andamento das coisas. – menti mais uma vez, já que nada estava sendo feito.
- Então me apresente uma data dentro de quarenta e oito horas! Temos que recuperar urgentemente o que meu antecessor deixou estagnado durante sua gestão. Por hora é isso, boa tarde, Carlos! – devolveu ele, pondo fim aquele sufoco. Chispei dali feito um raio. Corri até o banheiro mais próximo e joguei uma água fresca na cara e no pescoço, estava empapado de suor, um verdadeiro covarde; que um dia tinha feito aquele homem competente gemer na minha pica, sentido um puta tesão inesperado quando a carne macia e úmida daquele cuzinho agasalhou minha rola.
- E aí, como foi lá com o mandachuva galã? – perguntaram meus subordinados ansiosos quando voltei ao posto de trabalho.
- Só vou falar uma única vez, nunca mais quero ouvir alguém desse setor se referir ao Eduardo nesses ou, em outros termos dessa natureza, estamos entendidos? Respeito é bom e é isso que quero ouvir de hoje em diante! – ralhei brusco, o que os deixou abismados, pois nunca havia me dirigido a eles dessa maneira.
Aquela porra de setor tinha que mudar, eu tinha que mudar, aquele bando de folgados tinha que mudar. Eu tenho essa puta rola no meio das pernas para provar que sou macho o suficiente para fazer essas mudanças, para provar que sou mais do que um mero caçador de vaginas, que tenho competência para correr atrás do prejuízo e me atualizar para dar conta do que esperam de mim. Acho que pela primeira vez na vida estabeleci um objetivo; eu ia provar ao Eduardo que não era um bosta qualquer, um bosta que precisou se aliar a uma gangue para comer o cuzinho dele, pois sozinho nenhum tinha coragem para tanto.
Gabriel, meu filho, ia mal na escola. Toda semana recebia um bilhete do colégio informando do desempenho sofrível dele alertando para uma provável repetência caso suas notas não melhorassem. Ele teve a quem puxar, pensei com meus botões, ao mesmo tempo em que torcia para que ele não se transformasse no mesmo cretino que foi seu pai nessa fase. Ele vinha de um colégio público, pois a mãe alegava que a pensão que me era extorquida diretamente no holerite não era suficiente para custear uma escola particular. Também achei que o moleque era burro, o que atribuí a genética da mãe. Sem paciência, tentava fazer as lições de casa junto com ele, após o jantar, quando já estava cansado de enfrentar as cobranças na empresa. Eu aumentava o tom de voz, ele começava a chorar, borrando as páginas do caderno e fazendo dele uma peça digna de chiqueiro. Na verdade, eu não servia para ser pai, nunca me vi nesse papel. Eu não conhecia aquele moleque, ele não me conhecia, apenas fomos obrigados pelas circunstâncias a viver sob um mesmo teto. Quando estava em casa, ele ficava enfiado em seu quarto ou descia para o playground, enquanto eu ficava em outro canto do apartamento, ou assistindo aos jogos de futebol que foi a última alegria me restou depois da vinda dele para a minha casa. Acabaram-se as longas happy hours tomando cerveja com os amigos num bar, acabaram-se as trepadas noite adentro com alguma gostosa que tinha chavecado numa balada, acabou-se a dolce vita de um solteiro de trinta e tantos anos. Eu não sabia como chegar nele, como falar abertamente com ele, o que pedir e o que oferecer ao meu filho; éramos completamente estranhos um para o outro, o que gerava um clima tenso, dentro e fora de casa, e nos impedia de saber o que era a felicidade.
Mesmo assoberbado até o pescoço, me inscrevi num curso de pós-graduação em gerenciamento de logística e Supply Chain, que consumia meus últimos tostões do salário, e findava com qualquer aspiração de luxos extras como férias e diversões, motéis e até pizzas com meu filho domingos à noite. Anos longe dos bancos escolares me mostraram o quanto havia perdido, quantos anos-luz estava distante da atual realidade e, aos poucos, fui me conscientizando que o pai do Gabriel era tão burro quanto ele. Contudo, estava disposto a não deixar a peteca cair, custasse o que custasse, eu ia faz jus ao cargo que ocupava e, quem sabe, sonhar com alguma promoção, ou uma nova oportunidade em outra empresa que me pagasse melhor. A mesma tenacidade eu tentava incutir, sem sucesso, no meu filho que, findo o ano letivo tinha tomado bomba em quase todas as disciplinas.
