Lara
O Sargento estava jogado no chão, com o celular na mão. Bianca pegou o aparelho das suas mãos, querendo ver o que poderia ter acontecido para deixar aquele homem — que nós nunca tínhamos visto fraquejar — caído ali, na nossa frente, derrotado. No telefone, ouvia-se a voz de Isis. Peguei o celular e vi. Vi o que tinha destruído o meu amigo. Isis ainda falava ao telefone, mas eu já tinha visto o vídeo. Aquilo me deu ânsia de vômito, um nojo, um ódio tão grande por uma pessoa que, até minutos atrás, era uma das pessoa mais importantes para mim. Eu não consegui me segurar.
— Isis... Meu Deus, Isis... Como você pôde? Tem vídeo, Isis... Tem vídeo de você, lá dentro... com ele... transando...
— NÃO! NÃO! ISSO É MENTIRA! É MONTAGEM! ELES QUEREM NOS SEPARAR, EU JURO! — ela gritou.
Ela tentava mentir, mas só aumentava o meu ódio.
— Eu vi, Isis! Eu vi com os meus próprios olhos! Não tem como mentir... Você riu... Como você teve coragem de fazer isso com ele, com a gente? Não apareça na minha frente nunca mais, senão eu não respondo por mim! — gritei, me sentindo tão traída quanto o Sargento.
Eu o vi cair de joelhos e desmaiar. Desliguei o celular. Bianca tentou me ajudar a levantá-lo.
— Bia, pega a chave do carro lá na mesa, eu vou levá-lo para casa.
— Amor, você vai levá-lo para casa? Como? Você não sabe dirigir!
— Droga! Maldita hora em que ele estava certo sobre a minha carteira de motorista...
Eu não podia pedir ajuda às meninas, pois todas estavam bebendo. Fui até o bar e pedi ajuda a algum rapaz que soubesse dirigir. Um jovem se prontificou a ajudar; nós o colocamos dentro do carro e seguimos para casa. Ele deixou o veículo na garagem, pedi um Uber para ele e ele foi embora. Com a ajuda de Bianca, coloquei o Sargento deitado na cama. Ele ficou ali, e eu vi lágrimas escorrendo dos seus olhos, mesmo estando fechados. Me apoiei na beira da cama e fiquei segurando a sua mão; Bianca não saiu daquele quarto até quase amanhecer.
Mesmo sob o efeito de tanto estresse, ele acordou. Nos viu, a mim e a Bianca, e agradeceu por estarmos lá. Eu via o olhar triste, mas ele, sempre o homem que era, se fazia de forte mesmo estando fraco.
— Lara, eu vou ficar bem. Eu não vou desmoronar, eu tenho vocês duas. Agora, deixe eu fazer como na nossa rotina: pede para a padaria fazer um café para vocês duas. Não vou deixar isso acabar com nossas vidas
Eu não queria que ele fosse, não queria que saísse de casa; queria que ficasse ali conosco, queria protegê-lo como ele sempre me protegeu. Ele saiu para ir à padaria, mas algo me deixou inquieta. Corri até a janela da sala e o vi saindo pelo portão. Abracei os meus joelhos e comecei a chorar. Bianca veio ao meu lado e me abraçou.
Não demorou muito.
O som dos disparos ainda ecoava nos meus ouvidos, mesmo depois que tudo parou. Eu não queria acreditar, mas já sabia o que tinha acontecido. Como um instinto primitivo, eu corri. Corri até a padaria. Chegando lá, vi o corpo dele no chão e fiquei paralisada ao seu lado, vendo o sangue escorrer rápido pela roupa, manchando o chão de vermelho. Gritei por ajuda, a voz saindo rouca e desesperada, enquanto me ajoelhava e pressionava as mãos contra o ferimento, tentando, com toda a força que eu tinha, estancar o sangue que parecia não parar nunca.
Os minutos seguintes foram um borrão de movimento e barulho. Os vizinhos chegaram correndo, alguém chamou a ambulância, ordens eram dadas... mas eu só conseguia olhar para ele. Seus olhos, que sempre tinham um brilho firme e determinado, foram perdendo a luz aos poucos. Ele me olhou com um olhar de despedida; eu fiquei imóvel, as lágrimas escorrendo, com a cabeça dele apoiada no meu colo. Ele me olhou e colocou a mão no meu rosto, parecendo tentar limpar o meu pranto.
— Tudo bem... — sussurrou.
Até que seus olhos se fecharam completamente.
— Não, por favor, não faz isso com a gente... — sussurrei, sentindo o desespero apertar o meu peito como uma mão de ferro.
Chegamos ao hospital correndo, as sirenes soando alto, como se até elas implorassem para que ele sobrevivesse. Ficamos esperando do lado de fora da sala de cirurgia; horas que pareceram dias, andando de um lado para o outro, sem conseguir ficar parada.
Quando o médico finalmente saiu, com a expressão cansada e séria, o meu coração disparou. Reis, seu amigo, já estava ali, junto com Bia, Bianca e o pai dele. O médico reuniu todos nós e disse:
— Ele sobreviveu.
Eu senti um alívio tão grande que quase caí de joelhos. Mas logo em seguida, vieram as palavras que eu mais temia:
— Mas ele está em coma. O ferimento foi grave, houve perda de sangue e o impacto afetou áreas sensíveis. Agora, é só esperar. O corpo dele está lutando para se recuperar, e só o tempo vai dizer quando — ou se — ele vai acordar.
Cada um entrou no quarto de uma vez; pedi que o pai dele fosse primeiro. Ele entrou e depois voltou; então, eu entrei.
Entrei devagar, como se qualquer barulho pudesse machucá-lo ainda mais. Ele estava lá, imóvel, a pele fria, cercado por máquinas que apitavam num ritmo constante e assustador. Os fios e tubos conectados ao seu corpo pareciam correntes, prendendo-o ali, longe de tudo e de todos. Sentei na cadeira ao lado da cama, peguei a sua mão — que estava fria, muito diferente do calor e da força que eu lembrava — e segurei-a com força.
— Você é o mais forte de todos nós, Sargento — falei baixo, com a voz embargada, enquanto as lágrimas escorriam pelo meu rosto e caíam sobre os nossos dedos entrelaçados.
Reis chegou em seguida, colocou a mão sobre a minha e olhou para ele.
— Você já saiu de situações muito piores do que essa, lembra? Não vai ser agora que você vai desistir. Eu vou ficar aqui. Todos nós vamos. Todo dia. Não importa quanto tempo leve. Você não está sozinho, nunca esteve. Então, por favor... acorda. Porque a gente precisa de você. Eu preciso de você.
Os dias começaram a passar, um depois do outro. Silva ficou sabendo e veio no primeiro voo; Fernandes também veio, e até Matias saiu dos Estados Unidos para estar aqui. Cada dia eles apareciam lá. Eu nunca saía do quarto, praticamente morava naquele hospital, e sempre ouvia as histórias deles, via a união do grupo.
Os dias foram passando, todos parecidos e cheios de uma espera dolorosa. Eu ia ao hospital antes do trabalho, voltava na hora do almoço e ficava até tarde da noite, contando para ele tudo o que acontecia fora dali: as novidades da equipe, as investigações, pequenas coisas do dia a dia, até as reclamações que ele sempre ouvia e resolvia com aquele jeito firme, mas justo. Às vezes, eu jurava que sentia um movimento leve nos seus dedos, ou que via uma sombra de expressão passar pelo seu rosto, mas quando eu olhava com atenção, ele continuava imóvel, e as máquinas continuavam com o mesmo som calmo e repetitivo.
Os médicos diziam que cada dia que ele permanecia estável era uma vitória, que o cérebro dele estava trabalhando silenciosamente, tentando se consertar. Mas para mim, cada dia que ele não abria os olhos parecia uma eternidade. A equipe toda sentia a falta dele: as missões não tinham a mesma segurança, as decisões não tinham a mesma confiança, e até o clima entre eles estava mais pesado, mais quieto. Ninguém dizia em voz alta, mas todos pensavam a mesma coisa: nada seria igual até que ele estivesse de volta, de pé, dando ordens, cuidando de todos nós como sempre fez.
Uma noite, quando o quarto estava silencioso e a luz era fraca, Silva contava histórias. Eu estava lá, como sempre, segurando a mão do Sargento e ouvindo relatos sobre uma ocorrência difícil que tiveram durante o dia. Parei por um segundo, limpei as lágrimas que insistiam em cair, e apertei a mão dele um pouco mais forte.
