CAPÍTULO 21
Eu me vi, de repente, em uma sinuca de bico...
A vontade era de dizer não, e deixar que ele decidisse. Depois da decisão poderia acatar ou ver o que faria.
Por outro lado, eu tinha certeza de uma coisa. A intenção dele era boa. Eu duvidava da dela. E ele já tinha me dado várias provas de sua maturidade e honestidade nessa relação louca.
Meu medo era dizer não, e ele enxergar em mim a insegurança que ele não demonstrava hora nenhuma. E isso sujar meu lado.
Eu gostava dele. Queria tentar, ficar com ele. E agora, isso...
- Daniel... Escuta aqui.
- Escuto.
- Sendo muito franco contigo. Não gosto nada da situação. Não duvido de você e da sua boa intenção. Duvido da dela.
- Mas tu nem a conhece direito.
- Ah, cara... Conheço as mulheres, velho. E tenho uma pergunta.
- Fala?
- Porque você não me contou?
- Porque não deu tempo. Eu ia te contar. O mais rápido possível. Até porque preciso dar a resposta prá ela, e dependia da sua.
- Bom, pelo que você falou, não dependia...
- Ela não sabe disso. Ela acha que depende.
- Você ia me perguntar?
- Claro né. Mas tu me surpreendeu com seu convite. Bruno, de boa. Se não houvesse essa possibilidade dela vir, hoje mesmo eu te diria que eu viria morar contigo. Não tenho medo de tentar. Nenhum. Mas tudo que te pediria é um tempinho maior... Duas, três semanas. Ela se ajeita, e tudo se resolve.
- Cara, ela quer um lugar prá ficar não é? Porque você não a deixa na sua casa, e vem prá cá?
- Bruno, ela quer uma casa prá ficar e apoio. É mais que uma casa.
- Sei...
- E minha tia não deixaria ela ficar lá sem mim. Aquela casa é um favor prá mim, não prá uma ex namorada.
Me deixei cair na cama. Deitei e fechei os olhos.
Ele se deitou ao meu lado.
Não falamos nada. Ele recostou a cabeça no meu peito, e ficou ali, abraçando minha cintura e olhando o teto. Eu virei meu rosto prá ele, e ficamos nos olhando por um tempo imenso, sem dizer nada. Respirei fundo, puxei seu rosto e dei um beijo rápido. Ele fechou os olhos e curvou as pernas, se colocando numa posição quase fetal, de frente prá mim. Passava a mão no meu rosto suavemente.
- Confia em mim, seu bobo. Eu te amo, não quero nem brincar com a chance de te perder. Sei o que estou fazendo.
- Eu confio em você Dani. Já te falei isso. Só acho que às vezes a gente precisa se preservar e não dar margens à surpresas desagradáveis cara... Nem todo mundo tem o coração que você tem...
- Por isso o mundo tá assim.
- É verdade. Mas eu sinto muito se eu não consigo ser tão bonzinho agora, cara. Eu podia fingir que tá tudo bem, e deixar as coisas acontecerem. Não consigo.
- Eu sei. Por isso que estou contigo.
- Bom... Vamos lá, tenho que te deixar em casa. Foi um dia e tanto.
Me levantei debruçado em seu peito ainda sem camisa, e ele veio junto. Me abraçou de pé, forte, sua cabeça em meu ombro. Ficamos assim um tempo, trocando carícias em nossas nucas.
- Beleza. Vamos. Não fica mal.
- Não tô mal. Tô ressabiado. Só isso.
Eu o deixei em sua casa, e mesmo sem ter tido a resposta, sabia qual seria. Ele não conseguiria dizer não, e Ana viria ficar com ele por algum tempo. Eu tinha que me preparar. Não seria fácil.
Tava morto de ciúmes. De dúvida. De receios...
E completamente apaixonado por ele.
Cheguei em casa e me joguei embaixo do chuveiro quente. Da minha cabeça não saía a imagem de seu rosto quando ele saiu do carro. Era um olhar pidão, meio que implorando para que eu confiasse nele e não colocasse tudo a perder.