- Puta que o pariu, Gabriel! Foram quase todas as matérias, só escaparam a educação física que nunca na história ouvi alguém repetir, artes e musicalização que não servem para porra nenhuma, no restante foi um “D” atrás do outro. Caralho! Você faz ideia de quanto custa a mensalidade aquela porra de colégio? Não dava para ter feito uma merda de um esforçozinho para tirar notas melhores? – explodi, no dia em que vieram as notas finais. Ele me encarou em silêncio, seus lábios tremiam e, depois de um soco que desferi no tampo da mesa e que fez talheres e pratos saltarem, uma lágrima silenciosa rolou do canto do olho dele. Ficamos uma semana sem nos falarmos.
Eu definitivamente não sabia lidar com aquela criança. A moda agora era não dar uma boa surra nessa molecada, o que no meu tempo nenhum pai discutia, simplesmente tirava o cinto ou pegava no chinelo e esquentava a bunda da gente até nos conscientizarmos da cagada feita. Tinha funcionado pouco comigo, mas eu me lembrava de algumas surras até hoje. Alguns dias depois, com a cabeça mais fria, fiquei me questionando sobre o direito de cobrar dele um melhor desempenho escolar, quando eu mesmo arruinei meu futuro achando que estava fazendo uma simples brincadeira quando enrabei o cara que hoje é meu chefe. Comigo como pai, esse garoto não tinha futuro, concluí pesaroso. Mas, que se havia de fazer?
Após mais de vinte demissões, o fantasma que atormentava a todos parecia ter ido embora. Miraculosamente, eu continuava no meu cargo. A bem da verdade, começando a ser detestado pelos meus subordinados, pois estava arrancando o couro deles, sem muita sutileza, para fazer do meu setor um exemplo de recuperação e engajamento. Conforme o Eduardo estipulou, 48 horas depois eu tinha voltado à sua sala com um esboço de um projeto que fiz a toque de caixa com meus subordinados.
- Quanto tempo leva para a implementação? – perguntou ele, após passar os olhos no esboço.
- Primeiro será preciso completar o projeto, umas três a quatro semanas eu acho; depois, se tivermos a autorização para as mudanças, creio que de dois a três meses para estar tudo funcionando. – pela primeira vez pude olhar diretamente nos olhos dele, azuis como um mar tropical, lindos e expressivos, absorvendo minha resposta.
- Quero acompanhar o passo-a-passo do andamento tanto do projeto quanto da implantação, que pode considerar aprovada desde agora. – afirmou ele.
Eu não cabia em mim de tanta alegria. Parece que tínhamos um pacto, e eu ia me desdobrar em mil, se fosse necessário, para cumpri-lo à risca. Talvez nem tudo estivesse perdido para mim. Ao deixar sua sala senti como se tivesse sido resgatado do patíbulo. O Eduardo não era vingativo, trazia consigo uma nobreza de alma que eu não tinha. Era muito mais homem do que eu, enfrentava as agruras da vida sozinho, de cabeça erguida, por mais vis que tenham sido as penúrias que lhe impuseram. Agora, aquela imagem do cuzinho dele sangrando amarrado ao tronco da espatódea me fazia ter pesadelos, e eu acordava no meio da noite atormentado por uma culpa sem fim. Nunca frequentei uma igreja, não éramos religiosos em casa. Mas, num domingo em que levei o Gabriel até a casa de um coleguinha do colégio que estava aniversariando, passei por uma e entrei. O serviço religioso já havia terminado, reinava um silêncio respeitoso que se intensificava através da luz que passava pelos vitrais. Uma dúzia de pessoas esparsamente distribuídas pelos bancos rezava em silêncio. Eu não sabia rezar, mas sentado na última fileira de bancos próximo à entrada, cruzei as mãos e pedi fervorosamente perdão por aquele dia, absolvição pelo crime que cometi, entrando naquele cuzinho inocente feito um vândalo. Senti as lágrimas descendo pelo meu rosto, como um sinal de que estava pedindo mais do que merecia, e que precisava aceitar minha pena até o último dos meus dias. Mesmo assim, quando saí da igreja, que até hoje não sei a que religião pertencia, o sol brando que bateu no meu rosto trouxe um certo alívio ao meu peito oprimido.
