Reencontro do trio ABO
Havia pouco mais de um ano que eu regressara a minha cidade natal no interior paulista após a conclusão do curso de medicina e da residência médica, que me privaram do convívio com ex-colegas de colégio que foram ficando cada vez mais apenas nas lembranças. O tênis clube da cidade continuava sendo um ponto de encontro das famílias, onde ocorriam os eventos sociais que costumavam preencher a coluna de fofocas do jornal da cidade. Tinha sido meu lugar favorito na cidade quando criança. Foi à beira das piscinas dele que fiz minhas primeiras amizades, foi nas águas delas que iniciei a prática da natação e onde conquistei minhas primeiras medalhas no esporte, foi onde dei meu primeiro beijo numa garota durante o concorrido baile anual da primavera quando já me julgava um homem e não mais um adolescente, embora minha idade comprovasse o contrário.
- Ora, ora, o bom filho à casa torna! Otávio Breton! Ei-lo de volta às origens! – a voz festiva e alegre não me era desconhecida, embora estivesse alguns timbres mais grave.
- Ben! Benício Tardelli! O cara mais tarado que esta cidade já criou! Não dá nem para acreditar, saca só a beca do mauricinho! – exclamei quando encarei a cara risonha do garoto mais mulherengo do colégio, agora um homem com direito a uma barba bem desenhada na cara, o que lhe conferia um ar de astro de cinema. A garota que estava com ele me encarou com reservas, depois de eu ter chamado seu namorado de tarado.
- Você acredita que a gente chamava esse baita cara de Tavinho, amor? Bicampeão de natação dos jogos interestaduais de estudantes! De que ano mesmo? – continuou ele, me elogiando por feitos do passado.
- E você Ben! Cestinha do time de basquete, responsável por três taças de campeão do colégio! – devolvi, retribuindo o elogio e lhe dando os merecidos créditos que ainda deviam estar expostos na estante da sala do diretor.
Depois de uma meia hora nessa troca de confetes, questionamentos sobre nossas atuais profissões, indagações sobre nossos familiares, me dei conta de que havia esquecido por completo da minha prima que me acompanhava no baile e, a quem tinha deixado num grupinho para buscar umas bebidas. Ao arrastar meu amigo Ben e a namorada comigo até a mesa onde eu a havia deixado, constatei que meu esquecimento tinha sido providencial para ela, pois o carinha que não tirava os olhos de cima dela, acabou criando coragem com a minha ausência para se aproximar dela. Acho que foi por isso também que ela, me lançou um sorriso amarelo quando voltei acompanhado, fazendo as devidas apresentações, enquanto o que ela queria era ficar a sós com o sujeito boa-pinta que a chavecava. Outra descontente com aquela situação era a namorada do Ben, visivelmente incomodada pelo namorado estar dando mais bola para mim do que para ela. Para não estragar a noite da minha prima e, dar uma chance para o sujeito a deixar impressionada e convencida o suficiente para um futuro encontro, eu e o Ben procuramos um canto mais reservado do salão, enquanto a namorada entediada já começava a dar sinais de chilique iminente. Ele realmente não demorou a acontecer. Primeiro ela deu um tempo dizendo que ia ao toilette, levou uns vinte minutos para voltar, se enganchou no braço dele e, não duvido, deu alguns beliscões, pois o Ben perdeu por uns segundos o rumo do que estava dizendo para se voltar para o braço atacado pela leoa enciumada. Depois, deixou a tromba de descontentamento escancarada para quem quisesse ver, enquanto enchia o saco do Ben para que a levasse para casa, o que ele nem se deu ao trabalho de registrar, deixando-a tão puta que ela resolveu dar adeus e sumir no meio do salão lotado.
