O desejo supera os preconceitos ?
Muito se discute se o visual feminino das transex pode estimular o desejo de homens para o sexo anal.
O fato é que a enervação do orifício externo do ânus faz com que a estimulação táctil da área provoque importante excitação sexual.
Trata-se, pois, de uma zona erógena importante. E mais: a penetração determina a estimulação prazerosa da próstata que pode, por si, provocar a ejaculação.
É preciso pensar sobre isso de uma forma livre. Se for uma mulher a estimular a região anal e se ela introduzir algum objeto no homem, o prazer será sentido de forma idêntica.
A excitação “pertence” àquele homem e não depende de quem a provoca .
Estas práticas, chamadas em outros tempos de sodomia, acompanharam a vida de muitos homens ao longo dos séculos.
Muitas vezes eram parte da masturbação e, só no século XIX, passaram a ser vistas de forma preconceituosa, rejeitadas pela maioria dos homens e por muitas mulheres.
Ao longo do século XX, se consolidou a ideia de que desejos eróticos relacionados com a região anal são próprios de travestis e homossexuais.
Assim, o território anal tornou-se interditado para os que gostam de mulheres e também de homens e transexuais; estes, ao que parece, têm que se proteger e tomar muito cuidado para não caírem em tentações inaceitáveis.
As repressões sociais reforçam estas proibições e as famílias continuam a educar seus filhos no sentido de se comportarem como “machos” – ou “machões”.
Em nossa cultura, a maior parte dos homens mal encosta na região anal e não permite que suas companheiras os estimule por esta via, o que deveria ser repensado.
No sexo, as proibições determinam, para muitos, o desejo de transgressão. Os homens que não têm coragem de se abrir com suas parceiras acabarão por buscar a companhia dos travestis.
Pelo fato de “parecerem” mulheres despertam o desejo visual da mesma forma que elas. Ao mesmo tempo, estão “equipados” para a relação anal.
O desejo é pela forma feminina do corpo e o prazer anal é o que está sendo buscado.