Rosto angelical com um tom rubro de pecado nos cabelos sedosos, os seios formando suaves montanhas lembrando um pôr do sol no horizonte, a beleza proporcional de todo seu território e a delícia do mel de sua gruta. Encontro a boca, inspirada, provocante, mistura a suavidade com um sorriso de amante.
O descobrimento continua, sinto sua pele aveludada me arrancar arrepios e o seu toque macio me acariciar de maneira única. A Deusa do Amor me leva então por esta viagem, já sem bussola, astrolábio ou sextante, tento retomar o leme e descubro que ela já me domina e me conduz firme e suavemente para o seu mundo, seu rumo. Me deixo levar, sem temores, mas com amores. Procuro o norte e o sul do seu corpo e uno meu norte no seu sul e seu norte no meu sul. Prazer maravilhoso, sul e norte, me trazendo imenso e úmido prazer.
Prossigo nesta descoberta deliciosa do mar feminino , faço a volta e encontro a materialização da Vênus Calipígia, nádegas simétricas, gêmeas, perfeitas, mergulho feliz ao seu mundo. Sou um homem de sorte.
Descubro então que existe nela um excesso de divindade, um excesso de luxuria, de prazer e beleza. E descubro então que esta é uma obra de Deus, que cansado de tanto trabalhar distribuindo beleza, amor e bem querer entre as mulheres resolveu ser preguiçoso e num ato divino verteu sobre Alicinha tudo que teria ainda que distribuir em todas as outras. Se tornou Alicinha delicia, a mulher maravilhosa, fruto da Preguiça Divina.
Agora vivo querendo navegar neste mar feminino, fazer novas descobertas. E entendo porque os navegadores disseram que “ Navegar é preciso, viver não é preciso”.