Transa é transe

Por: rafael-380 • 10/07/2026 • 60284 leituras
Capa do conto
O sexo ocasional, forasteiro, aquele que pinta do nada, de repente, sonhado, decantado em prosa e verso, é como um aperitivo. O substancial e melhor, muito bom, e mais criativo é o que se faz com parceiro habitual, conhecido, pausudo, viril e gostoso. A mulher conhecendo seu parceiro sussurra com mais prazer, enlaçada ao pescoço do seu homem. Murmura dizendo estar gostoso e que é pra não parar. Geme como um pombinha perdida na mata, sensualidade aflorada, aguçada pelas mãos do parceiro perdidas nas dobras da sua pele. Pequenas demonstrações de prazer, inventando mil gemidos, que fazem o gozo absurdamente transbordante.
                Mas, há um dia, sabe-se lá por qual toque mais intenso ou consciência do poder que detém na transa, ela não apenas murmura, sussurra, geme, crava as unhas no peito do amante, mas, estronda e grita e chora e soluça e berra. É o sexo em alto e bom som saindo pelos poros tão intensamente, freneticamente em estrondo vocal. Este grito é o prazer do prazer. O transe da transa.
                Pode ser que haja -eu desconheço- sinfonia mais bela e excitante que o gemido masculino associado ao grito feminino em toda sensualidade aflorada, com toda a sexualidade aguçada.
                É neste dia do grito que após inundada na vagina, ela se põe de joelhos sobre os lençóis, curva o corpo, arrebita o quadril, expõe inteiras as nádegas, tateia buscando o membro do homem e sugere sem palavras que quer ser penetrada, ainda que doa, por trás. E murmura, e sussurra e geme e rebola querendo e recebendo a verga no vácuo fervente, liso e apertado. O transe da transa anal. E o grito feminino, som intenso de maravilhosa sinfonia une-se ao perfume do corpo, ao cheiro do amor em transe, ao gozo indescritível.
               

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