Novinho ingênuo e o patrão safado

Por: matheus-251 • 23/07/2026 • 6000 leituras
Capa do conto

Tivemos que deixar a pequena propriedade rural que minha mãe e um tio herdaram no distrito agrícola de Sultanhistar na província turca de Aydin porque não dávamos conta de cuidar das figueiras e olivais, depois que o tio Aziz foi ferido na guerra civil do Curdistão iraquiano, ficando com a mobilidade bastante reduzida devido aos estilhaços de uma granada que fragmentou o osso da bacia em diversos pedaços, passando a mancar e depender de uma órtese para se movimentar. O soldo que recebia como militar reformado e o que minha mãe ganhava cozinhando para fora mal dava para o sustento das quatro bocas, tio Aziz, minha mãe, eu e minha irmã caçula.

Eu fazia o máximo que minhas forças permitiam para manter as figueiras em produção em longas jornadas após as aulas que, a depender da estação, avançavam noite adentro. Minha mãe e minha irmã também ajudavam, mas aquilo não era um trabalho para mulheres, enquanto o tio Aziz, devido a órtese, logo precisava se sentar por não suportar as dores da sequela que a granada deixou.

Minha mãe tinha a resposta pronta na ponta da língua toda vez que eu ou minha irmã perguntávamos pelo nosso pai – Seu pai foi morto em batalha quando sua irmã era recém-nascida – asseverava ela, supostamente na coalisão de países que participaram da Guerra do Kosovo, embora eu duvidasse dessa versão que ela contava para justificar a inexistência de um marido. O que me levava a essa desconfiança, era o fato de eu ter uma vaga lembrança de um sujeito forte que usava uma barba densa que sempre me pinicava o rosto quando me pegava no colo e me beijava ao me colocar para dormir. Eu tinha certeza que ele era meu pai, embora minha mãe tentasse me ludibriar dizendo que só podia ter sido o tio Aziz, mas eu não era tão bobinho assim apesar de muito jovem para saber que não era ele. O que ela escondia era o fato daquele sujeito viver na esbórnia, voltar para casa e a agredir por qualquer contrariedade. Ele nunca foi militar ou esteve nas fileiras de qualquer exército, era um vagabundo que meu avô pôs a correr com uma arma apontada em sua cabeça quando se cansou de ver a filha apanhar do marido.

- Se ele foi morto em batalha e condecorado, onde está a medalha, as fotografias dele com uniforme? – perguntava eu, numa insistência que a aborrecia.

- Outra vez essa conversa, Serkay? Você não se cansa de me perguntar sempre a mesma coisa? – retrucava ela sem paciência.

- É porque eu quero ver a condecoração, as fotografias! – respondia eu, cada vez mais curioso à medida que crescia.

- Seu pai nunca tirou fotografias, e a condecoração deve estar no meio daquelas caixas cheias de tralhas no sótão.

- Não está, eu já vasculhei todas elas, não tem nenhuma condecoração lá!

- Então vai ver que acabou se perdendo!

- Isso não pode ser, você está mentindo! – acusava eu, ao sentir que ele estava me enganando para despistar.

- Quer que eu te dê uns safanões, seu moleque malcriado e respondão? Não me custa nada encher esses fundilhos com umas boas chineladas! Agora suma daqui, ou vai me fazer errar no tempero dessa comida, vai moleque, vai caçar o que fazer! – era assim que ela encerrava a discussão quando já não tinha mais argumentos.

- Um dia eu vou descobrir toda a verdade! Não adianta me enganar! - revidava eu ao sair correndo de perto dela, antes que alguma coisa pesada que ela lançava na minha direção me atingisse.

Comecei a instigar minha irmã a interrogá-la quando já tinha eloquência suficiente para formular as perguntas, mas se havia algo que minha irmã nunca soube guardar foi um segredo ou um pedido para que não me denunciasse como mandante daquelas perguntas. Assim que minha mãe a prensava contra a parede, ela abria o bico e revelava que tinha sido eu a mandar que fizesse aqueles questionamentos.

Quem comprou a nossa propriedade foi um vizinho que se dizia muito amigo do meu avô, mas que pagou um valor bem abaixo do que ela valia quando percebeu que minha mãe e o tio Aziz não tinham mais como manter o lugar, e precisavam de dinheiro para se mudarem para Istambul onde minha irmã e eu teríamos mais chances de frequentar colégios melhores e, talvez até uma universidade. Depois de dois anos sem nenhum outro comprador aparecer, a propriedade foi vendida para o avarento, e nos mudamos para uma casa modesta que o dinheiro deu para comprar no bairro Balikyolu no distrito de Esenyurt, na parte europeia de Istambul. O bairro é majoritariamente ocupado por habitações simples da classe operária da cidade, permitiu que minha mãe pudesse continuar cozinhando e vendendo as refeições. A situação não era muito diferente da que vivíamos em Sultanhistar, mas já não havia mais aquele tanto de trabalho a ser feito como antes. Minha irmã e eu estudávamos numa boa escola pública e, toda vez que eu passava pelo campus Beyazit da Istanbul Üniversitesi jurava para mim mesmo que teria um diploma daquela universidade.

Meu sonho começou a se realizar quando consegui uma vaga na faculdade de economia e me sagrei o melhor aluno da turma. Tutelado por um dos meus professores, que me indicou a uma agência de empregos no final do curso, consegui meu primeiro emprego numa holding internacional de um dos empresários mais ricos da Turquia, Hasan Aksoy Karal*. Eu já antevia nós nos mudando para uma casa melhor em um bairro de classe média, minha mãe podendo deixar de passar horas infindáveis na cozinha, e minha irmã podendo ingressar na faculdade de medicina como era seu sonho. Assumi o compromisso comigo mesmo de dar o melhor de mim, de me dedicar à carreira e alcançar postos cada vez mais significativos e bem remunerados.

Trabalhando na sede da holding, junto à cúpula administrativa e dos tomadores de decisões, eu sabia que tinha muito a aprender, mas também a chance de mostrar meu trabalho e dedicação. Os primeiros dez meses não poderiam ter sido mais recompensadores e felizes, eu havia caído nas graças de dois dos mais importantes diretores e me sentia valorizado por eles. Até o dia em que cruzei pela primeira vez com nada mais, nada menos do que o próprio Hasan Aksoy, durante uma reunião à qual um dos diretores me levou por ter sido eu a compilar uma série de gráficos financeiros da uma das empresas da holding.

Hasan era um homem enorme de cinquenta e tantos anos, alto, ombros largos, cintura abaulada, ossatura larga, cabeça redonda com uma calvície em desenvolvimento, e uma expressão que oscilava entre carrancuda e cínica. A fortuna não lhe trouxe nenhum refinamento, era grosseiro no falar, no trato com as pessoas e na maneira de se vestir. Nem mesmo os ternos caríssimos que trajava escondiam o homem tosco que estava dentro deles. Tinha fama de ser implacável nos negócios e com os empregados que julgava não estarem à altura de suas empresas, destratando-os sem papas na língua onde quer que estivesse. Muitos o temiam, especialmente aqueles que já haviam presenciado seus rompantes de fúria e vingança contra desafetos. Até a mídia o temia, depois que alguns meios de comunicação levantaram suspeitas quanto a ele estar por trás de negócios escusos com armamentos contrabandeados e assassinatos de dois ex-sócios que teriam tentado passar a perna nele, os repórteres dessas matérias sumiram do mapa como que por encanto, ou tiveram acidentes fatais poucos meses após divulgarem as notícias. Somente as matérias que o endeusavam e citavam sua benevolência com entidades filantrópicas ganhavam seu respeito, bem como os meios de comunicação que os divulgavam.

Ao final da apresentação dos meus gráficos, ele quis me conhecer. Tinha prestado atenção em mim durante toda a reunião, com um olhar aquilino e perturbador, pois me levou a crer que não estava dirigido à minha capacitação técnica, mas ao meu corpo esguio de vinte e cinco anos. Ele me cumprimentou com um aperto de mão que me causou repulsa, úmido e pegajoso, enquanto usava força excessiva para espremer meus dedos. Encarou-me como um predador encara uma presa, com vontade de a destroçar, de a aniquilar, embora estivesse sorrindo e usando palavras gentis para me elogiar. Isso nunca tinha me acontecido antes, sentir um arrepio descendo pela minha coluna, enquanto ele mantinha mão presa entre as dele.