A empresa havia fechado um clube para a festa de final de ano que reunia funcionários e familiares num congraçamento. Levei o Gabriel comigo apesar da recusa dele. Nunca o havia apresentado a nenhum colega da empresa, alguns nem sabiam que eu tinha um filho. Ele não se entrosou com a garotada, embora muitos tivessem vindo procurá-lo, seus problemas de socialização eram evidentes. Os membros da diretoria circulavam entre os funcionários procurando ser gentis e conhecer um pouco de seus familiares, o que me pareceu pura demagogia. Demorei a ver o Eduardo, ou havia chegado tarde ao encontro, ou estivera entretido nalgum canto onde eu ainda não havia estado. Tenho que admitir que estava curioso por saber se veio acompanhado, uma provável namorada ou até esposa, filhos quem sabe. Porém, estava sozinho. Não sei o porquê de isso ter me deixado contente. De longe, observando-o fazer contato com os funcionários, mesmo os mais subalternos, sobressaia sua simpatia e, a maneira ao mesmo tempo refinada e fácil com a qual entabulava as conversas. As pessoas logo percebiam que para ele não havia ninguém mais e ninguém menos importante, todos valiam um sorriso, todos mereciam sua atenção.
Eu participava de uma rodinha de gerentes e alguns chefes de setor e tinha me esquecido completamente do Gabriel entre um chopp e outro e os petiscos que os garçons circulando iam oferecendo aqui e acolá. A última vez que o tinha visto, ele estava sentado num banco para onde se dirigiu pouco depois de eu ter tido a chance de apresentá-lo ao Eduardo. Preocupado com sua timidez excessiva e com seu jeito retraído de ser, deixei a rodinha de colegas para ver como ele estava. O banco no qual o tinha visto da última vez estava vazio. Em que cazzo de lugar que esse moleque foi se enfiar, perguntei-me a mim mesmo, ao sair à procura dele. Para minha perplexidade e surpresa, encontrei-o sob um quiosque tomando sorvete próximo a uma pequena barraca montada no gramado para essa finalidade e, que fazia dela o ponto mais atrativo para a garotada. Caminhando lentamente na direção deles, vi como o Gabriel sorria, e conversava desinibidamente com o Eduardo como se ele fosse um coleguinha da escola. O papo devia estar animado pela maneira descontraída como se relacionavam, o que me fez repensar a aproximação, o que talvez deixasse o Gabriel encabulado. Mas, não resisti, e fui me aproximando devagar.
- Incrível seu garoto, Carlos! Parabéns! – exclamou o Eduardo, fazendo com que o menino me encarasse com uma ponta de orgulho no rosto tímido.
- Obrigado! Gostaria que ele também fosse incrível na escola, mas o boletim dele é uma coleção de notas vermelhas, não é filhão? Tanto que repetiu de ano! – o olhar do garoto se entristeceu no mesmo instante em que terminei a frase. Já era tarde para consertar o estrago.
- Isso acontece! O próximo ano vai ser mais fácil, não é Gabriel? Você já conhece o conteúdo, agora só precisa aprimorar os estudos, fazer mais exercícios para ficar tinindo e as notas vão vir todas azuis, eu garanto! – o menino sorriu envergonhado para ele, mas concordou com suas palavras.
No caminho de volta para casa, enquanto dirigia e procurava puxar conversa com o Gabriel, recebendo como respostas apenas acenos ou frases lacônicas, eu me questionei que tipo de pai eu era que, na primeira oportunidade, já apontei para os defeitos dele, como se eu sempre tivesse sido um aluno exemplar.
- Me desculpe ter falado das tuas notas para o meu chefe! – desculpei-me com sinceridade. Ele não respondeu, mas ficou visivelmente surpreso com a minha atitude. Eu nunca antes havia me redimido com ele.