Eu não estava nem aí para a garota e, pelo visto, o Ben também não, tanto que nem um ‘tchau’ deu quando ela saiu pisando firme. Era bem o estilo dele, de início corria atrás delas feito um garanhão que sentiu o cheiro do cio no ar, quando elas caiam da lábia dele, não dava trégua às visitas em suas bucetas e, quando se cansava do brinquedo, ou achava que estava perdendo coisa melhor, vinha a indiferença que acabava por afugentá-las. Isso fez a fama de tarado se espalhar por todo colégio e, mesmo assim, sempre havia garotas candidatas ao posto de ficante da vez. A balada bombava à medida que a madrugada ia avançando, quase alheios a tudo ao redor, o Ben e eu íamos falando e rindo dos episódios do passado, quando quase simultaneamente, avistamos ninguém menos do que o terceiro mosqueteiro daquele trio popular que formávamos no colégio, Alex, Alex Dekaoury; que, ao nos avistar pelo escandaloso agitar de braços do Ben, veio direto em nossa direção com seu sorriso econômico e ponderado.
- Se não são meus dois escravos preferidos! – exclamou, quando chegou junto a nós, nos fazendo rememorar que, de certa forma, ele sempre tinha feito de ambos uma espécie de seus serviçais, quando aprontava alguma de suas inúmeras traquinagens e, pelas quais, muitas vezes, fomos o Ben e eu que acabamos parando na sala do diretor e, levando vexatórias cartas de advertência para casa. – Não sabia que estavam na cidade! Achei que estivessem perdidos mundo afora! – emendou, enquanto nos abraçava festivamente.
Fomos praticamente expulsos do clube pelos seguranças exaustos e de mau-humor que queriam fechar as instalações ao final do baile, quando o alvorecer já se anunciava entre as nuvens cinzentas que começavam a se iluminar e ganhar tons multicoloridos. Não fomos longe, uma mureta baixa na calçada do lado de fora do gradil do clube serviu de sala para o bate-papo saudoso que não encontrava fim, e onde terminamos de entornar as latas de cerveja surrupiadas, ainda geladas, enquanto o pessoal que tinha comandado o bar se ocupava de fechar o balanço da festa. Fazia tempo que eu não me sentia tão feliz, tão completo. O reencontro do trio me transportou a um tempo onde aqueles meus gigantescos problemas agora me pareciam apenas um grãozinho de areia na vastidão da praia e, onde mesmo assim, era na amizade deles que tudo encontrava solução.
- Tratem de ir curar essa bebedeira em suas casas! – ordenou zangado o segurança da guarita de entrada do clube. – Não me obriguem a chamar a polícia para fazer isso! – emendou, ante nossas caras abobalhadas que caíram na risada depois da ordem que nem sequer era cogitada acatar.
Afastamo-nos alguns metros, e foi só. O efeito diurético das cervejas já se fazia presente, banheiros só dentro do clube onde não seríamos aceitos nem que estivéssemos tendo um infarto ou, em nossas casas, para onde nem pensamos voltar antes do bate-papo estar concluído. As mini-azaléias do canteiro da mureta foram as agraciadas com o nosso mijo volumoso, enquanto a familiaridade daquela cena começava a deixar nossas palavras cada vez mais sinceras.
- Saca só a bunda do Tavinho! Você já viu bunda mais gostosa que essa? Pergunta se um rabão desses é coisa de homem. Meu caralho sempre foi tarado por esse bundão lisinho, e o seu Alex? – sentenciou o Ben quando foi a minha vez de aliviar a bexiga e, minha calça escorregou até os joelhos enquanto eu tentava acertar o canteiro com o jato do mijo e não os meus pés.
- Vai procurar a garota que você deixou na mão, ela deve estar interessada na tua pica, não eu! – devolvi, fazendo-o cair na risada.
- Lembra dessa bundinha pelada, Alex, no vestiário da quadra de esportes? A molecada ficava de pau duro quando o Tavinho tirava a sunga e ia para os chuveiros. Quantas noites não acordei todo esporrado na cama, sonhando com esse rabo. – revelou o Ben.
- Eu tô lá interessado em rabo de macho? Isso é coisa para tarados feito você! – retrucou o Alex, de forma tão enfática e desprovida de interesse que me deixou o restante do dia rememorando um episódio do passado, quando já me encontrava em casa e cuidando da ressaca por não estar habituado a beber.