Três semanas depois desse encontro, meu diretor me chamou na sala dele e me deu a notícia.

- A partir de segunda-feira, você vai trabalhar diretamente com o Sr. Hasan. – comunicou ele, num tom de voz cauteloso, como de quem sabe que aquilo me reservava tempos menos tranquilos. – Esteja no escritório dele logo pela manhã, a secretária vai cuidar de tudo depois que conversar com ele. – acrescentou.

- Eu gostei muito de trabalhar com o senhor! Sou grato por tudo que me ensinou, pela paciência que teve para comigo! Muito obrigado! – agradeci

- Vou sentir sua falta, Serkay! Lamento que esteja nos deixando. – devolveu ele, visivelmente insatisfeito com aquele arranjo.

O senhor Hasan me fez esperar na sala da secretária dele por mais de três horas, antes de me receber. Parecia estar bem humorado, fez duas piadas sem-graça, para as quais ri junto com os três assessores que o acompanhavam, embora não tivesse achado graça alguma no que havia dito.

- Serkay, não é? – indagou, fingindo ter esquecido meu nome. Confirmei com voz firme e olhando diretamente em seus olhos. – Esplendida a sua apresentação meu rapaz, esplendida! Estou cercado por um bando de incompetentes aos quais pago verdadeiras fortunas e eles jamais me trouxeram um material tão bem produzido. – continuou, encarando os assessores que baixaram covardemente as cabeças, embora eu tenha para mim que o estavam xingando com um arsenal de palavrões em seus íntimos.

- Muito obrigado! Fico contente que tenha gostado do meu trabalho! – agradeci

- Não sei se já o informaram, mas você passa a trabalhar diretamente comigo a partir de hoje. Preciso de gente nova, de mentes puras ainda não contaminadas pela incompetência, de um rapagão bonito como você para embelezar meu entorno. – a fala dele era vulgar, a maneira como me olhava me fazia sentir um objeto, e não alguém cuja capacidade ele queria desenvolver.

- E como o senhor quer que eu me posicione para isso? Devo montar uma equipe ou serei apenas eu, seguindo suas ordens? No que especificamente pretende que eu atue? – questionei, visto que nada havia ficado definido nessa transferência.

- Será apenas e tão somente você, colado em mim 24 horas por dia, sete dias por semana! – respondeu, com um risinho sarcástico, antes de um dos assessores o lembrar, também fazendo piada, que havia leis trabalhistas a serem respeitadas.

- Eu quero que as leis se fodam! Eu faço as minhas próprias leis dentro das minhas empresas! – respondeu o Hasan. – Brincadeira, meu rapaz! Não faça essa cara de assustado! Só vou me aproveitar de você dentro das leis desse país, não tenha medo! – emendou ligeiro. – O que quero dizer com isso, é que estará inteiramente ao meu serviço e de ninguém mais, estamos combinados?

- Sim, senhor! Entendi! – respondi, embora ainda não tenha entendido que trabalho seria esse, era esperar para ver.

Passei os três meses seguintes feito uma sombra do Hasan, onde ele estava, lá estava eu. Não demorei a perceber que não estava aprendendo nada de novo; na verdade, me sentia estagnado e, em alguns aspectos, até retrocedendo, uma vez que virei um serviçal de seus caprichos. Já não era mais a secretária quem lhe trazia o café, quem atendia suas ligações e filtrava as que seriam atendidas, quem fingia não perceber ele se encostando atrás de mim, quem devolvia um sorriso amarelo quando ele passava a mão pelo meu rosto de maneira licenciosa, após tirá-la de dentro da braguilha onde vivia ajeitando a rola. Eu me tremia todo cada vez que ele dava uns apertões na pica esticada durante ereções constantes e nada discretas. Tudo isso só confirmava a primeira impressão que tive dele, um homem machista e grosseiro que se valia do poder e da riqueza para subjugar os outros.

Houve uma ocasião na qual cogitei pedir demissão depois de ele me dar uma encoxada acintosa na frente de uns clientes ao final de uma reunião que o deixou particularmente tenso. Foi pura demonstração de dominância, sabedor que eu não reagiria, tanto devido a nossa diferença de idade, quanto pelo seu status de patrão. A intenção dele foi me humilhar diante de todos, em resposta aos elogios que dois desses empresários fizeram ao meu trabalho de compilar numa planilha de fácil entendimento com toda a proposta da transação. No final do expediente, por sinal bem avançado na hora, quando me encontrava a sós com ele, cheguei a entrar no assunto. Porém, ele me interrompeu logo nas primeiras frases, não me dando chance de pedir a demissão.

- A partir de amanhã você passa a morar na minha casa! – começou ordenando. – Não tolero atrasos e este mês já foram dois! Preciso dos relatórios, das informações e fico à mercê de sua boa vontade em chegar ao trabalho! – despejou, se mostrando irritado, apesar da inverdade que estava afirmando.

- Me perdoe, Sr. Hasan, mas nesses três meses que estou trabalhando diretamente com o senhor, eu nunca cheguei atrasado. Fico diariamente a sua espera pra iniciarmos a jornada! Aliás, desde que fui contratado nunca cheguei sequer um minuto atrasado ao trabalho. – afirmei, encarando-o.

- Está me chamando de mentiroso, moleque? Não faz mais que sua obrigação esperar por mim, ou quer subverter a ordem das coisas na minha empresa? – questionou irritado.

- Não foi isso .... – levei um susto com o soco que ele desferiu na mesa.

- Está me contradizendo? – perguntou desafiador.

- Não senhor!

- Ainda bem, para sorte sua! – exclamou triunfante.

- Eu só queria deixar claro que nunca me atrasei! – exclamei, num rompante de ousadia e raiva.

- Isso sou eu quem decide! Por hora, trate de providenciar a sua mudança para a minha casa, vou precisar dos seus serviços e não quero depender de horários pré-fixados. – sentenciou, dando como certa essa mudança.

- Eu tenho uma família e responsabilidades para com eles, Sr. Hasan! – devolvi. – Ademais, não me sentiria confortável invadindo a privacidade da sua família. - aleguei

- Arre, que hoje você resolveu me tirar do sério, o?lan orospu çocu?u! (= moleque filho da puta)! – berrou que deu para ouvir no andar inteiro. – Só faça o que estou mandando, é muito para você? – emendou, enquanto eu, estático, apavorado por nunca ter sido tratado daquela maneira, me encolhi todo diante dele, fazendo surgir uma expressão de vitória naquela cara arrogante.

Quando fui resolver algumas questões fora da sala, todos estavam me encarando num misto de pena e solidariedade, o que me fez sentir ainda mais humilhado.

No final daquele dia, tive que seguir com ele para sua casa, onde fui recebido com desconfiança e surpresa pela esposa dele, Gizem. Eu nunca a tinha visto, embora ela fosse uma figura tarimbada na sociedade aparecendo constantemente nas revistas de fofocas, e tenha dado as caras na empresa algumas vezes deixando uma péssima impressão nas pessoas. Era uma mulher de 40 anos, portanto, bem mais jovem do que o Hasan, que usava uma maquiagem exagerada, e estava enfeitada de joias caras que mais pareciam penduricalhos de gosto duvidoso.

- Boa noite, senhora! – cumprimentei constrangido. Ela só grunhiu uma resposta.

- O que significa isso, Hasan? – perguntou, ao ver a mala que eu trazia comigo.

- Este é o Serkay, meu assessor pessoal! Ele vai passar a morar conosco, providencie um dos quartos para alojá-lo! – respondeu secamente o Hasan, a deixando perplexa e furiosa.

- Podemos conversar no escritório? – perguntou ela

- Se for em relação ao Serkay, não temos nada o que conversar! Sou eu quem toma as decisões nessa casa! E, se for mais alguma das suas lamurias, guarde-a para si, que tive um dia cheio e não tenho mais paciência para ouvir sua voz! Trate apenas de providenciar o que mandei! – respondeu ele, me deixando ali parado no meio da sala feito uma estátua.

- Ceren, leve esse rapaz para a casa de hóspedes, e providencie tudo o que ele pode precisar!

- Sim, senhora! – respondeu a criada jovem e espevitada que me examinou da cabeça aos pés e deve ter me achado atraente porque começou a rir feito uma garota deslumbrada. – É parente do senhor Hasan? Vai ficar hospedado por muito tempo? Eu sou a Ceren, pode me pedir tudo que precisar. – desembestou a falar, assim que me guiou em direção a uma construção anexa e independente da casa principal através do enorme e bem cuidado jardim.