— Eu sei que você pode me ouvir — falei, com uma certeza que vinha do fundo do meu coração, de tudo o que vivemos juntos. — E eu sei que você está lutando daí de dentro. Continue lutando, sim? Porque eu vou estar aqui, esperando, até o dia em que você apertar a minha mão de volta, me olhar nos olhos e dizer que está tudo bem. Porque com você, sempre fica tudo bem.
Fora daquele quarto, o mundo continuava girando, os problemas continuavam acontecendo. Isis estava muito ferrada; os meninos foram para cima dela com tudo. Mas para mim, tudo parecia parado, esperando por um único momento: o momento em que o Sargento acordasse, e a vida voltasse a ser como devia ser.
O som das máquinas era o mesmo de sempre, um ritmo monótono que eu já havia decorado, como uma música triste que toca sem parar. Eu estava lá, sentada na mesma cadeira de todos os dias, com a cabeça apoiada na beira da cama, segurando a sua mão fria e pesada, contando baixinho sobre mais um dia que tinha passado sem ele.
— ...e o Felipe falou que você é o melhor patrão do mundo, que sempre o enxergou como pessoa e não como funcionário. Mesmo sendo eu quem o contratou e convivia com ele no dia a dia, você era só um investidor, mas abusou, hein?
De repente, senti uma pressão. Fraca, muito fraca, mas diferente de tudo o que eu já tinha sentido nas últimas semanas. Meu coração disparou de uma vez, como se tivesse levado um choque. Levantei a cabeça depressa, os olhos arregalados, fixos no rosto dele.
— Sargento? — sussurrei, a voz saindo trêmula, quase sem ar.
Os dedos da mão que eu segurava se moveram de novo, agora um pouco mais. Então, bem devagar, as pálpebras que estavam fechadas há tanto tempo começaram a se mexer, como se estivessem lutando contra um peso enorme, uma escuridão que teimava em não deixá-lo voltar. Eu me inclinei mais para perto, segurei a respiração, com medo de que até o barulho da minha respiração pudesse fazer tudo isso desaparecer, achando que era apenas a minha imaginação, que eu estava querendo tanto ver algo que acabava inventando.
Mas não era sonho. Não era desejo.
Os olhos dele se abriram, devagar, pesados, cheios de confusão e luz fraca, como quem acorda de um sono muito, muito longo. Ele piscou várias vezes, devagar, tentando focar o olhar, lutando para entender onde estava, o que tinha acontecido. Quando os olhos cansados dele finalmente encontraram os meus, ele parou de piscar. Ficou me olhando, e eu vi, claro como o dia, o brilho que eu tanto esperava voltar.
Ele tentou falar, mas a voz saiu como um som rouco, fraco, quase inaudível, pois a garganta estava seca e sem uso há semanas. Ainda assim, eu entendi cada parte daquele esforço. Apertei a sua mão com toda a força que eu tinha, sentindo as lágrimas escorrerem pelo meu rosto — mas agora não eram lágrimas de tristeza ou medo; eram de alívio, de alegria, de uma esperança que eu tinha guardado com tudo o que restava de mim.
— Eu... — ele tentou de novo, a voz saindo um pouco mais clara, embora ainda fraca. Franziu a testa, parecendo lembrar pouco a pouco, como quem junta pedaços de uma história que tinha se perdido. — Lara...?
Foi só um nome, dito num fio de voz, mas pareceu a coisa mais bonita e forte que eu já tinha ouvido na vida. Eu balancei a cabeça, sorrindo entre o choro, aproximando mais o rosto, com todo o cuidado do mundo para não machucá-lo, não assustá-lo.
— Eu estou aqui, Sargento. Eu estou aqui — respondi, e a minha voz tremia de tanta emoção. — Você voltou. Você finalmente voltou.
Ele tentou se mexer; uma careta de dor apareceu no rosto, e eu rapidamente o acalmei, colocando a outra mão de leve no seu ombro, impedindo que ele se esforçasse mais do que podia.
— Não se mexa, por favor. Você levou um tiro, ficou muito tempo dormindo, precisava descansar — expliquei, olhando bem nos seus olhos, para que ele entendesse, para que ele soubesse que estava seguro. — Os médicos disseram que era preciso esperar, e nós esperamos. Todos nós. Eu esperei.
Ele respirou fundo, devagar, os olhos ainda um pouco pesados, mas já com aquele jeito firme de sempre, o jeito que fazia todos nós nos sentirmos seguros só de estar perto. Ele olhou ao redor do quarto, pelas máquinas, pelos tubos, e depois voltou a olhar para mim, apertando a minha mão de volta — dessa vez com uma força que, mesmo pequena para ele, pareceu gigante para mim.
— O pessoal... está tudo bem? — perguntou, e mesmo fraco, a primeira coisa que ele quis saber foi de nós, das pessoas que ele sempre cuidou como se fossem a sua família.
Eu sorri, limpei o rosto com a manga da camisa, e respondi com toda a certeza do mundo:
— Agora sim. Agora está tudo bem de novo. Porque você acordou.
Apertei o botão para chamar os médicos, sem soltar a mão dele nem por um segundo, sentindo o coração bater mais calmo, mais feliz, como se um peso imenso tivesse sido tirado das minhas costas. Ele estava aqui. Ele tinha voltado. E, mesmo que ainda houvesse muita recuperação pela frente, eu sabia, com toda a certeza que só quem confia de verdade pode ter: tudo iria ficar bem, como sempre ficava quando ele estava por perto.
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Reis
Eu havia passado tudo para ele, tudo como ele pediu. Eu não estava com uma sensação muito boa, porque Pantera nunca foi de me pedir as coisas; na verdade, ele nunca foi de pedir nada a ninguém. Aquele cara parecia já ter tudo o que queria e conseguia tudo o que almejava. Parei um instante, fiquei lembrando dos dias na base, dos treinamentos... ele era absoluto, sempre se dedicando mais, sempre nos puxando para cima, mesmo quando não sabia de nada. Eu entendia por que todos o admiravam; sempre que estavam em sua volta, ele era o nosso líder, enquanto eu me sentia perdido.
— Ei, em que está pensando? — perguntou Beatriz para mim.
— Nada demais. Mas tem algo acontecendo com o Pantera, e acredito que a menina o traiu.
— Nunca gostei daquela japonesa, eu sempre avisei!
— Agora preciso saber como nós ficamos.
— Como assim?
— Ele está solteiro... e eu sei que você gosta dele.
— Você viu a reação dele quando me viu aqui com você?
— Vi. E o que tem?
— Ele mal se importou, baby. Eu gosto dele, mas agora estou com quem eu quero e quem me valoriza. Então, me use.
Beatriz sentou no meu colo e me envolveu em um beijo.
Eu sou baixo: 1,67m, corpo definido, muita musculação, sempre em forma. Tenho tatuagem no braço direito todo fechado e na perna direita também, além de uma tatuagem da caveira da BOPE no peito. Já Beatriz era morena, cabelos pretos até o começo da bunda, bumbum grande, coxas grossas. Ela era alta, tinha por volta de 1,75m, morena mas mais clara do que eu, também vivia na academia — inclusive, começamos a malhar juntos. Seus seios eram firmes e duros, bumbum duro também, corpo todo desenhado.
Ela veio me beijando; eu logo coloquei as mãos em sua bunda. Ela desceu para o meu pescoço, me beijando cada vez mais baixo, até se ajoelhar na frente do sofá. Puxou a bermuda que eu usava para baixo, e o meu pau pulou para fora. Ela começou a me chupar com aquela boca grande; as suas mãos faziam o meu pau parecer pequeno para ela, mesmo ele tendo 16 cm. Ela o colocava todo na boca e depois tirava; eu sentia a cabeça do meu pau bater na sua garganta.
Sem cerimônias, ela tirou o short e a calcinha de uma vez, ficou de pé no sofá, segurou a minha cabeça e começou a esfregar a buceta no meu rosto, que já estava começando a ficar molhada. Eu fui com a língua para fora, chupando-a. Ela segurava a minha cabeça com uma mão e com a outra se apoiava no encosto do sofá, começando a se esfregar no meu rosto sem pudor nenhum. Eu já estava ficando sem respiração, então ela deu um grito rouco e começou a tremer, com o meu rosto enterrado na sua buceta, melando o meu rosto todo.
— Que delícia esfregar a buceta nessa sua cara! Me fez gozar como já não gozava há um tempo.
— Seu prazer é o meu prazer.
Ela tomou a atitude e sentou no meu pau, sem se importar com nada; parecia que não era nada para ela. Aquela buceta engoliu ele todo, e ela sentava com vontade, quicando em mim, e eu adorava. Percebi que ia gozar.
— Bia, eu vou gozar!
— JÁ?
— Você é muito gostosa, e eu não estou aguentando!
— Então enfia o dedo no meu cu, safado, pra eu ir junto!