Fui prá sacada e encostei ali. A noite estava fresca, a vida corria lá fora. Dois meses que estávamos juntos, que pareciam um ano. Tanta coisa tinha acontecido.
Passou pela minha cabeça aquele flashback completo...
Desde a primeira fase quando ele ainda estava na empresa. A forma que nos conhecemos, sua abordagem e camaradagem de início, com todo seu charme. As aventuras todas... Desde a balada com a Ana, passando pelo autorama, a praia, tudo que passamos no Rio, minha primeira experiência "a quatro", loja de shopping, aquela sacada.
Mas apesar de todas essas loucuras, os tantos momentos íntimos que tínhamos vivido também, que ele inclusive me surpreendia. Noites de papo cabeça, de sono sem sexo, de conversas francas, de favores trocados.
Percebi e me dei conta de como tínhamos, de certa forma e como ele mesmo tinha comentado, nos moldado um ao outro. Eu me via muito mais parecido com ele, mais louco, mais livre, porém ainda com minhas neuras e inseguranças...
Eu o via de certa forma mais comedido. Respeitoso por meus limites. Aquela necessidade inicial de se mostrar, me mostrar, e provocar mulheres e homens em qualquer lugar, tinha de certa forma se convertido em uma busca por prazer em lugares inusitados, em uma tentativa de me mostrar o lado bom de tudo isso e numa experiência dividida de tesão, paixão e descobertas.
Eu tava feliz como há tempos não me sentia.
Não ia desistir assim...
Que viesse a Ana. Se fosse de boa mesmo, ótimo. Rapidinho eu ia saber. Se fosse briga pelo amor dele que ela quisesse, era o que ela iria ter!
Meu celular tocou uma mensagem recebida.
"Tudo que quero é seu bem, e estar bem ao seu lado. Confia em mim. Te amo. Seu homem". Sorrindo, dormi. Conformado em não tê-lo comigo tão rápido assim...
Apesar da preocupação, os dois dias seguintes passaram tranquilamente. Eu me preparando psicologicamente prá chegada dela, que viria no final de semana, ele tentando me tranqüilizar de uma maneira muito esperta: Não tocando no assunto, tentando não dar a ele a devida importância. Ou realmente não dando a ele a importância que eu dava. Sei lá. Só sei que de certa forma funcionou. Eu "comuniquei" que aceitava a força que ele queria dar a ela, mesmo sabendo que isso não faria diferença na decisão que ele ia tomar - como ele tinha me alertado. Ele me "comunicou" que minha decisão teria sim feito a diferença, mas que estava feliz com o fato de eu confiar nele.
E assim ficamos.
Sexta Feira. Véspera da chegada. Duas da tarde e eu voltando do almoço.
Tocou meu telefone.
- Bruno?
- Não... Catatau.
- Seu bobo.
- Fala Dani... Beleza meu gatão?
- Eu tô legal, e você?
- Também. Voltando do almoço.
- Legal. Vai estar em casa que horas?
- Por volta das sete, aparece lá?
- Vou sim. Tava pensando em passar a noite contigo, e amanhã a gente ir cedo pegar a Ana na rodoviária. Pode ser?
- Hã... Claro. Pode sim. Te espero.
- Beijo molhado...
- Pego depois...
- Hehehe... Valeu.
Entrei no escritório e ouvi alguém me chamando...
- Bruno?
- Oi Marcão. Não te vi de manhã.
- Cheguei tarde. Tem dez minutos?
- Claro...
Marcão era um amigão. Nos conhecíamos a mais de oito anos, antes mesmo de trabalharmos juntos ali. Ele era o único que vinha acompanhando todo meu lance com Daniel, desde o início. E eu tinha aberto a atual situação com ele dois dias atrás.
Fomos até a cafeteria.
- E aí Brunão... Tô muito curioso brother, ela já chegou?
- Amanhã Marcão... Ele acabou de ligar. Vai prá casa hoje e amanhã a gente vai pegá-la na rodoviária. Seja o que Deus quiser.
- Já sabe hein, cara... Como te falei, fica esperto. Confio na sua intuição e confio no Daniel, mas fica bem esperto com ela. Não dá mole não!
