Minha noite com John Wayne Gacy
Vcs estão lendo meu conto e eu estou morto. Não, não foi a pouco. Morri em 1976. Eu nasci em Saint Paul, nos USA, caçula de três filhos, uma menina e um menino. Desde criança sabia que era diferente. De quem ? De qualquer outro garoto do universo. Minha mãe me disse um dia: porque vc não pode ser como o Andrew ? Bom, porque não era bom ator (ele era um poço de maldade e a boca mais suja da cidade, menos na frente dos adultos) e nem era macho. A visão daquele garoto me deixava de pau hiper duro, corria pra casa e me masturbava freneticamente no banheiro de casa. Isso acontecia sempre depois de ser humilhado por ele na escola, na rua, dele passar a mão na minha bunda provocando risos de todos em volta, ou dele dizer o bordão preferido dirigido a mim: "bichinha ... gostosa !". Me sentia triste, vontade de chorar, e no banheiro de minha casa gozava jorrando porra em jato na parede de azulejos. Quando fiz dezoito anos não encontrava emprego. Livre finalmente da escola secundária. Tentei ficar louro usando um descolorante. Os olhares de minha mãe e meus irmãos eram puro constrangimento (meu pai nem voltava mais pra casa, trabalhando em outra cidade e envolto num alcoolismo feroz). Não tinha nada ali pra mim. Era motivo de embaraço pra minha família. Eu era virgem ainda. Fugia de qualquer situação sexual. Fiquei sabendo por um dos meus raros amigos que havia um empreiteiro em Chicago que contratava rapazes inexperientes. Cento e dois dólares por mês. Anunciei que iria pra lá para minha família, mas não falei como ou porque, não queria ser desestimulado. Tomei o ônibus e o empreiteiro me recebeu na estação. Era gordo, olhos claros que perseguiam cada movimento que eu fazia. Feio. Meio rude. Ofereceu alojamento. Trabalhei, ou melhor, fiquei um dia aprendendo o que fazer. Ele se posicionava atrás de mim. Me sentia vigiado. Meu pau ficou duro o tempo todo. Ele mandava em mim, me dava bronca quando errava, dele eu dependia até pra ter uma cama pra dormir, num galpão perto da construção. Estava numa posição inferior, e meu pau endurecia aos golpes, o sangue correndo no rolo de carne na minha cueca. Só faltava ser chamado de bichinha. O dia acabou. Estava cansado. Fui para o galpão. No meio do banho, quando ia bater uma punheta e me aliviar, pensando no empreiteiro meio nojento e áspero, eis que o próprio entra no banheiro. A a olhada que me deu abaixou meu pau. Ele disse : tem um clube de jovens chamado Aragon no centro. Vista-se. Vamos comemorar sua chegada em Chicago.
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