Levei o meu dedo à boca, chupei e depois enfiei no cuzinho dela; ela deu um gemido e começou a rebolar no meu pau. Eu não aguentei mais e comecei a despejar porra dentro dela, mas percebi que ela não tinha gozado ainda.
— Chupa os meus peitos pra eu gozar!
Comecei a chupar os peitos dela, ora um, ora outro. Ela ainda sentada no meu colo, jogou o corpo para trás e começou a se masturbar. Eu encaixei o corpo para frente para continuar chupando os peitos dela, e em seguida ela explodiu em um gozo de olhos fechados.
Depois, tomamos um banho juntos.
Eu me senti mal, porque pareceu que não consegui satisfazê-la, mas eu ia dar um jeito; não perderia aquela mulher nunca.
Depois do banho, ela se vestiu para ir embora.
— Você não quer ficar aqui comigo essa noite?
— Não sei, gato. Não quero te atrapalhar, melhor eu ir embora.
— Você não vai atrapalhar. Pode ficar, vai ser legal.
— Minha irmã pode estar me esperando em casa.
Eu vi que era mentira dela, e a raiva subiu.
— É... vai lá correr atrás do Pantera!
— Como é que é? Me respeita, tá? Pensando que está falando com quem?
— Com a puta que você é! Descobriu que ele vai ficar solteiro e já vai correr para ele, logo depois de ter me dado!
— E talvez eu vá mesmo. Quem sabe ele não me come de verdade? Porque você, meu bem, deixou a desejar.
Num momento de raiva, eu avancei para cima dela e a agarrei num beijo.
— Vamos ver se não te como direito, então!
A joguei contra a parede, baixei o short dela rápido, abri as suas pernas e enfiei a pica nela com força. A piranha só olhou para trás e disse:
— Vai, fode... mas me fode como um homem de verdade!
Comecei a comer ela com força; ela jogou a bunda para trás e deixou eu comer ela enquanto eu puxava o seu cabelo. Num misto de raiva, soltei:
— Duvido que ele vai te comer assim como eu!
— Ele faz melhor. Da última vez, ele deu conta de mim e de mais uma amiga, e ainda sai com a buceta esfolada!
Aquilo me deu um tesão foi combustível que tomou conta de mim. Eu socava firme nela, e ficamos naquela provocação, só falando do Pantera.
— Então, o que mais ele fez com você, sua puta?
— Ele me comeu de quatro, enquanto eu chupava outra buceta... e eu nunca havia chupado uma buceta antes.
Eu a peguei, puxei-a para o quarto, joguei-a na cama e comecei a comer ela de quatro, com muita vontade. Dei uns tapas na bunda gigante dela. Eu e ela estávamos alucinados, e ali vi que ela estava com tesão de verdade, dessa vez. Ela provocava, e eu ficava com mais tesão ainda. Ela soltou:
— É desse jeito que ele me comeu... e eu quero de novo gozar no pau do seu amigo!
— Eu vou te comer com tanta força que você vai esquecer o pau dele!
— Eu não vou mentir... eu quero aquela rola bem no fundo...
Ela gemeu, e nós dois explodimos em um gozo, com eu comendo ela e pensando nela se entregando para o meu amigo.
Cai deitado ao lado dela na cama, exausto. Ela me olhou e disse:
— Uau... ele soltou, de fato, o homem que tem dentro dele.
Eu não sei o que deu em mim, mas falei sem pensar:
— Vem morar comigo.
— Apaixonou assim, gato? Já quer casar?
— Eu não sei o que houve aqui, mas esse foi o melhor sexo da minha vida.
— Gato, não vou mentir... para mim também. Sei lá, eu me senti livre.
— Então vamos.
— Você ouviu o que eu falei, que eu quero dar para o seu amigo...
— Sim. Mas você sente vontade de dar para outra pessoa?
— Por incrível que pareça, não. Eu sinceramente gostei muito de transar com ele.
— Nós ajeitamos isso. Mas se for somente ele, o que acha?
— Vamos ver no que isso vai dar, gato.
— Dorme aqui comigo.
— Sim.
Tomamos outro banho e dormimos.
Pela manhã, o telefone de Bia tocou. Acordei com ela gritando, me acordando. Eu, sem entender nada, perguntei:
— O que houve, Bia?
— Marcos... pegaram ele! Atiraram nele!
— Pantera? Como assim, pegaram ele?
Eu a vi em choque e peguei o celular da sua mão.
— Quem está falando?
— Aqui é a Bianca. Você é amigo do Sargento?
— Sim, sou eu. O que houve?
— Ele está no hospital. Levou dois tiros e entrou em cirurgia.
— Qual hospital? Vocês estão seguras?
— Sim, estamos... mas estamos mais preocupadas com ele.
— Ok, fiquem aí. Não saiam daí. Peçam proteção para ele no hospital, porque quem fez isso pode tentar voltar para terminar o serviço.
— Ai, meu Deus... se eles voltarem...
Lara pegou o celular da Bianca.
— Reis, me diz o que precisamos fazer!
— Lara, você e Bianca têm que ir até a segurança do hospital, pedir para esconder vocês e pedir proteção ao Pantera. Digam que ele é militar e que foi um atentado, uma tentativa de morte encomendada. Eu já estou chegando aí.
— Sim, pode deixar comigo.
Ela desligou o telefone. Bia ainda estava em choque pela notícia. Eu mandei ela ficar, mas ela queria vir também; então, expliquei que onde ela estava era o local mais seguro para ela, e que eu iria buscar a irmã dela e a Lara para levá-las para a minha casa, onde ficariam mais seguras.
Peguei a arma que estava escondida no armário e saí. Nem me dei conta de como cheguei ao hospital: eu estava só de camiseta, bermuda, capacete e sem chinelos. Chegando lá, perguntei pelas meninas. O segurança me viu armado, mas eu logo mostrei o distintivo para ele ver quem eu era; ele me falou onde estavam.
Encontrei elas, dei o endereço da minha casa e mandei irem para lá, mas Lara não quis ir de jeito nenhum. Ela queria notícias do Pantera e só sairia dali com ele. Bianca também não quis sair sem a Lara. Elas estavam aos prantos, chorando; eu vi o quanto aquela menina amava o meu amigo.
Liguei para Fernandes pedir apoio, contei a ele o que sabia até aquele momento. Em poucos minutos, chegaram várias viaturas; aquele hospital ficou pequeno. Lara me agradeceu quando viu as viaturas chegando.
— Tem que agradecer ao Fernandes. Eu não tenho poder para fazer isso sozinho.
Me deram um colete. Liguei para Bia, mandei ela pegar um Uber e trazer meu uniforme; expliquei onde estava tudo e disse que já estava seguro.
Primeiro chegou Fernandes, e depois ela.
Fernandes veio até mim, perguntando o que havia acontecido. Eu falei que só as meninas sabiam, que eu só tinha chegado lá depois de horas de espera. O doutor veio até nós e falou que ele sobrevivera, mas estava em coma; que agora só dependia dele e do cérebro dele, que estava lutando.
Peguei o telefone e coloquei no viva-voz para avisar o Silva sobre o ocorrido. Ele atendeu, nós contamos o que houve, e Silva falou com tanta certeza que acalmou a mim e a Fernandes sem ele perceber:
— Só depende dele e do cérebro dele. Então, agora se concentrem nos filhos da puta que fizeram isso com ele. Porque ele vai sobreviver, e quando ele acordar, vamos dar as cabeças de quem fez isso com ele. E não se preocupem: esse cara é imbatível. Eu já vi ele fazer cada coisa aqui na mata, nos treinamentos e na vivência real, que até eu duvidei, mesmo olhando.
Lara chamou a mim e a Fernandes; Bianca olhou para ela.
— Amor, calma...
— Calma nada! Precisamos ir atrás deles!
Então Lara nos contou todo o ocorrido: as mensagens no telefone que ele recebeu, sobre a Isis. Eu ouvia tudo, Fernandes também. Ela já não chorava mais; parecia determinada, mas eu não sabia ao certo para o quê.
Assim que eu e Fernandes terminamos de ouvir, eu lhe dei um abraço. Fernandes saiu para fazer uma ligação.
Depois de todo aquele alvoroço, cada um fez uma visita ao Pantera no seu quarto.
Peguei Bia, a sua irmã e a Lara, e as levei para a minha casa. Chegando lá, Fernandes me ligou e mandou eu ir encontrá-lo na casa do Pantera. Avisei as meninas — Lara queria ir junto conosco, mas pedi que ela ficasse para cuidar das outras, pois precisava ser forte por elas. Lara entendeu e ficou.