- Fácil falar cara. Vou ter que sondar, tentar ver como a coisa anda, como ela vem. Tenho que me segurar prá que ele não fique decepcionado comigo.
- Tá certo, mas não engole tudo não. E me deixa a par do que rolar, combinado? De fora a gente enxerga melhor as coisas.
- Pode deixar, Marcão. Valeu mesmo pela força.
Dei um abraço forte.
- E aproveita hoje a noite, ok ?
- Hehehe... Pode deixar. Quer participar?
- Sai fora cara, ainda não evoluí tanto assim...
Rimos juntos. Marcão era o hétero mais friendly que eu conhecia. E um parceirão prá toda hora. Nos despedimos e fomos cada um pro seu andar. O dia passou rápido e consegui não pensar no assunto, nem no dia seguinte. Cheguei em casa, liguei o som e me larguei no sofá. Eu queria esperá-lo pro banho, e tava com preguiça de cozinhar. Pediria uma pizza e tudo beleza.
Ele chegou um pouco depois das sete, exalando aquela masculinidade e energia que me fascinavam tanto. O recebi com um beijo franco, e o convidei prá nos banharmos juntos.
- Ai, mas que delícia... Tava com tanta saudade do seu corpo.
- Só do meu corpo?
- Só não. Mas confesso que com MAIS saudade dele que da sua mente.
- Você...
- Acha ruim?
- Nem um pouco... Vem!
Nos despimos sem pressa, devorando-nos a cada movimento. E reservando todo o tesão acumulado para o que viria a seguir...
Eu acabei de tirar minha roupa, e me sentei no sofá, esperando por ele que ia mais devagar, parando às vezes prá me olhar. Ele terminou de se despir, se levantou e veio até mim. Sentou-se no meu colo de frente prá mim, pernas abertas, segurou meu rosto e o guiou para seu tórax.
Comecei beijando seus ombros, descendo pelo peitoral, agasalhando seus mamilos com a boca faminta. Minhas mãos desciam pelas suas costas, sua cintura, parando e apertando sua bunda linda. Ele se contorcia de olhos fechados, gemendo baixinho.
Aqueles mamilos na minha boca me fizeram lembrar Ígor...
Fomos nos inclinando, nos apertando e em segundos estávamos no chão. Eu recostado no sofá e ele descendo com seus lábios pelo meu corpo, até chegar a minha virilha. Lambia minha cintura, as minhas coxas, engoliu minhas bolas, segurou meu pau e batia uma punheta forte enquanto subia e descia com a língua pela base toda.
- Cara... que caralho lindo. E é meu!
- Tava com saudade?
- Muita cara. Sonho com ele todos os dias!
- Não precisa sonhar velho... Ele tá aqui. É real.
- Tô vendo cara, muito real.
Me deixei largar ali no chão, enquanto ele se dedicava ao meu cacete com destreza, carinho, cuidado e paciência. Era uma delícia vê-lo tendo tanto prazer em me dar prazer. O meu prazer era maior com o dele. Um círculo vicioso de necessidade de contentar um ao outro. Queria retribuir embora parecesse não ser necessário.
Apesar da vontade de ser egoísta e simplesmente aproveitar o momento, o desejo de retribuir o prazer foi maior... Desci com minhas mãos pelas suas costas, me inclinei e consegui alcançar seu pau com minha boca. Engoli tentando levar no mesmo ritmo, e com a mão explorava outros cantos de seu corpo. Ele demonstrou satisfação. Reagiu. Contorceu-se. Abriu-se. Gemeu...
- Ahahahah... Continua.
Continuei. Até explodirmos juntos num gozo que parecia querer nos brindar com força para encarar tudo o que cruzasse nosso caminho.
E o banho a seguir, juntos, lavou minha alma.
Refrescou minha cabeça. Eu estava pronto.