O expediente já havia terminado há algum tempo, mesmo assim o elevador descia lotado com alguns retardatários retidos por algum assunto que não podia esperar para o dia seguinte, entre eles eu e um pessoal do meu setor. Um andar abaixo, o Eduardo e o diretor financeiro juntamente com executivos de uma empresa que estava tentando se tornar nossa fornecedora, se juntaram ao elevador que ficou apinhado. Dei um passo atrás e fui parar no fundo da cabine, o Eduardo se postou à minha frente, com as costas voltadas para mim. Foram quatro andares até o térreo de pura provação. Os ombros largos dele estavam ligeiramente abaixo dos meus, eram um pouco menores também, a proximidade me fez sentir o perfume cítrico que ele usava, o paletó não impedia que se notasse a curvatura generosa de sua bunda carnuda que estava a menos de um palmo da minha virilha. Fiquei tão duro que precisei enfiar a mão no bolso da calça para conter a ereção. Aquele homem sedutor de costas para mim me relembrava o dia em que o penetrei, e o prazer que senti com isso. Se ele viesse a desconfiar de que eu estava com o pau duro feito uma rocha, nem sei o que seria de mim. Duas demonstrações de uma selvageria primitiva e até criminosa, ele não ia tolerar jamais. Demorei a me mexer quando o elevador parou, retardando a saída para que ninguém notasse meu pau priápico.
Estávamos tendo um janeiro chuvoso, os temporais começavam do meio para o final das tardes e geravam o caos na cidade, inundando grandes avenidas que ficavam intransitáveis por horas, retendo milhares de carros e seus ocupantes no trânsito. A sede da empresa ficava localizada num bairro empresarial próximo à uma importante rodovia que levava para o interior do Estado. Uma alameda de aproximadamente três quilômetros conduzia a saída dos funcionários das diversas empresas ao longo dela para uma avenida que caia nas marginais que circundavam aquela parte da cidade. Por termos ultrapassado o horário normal de saída dos funcionários, ela se encontrava deserta àquela hora. Meus limpadores de para-brisas não davam conta de remover as pesadas gotas da chuva torrencial que estava desabando. Os faróis me mostraram um SUV importado parado junto ao meio-fio e um sujeito tentando soltar os parafusos da roda para substituir um pneu furado. Ao reduzir a velocidade vi que era o Eduardo, ensopado até os ossos lutando com um parafuso reticente. Estacionei atrás dele para que meus faróis iluminassem melhor o local e desci para ajudar. Era pura loucura o que ele estava tentando fazer, mas resolvi prestar ajudar.
- Não está desatarraxando mesmo, acho melhor você ligar para o auxílio-mecânico da companhia de seguro. – sugeri.
- Já fiz isso, ele não consegue chegar devido a um ponto de alagamento aqui próximo, e calculou umas duas a três horas até conseguir chegar aqui. – respondeu ele.
- Qual tal se rebocarmos seu carro com o meu até a próxima empresa, falamos com o segurança da portaria e explicamos a situação, amanhã você manda o seguro vir resgatar o carro.
- É, acho que vai ser a única solução. – concordou
Deixamos o carro no estacionamento da empresa vizinha e lhe ofereci carona até em casa, onde poderia ligar para um aplicativo e solicitar um carro para levá-lo para casa. Um pouco indeciso, resolveu aceitar após pensar alguns minutos. Tempo esse que eu aproveitei para admirar aquela camisa branca completamente encharcada grudada ao sensual tronco dele, onde se destacavam os dois mamilos acastanhados cujos biquinhos formavam uma saliência bem visível sob a camisa aderida. Minha rola voltou a se manifestar e fiquei feliz por entrarmos no meu carro onde a escuridão camuflaria a ereção.
- Oi Gabriel! Tudo bem?
- Oi Edu! Tudo legal! Nossa, onde pegaram tanta chuva? – perguntou meu filho, com um sorriso de orelha a orelha dirigido ao Eduardo.
- Cara! Nem te conto, não fosse seu pai eu estaria até agora tentando trocar o pneu furado do meu carro, mas acabamos que não conseguimos e tive que deixar o carro num estacionamento perto da empresa. Amanhã eu pego! – ele relatou o episódio ao garoto como se estivesse conversando com um amigo, quando podia ter sido conciso ou nem ter se explicado tanto.
- Legal! Quer dizer, legal que a gente se reencontrou, não legal que você ficou todo molhado. – corrigiu-se meu filho.
- É, legal mesmo? E aí, me conta como estão indo as férias, o que tem feito?
- Ah, nada de muito importante! Lembra daquele jogo que te falei, o Starlink: Battle for Atlas? O Carlos me deu de presente no Natal.