- Prazer, Serkay! Creio que não vou precisar de muita coisa, mas obrigado.

- Então sua estadia será curta? – senti que tinha que ser discreto e falar pouco com ela, pois tinha a certeza de que espalharia aos quatro ventos tudo que lhe caísse nos ouvidos.

- Talvez! – respondi, lacônico.

- O jantar é serviço às 08:00h em ponto quando o Sr. Hasan está em casa, e vou logo avisando, ele fica uma fera se alguém se atrasa. – informou ela.

- Estou sem fome! Vou arrumar minhas coisas e deitar cedo, não se preocupe comigo.

- Como o senhor quiser!

- Por favor, me chame apenas de Serkay, ok?

- Ok, Serkay!

Faltavam menos de cinco minutos para as 08:00h quando a Cerem ligou para o meu quarto, toda alvoroçada.

- Senhor Serkay! Quer dizer, Serkay! O Senhor Hasan mandou chamá-lo para o jantar, e acho que seria melhor o senhor vir o mais rápido possível, pois ele está espumando de raiva. – informou ela.

Me vesti às pressas e fui ter com eles. O Hasan continuava de mau humor sentado à ponta da mesa, a Gizem não estava muito melhor, sentada ao lado direito dele. Foi ela quem me apontou o lugar à esquerda dele, enquanto duas criadas tratavam de trazer a comida.

- É bom que saiba que as refeições são sagradas nesta casa, não tolero atrasos! – disse ele, sem olhar para mim.

- Sim, senhor! Eu havia dito à funcionária que estava sem fome.

- Com fome ou não, quero-o à mesa! Se tiver um assunto urgente a tratar vou tratar com quem, com os talheres? – esbravejou, me fazendo perder o apetite de vez.

O silêncio era sepulcral, apenas meia dúzia de frases grunhidas entre eles de quando em quando, o que traduzia o clima reinante naquela casa.

- Gostou do seu quarto? Se precisar de alguma coisa fale diretamente com a minha mulher, ela mandará providenciar. – disse ele para provocá-la.

- Está tudo ótimo, obrigado! – respondi

- O que pretende trazendo um estranho para dentro de casa? Não bastam os problemas que já temos? – perguntou a Gizem.

- É você que tem problemas, minha querida! Talvez esteja te faltando um pouco de sociabilidade. Aqueles seus compromissos com seu bando de amigas desocupadas e fúteis não lhe permite socializar como se deve. É por isso que todas as reuniões e festividades que programamos nessa casa, sempre se mostram um verdadeiro fracasso. Você é uma péssima anfitriã, minha querida esposa! – a ironia na voz do Hasan a deixou furiosa. Ela lançou os talheres sobre a mesa e se levantou para a deixar. – Não me vire as costas, eu estou falando com você! – gritou ele, ela continuou caminhando e desapareceu. Eu só queria poder evaporar no ar.

Dei umas garfadas na comida, mas ela não descia pela garganta. Findo o jantar ele me levou a uma saleta menor e fechou a porta, me ofereceu um licor que recusei e sentou-se ao meu lado num pequeno sofá de dois lugares ao lado da lareira.

- Tenho grandes expectativas em relação a você, Serkay, espero que me corresponda! – começou ele.

- Vou dar o meu melhor, senhor Hasan!

- Tenho certeza que vai dar! – exclamou, voltando a fazer aquele gesto que eu tanto abominava, apertar o cacete e com essa mão acariciar meu rosto.

A mansão dominava uma colina e seus jardins se estendiam até o mar, numa das áreas mais luxuosas e exclusivas de Istambul. Havia um batalhão de seguranças rondando constantemente a propriedade, e eu vi naquilo um exagero que, no entanto, me levou a suspeitar que os negócios do Hasan podiam não ser todos tão idôneos como a holding fazia parecer. Ele não dava um passo sem que dois brutamontes enormes o seguissem feito sombras. Suat e Taygun eram ex-militares e tinham vasta experiência em eliminar pessoas ou com suas próprias mãos ou com as pistolas que nunca tiravam de vista. Também tenho que admitir que eram dois tesões de machos com aqueles corpões musculosos e aquelas caras mal escanhoadas que os deixavam com uma aparência bruta e selvagem. Eu tinha pouco a falar com eles, apenas uma ordem ou outra que o senhor Hasan me mandava transmitir, mas ao ouvir suas vozes graves e roucas, meu cuzinho se assanhava todo. Eles pareciam gostar quando eu lhes dirigia a palavra, abriam um sorriso espontâneo e, salvo eu não estar enganado, sentiam uma atração quase irresistível pela minha bunda carnuda, para onde focam os olhares até eu os flagrar, deixando-os a ajeitar as picas nas calças.

- É a primeira vez que fico com a rola trincando de tão dura quando vejo a bundinha gostosa de um molecão! Se ele me der mole, meto-lhe a piroca até o talo naquele rabão tesudo! – ouvi o Suat sussurrar para o Taygun quando pensaram que eu havia entrado no escritório do Hasan, mas começava a voltar por ter esquecido uma pasta no carro.

- Até onde eu pensava, sempre só me senti atraído por garotas, mas esse molecão também me tira do sério com essa bundinha arrebitada. Você acha que ele pode ser chegado numa pica? – retrucou o Taygun

- Está aí algo a se investigar! Jeitosinho, cheiroso e bonito ele é, até demais para ser macho! – devolveu o Suat.

- Deixa o Hasan ouvir essas barbaridades, vão os dois para rua no mesmo instante! – exclamei, deixando-os constrangidos.

- Deu para ficar ouvindo atrás das paredes? Eu hein! – exclamou o Taygun

- Sejam mais discretos na próxima vez, e contenham os ânimos, se não quiserem entrar numa enrascada! – sugeri rindo.

- Com você por perto fica difícil conter os ânimos! Já que ouviu nossa conversa pode esclarecer a nossa dúvida! – disse o Suat.

- Safados! Esperem sentados para não se cansarem! – devolvi

- Meio salário que sim! – exclamou o Suat para o Taygun, ao mesmo tempo que me exibia sua ereção consumada, o que me fez rir e sentir um arrepio gostoso no cuzinho.

Outro personagem que não posso deixar de mencionar é o Bekir, o motorista do Hasan que talvez fosse o cara que melhor conhecia o patrão, pois sempre estava a par de cada passo que ele dava. Quando fui apresentado a ele pelo próprio Hasan juntamente com a ordem de o contatar diretamente toda vez que ele precisava se deslocar, achei estranho um cara tão bem apessoado, grandão e forte se sujeitar a ser o motorista de um sujeito tão sem escrúpulos como o Hasan; ele certamente poderia ter uma ocupação bem melhor onde não seria tratado com tanta insensibilidade. Eu gostei dele logo de cara, e não só porque tinha aqueles olhos verdes que, ao me fitarem, me faziam sentir que estava nu. O rosto anguloso, a barba densa não escanhoada, os ombros largos que formavam um trapézio invertido com aquele tórax sólido, os braços musculosos e as coxas grossas que davam a impressão de escarçar o tecido das calças a qualquer movimento mais extremo e, aquela expressão de macho safado, formavam um conjunto de deixar qualquer gay com o cuzinho sonhando com a rola volumosa que parecia não caber entre suas pernas fazendo com que caminhasse com elas sempre bem abertas. Pela maneira como tratava as pessoas, notava-se que era um daqueles machos protetores, sempre disposto a ajudar, a mitigar o sofrimento alheio, especialmente em se tratando de uma mulher, embora também o fosse comigo.

Antes de me mudar para a casa do Hasan quase nunca tivémos a oportunidade de conversar, uma vez que na maioria das vezes o Hasan estava dentro do carro durante nossos deslocamentos. Isso não impedia o Bekir de ficar me espionando pelo retrovisor interno e, de quando em quando, esboçar um sorriso amistoso. Com a mudança, tive mais oportunidades de conversar com ele na cozinha, onde ele ia filar qualquer coisa que a cozinheira estivesse preparando e se informava do que estava acontecendo dentro da casa. Não demorou para a Ceren notar como ele secava a minha bunda nessas ocasiões, quando lhe dava um tapa na cabeça mandando-o deixar de ser tarado. Ele apenas ria, dizia que ela estava vendo coisas que não existiam por ser uma safada.

