— Fica aí — ele ordenou,voz baixa e firme.
Jaque parou.Gostava quando ele falava assim. Não discutia,não ria.Só obedecia parecendo uma submissa,sentindo o poder daquelas palavras percorrerem o corpo.Zé desceu os degraus devagar,circulou em volta dela como quem admira algo que já é seu — mas nunca se cansa.
— Hoje você vai fazer tudo pra ser vista — disse. — E eu vou decidir quando encosto.
Ela engoliu seco.O fetiche deles era antigo: controle, espera, provocação.Jaque gostava de ser desejada,exibida, testada. Zé gostava de mandar… e de saber que ela queria isso tanto quanto ele.
Ele a guiou até a cozinha,onde a janela dava direto pro terreiro.Qualquer vizinho passando podia olhar.Jaque percebeu e sorriu de canto.
— De costas — ordenou ele.
Ela apoiou as mãos na mesa de madeira, sentindo o frio subir pela pele. Zé ficou atrás, perto, mas sem tocar. A presença dele era quase pior que o toque.Ele sussurrou no ouvido dela tudo o que queria fazer mais tarde,com calma, sem pressa,quando a noite estivesse fechada e eles decidissem chamar mais alguém pra assistir — ou participar.
Jaque tremia. Não de medo.De antecipação.
— Você gosta de saber que tão olhando — ele disse. — Gosta de ser desejada.
— Gosto… quando é você que manda — respondeu, sincera.
Ele finalmente passou a mão pelas costas dela, lenta,possessiva,como quem marca território. Não era o fim — era promessa. Promessa de uma noite longa, de portas abertas, de limites empurrados com confiança e cumplicidade.
Lá fora, o vento balançava as árvores. Dentro da casa,o ar estava pesado de intenção.
— Isso aqui só tá começando — ele murmurou. — E hoje… a roça inteira vai sentir.continua