Este conto relata fatos verídicos que vivenciei no ano de 2010 na cidade do Rio de Janeiro, mais precisamente na zona oeste da cidade na comunidade do antares .
Sou um cara de boa com a vida, branco , 1,80m e 40 anos na época. Naquele momento de minha vida estava frequentando uma igreja evangélica e como de costume da congregação fazíamos trabalhos sociais em duas comunidades aqui da zona oeste do Rio uma era a comunidade do rola e a outra a do antares.
Em um destes eventos na comunidade do antares, tive o contato com uma família que vivia momentos difíceis pois acabará de perder o filho de 16 anos em confronto com o Bope, já faziam 2 meses do fato ocorrido.
Era uma casa muito padrão do local bem humilde , a família era o casal Sérgio ( 31 anos ) e Camila ( 29 anos) e a pequena Julia (7 anos) , Sérgio era um homem pensionista por invalidez ( cadeirante )e a mulher Camila do lar, Sérgio usuário de cocaína e crack ,este último adquiriu a pouco logo após a perda do filho.
Meu contáto com a família se deu em um dia em que entregava folhetos na comunidade e me deparei com um cadeirante sendo esculachado por um vapor da favela que até tapa na cara deu no Sérgio, neste momento me direcionei para a confusão e me aventurei em afastar o cadeirante da presença da boca de fumo e seus vapores
que logo entenderam que estava apenas tentando ajudar e acalmar os ânimos já que minha roupa me.denunciava que estava a serviço da igreja e todos que realizavam este trabalho se vestiam a caráter com blusa branca e jeans ,enquanto afastava o cadeirante uma adolescente na proximidade me avisou: moço este homem mora na rua de trás na casa verde, então me direcionei para o local.
Quando cheguei na casa com o cadeirante fui recebido por Júlia já no portão uma criança só de blusa e calcinha, até aí nada de mais para o local, algo muito comum. Ela começou a gritar mamãe, mamãe... um moço trouxe meu pai , nisso me aparece Camila uma morena falsa magra com um shortinho que deixava sua bunda em evidência, foi impossível não notar, naquele momento fiquei sabendo o nome do cadeirante Sérgio, Camila me agradeceu, porém começou a xingar o Sérgio de tudo que é nome , pedi calma para ela e me apresentei como membro da igreja e que estava ali para ajudar, contei pra ela o que aconteceu e pq eu estava ali em sua casa, o Sérgio estava visivelmente alcoolizado e drogado e com um odor forte de urina, ajudei a leva-lo da rua ate a varanda da casa e nisso a Camila começou a chorar de soluçar na minha frente , me lembro que segurei em sua mão e pedi para ela ficar calma, perguntei se poderia fazer uma oração ela aceitou, então orei e após a oração ela se acalmou e me prontifiquei a ajudar naquele momento e ela me disse: entra aqui em casa me mostrou a sala com apenas um velho sofá e um rádio portátil sobre uma mesa e me levou até a cozinha e me mostrou os armários tudo vazio e começou a chorar dizendo que não tinha nada pra comer e que já estava a 2 dias comendo apenas pão velho e água, ela e sua filha nesse momento me senti sensibilizado a ajudar e me protifiquei a trazer uma cesta básica e foi o que fiz, quando entreguei a cesta básica a Camila foi se soltando e falando sobre as dificuldades que o dinheiro do Sérgio mal dava pra comer uma semana , pois as dívidas e as drogas levavam tudo, e que era normal ela e a Júlia passarem fome alguns dias do mês, e que ela já até pensou em voltar para a vida errada, mas acreditava que Deus poderia mudar sua história e blá blá blá...