- Você sabia, Serkay, que esse pilantra não tira os olhos da sua bunda e que aquela coisa enorme entre as pernas dele fica dura quando faz isso? – provocava a Ceren para se vingar por ele a chamar de safada, coisa que ela realmente era, pois parecia ter um fogo interno que deixava sua vagina excitada com qualquer insinuação sexual.

- Deixa de maluquice, Ceren! Fica inventando coisas só para deixar a gente numa situação embaraçosa! Por que não vai caçar o que fazer? – devolvia ele revoltado, enquanto ajeitava a ereção que ela havia denunciado.

- Maluquice, é? Então tira essa mão daí e prova que não está excitado depois de não ter tirado esse olhar de peixe morto da bunda do Serkay! Prova, seu malandro!

- Pronto, meu apetite se foi! Fique aí com suas invencionices, e me esquece! – esbravejava ele, saindo da cozinha pisando firme.

- Volta aqui, Bekir! Não dê ouvidos a Ceren, ela só está gozando com a sua cara! Vem, senta aqui e termina o seu lanche! – intervinha eu, apaziguando os ânimos. Ele voltava resmungando, mas contente por eu intervir a seu favor.

- É por isso que ele está assim, Serkay, você o mima demais! – devolvia ela, despeitada.

- Isso ainda vai acabar em casamento! Vocês dois brigam feito cão e gato, por que se amam. – afirmava eu.

- O quê? Eu gostar desse traste mulherengo safado? Jamais! – exclamava a Ceren, o que me fazia rir. – E você, se quer um conselho de graça, não dê mole para esse pilantra se quiser manter a integridade dessa sua bundona! Por Alá, que me perdoe, muita mulher queria uma bunda como a sua!

Quem colocava um ponto final nessas discussões era a senhora Türkü, a governanta da casa que, dos seus cinquenta e poucos anos guiava aquele bando de empregados com mão de ferro.

- É melhor o senhor não incentivar esses dois, senhor Serkay! Eles já são folgados demais, sem sua ajuda! – recriminava ela, me tratando sempre com aquela formalidade, apesar de eu já a ter orientado a não o fazer.

Eu tinha para mim que a Türkü sabia muito mais da história do Hasan e dos segredos daquela família do que ela deixava transparecer, uma vez que o próprio Hasan ficava cheio de cuidados e escolhia muito bem as palavras antes de falar com ela, mesmo quando estava furioso. O que também me chamou a atenção assim que cheguei à casa, foi o olhar que me lançou, como se já soubesse de antemão os problemas que eu teria que enfrentar naquela mansão, pois havia uma expressão de condoimento embutida nela.

Após o jantar tumultuado, fui para o meu quarto certo de haver tomado a decisão errada ao aceitar me mudar para aquela casa. Eu devia ter sido mais firme na minha resposta, dito simplesmente que não, e pedido demissão, como estava sendo meu desejo desde que passei a trabalhar diretamente com o Hasan.

Fazia uma noite quente, mesmo cansado e tendo me jogado na cama só de cueca, não conseguia pegar no sono. Havia algo dentro de mim me angustiando. Entre um cochilo rápido e outro, percebi assustado que não estava mais sozinho no quarto e procurei afoitamente pelo interruptor da lâmpada de cabeceira. Assim que o quarto se iluminou, o vulto escuro se materializou na presença do Hasan trajando um robe e lançando olhares cobiçosos sobre meu corpo quase nu.

- Senhor Hasan! O que .... o senhor precisa de alguma coisa? Como entrou aqui? Eu estou praticamente .... No que posso ser útil? – eu nem sabia mais o que dizer, de tão assombrado que fiquei com aquela invasão de privacidade àquela hora avançada da noite. Eu não sabia se aquele risinho com o qual me encarava tinha más intenções, mas mesmo assim, meu corpo estremeceu todo.

- Então é assim que você dorme? Muito sensual essa sua cueca? São todas assim? – perguntou ele, aproximando-se lentamente da cama, onde rapidamente me sentei e me cobri com o lençol.

- Eu .... eu .... eu .... – gaguejei temeroso. – Se me der licença eu vou me vestir e vou ter com o senhor em alguns minutos, pode ser?

- Não quero que se vista, quero observar toda essa beleza, tocar nela, deixar que ela me excite! – devolveu ele, abrindo o robe e me exibindo seu corpanzil peludo e nu.

- O senhor não pode .... Por favor, senhor Hasan! O que quer de mim? – eu me preparava para sair correndo em direção ao banheiro, mas ele detectou minha intenção e bloqueou o caminho.

- Como eu disse quando veio trabalhar para mim, 24 horas por dia, sete dias por semana! – exclamou cínico e arrogante.

- Eu não quero .... eu precisoAcalme-se, está parecendo uma gazelinha assustada e isso só me deixa ainda mais excitado, como pode comprovar! – o pauzão grosso dele ia se empinando feito um poste, enquanto eu engolia em seco, só pensando em fugir dali. – Chupa a minha pica, moleque! Mama meu cacete, seu veadinho tesudo, que eu já estou sabendo que você é chegado numa rola de macho. – disse ele, todo emproado.

- Eu não .... Ai senhor Hasan, eu não sou .... – ele me interrompeu.

- Não negue! Não minta para mim! Sei que anda com um machinho com o qual está se engraçando e que deve estar aproveitando bastante dessas nádegas polpudas. Vem cuidar do meu caralho, vem! Mandei fazer um dossiê e sei de tudo sobre você, só por garantia de não me vir com surpresas. Gosto de saber quem trabalha para mim! – afirmou.

- Eu peço demissão, senhor Hasan! Não quero mais continuar nesse emprego! – afirmei resoluto

- Sou eu quem decide se você continua ou não nesse emprego! Já devia saber disso, e que não gosto quando um dos meus empregados pede demissão. Sou eu quem demite os empregados, não o contrário! E você vai continuar fazendo seu trabalho conforme combinamos, com mais alguns pequenos acréscimos e favores extras! Afinal, você depende disso, sua mãe viúva, seu tio coxo e sua irmã dependem de você se mostrar um funcionário muito dedicado e prestativo, não é? – aquele homem havia mandado vasculhar minha vida e da minha família e conhecia nossas dificuldades. – Você não vai querer que nada de ruim aconteça com eles, não é mesmo, Serkay?

- Não, não senhor! Não quero! – balbuciei, começando a tremer feito vara verde quando as mãos daquele homem tocaram meu corpo e arriavam minha cueca.

Ele me apalpou com voracidade, bolinou minha bunda, abriu minhas nádegas e examinou excitado a rosquinha rosada incrustada no reguinho liso. Ele suspirava ruidosamente, o polegar tateava sobre as preguinhas anais e, mesmo contra a minha vontade, elas se excitavam com aquele toque impudico. Ao mesmo empo em que amassava meus glúteos, ele enfiava a cara barbuda entre eles e lambia devassamente minhas pregas, espalhando saliva e forçando a ponta da língua contra o cuzinho. Chegou um momento em que um suspiro agudo escapou dos meus lábios, denunciando o tesão que se instalava em meu corpo. O Hasan ficou eufórico com esse suspiro, ficou de joelhos próximo à minha cabeça e pincelou o cacetão melado no meu rosto, fazendo com que seu cheiro almiscarado de macho adentrasse pelas minhas narinas.

- Mama, Serkay! – ordenou, com a mesma frieza que costumava me dar as ordens cotidianas.

Fechei timidamente a mão trêmula ao redor do cacetão grosso e o levei à boca, sugando o sumo viscoso que ele despejava. O Hasan grunhiu alto, me agarrou pelos cabelos e socou meu rosto conta sua virilha, fazendo-o afundar no chumaço de pentelhos grossos. O pauzão foi parar na minha garganta, me sufocando, enquanto eu procurava desesperadamente chupar aquela tora de carne quente que pulsava na minha boca.

- Lambe meu saco! Gosto que acariciem minhas bolas! – disse ele, me obrigando a seguir suas instruções.

Por cerca de um quarto de hora me dediquei a cuidar daquela estaca troncuda revestida de nervuras salientes, me esforçando para não chorar na frente daquele macho inescrupuloso e dominador. Ao pressentir que ia gozar, ele voltou a agarrar meus cabelos, puxou minha cabeça para trás e apontou a cabeçorra para a minha boca.