Fui para a casa de moto. Chegando lá, encontrei Fernandes. Ele me disse:
— Pedi uns favores à Polícia Civil, e esse caso ficou comigo. Como não é da minha jurisdição, eu tenho que reportar tudo ao delegado, e também pedi a sua inclusão. Já liguei para o seu Major e para o seu Coronel, e eles te liberaram para trabalhar comigo.
— Obrigado, irmão, por me incluir nisso.
— Eu quero pessoas motivadas, e você será essa pessoa, porque tem os mesmos motivos que eu.
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Fernandes
Eu estava prestes a prender um rapaz que estava fazendo lavagem de dinheiro para o tráfico antes do sol nascer, tudo armado na operação, quando o meu telefone tocou. Vi que era Reis e resolvi atender, porque não era normal ele me ligar àquela hora; como ele costumava pegar missões de madrugada, pensei que precisasse de ajuda. Mas a notícia foi a pior possível no momento. Atendi:
— Fala rápido, que vou pegar um vagabundo aqui agora!
— Fernandes... pegaram o Pantera. Ele está mal, cara. Dois tiros, está em cirurgia.
Cara... aquilo me pegou de jeito, eu fiquei sem reação. Pantera era o mais rápido, o cara era uma máquina, o melhor que eu já vi em ação. Se conseguiram pegá-lo, com certeza foi na covardia. Fiquei mudo por um tempo.
— Fernandes? Você está aí ainda, cara?
— Estou sim. Pode falar.
— Os caras ainda estão por aí. Estou com as meninas no hospital, e a minha equipe não consegue chegar aqui agora.
— Ok, vou terminar aqui e vou resolver isso.
Desliguei, já dei a ordem para prender o vagabundo e o pegamos em seguida. Já peguei o telefone e liguei para um delegado da PM que eu conhecia, informei a situação e também avisei outro amigo da Civil; ambos disponibilizaram viaturas para proteção.
Em seguida, fui direto para o hospital. Chegando lá, vi a real situação: as meninas que estavam lá, as duas que eu já havia dado carona outro dia. Elas me viram, eu as olhei, e a Lara só sabia chorar. Reis veio na minha direção.
— Obrigado, irmão, pelo apoio. Agora o lugar está protegido, eles não podem vir mais.
— Ele é como um irmão. Tudo o que eu puder fazer por ele, eu farei.
Recebemos a notícia de que ele sobrevivera. Ligamos para o Silva, e ele mostrou confiança de que o Pantera sobreviveria, mesmo após o médico dizer que a chance eraDe longe, ele acalmou as meninas e depois pediu para falar comigo sozinho, pedindo para eu me afastar um pouco.
— Fernandes, você sabe que quem fez isso tem que pagar, né?
— Sim, eu sei.
— Então, irmão... o Matias não tem jurisdição no Brasil. Só você e nós dois somos os melhores para descobrir as coisas. Os outros estão ausentes: um está longe, e outro está lutando para sobreviver. Então, quero que você vá para cima deles com ódio, mas com inteligência. Você é o mais inteligente de nós, sabe o que fazer. Em breve, eu estou aí.
— Ok, Silva. Deixa comigo.
Em seguida, Lara me contou tudo, para mim e para o Reis. Eu via raiva nela, ódio nela... e eu iria usar isso ao nosso favor.
Assim que terminou, eu peguei o telefone e liguei novamente para o meu amigo da Civil, expliquei a situação e o quanto eu precisava pegar os caras com urgência. Ele me autorizou. Em seguida, liguei para os comandantes de Reis; eu sabia que Reis era a pessoa certa no momento para estar comigo, porque ele era força bruta e não tinha pena. Se ele tivesse que pegar qualquer suspeito e precisasse pressionar, ele faria, não tinha pena nem de mim mesmo. Ele era caveira pura, e eu precisava dele e da sua raiva.
Em seguida, fui para o local onde aconteceu a tentativa e expliquei a Reis os próximos passos: primeiro, ver se conseguiríamos alguma filmagem; depois, ir até a Isis; e depois ir na delegacia falar com esse tal de Carlos.
Quando começamos a procurar, vimos uma câmera de uma vizinha. Pedimos ajuda a ela, e ela nos mostrou a gravação. Pelo que tínhamos visto, os caras estavam esperando ele para uma emboscada.
Em seguida, fomos à casa de Isis. Chegando no condomínio dela, avisaram que a polícia já estava lá. Apesar de eu ter raiva, eu precisava me concentrar na verdade e deixei que Reis conduzisse tudo; eu controlaria ele, mas precisava do meu "pitbull" pronto para morder se precisasse.
Isis nos recebeu, ela estava aos prantos. Seus pais, sem entender nada, falando que iriam chamar um advogado. Eu deixei eles falarem e aguardei, até que Isis perguntou:
— Marcos mandou vocês me prenderem pelo que eu fiz? Eu sei que estou errada, mas traição não é motivo de cadeia. Eu estou arrependida, eu só quero falar com ele.
Reis, sem paciência, partiu para cima dela disparando palavras tão duras que, ao ouvi-las, e depois do que ele fez, ela desmaiou.
— Traição realmente não é motivo de prisão. Mas quando a traição acontece, e em seguida o homem que foi traído é alvejado com dois tiros e começa a lutar pela própria vida... você se torna cúmplice.
Então ele deu um tapa no rosto dela e perguntou:
— Cadê os meninos que atiraram nele? Fala, sua puta!
— Como assim atirar? Atiraram no... — e ela caiu desmaiada.
O caso, que nem tinha começado direito, parou ali por causa do tapa que ele deu nela. O advogado dos pais dela veio com tudo para cima de nós, e o amigo da Civil falou que não poderíamos chegar perto dela. Eu assumi a culpa.
Na penitenciária , eu não consegui fazer nada. O Carlos não cedia em nada, até que ficamos umas semanas nisso.
Matias chegou ao Rio em seguida, depois Silva. Nós tentamos pensar em um jeito, mas não tínhamos provas contra eles e estávamos perdidos. A única coisa que podíamos fazer era cuidar da segurança das meninas. No depósito onde elas trabalhavam, nós as seguíamos e ficamos assim, até que, no meio de tudo isso, Lara me liga e diz:
— Fernandes, liga para todos! Ele acordou!
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Eu abri os olhos tentando enxergar uma luz forte. Senti algo na minha mão e apertei forte, sem saber onde eu estava. Ao olhar para o lado, só vi uns lindos olhos azuis e os reconheci. Soltei, fraco:
— Lara...?
Ela começou a chorar. Tentei me mexer, senti dor. Lara apenas falou:
— Os médicos falaram que ia ser complicado. Não se mexa, descansa. Eu estou aqui.
Olhei ao redor, chegaram umas enfermeiras, e então eu apaguei novamente.
Quando acordei de novo, já estava no quarto. Lá estavam Lara, Fernandes, Reis, o meu pai, Matias e Silva. Eu os olhei, sem entender nada por que todos estavam ali. Com muito sacrifício, Lara me ajudou a sentar na maca, levantando um pouco o meu tronco.
Então eu pensei: Estão todos aqui... cadê a Isis? Pensei que tivesse sofrido um acidente ou algo assim, e então perguntei:
— Gente... cadê a Isis? Ela está bem? A batida foi muito feia?
Todos me olharam. O médico ao lado se apresentou:
— Sou o doutor Lucas. Você me ouve bem?
— Sim, doutor. Mas preciso saber onde está a Isis. Ela está bem? A batida foi muito feia?
— Você se lembra o que houve?
Eu parei para tentar lembrar, forcei a mente, e eu só lembrava da noite em que eu e Isis chegamos em casa depois do restaurante e fizemos amor. Então falei:
— Lembro de ter chegado em casa com Isis depois do restaurante... e depois dormi, e acordei aqui agora.
Ele balançou a cabeça positivamente. Todos no quarto ficaram me olhando, e o clima... eu vi que estava horrível. Pensei o pior, comecei a me desesperar e perguntei sobre a Isis de novo.
Então Lara virou, me olhou e falou:
— Sargento, a Isis está bem. Já que você não lembra... alguém atirou em você, e você veio parar aqui lutando contra a sua vida.
— Mas alguém se machucou?
— Não, Sargento. Parece que foi planejado. Mas no momento, precisamos que você se recupere.
— Mas se estão todos aqui, por que a Isis não está também?
— Vocês dois se separaram. Mas preciso que foque na sua recuperação.
O médico pediu para todos saírem, que eu precisava descansar.
Fiquei mais uns dias no hospital. Depois recebi alta e comecei a fazer fisioterapia, que durou uns meses.
