Júlia - a reconciliação

Por: kapa-pente-2 08/07/2026 1236 leituras
Capa do conto
— Tens noção do acabou de fazer? — grito passando a mão na minha pele avermelhada — Você me bateu, sim! Você me bateu!
— Lembra bem o que tu fez, Júlia? — responde no mesmo tom, segurando-me forte pelos braços — Acabou de confessar que deu pro teu assistente dentro do nosso carro... Tu perdeste a noção das coisas mulher!
Fito-o assustada, os olhos arregalados de João indicam a sua fúria, mas eu não estava mais conseguindo viver na mentira e precisava esclarecer tudo. Depois de algum tempo, enfim solta dos meus braços e sento na beirada da cama, chorando. João caminha pelo quarto, desconcertado, rosnando palavras que não consigo entender, batendo nos objetos.
— Eu quero o divórcio — murmuro.
— Ah, muito óbvio Júlia, mas quem deve pedir sou eu, afinal eu fui traído — responde ao sair do quarto.
Tomo a iniciativa e pego uma mala pequena, coloco algumas poucas roupas dentro da mesma e arrumo meus objetos mais necessários para alguns dias. Dou um trato no rosto, a fim de esconder o vermelhão todo.
João está na sala, apoiado sobre a bancada bebendo seu uísque caro. Passo por ele para pegar meu celular, quando o mesmo toca.
— Deve ser teu amante... Ele ligou faz pouco tempo perguntando sobre os...
— Amante? Nós transamos uma única fez, e quer saber o motivo? As vezes nós dois ficamos quase um mês sem fazer amor, e eu tenho as minhas necessidades João — digo —, em todos esses anos de casamento foi essa única vez, afinal eu sempre te amei...
— Então não ama mais? — pergunta com os olhos cheios de lágrimas, deixando o copo de lado.
— Eu... Eu não sei João.
O desespero toma conta de meu corpo e não conseguindo mais conter as lágrimas, choro feito criança em sua frente e, de repente, estamos em um abraço forte, carinhoso, ambos chorando.
— Eu te amo Júlia, só tenho você... Por favor, me desculpe. — diz olhando em meus olhos, segurando meu rosto com as mãos. Beijo-o, fa forma mais amorosa que posso. O gosto de nossas lágrimas se misturam e quando percebemos já estamos deitados sobre o tapete da sala.
Devagar, João tira minha camiseta e meu sutiã, descendo por meu corpo até chegar em meus seios e deixando ali, inúmeros beijos. Chegando à barra da minha jeans, ele abre com agilidade e lentamente vai puxando, levando junto a minha calcinha.
Novamente seu corpo está sobre meu, dois corpos nus se amando como nunca. Pele com pele, boca com boca. Várias carícias, sempre com carinho e muito cuidado.
— João, eu esqueci da pílula hoje.
— Tudo bem, eu tiro antes de gozar — responde.
Aos poucos João vai abrindo minhas pernas e se posicionando, sinto um arrepio interminável em todo o meu corpo. Enfim sinto o membro de João me preencher, devagar. Assim como todos os seus movimentos, sempre beijando-me. Aos poucos, vai acelerando e, ao mesmo tempo, começa a me masturbei. Chego ao orgasmo logo em seguida, deixando meu corpo se entregar totalmente e quase que ao mesmo tempo, João goza também.
Ficamos por um longo tempo deitados juntos, abraçados. Escuto seu coração bater forte, acelerado e sua respiração ainda um pouco ofegante. Acaricio seu peito enquanto João faz um cafuné maravilhoso, massageando meu couro cabeludo.
— Júlia... Não me deixe, nunca. — diz suavemente, beijando meu cabelo logo em seguida. — Eu a amo tanto que, sei lá, não imagino viver sem você.
— Eu não...
— Shhhh. Apenas escute — interrompe —, eu estou muito arrependido. Foi de impulso que lhe dei aquela maldito tapa, Júlia... Não sei se consigo acordar e não ter você do meu lado pra dar bom dia ou dividir o chuveiro comigo. Eu não te procurei mais — ele pausa —, bem, achei que você não estivesse tão afim e disposta. Sabe que chega uma certa idade que as coisas mudam.
— João, eu te amo! Nunca vou te deixar.
Olho em seus olhos brilhantes e lhe dou um beijo suave. Aconchego-me mais em seu colo e descanso, até que adormecemos juntos. Quando acordo, estou na cama aquecida. Abro os olhos e o observo desfazer a minha mala.
O amor foi tanto naquele dia que não coube em nossos corações. Fui mãe pela primeira vez aos 38 anos enquanto João foi pai aos 44.

Sua imaginação também tem espaço aqui.

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