Jaque permanecia onde Zé a deixara. Não porque precisava — mas porque queria mostrar que obedecia mesmo quando ninguém estava olhando. Aquilo era parte da entrega. Parte do jogo que só os dois entendiam por completo.
Zé caminhava pela casa devagar, deixando o tempo trabalhar. Ele sabia que a submissão mais forte não vinha do toque, mas da espera. Do pensamento. Da dúvida.
— Você percebeu os olhares — disse ele, sem encará-la.
— Sim — respondeu Jaque, baixa.
— E gostou.
Não era pergunta. Ela engoliu seco antes de responder:
— Gostei… porque você deixou.
Zé se aproximou então, ficando à frente dela. O olhar firme, avaliando. O ciúme estava ali — não explosivo, não descontrolado. Era um ciúme consciente, que alimentava o desejo em vez de destruí-lo.
— Te ver desejada me provoca — confessou. — Mas só enquanto eu sei que o limite é meu.
Ele levantou o queixo de Jaque novamente. O gesto simples tinha peso. Autoridade. Cuidado.
— Hoje, você vai sentir esse limite mais forte.
Mandou que ela se ajoelhasse. Não como punição, mas como afirmação. Jaque desceu devagar, sentindo o corpo reagir mais à ordem do que a qualquer toque. O coração acelerado, a respiração curta.
— Olha pra mim — ordenou.
Ela obedeceu. O olhar aberto, entregue. Zé segurou o silêncio por mais alguns segundos, deixando que ela sentisse o quanto estava sob controle.
— O ciúme que eu sinto — disse ele — não é medo de te perder. É vontade de te marcar como minha… mesmo quando outros desejam.
Aquelas palavras foram mais fortes que qualquer gesto. Jaque sentiu o corpo inteiro responder. Estava ali porque queria. Porque confiava. Porque aquele domínio não anulava — ampliava.
Zé finalmente tocou nela, de forma lenta, segura. Não era urgência. Era posse tranquila. Depois a puxou para junto do peito, envolvendo-a.
— Você continua sendo desejada — murmurou. — Mas pertence a mim porque escolhe.
Jaque fechou os olhos, descansando ali. Submissa, sim. Mas inteira. Forte dentro da entrega.
Lá fora, o vento seguia passando pela roça. Dentro da casa, o desejo tinha outra forma agora: mais profundo, mais consciente, mais perigoso — do jeito que os dois gostavam...Continua