- Nem estou acreditando...
- Me encontre em 15 minutos na saída esquerda do estacionamento do shopping. Apenas você, nem comente com Debora esta ligação.
Tarsila aparece, entra no carro e Dante sai do shopping e toma o rumo para o motel mais próximo. Lá chegando, ao entrar no quarto, ranca sua roupa, rasgando seu vestido e sua calcinha, a joga na cama a penetra, e inicia movimentos numa sequência quase que programada, inicia alternando velocidade e força. A invade totalmente. Tarsila goza inúmeras vezes. No auge da exaustão de Tarsila, Dante goza ejaculando em sua vagina. Quando se recompõem Tarsila diz:
- O que houve meu amor?
- Preciso lhe dizer algumas coisas importantes. Sua amiga e socia está tentando lhe trair. Está fazendo uma nova pessoa jurídica, e a instalando no mesmo shopping. Assim você em menos de um mês a terá como socia e como concorrente.
- Não pode ser...
- Escute... como já deixei bem claro, o meu vínculo é contigo e não com ela. Assim amanhã passarei a sala em que estão, para o seu nome. Assim quando isso acontecer. Você pode desfazer a sociedade mantendo o imóvel apenas contigo. Se isso ocorrer não se preocupe com despesas. Deixo com você este cartão empresarial com um saldo de 50.000 reais ao mês. Se prepare psicologicamente e tenha bom senso. Se desfaça da sociedade e vivera só comigo.
- Nossa, e eu estava achando que você estava mais interessado nela do que em mim. Fez até tatuagem nela.
- Você viu o logo que ficou nela?
- Não.
- Então olhe. O Seu, significa que és minha. O dela que é uma puta.
- Não sei o que dizer....
- Não diga. Apenas assuma que me pertence. Assim vivera muito melhor do que imaginava.
Dante recolhe toda sua roupa e diz que a levará.
- Agora como irei embora.
- Use sua criatividade.
- Como assim?
- Estou saindo. Peça um UBER, ou seja, criativa. Bye.
Dante saiu da suíte, pegou seu carro e foi embora. Tarsila ficou desesperada, pensou em se enrolar no lençol e ir embora. Porém como entraria em seu prédio. Depois de 20 minutos pensando em alguma coisa, ligou para Gabriela e em 15 minutos apareceu para pegá-la. Trouce alguma roupa e a vestiu. Tarsila lhe contou tudo e Gabriela também sua história.
***
Gabriela encontrou Tarsila no fim da tarde, em um lugar neutro demais para carregar qualquer memória específica. Talvez tenha sido por isso que escolheram ali.
Sentaram-se frente a frente. Por alguns minutos, falaram de banalidades — trabalho, compromissos, cansaço. O tempo necessário para que a pergunta inevitável pudesse existir sem ser precipitada.
Foi Gabriela quem rompeu primeiro.
— Você ainda pensa nele?
Tarsila não respondeu de imediato. Levou a xícara à boca, bebeu um gole pequeno demais para justificar a pausa.
— Penso — disse, por fim. — Mas não do jeito que você imagina.
Gabriela assentiu lentamente.
— Eu também — confessou. — Às vezes, tenho a sensação de que tudo o que veio depois…
Fez um gesto vago com a mão.
— ainda passa por ele.
Tarsila inclinou a cabeça, interessada.
— Ele não fica — disse. — É isso que mais confunde.
Olhou Gabriela com atenção.
— Mas também não vai embora de verdade.
Houve um silêncio breve. Não desconfortável. Reconhecido.
— Você acha que ele sabe o que faz? — perguntou Gabriela. — Ou acha que só observa o que acontece?
Tarsila sorriu de leve.
— Acho que ele não precisa saber tudo.
Baixou a voz.
— Basta saber quando não interferir.
Gabriela sentiu um arrepio discreto.
— Às vezes me pergunto — disse — se o problema é ele…
Fez uma pausa.
— ou o que cada uma de nós faz quando está perto dele.
Tarsila sustentou o olhar.
— Eu me perguntei isso por muito tempo.
Respirou fundo.
— Até perceber que não era uma pergunta para ser respondida. Era uma pergunta para ser assumida.
As duas ficaram em silêncio outra vez.
— Você se arrepende? — perguntou Gabriela, quase em sussurro.
Tarsila pensou antes de responder.
— Não — disse. — Mas também não romantizo.
Fez um meio sorriso.
— Ele não me tirou nada. Só me mostrou coisas que eu não sabia que estavam ali.
Gabriela baixou os olhos.
— Isso é o que mais me assusta — confessou. — Não foi o que aconteceu.
Levantou o olhar.
— Foi o que ficou depois.
Tarsila assentiu.
— Comigo também.
Quando se despediram, não houve promessas nem conselhos. Apenas a compreensão silenciosa de que algumas experiências não criam cumplicidade — criam linguagem comum.
E que falar sobre Dante, entre elas, não era falar sobre um homem.
Era falar sobre aquilo que cada uma descobrira em si —
e que já não podia ser ignorado.
***
CONTINUA....