Um total de 12 partidas aconteceram, e Quintino venceu 9, ganhando assim bastante confiança. As partidas e o movimento de dinheiro atraiu um público considerável e foi aí que veio a proposta da boca do idoso:
-"Escuta, jovem, você já tirou todo dinheiro que era pra comprar meus remédios. Se importa de uma última aposta, com toda a quantia que você arrecadou e igualar as condições?"
Até o momento foram 360 reais* apostados, e a chance de vitória certa. Era dinheiro fácil! Obviamente Quintino aceitou com sorriso nos lábios e euforia no coração.
A partida teve duração precoce e ao seu fim estava Gilberto sorrindo e Quintino chocado, rodeados de gargalhadas, zombarias e pena.
-"Você me deve 720." disse o sorridente coroa.
-"Mas eu apostei 360 só!" tentou argumentar o jovem milico.
-"Não, você concordou em igualar as condições, todo mundo aqui ouviu. Igualando as condições diz que se vc perder, paga o dobro do que apostou."
Todos os presentes concordaram e pressionavam o recruta por temerem uma calota no sexagenário.
-"E então? Vai pagar?"
-"Eu não tenho dinheiro" Já dizia chorando, o infortunado militar.
-"Você tem as opções:
Ou me paga;
Ou me leva pra jantar com direito a beijo na boca, e eu escolho o restaurante;
Ou me come."
A única frase que Quintino conseguia falar era:
-"Eu não tenho dinheiro, senhor"
-"Então vai dar. Vem, entra no carro."
Quintino não se mexia, estava paralisado. Um dos militares que assistia o jogo disse à Quintino:
-"Ele ta errado, mas você não devia ter apostado o que não tinha."
Outro militar tentou conformar:
-"Fica assim não, você não é o primeiro nem será o último."
Quintino nesse momento já não estava mais dentro do corpo, agia como por automático sem raciocinar no que estava acontecendo. Levantou do banco da praça e caminhou até um fusca azul com para lamas prateado que já estava com a porta do carona aberta aguardando o moço ludibriado.
Assim que entrou o velho estava com o pau pra fora e disse quase sussurrando:
-"É muito dinheiro que você me deve. Pode começar pagando com carinho e pegando aqui."
O velho safado dirigiu até o interior da vila militar, parou em frente a uma casa padronizada, deu um chaveiro com 4 chaves pro rapaz e mandou ele entrar já se sentando no sofá. Quintino assim fez. Gilberto entrou em seguida e trancou a porta já ordenando ao coitado a pegar as revistas pornográficas, abrir em qualquer página e tirar as calças soltando entre os dentes cerrados a frase:
-"Sua sorte é que hoje eu quero ser a dama. Abre a revista e deixa o pau duro."
Quintino não conseguiu deixar o pau ereto mas Gilberto se ajoelhou em frente ao sofá e mamou com uma força assustadora. O jovem tentava se concentrar nas mulheres das revistas preocupado em enrijecer para ir embora o mais cedo possível. Sem perceber quando, sua pica estava dura e o velho delirando.
-"Conhece o gargarejo de cabeça?" questionou Gilberto.
-"Imagino o que seja." respondeu o jovem com voz trêmula.
Os sons mais esdrúxulos ecoaram pela sala apertada. Pensamentos confusos correram naquela jovem cabecinha, suas mãos amassavam a revista nada inocente.
Quando Quintino estava quase aceitando seu destino, percebeu uma repentina parada. Ao abaixar a revista que tapava-lhe a visão deparou com um velho de quatro que urrou:
-"Mete agora que tá duro."
Quintino ainda hesitou, por dois segundos teve a esperança de que alguma providência divina o livraria daquele inferno.
-"Rapaz, você só tem que enfiar e ir embora. Ou prefere que eu coma?"