Os jogos interestaduais de estudantes aconteceram noutro Estado naquele ano, o que levou o colégio a fretar dois ônibus para levar os esportistas até o evento. Ficamos alojados em duplas, em barracas montadas na quadra de esportes de um colégio participante que havia cedido suas instalações para as equipes. Eu dividi a minha com o Alex por toda a semana dos torneios, e tive que abrir meu saco de dormir ao lado do dele, no espaço confinado da barraca. Findos os jogos, fazia tempo que nosso colégio não tinha um desempenho tão bom como naquele ano. O Alex trouxe o primeiro troféu do colégio como campeão de judô, e sua segunda medalha de ouro no esporte pendurada no pescoço. O Ben, cestinha disparado dos jogos, com mais do que o dobro da pontuação do segundo colocado, fez com que o troféu de bicampeões daquele ano viesse para o nosso colégio. Eu, trouxe na bagagem o primeiro troféu do colégio de campeão de natação modalidade crawl, e vice-campeão individual nos 200 metros no nado Medley. A galera apesar de exausta devido as competições, embarcou nos ônibus de volta cantando, zoando e se vangloriando de como tinham vencido os adversários nesse ou naquele esporte. Os quilômetros de estrada que pareciam não ter fim, foram ajudando a derrubar um aqui outro acolá até que, já noite escura, só se ouvia o sussurro monótono do motor e do ar deslocado pela velocidade do ônibus e, de quando em vez, alguém roncando embalado na despreocupação da juventude. Como alguns pais de estudantes tinham ido participar da cerimônia de encerramento e entrega dos troféus, o ônibus tinha muitos lugares vazios; mesmo assim, o Alex e eu ocupávamos um par de bancos quase no final da cabine. Em determinada hora o sono também nos venceu. Eu me enrodilhei no assento voltado para a janela e contava com o embalo da vibração da carroceria para pegar no sono. Estava me arrependendo de não ter ocupado uma fileira de bancos vazia ao invés de ficar disputando aquele espaço exíguo com um cara tão grande quanto eu, quando senti o Alex encostado nas minhas costas e, constrangedoramente encaixado na curvatura saliente da minha bunda. Fizera um dia quente, por isso vesti apenas um short e uma camiseta, como a maioria da galera, para enfrentar a viagem de volta. Apesar do ar-condicionado ligado, o abafado da noite também estava presente na cabine que, somado ao calor que minava do corpão parrudo do Alex, me impediu de cair no sono profundo, e tive que me contentar com breves instantes de cochilo. Durante um deles, quando não ficava claro se estava realmente dormindo ou apenas sonhando, senti que uma mão puxava meu short para baixo e punha minha bunda a descoberto. Fatigado demais para dar importância a isso, encaixei meu rosto na concha que minhas mãos formavam abrigando minha cabeça junto ao espaldar da poltrona. Também tinha algo se insinuando entre as minhas coxas, nada que valesse apena conferir, uma vez que isso me tiraria aquele estado de torpor gostoso que ia ganhando força e me fazendo relaxar. No entanto, aquilo que começou como um tênue resvalar, começou a se intensificar e agora já era possível distinguir sensivelmente que alguém, sem roupa, estava me encoxando e que, aquele algo, antes flácido, estava tão rijo quanto uma barra de aço me cutucando muito próximo do cuzinho desprotegido. Melhor tentar outra posição, talvez o incômodo fosse embora e eu pudesse continuar dormindo. Porém, ao tentar pôr esse pensamento fugaz em prática, aquela coisa rija e molhada se posicionou sobre a minha rosquinha anal e, com um movimento abrupto, penetrou meu cu, me obrigando a soltar um ganido, tanto pelo susto, quanto pela dor de sentir algo se rasgando naquele lugar tão íntimo e resguardado. Eu conhecia aquele arfar, conhecia aquele hálito, conhecia aquele cheiro que estava junto à minha nuca, enquanto aquela coisa