Nesses meses, sempre que eu falava da Isis, sempre que perguntava por ela, a Lara sempre se fazia de desentendida e mudava de assunto. Pedi o meu telefone, e Lara disse que ele tinha quebrado, que tinha deixado para consertar e que iria demorar um pouco. Pedia para ela ligar para a Isis, mas ela nunca ligava; sempre falava algo para eu deixar ela ter o tempo dela e eu me recuperar para depois procurar ela.
Em um certo dia, ela foi para o depósito. Eu fiquei em casa sozinho; já estava chegando ao fim da fisioterapia, mas eu ainda não podia dirigir, então ficava a maior parte do tempo em casa.
Eu estava perdido ninguém me contava nada sobre o atentado contra minha vida , sempre falavam que eu ia saber de tudo na hora certa que não era o momento, eu tentei comprar um telefone novo, mas Lara não deixou, falou que o meu antigo estava só demorando um pouco mais mas que já ia ficar bom. Como ela que estava com todas as minhas contas de bancos com ela eu assenti
Eu estava em casa, ainda caminhando devagar, assistindo ao jogo da Copa do Mundo: Brasil x Suíça. Eu estava vendo aquele jogo feio, até que a porta abre. Quando vejo, era a Isis entrando. Ela me viu, chorou... chorou copiosamente, me pedindo desculpas. Eu, sem entender nada, só a abracei. Ela me apertou forte, e eu senti um pouco de dor; soltei um gemido baixo.
— Ai... vai devagar, que no momento sou de vidro...
Ela me soltou rapidamente.
— Meu amor, me desculpa por tudo, por favor. Eu não sabia que isso iria acontecer, pode acreditar em mim.
— Isso o quê, meu amor? Relaxa, se acalma...
Então ela veio me beijar; eu retribuí o beijo. O cheiro dela novamente, o sabor da sua boca, me pegou de jeito. Eu só a abracei, passei as mãos pelo seu corpo; ela usava um vestido solto, florido. Sentei no sofá, ela se ajoelhou, puxou a minha bermuda para baixo e começou a me chupar com certa pressa, parecendo faminta. Ela parecia ter pressa
Então ela veio e sentou no meu pau, começou a cavalgar. Aquela buceta estava muito gostosa ela estava totalmente molhada; ela daquele jeito parecia que ia explodir de tanto tesão. Ela gozou não uma vez daquele jeito sentando e me beijando parecendo uma esfomeada
Até que a porta da sala se abre. Eu olho para o lado, e Lara entra junto de Bianca.
Num impulso, eu, sem entender nada, fui pedir desculpas a Lara. Avisar que foi sem planejar a exposição desta vez. Mas Lara não deixou eu tentar me explicar ela parecia outra pessoa puxou Isis pelos cabelos, num puxão só que ela saiu do meu pau e passou por cima do sofá. Ela deu um tapa na cara de Isis. Que Isis caiu no chão
Eu tentei levantar rápido, mas senti muita dor. Bianca foi segurar Lara, mas Lara não soltava do cabelo de Isis que batia em seu rosto e gritava:
— SUA PIRANHA! DEPOIS DE TUDO O QUE VOCÊ FEZ ELE PASSAR, VOCÊ AINDA TEM A CARA DE PAU DE VOLTAR AQUI COMO SE NADA TIVESSE ACONTECIDO! EU VOU TE MATAR! EU VOU TE MATAR, PODE TER CERTEZA DISSO! DAQUI VOCÊ NÃO SAI VIVA!
— Amor, se acalma! Pare, você vai perder a razão, por favor! — pediu Bianca.
— Lara, solta ela! Por que isso? Solta ela! — eu gritei.
Fui tentar levantar, mesmo sentindo dor, mas faltou força e acabei caindo no chão.
Só quando Lara ouviu o barulho de eu caindo é que ela soltou Isis. Eu tentei me levantar, e Lara deixou Isis lá e veio até mim me ajudar. Mas eu, sem entender nada, soltei com raiva:
— QUE MERDA É ESSA? O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI? ME DIZ!
Então Isis falou uma coisa que chocou todos:
— Eu estou grávida...
Aquilo me desarmou e me veio uma felicidade na hora que ate esqueci o que acabou de ocorrer
Eu mostrei um sorriso feliz. Lara, então, caiu sentada no chão e começou a chorar. Eu não entendi o porquê e fui abraçar Lara, tentando acalmá-la:
— Lara, não chora... você vai ser titia! Logo, logo vai ter uma criança correndo por essa casa.
Lara olhou para Isis com os olhos cheios de lágrimas e ódio:
— Quem é o pai, Isis?
E ali, quem desabou fui eu, com a resposta:
— Eu não sei...
— Como assim, meu amor? Você não sabe? — perguntei, confuso.
Isis começou a chorar mais ainda, pediu desculpas e saiu correndo, indo embora.
Eu fui tentar correr atrás dela, mas eu ainda estava muito limitado, muito fraco.
— Lara, por favor, vai atrás dela! Não deixa ela sair assim!
— Sargento, senta aí. Precisamos conversar.
— Conversar o quê, Lara? Precisamos conversar COM ELA! Como assim ela não sabe quem é o pai?
— Exatamente isso, Sargento.
Ela se virou para Bianca.
— Amor, pode nos deixar a sós? E pegar o celular para mim?
— Você não quer eu aqui com você para ajudar caso ele fique mal?
— Não, amor. Eu vou saber lidar com isso.
Então Bianca saiu, foi ao quarto e voltou com o meu celular nas mãos. Eu fiquei sem entender o que estava acontecendo.
— Sargento, preciso conversar com você. Mas antes, quero te pedir uma coisa.
— Esse é o meu celular? Você falou que estava quebrado... Lara, você sabe que eu não sou burro, mas alguma coisa aconteceu. Vocês não me falam nada sobre o tiro que recebi, sobre como eu fiquei desse jeito. Mas eu estava esperando o momento de vocês me contarem... só que depois de hoje, não dá mais para esperar.
— Eu vou te contar tudo. Mas preciso que você me ouça completamente, e depois de tudo o que eu te disser, aí sim você pode falar, está bom?
— Tá bom. Pode contar.
— Então, Sargento... eu não sabia como lidar com isso. Mas depois das revelações de hoje e da audácia da Isis vir até aqui atrás de você, eu não poderia mais esconder isso de você.
— Percebi... mas não sei o porquê de tudo isso.
— Como eu disse, não me interrompa. Deixa eu falar.
— Desculpa. Prossiga.
— Quando você acordou, você perguntou pela Isis , percebemos que voce teve amnésia na verdade o doutor Lucas percebeu,voxe teve muita perca de sangue voe quase morreu e isso fez você perder a memória. Para não ter um choque muito grande, assim que você acordou, o médico pediu para que nós não falássemos nada a você temporariamente. A sua memória poderia voltar... ou nunca mais voltar. Para nós, a sua memória não voltar seria muito bom, como estava acontecendo, porque você não merece passar pelo que passou duas vezes. Mas depois de a Isis ter a coragem de aparecer aqui e dizer que está grávida, eu preciso revelar as coisas para você, e você tomar a decisão que tiver que ser feita: sabendo de tudo, sem ter sido nada escondido de você.
Então Lara me contou tudo: sobre como eu e Isis brigamos, sobre como eu descobri a traição, e depois de me contar tudo, ela me perguntou se eu queria ver o vídeo e as mensagens. Eu disse que sim, que precisava ver com os meus próprios olhos.
Ela então me deu o celular e perguntou se eu queria ver sozinho. Eu disse que precisava dela ao meu lado para ver, queria ela ao meu lado independente de tudo.
Eu já chorava antes mesmo de abrir o vídeo e ter certeza de que tudo o que ela me falava era verdade.
Quando o celular ligou, eu abri o primeiro vídeo. E lá estava, novamente, aquele pesadelo que eu havia passado quatro meses atrás: a mulher que eu amava, sendo usada como um pedaço de carne para outro homem, sendo filmada e falando coisas que ela dizia só a mim. Que era minha, que me pertencia
Nesse momento, todas as minhas memórias voltaram. Tudo o que eu havia passado. Lembrei até dos olhos dos meninos que atiraram em mim.
Eu me encolhi e fiquei abraçado a Lara. Em poucos minutos, Bianca veio e me abraçou também.
Aquela semana foi difícil. Eu passei os dias dentro do quarto, pensando em tudo, sem tomar banho, com barba grande, sem cortar o cabelo e comendo muito mal. Lara tentava me ajudar, mas nada me dava ânimo.
Até que o meu pai chegou lá em casa.
— Filhote, se arruma. Vamos sair.
— Pai, não estou no clima de sair, não.
— Eu não perguntei se você está no clima. Eu mandei se arrumar.