Era seis da manhã. E lá estávamos nós esperando por Ana na rodoviária. Ela chegou com uma mala até que pequena para uma mulher que estava disposta a ficar. Estava bonita, ela era bonita. Daniel a recebeu com um beijo no rosto, tímido, mas receptivo. Ela veio até mim e me cumprimentou. Não consegui notar nada em seu olhar, em seu jeito. Nem raiva, nem ciúme, nem mágoa, nem indiferença. Nada. O que me assustou.
- Bom dia meninos. Poxa, valeu pelo trabalho de vir até aqui.
- Nada Ana. Agradece ao Bruno que levantou mais cedo prá vir comigo...
Ele me olhou com um sorriso aberto, e me abraçou de lado.
Ela sorriu.
- Valeu Bruno. Obrigada mesmo.
- Que isso. Bem vinda.
- Obrigada.
- Bom gente, vamos loguinho, pois quero deixá-los em casa e tenho que correr pro trabalho.
- Ah, Bruno. Você vai tomar café com a gente, ao menos.
- Dani, posso engolir o café, e olhe lá. A gente se encontra à noite. Eu apareço lá.
CLARO que eu ia aparecer... Ia marcar presença prá que ela notasse que eu não estava brincando.
Fomos pro carro. Como que para enfatizar a situação, ele abriu a porta de trás, convidou-a a entrar, fechou-a educadamente e foi se sentar comigo na frente. Mãos na minha coxa. Falando com ela pelo retrovisor...
- Foi tudo ok de viagem?
- Hãhã... E vocês, tudo bem?
- Tudo em paz.
- Que bom.
- É...
Silêncio. Desconforto...
- E você Ana - não resisti - quais seus planos? Já tem alguma ideia...?
- Ah, já sim. Faço questão de te contar à noite, Bruno...
- Legal
Foi a primeira vez que pesquei em suas palavras e em seu tom de voz que sim, eu teria problemas.
CAPÍTULO 22
Eu os deixei em casa, engoli o café como combinado e saí prá empresa, louco de vontade de ficar, e cheio de dúvidas.
Que saco! Não queria estar daquele jeito. Eu confiava no filho da puta, mas ENTENDIA que era um risco, uma tentação e um perigo. Mas não podia fazer nada... Nada.
Ao me despedir, ele veio até a porta. Me abraçou sem censura na frente dela, me deu um beijo carinhoso e sussurrou no meu ouvido.
- Já sabe. Confia em mim. Te amo.
- Ok... Juízo.
- Vou tentar.
Dei um beliscão em sua bunda.
Fui trabalhar e tentei na medida do possível espairecer e me ocupar o máximo possível. Vez ou outra me lembrava, tentava esquecer e voltava ao início. Ele me mandou uma mensagem no meio da tarde, confirmando o convite e "intimação" para estar lá à noite. Eu iria, sim... Mas dormiria lá? Como conduzir isso? Dar um voto de confiança, mostrar que estava seguro não estando e voltar prá casa deixando-os lá ou marcar território nessa primeira noite, para deixar as coisas claras?
Isso iria ajudar ou atrapalhar? Sondar primeiro?
Abrir o jogo? Bater um papo franco com os dois?
Expor-nos assim?
Decidi que iria deixar a coisa rolar, e tomaria minha decisão de acordo com os acontecimentos da noite. Mais prudente assim.
Estávamos já no meio do jantar. O papo fluía tranqüilo, um clima até mais agradável do que eu pensava que podia ser. Daniel estava mais relaxado, menos tenso. Ana mais transparente, me parecia. Eu, mais alerta... Daniel, nada bobo que era, criou aquele momento que eu não sabia que queria ter. Inventou que tinha acabado a cerveja, e voaria no mercado na esquina. Tudo para nos deixar sozinhos. Saquei por sua piscadela, já na saída.
Eu e Ana sozinhos... Mais uma vez, desconforto.
Ela foi a primeira a falar...
Ela se levantou da mesa vagarosamente, me olhando de rabo de olho e se dirigiu à sacada. Encostou-se ali, olhando prá rua encostada no vidro. Era cena de novela.
- Ele é muito sedutor, né Bruno?
- ...
- É sim. Mais que sedutor eu diria. É um grande cara!
- Sim, é... Competente.