descomunal deslizava para dentro do meu cu. Não havia dúvida alguma de quem era o dono daqueles braços musculosos que envolviam meu tronco e me seguravam tão junto daquele tórax robusto que eu podia sentir o coração dele batendo numa cadência agitada ecoando nas minhas costas. À medida que aquela coisa enorme entrava em mim, a dor aumentava e eu precisava urgentemente encontrar outra posição, pois nas minhas entranhas as estruturas iam sendo deslocadas para alojar aquela coisa roliça e latejante, que eu bem sabia o que era. Para abafar minha respiração que se transformara num ganido constante e alto o suficiente para fazer alguém despertar e voltar sua atenção para onde estávamos, uma mão pesada cobriu meus lábios, sufocando minha agonia. A penetração em profundidade terminou quando senti que, além daquilo que estava entalado no meu cu, minhas nádegas aprisionavam algo do tamanho de uma bola de tênis, pois não só o volume, como a textura, a pelagem macia e a consistência se assemelhavam a ela. Por alguma razão eu não reagia. Eu sabia o que estava acontecendo, sabia quem estava fazendo aquilo comigo, mas não reagia. Até curti aquele vaivém que começou a mover o troço roliço e quente através dos meus esfíncteres, me proporcionando uma sensação ímpar e inusitada. Até aquela agonia inicial deu lugar a uma calmaria que me mantinha encaixado no meio daquelas coxas peludas e fortes, fazendo com que da mão pesada que cobria minha boca, apenas dois dedos inquietos penetrassem nela. Eu os chupei, pois mesmo naquela escuridão eu seria capaz de descrevê-los em detalhes, já os tinha visto centenas de vezes e, sabia a quem pertenciam. Um repentino trecho de ondulações na pista fez o ônibus sacolejar, transmitindo a reverberação para aquilo que estava no meu cu. O vaivém cessou, ficaram apenas as vibrações, houve uma estocada bruta que garantiu a penetração completa e, logo em seguida, aquela umidade escorrendo para dentro de mim, morna, pegajosa e tão abundante que me senti encharcado por dentro. O arfar na minha nuca estava tão próximo que o ar exalado roçava minha pele, uma lambida e uma mordiscada que a prendeu entre dentes afiados me fez gemer, não de dor, mas causada por uma sensação prazerosa que eu até então desconhecia. Aos poucos, e com a vibração da carroceria, senti aquilo deslizando lentamente para fora do meu cu, deixando nele a umidade, a ardência, e o enorme vazio. Eu estava mais desperto do que nunca, estava imobilizado num estado de puro êxtase, mesmo quando Alex virou seu corpo para o outro lado e caiu no sono. Jamais, em tempo algum, qualquer um de nós fez qualquer alusão ao que aconteceu naquelas poltronas, o que o passar dos anos foi deixando aquilo mais parecido com alguma cena de um filme, um pensamento passageiro e delirante, um algo que na realidade talvez nunca tivesse acontecido de fato. De qualquer modo, a fala do Alex em relação a observação do Ben, trouxe esse episódio à tona das minhas memórias.
No segundo verão depois disso, cada um de nós seguiu seu caminho com a conclusão do colégio e o ingresso nas faculdades em outras cidades. Antes disso, ainda trouxemos mais alguns troféus para ornar a sala do diretor e, de certa forma, imortalizar nossa passagem por ali.
O reencontro daquela noite, uma década depois, foi tão especial justamente por conta desses feitos durante a adolescência. Não éramos mais os garotos a poucos anos da fase adulta que desde a infância foram construindo aquela amizade, estávamos de volta como homens feitos com suas carreiras tomando impulso. O curioso é que durante todo esse tempo não mantivemos contato, mas no reencontro ficou evidente que as coisas pareciam ter ficado paradas apenas um breve lapso de tempo, como acontecia quando dizíamos – até amanhã – ao voltarmos para nossas casas depois de um dia cheio de acontecimentos.