- Abre a boca! – ordenou, antes de soltar um urro. – Engole! – engoli os cinco jatos seguidos do esperma leitoso que ele ejaculou, urrando e grunhindo selvagemente. Controlei os engulhos me forçando a engolir aquele líquido pegajoso de sabor alcalino. – É assim que eu gosto, bem obediente e submisso! – exclamou, após eu engolir o último espirro e lamber a cabeça melada do pauzão.

A revolta dentro de mim despertou um ódio ferrenho, uma gana de estrangular aquele homem com as minhas próprias mãos, algo que minha índole pacífica e sensível jamais havia experimentado.

O Hasan me posicionou de bruços, deixou seu peso cair sobre mim e ficou se esfregando na minha bunda, deslizando a verga semirrígida no meu rego estreito, enquanto sussurrava obscenidades junto com as fungadas que dava na minha nuca. Meu corpo tremia debaixo do dele, o que o excitava e lhe dava a prazerosa sensação de posse.

- De quatro! Ajoelha de quatro e empina esse rabão para levar pica no cu! – voltou a ordenar, embora o pauzão não estivesse alcançando a rigidez necessária para me penetrar, deixando-o impaciente e agressivo.

Ele batia o cacetão sobre meu cuzinho e enfiava o polegar dentro dele, me arrepiando todo e me fazendo arfar acelerado. Obediente e servil, eu aguardava angustiado o momento em que aquela coisa grossa ia me arregaçar quando, de repente, o celular dele caiu do bolso do robe começando a tocar. A tela iluminada mostrou – YAVUZCAN – e rapidamente o Hasan me soltou, atendeu a ligação e apenas disse – Faça o que tiver que ser feito, mas faça-o pagar pelo erro – desligou, olhou na minha direção com uma expressão de raiva, fechou o robe cobrindo o sexo murcho e saiu do quarto batendo a porta. Ao mesmo tempo em que respirei aliviado por não ter sido penetrado, caí num choro convulsivo. Foi por pouco, dizia minha mente, foi por pouco.

Passado o medo, concentrei-me naquele nome, Yavuzcan. Quem seria essa pessoa a ligar no celular dele às quatro e tanto da madrugada? Eu tinha a agenda completa do Hasan, para todos com quem ele mantinha contato e esse nome não constava nessa agenda, nem ele o havia mencionado, tornando a questão ainda mais intrigante. Depravado como era, bem podia ser uma amante, pois naqueles colhões enormes que eu acabara de conhecer parecia arder um fogo incontrolável. Ou seria algum funcionário de uma das empresas, já que eu não conhecia a todos; ainda mais que ele ordenou que fizesse a pessoa pagar pelo erro, o que não seria o caso de uma amante, eu supus. E por que a raiva? Se bem que não precisava muito para aquele homem virar o bicho, mas a expressão dele ao me encarar ainda debruçado de quatro com as pernas abertas lhe exibindo a rosquinha anal, não tinha a ver comigo, mas com algo relacionado aos negócios, a um prejuízo ou algo do gênero, pois já a tinha visto uma vez quando uma das empresas passou por uma devassa fiscal dos agentes do governo.

Assim que o Hasan saiu do quarto, com a minha mente tentando entender aquela ligação, tive que correr para o banheiro com o estômago embrulhado e expelir seu conteúdo junto com o esperma que acabara de engolir. Enfiei-me sob a ducha, mas o cheiro daquele homem parecia ter se impregnado na minha pele, não desaparecendo por mais que eu me esfregasse. Começava a amanhecer, a agitação me fez perder o sono e fiquei deitado na cama remoendo tudo aquilo. Tão logo o céu começou a clarear, liguei para casa para ter certeza de que todos estavam bem.

- Dois sujeitos enormes e mal encarados estiveram aqui no início da noite passada. Fizeram muitas perguntas, queriam saber das nossas vidas, até sobre Sultanhistar quiseram saber. Seu tio e eu não quisemos dar informações, mas fomos ameaçados, eles disseram que a sua integridade dependia das nossas respostas. Seu tio Aziz perguntou a mando de quem estavam nos ameaçando, mas eles apenas disseram que se quiséssemos manter você no emprego e sem nenhum arranhão, devíamos colaborar sendo bem sinceros nas respostas. – revelou minha mãe, ainda assustada. – O que está acontecendo Serkay? Isso tem a ver com essa sua repentina e inexplicada mudança para a casa do seu patrão? Me diga, meu filho, estão te maltratando nesse emprego? Se for esse o caso, peça demissão, você não precisa se submeter a esse tipo de tratamento, você foi um aluno brilhante na faculdade, não faltarão outras oportunidades de emprego. – disse ela, em sua inocência sobre tudo o que estava acontecendo comigo.

- Eu sei, mãe! Não se preocupe comigo, está tudo bem! Se esses homens voltarem procurem falar o menos possível, inventem alguma coisa se preciso, mas não deem muitas informações sobre nenhum de nós, ok! – respondi, confirmando minha suspeita de que o Hasan tinha mandado vasculhar a nossa vida para ter mais controle sobre mim. E eu até sabia quem foram os dois que ameaçaram minha família, Suat e Taygun.

Sentado à ponta da mesa do café da manhã, o Hasan parecia bem humorado com aquele seu sorriso enigmático que expressava tudo, menos alegria. Primeiro começou a provocar a Gizem que tentava esconder sob a maquiagem pesada e a franja do cabelo o hematoma arroxeado abaixo do olho direito, e o inchaço no lábio inferior coberto com um batom vermelho escarlate que a impedia de comer sem sentir dor. Nada me tirava da cabeça que ela havia apanhado do Hasan depois daquele rompante em que saiu da mesa jogando os talheres e não obedeceu a ordem para voltar. Foi por isso que ele chegou ao meu quarto tão elétrico à procura de sexo, uma vez que tinha acabado de dar uma surra na esposa rebelde. Esse homem me deixava cada vez com mais medo à medida que o conhecia melhor, e sua capacidade de subjugar as pessoas. Depois, me elegeu como segundo alvo de suas falas provocativas, me perguntando se eu havia gostado do leite que ele havia me presenteado. Eu engoli em seco, olhei para a Gizem como se tivesse culpa do marido a ter traído comigo. Abaixei o olhar e fiquei em silêncio, não cabia em mim de tanta vergonha, mesmo não tendo provocado aquela situação.

- Eu te fiz uma pergunta, moleque! Quando eu faço uma pergunta quero uma resposta! O que foi, minha querida esposa aqui presente está te deixando encabulado? Não se preocupe com ela. Você é muito compreensiva, não é meu amor? – perguntou a ela, passando o polegar sobre o lábio inchado dela. Nunca senti tanta piedade por alguém como naquele momento, ao ver uma lágrima escorrendo de seu olho.

- Sim senhor! – balbuciei num tom de voz titubeante

- Sim senhor, o quê, moleque? Responda, gostou do leite que te dei? – insistiu, pegando minha mão apoiada sobre a mesa e a amassando com força.

- Gostei! – respondi, fazendo um esforço hercúleo para também não deixar uma lágrima vergonhosa descer pelo meu rosto. O Hasan soltou uma gargalhada sonora, enquanto a Gizem e eu nos entreolhávamos sabendo que éramos vítimas do mesmo carrasco.

Eu era medroso, o mundo me assustava. O fato de ser gay havia me ensinado a temer a homofobia, a me esconder para não sofrer nas mãos de pessoas que nos abominam. No entanto, isso não me impediu de começar a investigar aquele nome – YAVUZCAN – que ainda me intrigava. Minhas pesquisas mostraram tratar-se de um sobrenome não muito comum, e comecei a procurar na Internet por pessoas com esse sobrenome, particularmente as que moravam em Istambul ou nas proximidades, pois aquela pessoa que ligou para o Hasan não devia estar longe. Para isso pedi ajuda ao tio Aziz, ele tinha muitos contatos da época em que foi militar na Guerra Civil do Curdistão, e que ainda tinham acesso a diversos dados governamentais.

Nos arquivos da polícia de Istambul constava o nome de um empresário suspeito de envolvimento com o contrabando de armas militares. Contudo, mesmo após terem vasculhado suas empresas, nada de ilegal pode ser comprovado, mesmo a fortuna que havia acumulado não ser compatível com os balanços das empresas. Num contato pessoal com um ex-combatente da mesma divisão, que agora trabalhava num departamento da polícia, meu tio Aziz conseguiu descobrir uma ligação entre o Hasan e esse tal de Yavuzcan. Não havia nada de concreto, apenas suspeitas de que ele ocupava o cargo de gerente numa das empresas do Hasan que, no entanto, não tinha nada de ilícita. Mas, a partir dessas informações, eu passei a ter certeza de que o Hasan estava envolvido em coisas que precisavam ser escondidas e que justificavam todo aquele aparato de segurança à sua volta. Todos funcionários que ocupavam cargos mais altos nas empresas estavam na minha lista de contatos; por que o desse gerente me foi escondido? Perdendo a noção do perigo, me pus a investigar, tentando encontrar qualquer coisa que pusesse aquele homem frente a frente com a justiça.