Eu me sentei no sofá, de frente prá ela.
- Competente? Não entendi Ana...
Ela me olhou com um sorriso estranho. Voltou-se para a rua novamente.
- A gente ia se casar Bruno. Ele te disse?
- Hã... Não.
- Claro que não. Mas estava num empreguinho de merda. Ganhando pouco. Eu o sustentava, praticamente.
- Não sabia...
Ela sorriu.
- Ele me garantiu que em menos de um mês aqui, se eu o deixasse vir, arranjaria uma mulher rica para sustentá-lo, e que em um ano ele faria grana o suficiente para voltar e a gente se ajeitar.
Frio na barriga. Gelo, eu diria. Minha garganta ficou seca.
- Só não pensei que ele toparia se envolver com um homem. Mas, ah! Lógico que eu sabia que ele curtia homens também. Ele fazia programas em Ribeirão às vezes. Te contou...?
Minha visão estava turva.
- Não né? Ela se virou por um momento de frente prá mim. Estava séria. Triste. Amargurada. Ou encenando maravilhosamente!
- Bruno... Sei que não é culpa sua. É muito fácil cair na dele... Nós dois caímos.
Eu precisava falar algo.
- Ana, tem uma coisa que não se encaixa aí...
- O quê?
- Eu NÃO sou rico.
Ela riu alto. Mais uma vez voltou-se prá rua.
- Ah, Bruno... Você pode não se considerar rico, mas tem bem mais, eu diria o suficiente para uma arrancada bem legal.
Apesar de toda a confusão na minha cabeça, eu tinha que defendê-lo. Precisava de tempo prá pensar.
- Você está querendo o que com isso? Tirar ele de mim?
Ela se virou, mais séria, mais direta... Me olhou fundo nos olhos...
- Bruno... Quem foi que tirou o Daniel de quem primeiro?
Me calei.
- Fala, Bruno. Responde.
Eu me levantei e cheguei perto dela. Minhas pernas tremiam. Eu percebi que suava frio. Será possível? E tudo aquilo que eu via no olhar dele? E toda aquela sinceridade e maturidade? Será que tudo era atuação? Ou era jogo dela? Uma tentativa desesperada de me colocar contra ele?
Como saber?
Que merda me sentir tão dentro de uma novela...!
- Ana, eu não tirei o Daniel de você... Não pedi nada. Ele chegou e me disse que tinha terminado contigo. Que não rolava mais.
- Hã hã... Rápido assim? Você sempre foi esse romântico?
- O que você quer de mim?
- De você, nada. E nem sei se eu quero o Daniel de volta, que isso fique claro. Só não quero e não acho justo que ele se passe por esse anjo que parece ser. Isso não é justo.
- Ele tá louco prá te ajudar.
- Sentimento de culpa Bruno. É o mínimo que ele podia fazer.
Eu não queria acreditar em nada daquilo. Era muito difícil acreditar. Ela pareceu avistar algo. Virou-se e retornou à mesa.
- Ele está voltando. Bruno, escuta aqui... Só vim te alertar, e não vou ficar esse tempo todo. Se eu fosse você não comentava nada com ele.
- Por quê?
- Simples. Eu vou negar tudo. Vou afirmar que não falei nada contigo. Eu prometi isso prá ele antes de vir, era condição, e ele confia em mim. Se você mencionar algo, ele se vira contra você. Bom... A não ser que...
- O que?
- Que você já não faça questão dele. Se já estiver certo de que o melhor é estar sem ele, pode falar. Ele não vai te perdoar por querer jogar a culpa em mim.
- Ana... Não seja boba. COMO é que eu saberia de tudo isso se você não me contasse? Como é que eu inventaria ou criaria só verdades na minha acusação?
- Bruno... Não seja bobo. Quem te disse que em tudo que eu te falei só há verdades?
- Como?
Ela sorriu e retomou uma posição fria, sóbria e tranqüila enquanto ele entrava na sala.
Eu... Não sabia o que fazer.
Ele entrou e eu fui ao banheiro. Me encostei na parede e chorei. Chorei raiva,