Na mesma semana retomamos a amizade, combinando um chope ao cair da tarde, onde aquela década obscura foi sendo desvendada papo após papo. Foi seguindo assim por alguns meses, quando fomos percebendo que nenhum de nós estava feliz com a maneira como nossas carreiras se desenvolviam naquela cidade. Era como se estivéssemos pisando no freio ao invés do acelerador. Eu trabalhava num hospital privado da cidade, cumprindo uma jornada exaustiva e dando três plantões de vinte e quatro horas durante os finais de semana, restando-me apenas um para curtir a vida, os amigos e a família. Geralmente estava tão cansado que era como se eu não estivesse ao lado deles por inteiro. Os melhores cargos, com menos horas e mais bem remunerados, estavam nas mãos dos filhos de médicos renomados da cidade que também eram donos dos hospitais, laboratórios e clinicas privadas deixando para quem, como eu, que não tinha nenhum parente nessa condição, sujeitos a pegar o que havia disponível. Com o Alex, que cursou direito e se especializou em direito empresarial internacional também não havia onde aplicar todos seus conhecimentos, atuando como advogado assistente num escritório tradicional da cidade, uma vez que no dele, apareciam alguns gatos pingados com questões simples que mal davam como cobrir os custos de aluguel e secretária. A situação do Ben se assemelhava à nossa. Engenheiro de software, pós-graduado em inteligência artificial, sua atuação se restringia à prestação de assistência técnica às poucas industrias da cidade com capacidade de requerer seus serviços.
Nossa conversa daquele final de tarde, que foi avançando noite adentro, na mesa dos jardins de um badalado barzinho versava sobre essa insatisfação coletiva. Éramos intrépidos, ousados, e aquela cidade se mostrava pequena e provinciana demais para acomodar nossos sonhos. Ao sermos convidados a nos retirar pelos garçons que queriam fechar o estabelecimento depois de um dia cansativo, e vermos que éramos os últimos a ocupar uma mesa, fechamos a questão. Íamos juntos procurar outro lugar para viver e prosperar. A capital se afigurou a opção mais promissora, mas a batida do martelo ainda ia depender de mais algumas rodadas de chope na mesa de um bar, antes de darmos início à grande mudança.
Tudo acertado, chegamos à capital na véspera de um feriadão, quando meio mundo parecia fazer o trajeto inverso, congestionando as pistas da rodovia no sentido contrário, numa sexta-feira de chuva fina. Teríamos feito a opção certa? Foi o que nos perguntamos ao ver todos aqueles carros seguindo rumo ao interior do Estado. Chegar ao apartamento alugado algumas semanas antes foi um calvário, e vê-lo completamente vazio, desolador. Havia muito o que fazer antes de termos um mínimo de conforto entre aquelas paredes. Porém, éramos otimistas, estávamos ali para dar a cara a bater, seja o que Deus quiser dissemos quando, sentados no chão da sala, devorávamos uma pizza e brindávamos com o tilintar das próprias latinhas de cerveja o nosso novo endereço.
O Ben foi o primeiro a se empregar. O currículo que enviara quando ainda estava no interior e nossas conversas não passavam de suposições, levou-o a uma conceituada empresa do ramo, e a uma posição bem-remunerada. Eu fui o segundo, um contrato junto a um hospital de porte me levou a assumir a chefia dos médicos intensivistas e, menos de um mês depois, outro convite para integrar a equipe assessores clínicos de uma rede de laboratórios, acabou por ocupar todo meu tempo disponível que, apesar disso, ainda tinha uma carga horária bem menos estafante do que aquela que eu cumpria no interior. O Alex foi o último a ser recompensado por sua dedicação na procura de um bom emprego. Um escritório especializado em fusões e aquisições o chamou para reforçar o time de advogados, acenando com uma participação como sócio dentro de vinte e quatro meses, se ele se adaptasse bem à equipe.