O Suat e o Taygun estavam agindo diferente comigo, desde aquela madrugada em que o Hasan tentou me foder à força. Eu sabia que foram eles a ameaçar minha família e passei a tratá-los friamente.

- Está bravo conosco? – perguntou-me o Taygun certa noite depois de chegarmos em casa e o Hasan os ter dispensado. – Eu pensei que você podia ser tão generoso comigo quanto foi com seu patrão naquela madrugada em que ele foi ao seu quarto. – disse ele, revelando que mesmo quando ninguém suspeitava, eles continuavam vigilantes ao que acontecia naquela casa.

- Não faço ideia do que está falando! E estou bravo sim! Como queriam que me sentisse com os caras que foram à minha casa ameaçar minha família? O que nós fizemos para você? Eu nunca escondi nada do senhor Hasan, por que foram vasculhar a minha vida pregressa?

- Apenas cumprimos ordens! Você está na mesma condição, precisa cumprir ordens se quiser manter seu emprego e não ser perseguido depois. – respondeu.

- Saiba que fomos gentis com sua família. A ordem dele foi arrancar o máximo de informações a qualquer custo, e você bem sabe o que isso significa. Ele não gostou nem um pouco de não termos conseguido informações que podiam ser usadas para prejudicar vocês. Achou tudo muito normal e sem graça, segundo suas palavras. Juro que não queremos te prejudicar, Serkay. Pode não acreditar, mas gostamos muito de você e não faríamos nada para te machucar. – afirmou o Suat.

- Eu queria poder acreditar nisso! Se um dia confiei em vocês, isso é passado! – devolvi

- Quer dizer que nunca vai nos dar uma chance de chegar nesse tesão de bunda? Saiba que está sendo injusto e malvado! – disse o Taygun, numa desfaçatez quase hilária, quando me afastei deles sem responder.

O Hasan tinha duas filhas adolescentes do primeiro casamento que estudavam num colégio de elite na Suíça, voltado para membros da nobreza europeia e bilionários mundo afora. Elas vieram passar as férias com o pai. Ambas tinham a soberba como sua característica marcante; a mais nova num estágio que a fazia ser detestada, principalmente pela criadagem, a quem tratava como se fossem seus escravos. A mais velha era um pouco mais contida nesse aspecto e parecia ter muita afinidade com a senhora Türkü que ajudou a criá-las logo após a morte da mãe. Porém, nenhuma das duas suportava a Gezim. Primeiro por terem que disputar a atenção do pai com ela e, segundo, porque a achavam não digna de ocupar o lugar que fora de sua mãe naquela casa por ela ter uma origem humilde. A minha presença naquela casa foi motivo de espanto quando chegaram e se depararam comigo sentado à mesa na primeira refeição conjunta.

- Está se tornando muito benevolente, papai! – disse a mais nova. – Deixar um criado qualquer participar das refeições familiares nunca foi um hábito nessa casa! O que torna o .... como é mesmo o seu nome .... bem isso pouco importa, apto de participar das refeições como se fosse um membro da família? – indagou, encarando o Hasan com presunção.

- Tenho meus motivos! Quero que o tratem com o devido respeito e não questionem minhas decisões. – respondeu o Hasan que, apesar de demonstrar pouco afeto às filhas, tinha-as como seu mais precioso tesouro, mesmo que o clima entre eles não fosse dos mais pacíficos.

- Eu só me pergunto o que virá a seguir. Primeiro você traz uma orospu (=meretriz) para ocupar o lugar da mamãe, e agora esse u?ak (=empregado de baixo escalão) cuja função nem ouso perguntar. – disse a mais velha, fazendo o Hasan perder a compostura e esmurrar a mesa.

- Nunca mais ousem chamar a Gizem de orospu, ou vão se haver comigo! Acabei de pedir, não de pedir não, de mandar vocês tratarem o Serkay com respeito se não quiserem ter problemas, entendido! Ele é meu assessor pessoal, embora isso não lhes diga respeito! – vociferou furioso.

- Não somos obrigadas a aturar uma orospu nem esse u?ak, que muito provavelmente está te assessorando mais na cama do que nos negócios, convivendo tão intimamente conosco. – retrucou a mais nova que era a mais rebelde e não tinha freios na língua. Embora esse atrevimento lhe tenha custado uma bela bofetada estalada na cara, o que a deixou indignada e a fez sair da mesa xingando.

- Vi ser assim agora, vai esbofetear suas filhas e acolher essa gente? – indagou, voltando-se mais uma vez para o pai.

- Senta aí, Irmak! Senta aí agora! – gritou o Hasan, chegando a se levantar para trazê-la de volta à mesa, mas desistiu quando o encarei perplexo e assustado.

- Também perdi a fome! – disse a mais velha, seguindo os passos da irmã.

A Gezim e eu nos entreolhamos; sem dúvida estávamos vivendo o mesmo drama, a mesma opressão, ela apanhando do marido violento quando não seguia sua vontade, e eu começando a descobrir que meu papel naquela casa era o de amante de um homem poderoso e fogoso, e que estaria sujeito aos mesmos castigos se não o satisfizesse em suas carências sexuais.

Uma ligação no celular também tirou o Hasan da mesa, pois ele ao identificar quem estava ligando, seguiu em direção ao escritório. Houve um silêncio pesado entre mim e a Gizem enquanto engolíamos sem apetite o famigerado jantar.

- Como você pode ver, estamos no mesmo barco! Se pretende continuar nessa casa, acostume-se a esse tipo de tratamento, isso jamais vai mudar. – afirmou ela, me fitando com pena. – Olhe ao seu redor, está vendo essas obras de arte, esses quadros valiosos, você e eu somos a mesma coisa para o Hasan que esses objetos. Peças caras e bonitas que ele compra para exibir aos amigos, para mostrar seu poder e sua fortuna. Não passamos disso para ele, objetos bonitos com os quais ele desfila na sociedade; eu nas festas e eventos sociais, você dentro das empresas. Para ele não importam sentimentos, ele nos usa como objetos pelos quais pagou e dos quais espera um retorno sem questionamentos. – acrescentou ela.

- Não tenho escolha, vim a essa casa coagido, e fui ameaçado caso me atreva a deixá-la! – devolvi

- Pois então nem tente! Eu tentei uma vez e paguei caro por essa decisão! E, como pode ver, acabou não dando certo, voltei para a minha prisão de luxo. – revelou ela, sem que eu mostrasse interesse em saber quais foram as circunstâncias em que isso se deu, pois já não me importava mais.

Por sorte o Hasan passou a maioria das semanas com as filhas que ocuparam seu tempo e sua atenção. Tanto a Gizem quanto eu, respiramos aliviados por não termos que aturar aquele macho truculento em nossas camas. Durante as férias das filhas ele só me procurou uma vez. Foi pouco depois do jantar, eu estava terminando de compilar a agenda dele para os próximos dias nos quais ele me mandou cancelar uma série de compromissos para ficar com as filhas, quando ele veio aos meus aposentos, já completamente excitado por alguma razão. Ele usava um agasalho de moletom dentro do qual o pauzão duro formava uma barraca. Ele arrancou o tablet das minhas mãos, lançou-o sobre uma poltrona e me puxou para um beijo lascivo, aproveitando para enfiar a mão na bermuda e amassar minhas nádegas. Eu o empurrava para longe com a mãos espalmadas em seu peito tentando em vão escapar do assédio, pois ele redobrou as forças para me reter. Ele me fez debruçar sobre o encosto da poltrona, arriou minha bermuda e pincelou a cacetão no meu reguinho. Fui me agarrando à poltrona para suportar a penetração quando ele tirou os dois dedos do meu cuzinho com os quais estava me provocando. Ao baixar a calça do agasalho o caralhão saltou para fora, pesadão, mas não completamente rijo para consumar a penetração, o que o levou a esfregá-lo na minha cara e me mandar mamar a caceta molhada de pré-gozo. Inspirei fundo, contornei aos lábios à cabeçorra estufada e comecei a trabalhar o pauzão em toda sua extensão. Os rugidos dele ecoavam pela saleta com ele se entregando ao toque quente úmido da minha boca em seus genitais. Ele já havia tirado a pica da minha boca por duas vezes para protelar o gozo, porém na terceira tentativa não foi ligeiro o suficiente e os primeiros jatos atingiram meu rosto em cheio antes de ele socar o pauzão na minha garganta e me fazer engolir os demais.