- Aposto como eu ganho de você de primeira! – retrucou o Eduardo, desafiando o garoto.
- Duvido, hein! Eu fiquei bom nesse jogo, pode apostar! – o moleque parecia estar nas nuvens.
- Não fica empatando o Eduardo, filhão! Ele tem mais o que fazer do que ficar brincando com você. – intervi, quando levei uma toalha para o Eduardo se secar.
- Se você não se incomodar de eu jogar uma parida com ele. – eu não estava acreditando no que estava rolando entre esses dois.
- Não, claro que não! Aliás, fique à vontade, porque acabei de ouvir que a marginal está toda parada num congestionamento de mais de quinze quilômetros, há dois pontos intransitáveis. Acho que você vai precisar pernoitar por aqui mesmo. Me desculpe o improviso e a bagunça da casa, mas seja bem-vindo. – de repente, a ideia de tê-lo conosco por algumas horas não era tão mal assim.
- Não, imagina! Vou ligar para o aplicativo e vou para casa assim que possível. – devolveu ele ligeiro.
A chuva não parou, os noticiários anunciavam o caos geral na cidade, as horas passavam, os dois numa disputa ferrenha no sofá diante da TV, o aplicativo respondendo que não havia como completar uma corrida para o destino desejado. E, eu puto e constrangido por não ter feito uma faxina, mesmo que rápida, no aparamento que mais se parecia com uma zona de guerra. Que porra de jantar eu ia oferecer para ele, arroz e ovo frito? Caralho, nem para organizar uma merda de um apartamento pequeno eu servia. Não demorei a perceber que o Eduardo não estava nem aí para as minhas preocupações, ele e o Gabriel estavam curtindo a noite como se o mundo lá fora não estivesse desabando sobre nossas cabeças.
- Hora de ir para a cama, filhão, já passa da meia-noite, qual foi o combinado durante as férias, onze horas! – eu tinha que intervir, senão os dois iam acabar varando a noite. Ele obedeceu sem contestar, como sempre, pediu uma revanche para o Eduardo, pois tinha ficado alguns pontos abaixo dele no jogo e se despediu dele, rumando para o quarto.
- Fantástico esse menino! – exclamou o Eduardo, assim que ficamos sozinhos.
- É, é sim! – concordei, sem pensar.
- Ele é tão esperto, tem um olhar tão inquisitivo e vivo, e uma visão apurada do que se passa ao seu redor. É muito legal! – continuou ele, sinceramente impressionado com as habilidades do garoto. Será que eu era tão tapado assim, não conseguia ver nada nele que não aquela timidez, aquela dificuldade de assimilar as mais simples questões da escola. Até parecia que estávamos falando de duas crianças diferentes.
- Pode ficar no meu quarto, eu me ajeito aqui na sala. Deixei toalhas limpas no quarto caso queira tomar uma ducha antes de deitar. – falei, após ele ter tentado uma última vez conseguir um carro de aplicativo.
- Me desculpe pelo transtorno. Tem certeza de que não tem um hotel nas imediações? – perguntou ele
- Tenho! O hotel que existe aqui mais próximo não é do tipo que você frequentaria, é um motel de bairro. – esclareci, imaginando tolamente, que aquele homem sexy não frequentasse um motel.
Era a presença dele que estava me embaralhando as ideias. Toda essa situação estava mexendo comigo e, os últimos acontecimentos, ele perto de mim no elevador, o perfume, a bunda, a chuva, os cabelos dele pingando, a camisa grudada ao tronco, ele no meu sofá, a pizza que ele e o Gabriel devoraram rindo e conversando como se fossem amigos de infância, minha pica que não parava de me torturar, era simplesmente demais, demais para um cara feito eu.