E então entraram no quarto, atrás dele: Silva, Reis, Fernandes e Matias. Eles me puxaram, me jogaram debaixo do chuveiro gelado, me arrumaram, me vestiram e me colocaram dentro do meu carro. Seguimos, com o Silva atrás em outro carro com o Matias.
Chegamos em um bar. Eu falei que não queria beber, que eu não bebia nada que não fosse refrigerante. Então, o meu pai pediu para eu ir até o balcão pegar um refrigerante. E ficou jo carro
Eu fui, cheguei no balcão, peguei o refrigerante. Quando me viro, eu vejo um garoto me encarando, olhando fixamente para mim como se tivesse visto um fantasma.
Só aí eu me dei conta de quem era o rapaz. E corri para o carro com o coração a mil, pedindo para me levarem para casa.
Chegando em casa, Lara me viu. O pessoal foi embora e ficou só o meu pai.
— O que foi? Você sabe o que houve? — perguntou Lara a mim e meu pai
— Lara... o filho dela... tenho certeza que era ele.
— Filho de quem, Sargento?
— Da Alana... — disse o meu pai, ao meu lado.
O nome que eu não ouvia há anos, dito em voz alta.
Lara me olhou. Ela sabia sobre a Sara e o Jefferson, mas não sabia sobre a Alana.
Lara me olhou — ela sabia sobre a Sara e o Jefferson, mas não sabia sobre a Alana. Ela me olhou, porém desconfiou, pois eu já havia comentado por alto com ela sobre o amor da minha vida: que existia uma mulher, por quem eu era apaixonado de forma romântica, diferente do que sentia pela Sara, mas nunca lhe tinha dito o nome, só toquei no assunto de passagem.
— Pai, você sabia que ele estaria lá?
— Sim.
— E ela estava lá?
— Não, não tenho notícias dela. Só fiquei sabendo que ele estava lá porque a avó dele se relaciona com o garçom do bar, e...
— Pai, se ele me reconheceu, se ela estivesse lá, se todos tivessem me visto...
— Isso é para você entender que você já morreu uma vez, e que existem pessoas aqui que te amam — inclusive esta aqui, bem na sua frente. Você tem o meu neto, e ainda não sabemos ao certo se ele é meu ou não. Já está na hora de você se tornar um homem de verdade. Hoje é o seu aniversário, então já passou da hora de aprender, não só a fugir dos conflitos emocionais, mas a enfrentá-los. Eu não vou estar aqui para sempre.
Eu ouvi o sermão do meu pai e percebi que ele realmente estava certo: eu precisava encarar a situação e resolver tudo.
Agradeci a ele, e ele me deu um abraço.
— Lara, se ele vacilar, me chama.
— Pode deixar, que chamo o senhor, sim.
Voltei para a fisioterapia e, enquanto fazia os exercícios, ia planejando passo a passo o que fazer. Eles tinham elaborado um ótimo plano para me matar, mas esqueceram de um detalhe fundamental: garantir que eu estivesse realmente morto e ter atirado na minha cabeça. Agora, eu tinha tempo livre — e com tempo livre, eu pensava e detalhava cada movimento.
Quando já estava 100% recuperado, ainda precisei passar pela avaliação da inspeção médica, além de exames de abdômen e tórax, para verificar se eu apresentava problemas respiratórios ou fraqueza nos tecidos abdominais. Fora os exames físicos, toda a minha equipe me ajudou muito com o treinamento, e eu consegui passar por toda a avaliação militar, estando então apto a voltar ao serviço.
Em seguida, já tinha cada plano detalhado e tudo armado: eu iria atrás de vingança e iria acabar com a vida desses rapazes na cadeia, e de todos os envolvidos, da pior forma possível.
Mas primeiro, eu precisava ver a Isis, ouvi-la e decidir o que faria com ela. Antes de encontrá-la, porém, eu precisava conversar com a Lara. Chamei-a para conversarmos, e nossa conversa foi franca e sincera: contei a ela todos os meus planos, tudo o que eu pretendia fazer e como iria colocar tudo em prática. Ela ouviu tudo em silêncio, e sua única resposta foi:
— Faça todos eles pagarem da pior maneira possível.
Então, entrei no carro e segui direto para a casa dos pais de Isis. Ao chegar lá, o porteiro anunciou que eu estava na portaria, e o pai de Isis pediu para que eu esperasse, pois ele desceria para conversar comigo.
Fiquei esperando do lado de fora; ele desceu todo sem jeito, querendo conversar comigo.
— Marcos, eu sei que você está muito irritado, e sei que a Isis está errada, mas ela é minha filha...
— Eu sei que ela é sua filha. Pelo contrário, não estou irritado ou agindo por impulso. Até onde eu sei, ela está grávida, e essa criança pode ser minha. Portanto, com todo o respeito que tenho pelo senhor, a minha conversa não é com o senhor, e sim com a Isis.
— Eu sei, meu filho, eu sei... Mas lembre-se: ela está grávida. Eu também estou muito decepcionado com ela e com a mãe dela, pois eu não fazia ideia do que estava acontecendo; fui o último a saber.
Depois disso, subi com ele. Ao chegar lá, a mãe de Isis veio me cumprimentar, mas eu fui claro e incisivo com ela:
— Não irei desrespeitar a senhora na sua própria casa, mas, se for possível, eu prefiro não olhar na sua cara agora. Eu só quero falar com a sua filha.
A mãe dela me olhou receosa e entendeu que eu estava falando sério. Então, o pai dela me conduziu até o quarto de Isis. Quando ela me viu, seus olhos se encheram de lágrimas, e eu percebi imediatamente que ela já estava com a barriga de grávida aparente. Senti um arrepio percorrer o meu corpo. Ela estava sentada na cama; eu me sentei na beirada dela. Ao se retirar, o pai dela disse:
— Filha, qualquer coisa, eu estou bem aqui do lado, é só me chamar.
Eu olhei diretamente para ele e falei de forma séria e ríspida:
— Se ela te chamar, o que o senhor vai fazer? Se eu quisesse fazer mal a ela, eu não faria dentro da sua casa, entrando em um prédio que está cheio de câmeras. Chega dessa encenação; a vítima aqui sou eu.
— Pai, pode ir, eu vou ficar bem — disse Isis, olhando para ele.
Ele saiu, depois que ela pediu para ele fechar a porta.
— Pronto, Isis. Agora estamos sozinhos. Me diga o que você tem a dizer. Mas já adianto logo: se eu perceber que você está mentindo, eu vou embora, e a única vez que você vai me ver novamente será para saber se esse filho é meu. E, se for, a guarda será toda minha.
— Não, por favor! Não tira ele de mim, por favor!
— Eu só vou tirar se você mentir. Porque, se você mentir, eu não confio em você. E se eu não confio em você, não faz sentido deixar o meu bem mais precioso nas suas mãos.
— Você tem razão... Eu te fiz muito mal. Mas, antes de qualquer coisa, eu também fui enganada. Eu não sabia que eles fariam isso com você, nem que tentariam algo contra a sua vida.
— É, mas os vídeos contam uma história diferente.
— Sobre isso... eu errei. Sinto nojo de mim mesma toda vez que me lembro daquilo.
— Imagine eu, então. Mas me conte toda a verdade.
— Eu vou começar desde o início, quando tudo começou...
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Isis
Tudo começou depois do assalto. Eu fiquei muito abalada; senti que uma vida tinha se esvaído bem ali, na minha frente. Eu nunca tinha visto ninguém morrer, e ver o menino morto no chão, e outro menino com as tripas para fora, caído bem ao meu lado, e outro com os braços rasgados... Eu não sabia o que fazer. Aquela cena ficava se repetindo na minha mente, sem parar. E eu estava com medo do Marcos. Ele, em apenas um instante, acabou com tudo aquilo, e para ele, a vida daquelas pessoas parecia não ter importância. Eu tenho certeza que, se o menino tivesse tentado atacá-lo de novo, seriam três mortos naquela noite.
Chegando na delegacia, me fizeram várias e várias perguntas. Eu estava tão em choque que não sabia o que responder ou o que dizer; eu só conseguia ver a cena dele matando aquelas pessoas, repetidamente. Ele veio até mim com a mesma calma de sempre, parecendo que nada tinha acontecido. Para ele, aquilo tinha sido apenas uma reação a uma tentativa de assalto, mais uma situação comum nas suas missões. Para mim, era uma vida sendo ceifada, e outra se esvaindo aos poucos, com o menino chorando, vendo a própria barriga daquele jeito.
Só consegui dizer uma frase, quando ele veio falar comigo:
— Você os matou!