Já durante o primeiro ano, fomos constatando que o apartamento não atendia integralmente nossas necessidades. O fato de haver apenas uma suíte e dois quartos nos levou a sorteá-la nos palitos, o maior ficou com o Alex e, portanto, ele assumiu o espaço mais privilegiado. A disposição dos cômodos também foi se mostrando pouco prática para as atividades que fazíamos no apê e, a necessidade de encontrar um lugar que tivesse mais a nossa cara, foi se tornando mais urgente.
- Dá para você cobrir essa coisa com o básico para que não sejamos obrigados a dar de cara com esse bagulho cada vez que você sai do banheiro, Ben? Caralho! Já te pedi isso umas mil vezes, cara! – protestei, mais uma vez, ao entrar em casa e dar de cara com a pica do Ben oscilando feito o pêndulo de um relógio entre as suas pernas. O safado se limitou a rir.
- Quem sabe você acaba se encantando com ele e me dando uma chance nessa bundona gostosa! – exclamou, procurando com o olhar a conivência do Alex que, como sempre, estava mais interessado em seus problemas do que nos de qualquer outro.
- Fala alguma coisa, cara! Manda ele parar com isso. As janelas dos prédios vizinhos estão tão próximas que qualquer hora dessas a polícia vem tocar aqui nos acusando de atentando violento ao pudor. Você bem sabe que isso é crime. – pedi ao Alex, uma vez que durante aqueles meses de convívio, foi ele que começava a despontar como a liderança no apartamento.
- Há controvérsias se trata-se mesmo de atentado violento ao pudor ou, se estamos falando das complexidades do crime de importunação sexual – devolveu ele, indiferente às minhas queixas.
- É crime, seja lá a ladainha que vocês advogados inventam para safar seus clientes. E, para mim, você é cumplice desse tarado doente! – exclamei zangado, fazendo com que os dois se entreolhassem como se estivessem realmente mancomunados.
Afora essas pequenas rusgas, comuns quando os relacionamentos perdem aquele crivo social e se tornam tão íntimos que permitem discordâncias sem perderem sua força motriz, vivíamos muito bem adaptados às manias uns dos outros.
Fui o primeiro a anunciar que estava namorando. Tinha conhecido a Luiza no hospital durante um dos meus plantões. Ela estava de plantão no Pronto-Socorro infantil quando nos conhecemos, atendendo a uma criança vítima de atropelamento que havia entrado em estado comatoso e precisava ser transferida para acompanhamento na UTI. Ela era bonita, alta, loira natural, tinha um sorriso de arrasar quarteirões e um par de olhos que eram pura bondade. Por cerca de um mês ficamos naquele chove-não-molha, tomando café juntos na lanchonete do hospital durante os breves intervalos de pausa, fingindo que os encontros para o almoço eram apenas uma coincidência e trocando emojis diários pelo celular. Na primeira oportunidade, convidei-a para um cineminha, ela retribuiu me convidando para um churrasco na casa de um casal amigo, alguns dias depois. Ao deixa-la em casa nele final de tarde rolou o beijo que já não foi o mesmo de quando nos despedimos após a sessão de cinema. Havia nele um acordão de que tínhamos passado para um estágio mais avançado e, dali em diante, entendemos que estávamos compromissados. Contudo, só fiz o anúncio dentro de casa quando completamos três meses de encontros, e eles começaram a ser objeto de curiosidade por parte do Alex e do Ben.
As saídas do Ben não eram levadas a sério, uma vez que a garota sempre tinha outro nome novo, o que nos levava a nem nos darmos ao trabalho de cravar o nome da garota com a qual ele estava saindo. Tal qual na época do colégio, quando seguramente mais da metade das meninas já agasalhou a jeba do Ben nas bucetas, o Alex e eu sabíamos que a mulherada da empresa na qual o Ben trabalhava estava entrando para a mesma estatística.
