Deixou o copo na mesinha, foi até a porta, trancou-a, passando duas voltas na fechadura, e tirou a camisa. Eu pensei em gritar, mas ele me segurou pelos braços, me grudou em sua pele suada e puxou os meus cabelos. Senti dor, mas, ao mesmo tempo, um prazer curioso. E deixei que ele enfiasse sua mão por dentro da minha blusa e me acariciasse com uma brutalidade que, a princípio, estranhei, mas que, rapidamente, me deu a sensação de estar sendo possuída por um homem de verdade. Ele me despiu, rasgou minha calcinha de renda, me beijou toda, sem esquecer de nenhum detalhe, bateu em minha cara, a princípio de leve, depois com mais força, enquanto dizia obscenidades.
Eu gostei, aquilo tudo era novo para mim e, certamente por isso, me despertou. Aquele homem me possuiu muitas vezes. Eu já estava cansada, morta, absolutamente seca e ele inteiro. Depois que ele se foi, eu, exausta, fui para cama, com o corpo rodo doído por ter sido subjugada por aquele homem enorme. Dormi e sonhei com ele, a me fazer tudo o que meu marido não tem coragem de fazer comigo e sim, com as mulheres das cidades do interior por onde ele anda. Agora, eu só fico esperando que meu marido viaje, pois, todas as vezes em que ele tem de cumprir com suas obrigações profissionais, eu telefono para o bombeiro e peço para ele vir apagar meu fogo.
Neuza Guimarães, Santos 1979