- Lambe tudo! Lambe meu leite de macho, tesudinho! Ele vai te deixar bem dócil para você se entregar como eu quero, por inteiro, abrindo esse cuzinho para a minha caceta! – ronronava em êxtase, me observando limpar o pauzão com a língua.

Meu anjo protetor devia estar fazendo plantão ao meu lado, pois quando ele abriu minhas nádegas e quis enfiar o caralhão no meu cuzinho, bateram à porta antes de ele meter a estrovenga em mim. Ele descarregou um punhado de palavrões, era a segunda vez que ele não conseguia consumar a penetração no meu cu por interferência de terceiros.

- Senhor Hasan! Senhor Hasan! – chamou a voz da Ceren do lado de fora. – Senhor Hasan, o senhor tem uma visita aguardando no escritório. – completou ela. – Senhor Hasan, está me ouvindo, senhor?

- Quem diabos pode ser a essa hora? – perguntou ele, ainda hesitando se guardava o cacetão priápico na calça ou se o enfiava de uma vez no meu rabo lisinho que roçava seus pentelhos.

- Não sei o nome, senhor! Ele disse que é urgente e muito importante! – respondeu a Ceren.

- Diga que estou indo, vá anda! – retrucou frustrado o Hasan, guardando o pauzão na calça. – Quanto a você, me espere! Volto assim que possível para terminarmos essa brincadeira, e eu inseminar seu cuzinho! – exclamou, dando um beliscão no meu glúteo.

Salvo pelo gongo, mais uma vez, exclamei juntando as mãos e erguendo o olhar para os céus como numa prece. Por mais másculo e viril que o Hasan fosse enquanto macho, eu não queria sentir aquele pauzão se saciando no meu cuzinho. Não aquele homem que estava me dando cada vez mais asco à medida que o conhecia, não aquele homem incapaz de sentir um mínimo de carinho por alguém. Eu era um gay tolinho, romântico, que ainda sonhava encontrar o cara certo, o cara que despertaria em mim todo o amor que vinha guardando para ele junto com a minha castidade. No entanto, cada vez mais eu me convencia de que esse cara não existia que, pelo andar da carruagem, eu acabaria perdendo a virgindade das preguinhas anais sendo rasgadas por aquele machão truculento, mais dia menos dia.

Dois dias depois das filhas do Hasan terem voltado para a Suíça, estávamos saindo do edifício da holding já passado das 21:00h, pois os compromissos dele haviam se acumulado com a presença e as demandas delas. Segui o protocolo, avisei o Bekir para deixar o carro preparado e o Suat e Taygun de que estávamos descendo para a garagem. Eu nem havia percebido que começara a chover questão de umas horas atrás. Instalado ao lado do Hasan no banco de trás, contornamos duas esquinas para pegar uma avenida de múltiplas pistas que levava na direção de casa. Ele puxou minha mão para o meio das pernas abertas dele e me fez acariciar o volume que pulsava debaixo da calça. Olhei rapidamente para o retrovisor para ter certeza de que o Bekir não estava vendo o que acontecia no banco de trás do carro, mas vi que ele estava atento àquela sacanagem, mais do que no trânsito a sua frente. De repente, ele pisou fundo no freio, os pneus chiaram e o carro deslizou pela pista molhada indo colidir com um veículo que o fechou. Dele desceram dois sujeitos armados com metralhadoras que fuzilaram a blindagem. Eu soltei um grito e sem noção do que estava fazendo, dei um apertão no caralho do Hasan. O Bekir se preparava para dar ré em meio ao fluxo de veículos, enquanto no carro escolta, o Suat e o Taygun também desciam armados disparando contra os sujeitos. Um segundo carro emparelhou com o carro escolta bloqueando a fuga do Bekir, o que se ouviu foi uma saraivada de projéteis pipocando por todo lado. O Hasan me empurrou para o chão do carro e se deitou sobre mim empunhando uma pistola automática que não sei de onde surgiu, enquanto eu tremia e berrava por socorro, achando que não sairia vivo daquela emboscada. Não sei o que me deu quando pensei no Suat e no Taygun sob a chuva e na mira dos emboscadores e, subitamente, quis abrir a porta do carro para ver se eles estavam bem.

- Ficou maluco, moleque! Quer ser morto? – perguntou o Hasan, puxando minha mão de volta antes de eu acionar a fechadura.

- O Suat, o Taygun, eles estão lá fora, eles vão ser mortos! Não deixe que os matem, por favor, Hasan, não deixe! – implorei desesperado.

- Eles sabem o que estão fazendo, são profissionais! Deixe de histerismo! – ralhou comigo.

- Mas são homens, são homens que podem levar um tiro que vai acabar com a vida deles! – argumentei.

- Eles são pagos para isso! Agora acalme-se e fique abaixado, ou será você a levar um tiro.

De fato, o Suat e o Taygun sabiam o que estavam fazendo, a reação deles impediu o pior e, após um tiroteio sem sucesso, os sujeitos que nos emboscaram fugiram, os dois primeiros a pé, pois o carro deles teve todos os pneus perfurados pelos disparos do Suat e do Taygun, os outros dois entraram no carro e fugiram pela calçada no mesmo tempo em que se começava a ouvir o barulho das sirenes da polícia.

Eu ainda estava tremendo quando o delegado chegou à casa do Hasan, uma vez que ele era importante demais para ir a uma delegacia. O Suat estava bem, um tirou atingiu o colete dele e só havia uma marca roxa pouco abaixo da axila esquerda. Já o Taygun levou um tiro na coxa direita, não muito profundo, o projétil atravessou o músculo e saiu na lateral deixando uma ferida esgarçada. Quando vi a calça dele toda empapada de sangue fiquei desesperado, quis chamar o serviço de urgência, mas o Hasan me impediu.

- Vamos tratar dele em casa, chame o médico e peça a ele que vá nos encontrar lá! – ordenou.

O médico chegou minutos depois de nós, quando o Taygun já estava deitado em sua cama na ala dos empregados. Eu segurava um chumaço de gazes sobre a ferida e rogava para que nada de ruim acontecesse com ele. Nem mesmo o fato de ele ter ido à minha casa ameaçar minha família pesou naquele momento.

- Está doendo? Você perdeu muito sangue. – disse, olhando para ele para ter certeza que não ia desmaiar.

- Um pouco, queima! – respondeu ele. – Fique calmo, foi de raspão, tudo vai dar certo!

- Vocês podiam ter morrido! Acha que isso é certo? – perguntei, sem me importar com a presença do Hasan.

- Deixa de frescura, moleque! O médico precisa examinar a perna dele e com você aí atrapalhando vai ser impossível! Vá para a cozinha e peça que lhe preparem um chá calmante antes que acabe infartando! Vai, anda! - ordenou

- Eu quero ficar! Quero ajudar no que for possível! – respondi, deixando-o zangado.

- Por enquanto está mais atrapalhando do que ajudando! – revidou, me puxando para um canto do quarto.

Segundo o médico não havia necessidade de tratar do ferimento num hospital, depois de ele examinar e suturar os tecidos esgarçados na saída do projétil, recomendando a troca diária do curativo e a medicação que prescreveu.

- Eu me encarrego dos curativos, e de que ele tome a medicação nos horários corretos! – afirmei, depois do médico ter me orientado de como proceder.

- Você tem outras incumbências, vou providenciar que uma enfermeira venha fazer esses curativos. – disse o Hasan, depois de notar meu interesse em cuidar do Taygun.

- Vou fazer isso fora do meu horário de trabalho! Não se preocupe que não vou deixá-lo desassistido. – devolvi resoluto, deixando o Hasan contrariado e irritado por eu o estar retrucando na frente dos outros., o que acabou me custando um safanão.

- Está discutindo as minhas ordens? – perguntou, ao agarrar meu braço e me puxar para fora do quarto. – Ou está interessado em se insinuar para outro macho? – emendou, esmagando meu bíceps.