Em seguida, fui para a minha casa. Não queria ver ninguém, não queria falar com ninguém. Vi as ligações dele, mas eu não sabia como lidar com uma situação pela qual nunca tinha passado. Até que a Lara me ligou, falando que ele tinha largado a faculdade. Ela me disse que, se eu não reagisse, iria perdê-lo. Mas eu não conseguia parar de pensar na família daquelas pessoas.
Eu era filha de médicos, então preservar a vida sempre foi algo que esteve em primeiro lugar para mim, acima de tudo. Eu não segui os passos dos meus pais para ser médica também, porque eu via a luta deles: eles comentavam sobre os hospitais por onde passavam, e a dificuldade que tinham com a administração, que raramente lhes dava apoio. Então, eu decidi fazer Administração, para poder dar o máximo de suporte aos médicos de um hospital, para que eles conseguissem salvar o máximo de vidas possível. E, em apenas uma noite, eu vi uma vida acabar e outra quase se perder.
Demorei alguns dias, mas respondi a mensagem da Lara, dizendo que iria para a faculdade e que conversaria com ele por lá. Acabou sendo em vão, porque a resposta dela foi:
— Tarde demais, amiga. Ele largou a faculdade e saiu em missão.
Naquele momento, pensei comigo mesma: “Essa é a oportunidade de colocar a minha cabeça no lugar. Daqui a três meses, quando ele voltar, eu vou estar aqui... ou não.”
Segui trabalhando no depósito e indo para a faculdade, mas eu não conseguia ficar até o horário de fechar o estabelecimento; sempre ia embora antes de escurecer. Um dia, o movimento estava fraco, e apareceu uma menina, muito quieta. Ela comprou um refrigerante, sentou-se em uma mesa e ficou ali por horas. Ela fez isso durante uma semana, até que eu resolvi ir falar com ela:
— Oi, está tudo bem?
— Oi, está sim. Desculpa, deve me achar estranha por vir aqui sempre, né?
— Não, eu só fico preocupada, porque, quando as pessoas ficam assim, tão caladas e sozinhas, geralmente é por algo ruim. Se precisar desabafar com alguém...
— Eu não gosto de me abrir, porque toda vez que eu conto algo para alguém, sou julgada. E estou cansada de julgamentos.
— Então fica tranquila, porque eu não vou te julgar. Me vê só como uma atendente, e coloca tudo para fora.
— É sobre o meu irmão...
— Não entendo muito sobre família, pois sou filha única, mas sou uma boa ouvinte.
— Meu irmão morreu aqui perto, não sei exatamente onde. Ele tentou fazer um assalto, mas deu errado, e mataram ele.
Eu gelei. Comecei a suar frio, pois lembrei de tudo o que tinha acontecido. E só então percebi: ela era muito parecida com o menino que tinha morrido. Fiquei sem reação, e ela continuou:
— Eu sei que ele estava errado, que se envolveu com gente má, mas ele era meu irmão, da minha família... então, eu sinto a morte dele.
Eu a ouvia falar sobre o irmão, sobre como eles eram unidos quando crianças...
— Eu só queria saber quais foram os últimos momentos dele, como foi...
Tomada pela dor, não aguentei mais e falei:
— Olha, eu não sei como te dizer isso, mas... eu estava presente no assalto. E eu sei que deve ser horrível olhar para mim agora, mas ele não sofreu, eu posso te garantir isso.
Ela me olhou nos olhos, enquanto lágrimas escorriam pelo rosto dela. Eu comecei a chorar também. Ela, sem dizer uma palavra, levantou e foi embora.
Passou-se uma semana, e ela apareceu novamente no depósito.
— Oi, me desculpa ter saído daquele jeito da outra vez. Mas você poderia conversar um pouco comigo?
— Posso, claro.
— Peço desculpas por ter saído correndo, mas eu precisava... precisava te perguntar: foi você? Foi você quem matou ele?
— Não. Na verdade, foi o meu namorado. Eles tinham me feito de refém, e ele reagiu.
— Ele sozinho contra todos eles?
— Ele é militar, tem o treinamento dele... Acredite, ele não iria reagir, mas um dos meninos falou que ia me estuprar, e foi aí que ele reagiu.
— Então, ele te salvou... Eu fico ainda mais envergonhada de estar aqui, chorando pelo meu irmão, com uma pessoa a quem ele tentou fazer tanto mal. Me desculpa...
— Olha, apesar de tudo o que aconteceu, eu também sou contra tirar uma vida, seja ela qual for. E acho que é por isso que o meu namoro acabou.
— Você terminou com o seu namorado?
— Na verdade, acho que ele não quer mais olhar na minha cara.
— Olha, eu preciso ir, mas me passa o seu número para a gente conversar? Você é a única pessoa que me entende.
Eu passei o meu número e me apresentei: Isis. Ela me deu o dela: Jéssica. E assim, mantivemos contato. Ela passou a ir ao depósito sempre, me dando conselhos para não me separar do Marcos, dizendo que ele era o meu herói sem capa. Sempre que podia, ela perguntava por ele, como ele estava, e me dava forças para insistir na nossa relação.
Ela começou a se interessar muito pelo funcionamento do depósito e precisava de emprego, então pensei em pedir para a Lara contratá-la, mas Lara recusou, dizendo que ali precisávamos de homens para carregar peso. Fiquei chateada, mas entendi.
Quando percebi que o Marcos iria ficar fora por mais três meses, fiquei chateada e desabafei com a Jéssica, dizendo que achava que tinha perdido ele de vez. Ela me aconselhou a não desistir, e eu conversava com ela por horas sobre ele, até que começou a minha ruína.
Um dia, ela veio conversar comigo:
— Amiga, eu tenho um pedido para te fazer, mas só se você estiver totalmente à vontade.
— Nossa, tanto segredo? Pode falar, amiga, confio muito em você.
— Então... o meu marido está preso. Ele foi injustiçado: disseram que ele estava com drogas, sendo que nem eram dele.
— Nossa, amiga... como posso ajudar?
— Então, o meu irmão resolveu fazer o assalto para tentar conseguir dinheiro para pagar o advogado dele, e o irmão do meu marido foi junto. E acabou acontecendo o que aconteceu...
— Meu Deus, amiga... eu já me sentia mal pelo que aconteceu com o seu irmão, e agora saber que o seu cunhado também está envolvido...
E comecei a chorar.
— Calma, amiga, não precisa chorar. Eu já contei toda a história para ele, e disse que você não tem culpa de nada. Mas ele me fez um pedido...
— Qual?
— Ele quer te conhecer.
— Como? Ele quer me ver?
— Eu vou visitá-lo essa semana, e queria que você fosse junto. Eu apresento vocês, ele conversa com você, e depois você vem embora. O que acha? Mas só se você se sentir confortável, claro.
Pensei em ir até um presídio, mas lembrei dos meninos que morreram e senti que precisava reparar isso de alguma forma, dar uma satisfação aos seus entes queridos, que estavam de luto. Então, eu fui fazer a visita.
Chegando lá, quase desisti. Passamos pela vistoria, que é a pior abordagem que existe: nos tratam como lixo, e a revista é humilhante. Mas eu sentia que devia isso a eles.
Quando finalmente entramos, Jéssica me apresentou Carlos Branco: alto, 1,80m, careca, corpo cheio de tatuagens, cavanhaque forte — pelo jeito, malhava bastante na academia. Tinha uma voz grossa e, quando ele estendeu a mão e falou, eu me arrepiei toda:
— Prazer, Carlos.
— Oi, me chamo Isis.
— Então, você foi a donzela em perigo que foi salva do meu irmão e do meu cunhado...
— De certa forma, sim.
— E o rapaz que te salvou?
— Ele não se encontra no momento, mas assim que ele voltar, eu falo com ele para vir aqui.
— Vai ser bom. Quero conhecê-lo e saber de tudo para aliviar essa dor que todos nós sentimos. Sei que a Jéssica confia em você, então eu também confio. Vejo que, apesar de tudo, não guardamos mágoas uns dos outros, e que você tem um coração bom... Depois de tudo o que passou, ainda está aqui, na frente de um "marginal", dando conforto sobre a morte de quem tentou te fazer mal.
— Pelo que eu sei, o senhor não é um marginal. E sobre o que aconteceu com o seu irmão... foi mais uma fatalidade, causada por pessoas que o colocaram aqui injustamente.
— Gostei de você.
E assim, ficamos conversando até a hora de ir embora. Eu gostei dele; apesar de tudo o que ele passou, ele parecia ser uma boa pessoa. E a Jéssica, como sempre, me apoiando e me dando forças.
Na semana seguinte, ele me chamou para ir novamente, mas eu recusei. Na verdade, apesar de o Carlos ser gente boa, eu me sentia muito mal por ter que passar por todo aquele constrangimento novamente.