O temor de perder as pregas do toba para tão triste figura foi combustivel mais que suficiente para, em velocidade sônica, chutasse a porta sem pedir licença. O velho uivou como um lobo ferido, que sendo penetrado pela presa de um predador maior, clama socorro sem a saber quem. A velocidade das perfuradas ultrapassava as leis da física e vendo o Gilberto que o novato não se preocupava com o zelo do seu rabo suplicou:
-"Eu aguento teu tamanho, mas faça devagar. Lembre-se que você só sai quando eu gozar."
A verdade era que o medo fez Quintino agir novamente por automático e a mente dele estava em sua reputação no quartel, sem configurar o que estava acontecendo no momento presente. A declaração do velho foi o estalo de que deveria se concentrar com sua tarefa atual e, como um bom soldado, cumprir as ordens a fim de satisfazer quem as demanda.
Procurou Quintino botar com mais cuidado e a ler os sinais do velho. O primeiro minuto, além de parecer infinito, foi marcado pelo silêncio. Gilberto não dizia um pio, Quintino não parava o pinto. Foi quando uma confissão delicadamente furou o silêncio:
-"Tem meses que não pego um pau tão grande. Os militares de hoje não tem pau nem culhão."
Quintino continuou mudo sem saber como reagir ao comentário.
-"Pode ficar em silêncio, mas mete. Com toda a raiva que você está sentido de mim, mete! É teu momento de vingança!"
Quintino concordou. Montou no lombo do velho como um oficial da cavaliria e castigou o rugoso cu com estocadas tão brutas e profundas que nenhum sermão de sargento é capaz de alcançar. Guimarães já não se preocupava com o prazer e sim em resistir à aquela prova de fogo que seu subordinado o aplicara.
Após 20 minutos de brava resistência em ambos os lados o velho grita:
-"É agora recruta, maltrata que eu vou gozar! Passagem tática¹!"
Quintino acelera o ritmo e aumenta a força de sua queda as custas de suas ultimas reservas.
-"AHHH QUE DELÍCIA!" Berra o indecente.
Quintino que já fazia 20 minutos imaginava Neide, sua vizinha e amiga de infância, tirou o cacete do rabo de Gilberto e segurando-o pela nuca, declama a própria vontade:
-"Agora é minha vez, seu viado velho!"
Tachando a pica na boca do puto e cobrando a mamada, fechou os olhos e derramou em sua garganta a sua gala a muito tempo acumulada.
O velho limpou o cacete com a língua e secou com a própria camisa, com o maior carinho do mundo. Tirou do bolso da calça uma carta do baralho e entrou pro rapaz que parado ficou.
-"Entregue isso ao seu sargento amanhã e terá o dia de folga. Sua divída foi paga."
Quintino não perdeu um segundo sequer. Se vestiu, guardou a carta no bolso e voltou pro quartel. No dia seguinte enfilerados todos após o toque da alvorada, Quintino sem saber o que estava fazendo entrega a carta ao sargento que não mostra nenhum sinal de surpresa.
-"A dama de pau, não é recruta? Tá liberado." Disse o sargento devolvendo a carta.
Nesse instante a curiosidade brotou pela primeira vez e Quintino olhou para a carta. Era a dama de paus, a carta que foi a vira² na última partida.
Quintino fitava o sargento com o olhar perdido ainda sem entender. O sargento compadecido adiantou:
-"Ele é da reserva, faz isso a anos. Não conte pra ninguém e seu segredo estará bem guardado. Se vocês se reencontrarem ele pode não te reconhecer então mostre a carta pra ele em silêncio e cada um tomará seu caminho."
No domingo seguinte Quintino estava de escalado com folga novamente e decidiu ir até a praça tentar encontrar o velho. Seguindo o som dos burburinhos encontrou-o sentado na mesa da praça com outro jovem da sua idade, dinheiro na mesa e o vira como uma dama de paus.
¹ Passagem tática é uma expressão no exército com o seguinte significado:
Passagem de uma barreira onde não foram construídos obstáculos, sendo suficientemente larga para permitir o trânsito de uma força amiga em formação tática, normalmente com largura superior a 100 (cem) metros.
² Vira é a carta do truco que determina a manilha, que será a carta de maior valor da partida.