- Não! Estou apenas e tão somente me prontificando a fazer a troca dos curativos no meu horário de folga, e não vou abrir mão disso! – retruquei.

- Você deve se lembrar que firmou um contrato comigo para estar ao meu dispor 24 horas por dia, sete dias por semana; então eu me pergunto, que horário de folga é esse? – indagou, querendo me intimidar.

- E o senhor deve estar ciente que esse contrato não faz de mim um seu escravo! – devolvi

- Se eu não estivesse com tantos problemas nesse momento, eu ia te ensinar a não me responder e a não desafiar as minhas ordens, seu moleque atrevido! – revidou furioso, me soltando e seguindo em direção ao escritório onde começou a fazer uma série de ligações, ainda abalado pela emboscada que tentava solucionar.

O resultado imediato da tentativa de sequestro, homicídio ou, seja lá qual foi a intenção daqueles sujeitos que nos emboscaram, foi a contratação de um chefe de segurança que lhe fora indicado por um contato que o Hasan tinha junto ao alto escalão da polícia. Tuan é o nome do sujeito trintão parrudo que mais parecia uma muralha com seu tronco largo, ombros fortes e uma profusão de músculos que mal cabiam em suas vestes. Ele também fora militar do exército e, segundo apurei ao investigar seus antecedentes por conta própria, havia sido condecorado diversas vezes por sua atuação e especialmente por suas estratégias investigativas e de táticas na superação e derrota dos inimigos. Atualmente estava montando sua própria empresa de segurança, o que o levou a recusar as primeiras ofertas do Hasan que, no entanto, não poupou esforços e uma extraordinária quantia para tê-lo em seu staff. Ele já chegou apontando todas as falhas na segurança tanto na empresa quanto na casa, o que deixou o Hasan impressionado e decidido a contratá-lo a qualquer custo. Tornou-se o homem em que ele mais confiava, dando lhe carta branca para fazer todas as alterações que julgasse necessárias. A verdade é que o Hasan ficou apavorado com aquela emboscada e estava se empenhando em descobrir quem a arquitetou e eliminar essa pessoa de seu caminho.

Nas reformulações que fez, o Tuan acabou se metendo na vida e na rotina de todos nós, o que gerou alguns protestos e o tornaram uma pessoa malquista dentro da casa. Alojaram-no no mesmo anexo que eu ocupava, uma vez que havia dois quartos disponíveis e era o lugar mais privativo e confortável fora da mansão. Por um lado, detestei ter aquele homem vigiando e controlando todos os meus passos, por outro senti um alivio pois a presença dele no anexo acabaria com aquelas visitas noturnas que o Hasan me fazia para me submeter aos seus desejos sexuais. O Tuan havia determinado uma rotina para que não houvesse brechas na segurança, e essa rotina era tão específica e restrita que a gente se sentia constrangido e cerceado da própria liberdade. Numa noite em que voltei para casa mais tarde, após ter passado o dia com a minha família e ter aceito uma carona de um amigo (esse amigo era o mesmo que o Hasan havia mandado investigar antes de me trazer para a mansão, e que julgou ser meu namorado, por terem lhe informado que vivíamos tão grudados um no outro levantando suspeitas de que ele se esbaldava no meu cuzinho, uma vez que sua fama de garanhão corria por toda vizinhança, embora fossemos apenas bons amigos) que me levou de volta à mansão, tive meu primeiro embate com o Tuan.

- Os seguranças do portão me informaram que você autorizou a entrada de um desconhecido na casa, eu não deixei ordens expressas para ninguém não cadastrado entrar na propriedade? – perguntou autoritário.

- Não é um desconhecido, ele é meu amigo, conheço-o há anos! Não tema que nenhuma das suas regras foi violada! – respondi

- Se alguém não cadastrado entrou na propriedade com o carro e tudo, como que minhas ordens não foram violadas, ou você tem dificuldade de entender o quão importante é evitar que pessoas de fora conheçam o esquema de segurança da casa? – indagou, querendo me intimidar.

- Eu não tenho dificuldade de entender nada, seu arrogante! Se está insinuando que não sou inteligente o bastante para conhecer as regras da casa, devia se lembrar que estou aqui a mais tempo do que você, e de que trabalho direta e intimamente com o seu patrão; portanto, não me venha questionar subestimando minha capacidade. – revidei irritado.

- Pois de agora em diante limite-se a seguir estritamente as minhas ordens, por mais íntimo que você seja do nosso patrão! – retrucou ele, dando ênfase a palavra íntimo como se já soubesse do que o Hasan fazia comigo a portas fechadas.

A partir daí mal lhe dirigia a palavra, fingia não o ver, mesmo ele sendo um tesão de macho que havia me causado um arrepio gostoso por todo o corpo no dia em que fomos apresentados. Ele parecia estar imbuído da mesma determinação, quando não estava me desafiando ou contradizendo, me lançava olhares arrogantes com aquele par de olhos lindos e expressivos que deixavam meu cuzinho piscando de tão assanhado.

Quem não escondia a satisfação de estar sob meus cuidados era o Taygun. Conforme o prometido, eu fazia a troca do curativo diariamente com ele ainda acamado. Pelo projétil o haver atingido muito próximo a região inguinal, o curativo ficava a poucos centímetros dos genitais avantajados dele. A coxa musculosa e peluda dele havia sido tricotomizada ao redor do ferimento, mas ainda a deixava muito sexy e máscula. Era inevitável olhar para a estaca inquieta revestida por um emaranhado de nervos dentro da cueca quando minhas mãos estavam trabalhando a centímetros dela.

- Suas mãos são tão leves, os dedos longos e finos, o toque tão suave! – dizia o Taygun, enquanto a ereção ia crescendo debaixo da cueca me deixando cheio de tesão. – Você podia aproveitar para cuidar do meu cacete, ele anda tão carente!

- Carente ele vai ficar quando eu o torcer como se torce um pano molhado! Deixa de safadeza, seu... seu... tarado, sem-vergonha! – devolvia eu, fazendo-o rir e ficar mais excitado.

- Duvido que você seja tão cruel! Confessa que você só se ofereceu para cuidar do meu ferimento para ficar mais perto da minha rola. – tripudiava ele, ciente de que havia um fundo de verdade no que dizia.

- Pois fique sabendo que não estou nem um pouco interessado nesse troço! E, se continuar me provocando, vou dar um jeito dele não servir nem para essas vagabundas que você fica correndo atrás.

- Você está com ciúmes delas? Pode confessar, só estamos nós dois aqui! Admita que está louco de vontade de saborear isso aqui. – provocou, erguendo a cueca, o que fez a cabeçorra melada sair pela abertura da perna e espalhar o aroma másculo do pré-gozo.

Dei um tapinha de leve na ereção, com a boca salivando de vontade de chupar aquela chapeleta enorme. Terminei o curativo sob a fiscalização provocante dele e, quando o dei por terminado, ele segurou uma das minhas mãos, levou-a até o volumão que pulsava excitado e esperançoso e a foi introduzindo lentamente sob a cueca, me permitindo sentir o calor e intrepidez daquela carne excitada. Um frenesi se apossou de mim, o cuzinho em êxtase projetava as preguinhas anais abrindo a fendinha como se ela estivesse pronta para aninhar aquela tora de carne grossa.

- Me solta, Taygun! Alguém pode entrar, e você é um safado! – balbuciei, tentando resistir à tentação, ao tesão que me dominava.

- Sou safado sim, e desde que você veio trabalhar com o Hasan fiquei mais safado e louco para te ter em meus braços e entrar em você. – devolveu ele num sussurro tão sensual que aquebrantou minha resistência.

- Bobão, tonto, você está em recuperação, não devia estar pensando nessas safadezas. – afirmei, antes de sucumbir à tentação.

Ele baixou a cueca e me expôs o caralhão e saco taurino. Tomei-o delicadamente nas mãos, e o levei à boca, circundando suavemente meus lábios ao redor da chapeleta babando. O sabor adstringente do pré-gozo me instigou a sorvê-lo, a sugá-lo na origem, no largo buraco uretral por onde ele vazava aos borbotões. O gemido rouco e longo do Taygun se espalhou pelo quarto quando dei a primeira sugada naquele sumo delicioso.

- Tesão do caralho, Serkay! Eu sabia que você ia gostar da minha pica, seu veadinho gostoso! Chupa, tesudinho, chupa que ele é todo seu! – ronronava ele, enquanto eu me empenhava

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