Depois dele, tomei uma ducha na esperança de que fosse me acalmar. As horas passavam e eu rolava no sofá estreito, o corpo fervendo por dentro, a cabeça sonhando com o impossível, o caralho e as bolas doendo de tão oprimidas. Subitamente, lembrei-me de não ter trocado a roupa de cama antes de lhe oferecer o quarto. Os lençóis e os travesseiros deviam estar impregnados com meu cheiro e suor. À essas alturas ele deve ter se arrependido de não ter ido para o motel, ao menos não teria que se deitar numa cama fedendo a macho relaxado, muito embora, não fosse encontrar algo mais higiênico naquele pardieiro onde eu, às vezes, levava umas peguetes para aliviar os colhões desde que o Gabriel veio morar comigo. Fui até a janela, nu e com a pica à meia bomba, no céu ainda carregado de nuvens os clarões de raios distantes as iluminavam fazendo-as parecer amontoados de espuma, os trovões nem chegavam a ser ouvidos. As ruas molhadas cintilavam com o brilho das luminárias, um ou outro veículo circulava como se estivesse procurando a saída de um labirinto. Como ele está? Teria pego no sono, a despeito do meu cheiro? Estaria se revolvendo com aquele corpo escultural nos meus lençóis, os mesmo que eu ia cheirar assim que ele acordasse para ver se seu perfume havia se impregnado neles? Tesão do caralho, porque esses colhões não me dão uma trégua?
Descalço fui até o corredor dos quartos, espiei pela fresta da porta do quarto do Gabriel, ele dormia a sono solto, segurando o Chico, seu coelho de pelúcia, junto ao rosto. A porta do meu quarto também não estava bem fechada, através da estreita fresta vi-o deitado de lado, de costas nuas voltadas mim, uma ponta do lençol cobria-o da cintura até os joelhos, as pernas estavam de fora. Será que essa bunda ainda continuava tão lisinha quanto naquele dia? Que tortura! Não dava para aguentar mais, eu precisava bater uma bronha. Fui ao banheiro, melhor teria sido não olhar para o espelho, eu estava horrível, as olheiras, o cabelo amarfanhado, aquela porra de barba cerrada que era um desafio a cada manhã. Deixei a mão deslizar lentamente até a virilha, cocei o saco e peguei a jeba excitada na mão, comecei a movimentá-la num vaivém lento. O caralho terminou de endurecer, mais dor, mais urgência. Punhetei com força, o sacão sacolejava pesado, concentrei meus pensamentos naquela bunda que o lençol não me permitiu ver, o tesão queimando meu corpo. Ai, ai, o gozo vindo, uma vontade de soltar um urro e desoprimir todo aquele sufoco entalado no peito, mas eu não podia, tinha que gozar em silêncio, tinha que guardar toda aquela pressão para não acordar ninguém. A esporrada farta e densa foi parar nos azulejos atrás da pia, um segundo jato atingiu as torneiras, os demais deixaram a bancada numa miséria. O cheiro da porra concentrada se espalhou pelo banheiro, eu segurava o cacete pulsátil ainda em transe, deliciando-me com aquela esporrada. Tinha soltado a pica, algumas gotas retardatárias pingaram no chão. E então, veio o inesperado. A maciez delicada de uma mão suave se fechou ao redor do meu caralho, eu estava sonhando, o perfume cítrico entrou nas minhas narinas, eu estava delirando, sem coragem de abrir os olhos. Uma pele quente e nua se encostou no meu corpo, a mão continuava a massagear minha rola, era hora de acordar.
- Eu não sei o que me deu... eu não... isto é.... Eduardo? – as paredes do banheiro começaram a girar como se eu estivesse dentro de uma centrífuga.
- Não diga nada! Venha se deitar, parece exausto. – a voz era dele, o rosto sereno era dele, a mão na minha rola era dele, o perfume era dele.
Agarrei-o num abraço tão apertado que o fiz soltar o ar dos pulmões. Toquei delicadamente seu rosto, era como uma obra dos mestres renascentistas, harmônico, perfeito, e sorria timidamente para mim. Encostei minha testa na dele, pronunciei seu nome para ter certeza de que aquilo não era um sonho, toquei carinhosamente meus lábios nos dele. Eles tremiam um pouco, estavam úmidos e mornos, se abriram quando minha língua os lambeu e penetrou em sua boca. Minhas mãos desceram pelas costas lisinhas dele, foram direto para as nádegas, amassei-as com força, eram carnudas e firmes, pareciam ser revestidas de uma lanugem macia, como a pele de um pêssego. Minha língua entrava e vasculhava cada canto daquela boca, a saliva dele se misturava a minha, eu estava em êxtase, estava de pau duro, estava morrendo de tesão, e ele repetia – venha se deitar, venha se deitar – o que soava como um hino divino nos meus ouvidos. Passo-a-

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