Poucos dias depois da visita, Jéssica veio me dizer que o Carlos tinha perguntado muito sobre mim, que ele tinha gostado de conversar comigo por eu ser uma pessoa boa e por não julgá-lo como todo mundo fazia. Aquilo mexeu comigo, porque todos pareciam julgá-lo mal, e eu achei que ele merecia uma chance. Então, falei que na outra semana iria vê-lo com ela.
E assim continuei: ia visitá-lo todas as semanas, junto com a Jéssica.
Chegou um dia em que chegamos juntas, e ela me pediu para esperar um pouco, pois ela ia resolver uma coisa. Quando ela voltou, dava para ver claramente a marca de um chupao no pescoço dela. Eu não perguntei nada, só fiquei quieta. Na hora de ir embora, ela começou a conversar:
— Amiga, não vou mentir para você: a única coisa boa de ele estar preso é isso...
— Nossa, amiga! Credo! Prisão não tem nada de bom para ninguém.
— Tem sim! A pegada deles é diferente, é como se estivessem com fome... Fiquei toda arrepiada. E semana que vem ele prometeu me pegar do mesmo jeito.
— Nossa, amiga! Nem fala... Você aí com o seu namorado, e eu aqui com saudades do meu nego, morrendo de vontade que ele volte logo.
— Se quiser, te empresto o meu presidiário, amiga! Kkkkk
— Você está doida, mulher! Ele é o seu marido!
— Amiga, eu dou conta sozinha, mas confesso que às vezes queria um reforço...
— Eu só tenho olhos para o meu nego.
— Você que sabe...
E assim continuaram as nossas conversas. Sempre que eles se pegavam, ela me fazia insinuações. Sempre perguntando do que eu gostava no sexo com Marcos.ela me contava as doideiras deles na cama, Em uma dessas vezes, ela me falou:
— Amiga, hoje ele comeu muito bem. E adivinha só?
— Prefiro nem tentar adivinhar...
— Ele chamou pelo seu nome quando estava comigo, de quatro... foi gostoso demais!
— Nossa, amiga... e você? Ficou com raiva ele estragou o clima estragou o clima
— Que nada, amiga! Eu é que aproveitei tudo! Falei para ele que não era japonesa, mas que eu iria dar o olho puxado a ele!
— Mulher, você é doida!
— Você que é muito certinha... e o seu nego, nada de novidades?
— Até agora, não...
Passaram-se os meses, e sempre ficávamos nesse clima, até que um dia eu estava no depósito, e a Lara gritou para mim:
— ISIS, TRÁS UM REFRIGERANTE AQUI PARA O SUMIDO!
Peguei uma garrafa pequena e, quando olhei... era ele! Meu coração disparou, parecendo que ia sair pela boca. A minha vontade era de agarrar ele, beijar ele e pedir desculpas por tudo. Fui entregar o refrigerante, mas as minhas mãos tremiam tanto que quase deixei cair. Ele percebeu, e eu abaixei a cabeça de vergonha, sem saber o que falar. Mas uma coisa eu tinha certeza: eu o amava demais, e a Jéssica estava certa — eu não podia perdê-lo.
Tentei falar algo, mas nem eu mesma escutei o que disse. Percebi quando ele me respondeu de forma seca e séria, e senti que tinha perdido o homem da minha vida. Mas tentei responder:
— Entendi... Sempre servindo ao seu país, não é?
Ele ficou em pé, veio até mim, muito sério e duro, e disparou um monte de verdades na minha cara. Eu só queria sair dali e chorar. Eu sempre tinha respostas para ele em qualquer situação, eu o conhecia, sabia sempre o que falar... mas ali, só me veio vontade de chorar.
A Lara percebeu tudo, puxou ele pelo braço, e eu vi ela dar um monte de conselhos e repreensões para ele, embora não conseguisse ouvir o que dizia.
Depois disso, ele voltou até mim, pediu desculpas pelo modo como tinha me tratado. Eu também pedi desculpas a ele, e ele, leve como sempre era, falou sobre recomeçarmos do zero. Foi aí que vi que eu ainda tinha uma chance.
Aproveitei que ele iria levar a Lara até a faculdade e me propus a ir junto, e depois fiquei para ajudar a fechar o depósito, tamanha era a minha euforia. A Lara percebeu e disse:
— Amiga, você vai dormir lá em casa hoje, né?
— Pode deixar, amiga. Tenho roupas lá, e vou recuperar o meu homem!
Ele nos deixou na faculdade e depois foi nos buscar. Eu inventei uma desculpa sobre ter que falar com fornecedores, e a Lara confirmou a história.
Ficamos os três assistindo a um filme e acabamos pegando no sono. Em certo momento, a Lara me olhou, piscou o olho e saiu do quarto. Era a minha deixa!
Fui para cima dele, querendo recuperar todo o tempo perdido, todo o atraso que tínhamos. Mas então, ele me contou que tinha conhecido outra pessoa. Eu senti como se tivessem me dado um golpe; achei que o tinha perdido de vez. Mas ele falou que foi só um beijo, e eu não o culpei, nem o julguei. Porque, da forma como eu tinha me afastado dele, a única culpada de tudo era eu. Se ele tivesse ido para os braços de outra, eu era a maior responsável.
Perguntei se ela era importante para ele, e ele disse que não. E assim ficamos, pois eu queria ser a pessoa mais importante para ele.
Só o toque dele... somente ele conhecia o meu corpo, o que eu gostava e o que não gostava. Com apenas um toque, eu já estava toda molhada, parecendo uma cachoeira. Ele era o meu homem, e aquela noite foi perfeita.
Mas foi na manhã seguinte que as coisas mudaram de figura. Acordei cedo e, quando abri a porta, eu ouvi eles conversando sobre uma tal de Sara: uma mulher para quem ele mandava dinheiro. Quando a Lara perguntou se ele era apaixonado por ela, eu fiquei mal, meu coração tremeu, e eu não queria ouvir o que temia. Então, bati a porta com força para eles perceberem que eu estava chegando.
Na cozinha, perguntei sobre o assunto, e eles só disseram que era apenas questão de dinheiro. Mas eu tinha ouvido o tom da conversa... Eu queria ter perguntado tudo, mas achei que ele iria me contar tudo depois.
Para a minha surpresa, os dois saíram para comprar coisas, e demoramos muito tempo. Quando voltamos, eles já estavam de banho tomado. Fiz ele me levar para casa para eu tomar o meu banho, e já pensei logo que ele e a Lara tinham tido alguma coisa.
Questionei ele, sem ser invasiva, e ele negou. Mas eu precisava ter certeza, então provoquei ele... e ele me deu uma surra de pica incrível, mas não quis ir até o final. Quando cobrei isso dele de comer meu cuzinho, ele teve a ideia de usar um brinquedo, e aquilo me deixou louca de desejo.
Eu, que sempre fui uma menina de família, me sentindo uma vadia... e aquilo tudo me deixava cada vez mais excitada.
Mais tarde, encontrei os amigos dele, ele estava feliz. Em certo momento, me transformei completamente: comecei a agir como uma mulher à vontade, e vi a irmã da Bianca se jogando para cima dele. Fiquei observando, só para ver até onde ele iria. Ele deu um fora nela tão grande que ela saiu muito descontente.
Depois disso, levei ele para dentro, pois não aguentava mais de desejo, precisava me entregar a ele. A Lara nos flagrou, e foi aí que comecei a sentir desejo pela Lara também, uma vontade de tê-la, de experimentar estar com ela. Depois de tudo que Jessica me confidenciava eu só confiava em Lara para essa oportunidade .
Fomos para a casa, e eu vi a Lara e a Bianca transando... logo depois, ele me pegou, me comendo enquanto eu olhava para elas. Eu gozei intensamente, ele me apertou forte, me sufocando um pouco, e eu gozei com tanta vontade, sentindo tudo girar, que perdi os sentidos.
No dia seguinte, tudo parecia bem. Conversei com a Jéssica sobre as minhas suspeitas de outra mulher, sobre o risco de ele me trair, e também sobre o fato de eu ter vontade de ver ele com a Lara, na minha frente. Pedi conselhos a ela, queria saber como funcionava o ciúme com o marido dela, como eles se comportavam, como ela se sentia. Ela dizia que sentia um prazer enorme em ver ele com outras pessoas.
Fui para casa na intenção daquele ménage eu queria experimentar
À noite, nós três conversamos, mas tanto ele quanto a Lara me trataram com frieza, cortando qualquer assunto mais íntimo. Fiquei com muita raiva por causa dos "segredinhos" deles.
Contei tudo o que tinha acontecido par
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