O escravo nunca tinha visto antes uma plantação de cana, tampouco tinha trabalhado numa. Somente via pela internet. Mas seu coração pulsava tão rápido quanto o coração de um guepardo depois de uma corrida. Suas mãos suavam e suas pernas tremiam, não de medo, mas sim de desejo. De prontidão, percebeu que a plantação não era pequena e, portanto, tinha muito trabalho pela frente, trabalho este que outrora nunca havia feito.
Como o escravo estava vestido a caráter, perguntou-lhe se queria já começar o serviço. Com élan de uma criança por doce, o escravo respondeu que sim. Então Mestre César pegou-o pela coleira de metal que estava envolta de seu pescoço e o levou até o depósito de ferramentas. Pegou um cutelo e o deu ao escravo. Lucas nunca tinha visto tal objeto, senão por imagens da internet. Porém sabe que é a ferramenta que utilizará para fazer a colheita da cana. Logo em seguida, Mestre César entregou-lhe um par de botas de trabalho. Esses foram os únicos instrumentos de trabalho que o escravo recebeu. Como haviam combinado antes, o escravo se comprometeria com quaisquer eventuais riscos inerentes do serviço que realizaria. E que pra ser completa para os dois, a fantasia devia se realizar com o mínimo de intervenções contemporâneas.
Depois disso, os dois retornaram à plantação. Escravo braçal pegou o cutelo com a mão direita, com a mão e o braço esquerdo apalpou um punhado de talos de cana, e deu corte de forma desengonçada. O seu Mestre desaprovou. Disse-lhe que parasse por enquanto até que ele voltasse. Mestre César foi buscar um chicote de duas tiras de couro de boi. Quando retornou, mandou que o escravo tirasse sua camisa de linho desgastada. O escravo prontamente acatou. Mestre César disse-lhe que o ensinará conforme o chicote. Se o escravo errar na hora do corte da cana, ele saberá que errou pelo ardor do chicote em suas costas.
-Entendeu, escravo? Indagou, Mestre César.
-Sim, Mestre. Falou, com a voz entre pigarros, o escravo.
O escravo curvou-se para dar o segundo corte, deixando às claras suas costas razoavelmente musculosas e brancas. Depois de efetuar o corte, o escravo sentiu uma dor extrema percorrer pelas suas costas, uma dor que nunca sentira antes. Mestre César não perdoou o escravo, e como bom sádico que é, aplicou-lhe uma chicotada extrema, com toda força que dispunha no braço direito. Após a chicotada, duas listras vermelhas, com tons roxos, apareceram nas costas antes lisa do escravo.