Sempre o mais reservado de todos, o Alex não fazia comentários sobre suas saídas, seus encontros, onde tinha passado a noite ou o final de semana inteiro. Quando o colocávamos contra a parede, ele dissimulava inventando uma estória qualquer. Mas, havia alguém, ao menos eu tinha certeza que sim, pois vi o nome Bia na tela do celular dele, em duas ocasiões em que estava distante do aparelho quando ele tocou. Para atender as ligações, ele se enfiava em seu quarto e, nem as tentativas do Ben ouvir a conversa atrás da porta deram resultado. E assim, nos conformamos com aquela aura de mistério que sempre rondou a personalidade do Alex. Ele era assim, esquivo, taciturno, misterioso e, pronto. Não havia o que fazer para mudar isso.
No dia em que fui ao churrasco com a Luiza na casa do casal amigo dela, passamos por uma casa com placa de – Vende-se – na mesma rua. O imóvel estava meio decadente, mas o quintal do casal, que estava localizado num terreno com a mesma metragem, despertou meu interesse pela casa.
- Uma reforma? Isso é um porre! É o jeito mais fácil de foder com as nossas contas bancárias, uma vez que você começa achando que vai ser uma coisa simples e quando se dá conta teve que refazer praticamente tudo.
- E você, Alex, qual seu veredicto? – questionei, uma vez que o Ben hesitava com a ideia.
- Concordo com o Ben. Porém, seria um desafio bem legal encarar um projeto desses. Já vimos que o apê não nos atende e que uma mudança terá que ser encarada mais cedo ou mais tarde. Eu topo, se não for algo muito grande. – afirmou
- Dois contra um, vencemos! – exclamei, contente.
- Dois contra um o caralho! O Alex não concordou, só disse o que pensava a respeito. Daí a se enfiar numa reforma custosa tem muito chão! – retrucou ele. Olhei para o Alex. Ele meio que esperava por isso. Cada vez que os três entravam num impasse, eu lançava esse olhar na direção dele, pois parecia que ele sempre ia tomar meu partido.
- Vamos ver a casa primeiro! Depois me decido por quem vou apoiar. – sentenciou, ao que lhe dirigi um sorriso, pois estava quase certo que ele me apoiaria. Já o Ben começava a entender que tinha perdido a batalha.
Unanimemente gostamos da casa. Havia muito a fazer, mas ela tinha caído nas graças dos três, cada um ao seu modo, projetou o que esperava dela após a reforma. Contratamos um engenheiro e pusemos mãos à obra. A previsão de entrega, conforme nossos desejos, aconteceu dois meses antes do combinado e, a um custo ligeiramente maior que orçado sem arruinar nossas finanças. Enfim, estávamos satisfeitos. Cada um tinha sua suíte, bastante ampla, que garantia privacidade, e as áreas comuns bem planejadas e decoradas com a ajuda da irmã do Alex, que era arquiteta, eram motivo de elogios para todos os amigos que passamos a convidar regularmente para festinhas, churrascos, ou mesmo visitas ocasionais.
Quem basicamente cuidava das refeições que fazíamos em comum era o Alex e eu, pois o Ben era uma negação na cozinha, para não dizer um verdadeiro desastre. Num dos costumeiros conselhos nos quais nos reuníamos para discutir algum tópico, o condenamos a se manter o mais afastado dela possível, pois até as louças e aparelhos portáteis ele conseguia quebrar com uma facilidade tremenda. Para nos recompensar por isso, ele assumia a churrasqueira quando promovíamos os encontros com os amigos, e era muito bom nisso.
A presença de um quintal espaçoso no imóvel nos levou a instalar uma jacuzzi a céu aberto num deque que a irmã do Alex nos sugeriu construir por achar que era o toque que faltava para deixar o espaço aconchegante. Virou meu calvário toda vez que a usava. Desde os tempos do colégio, o Ben se assanhava para o meu lado toda vez que não encontrava em quem meter a rola insaciável. Chegamos a nos engalfinhar algumas vezes, mas isso nunca o intimidou ou o fez parar de me assediar. Com o tempo, deixei de me irritar com ele, só contornando suas investidas ora com mais firmeza, ora dando de ombros.
Domingo lindo de sol, quente desde cedo, nada a fazer a não ser aproveitar para descansar. A Luiza estava de férias e viajou com os pais por três semanas para a Turquia. Portanto, sem namorada. O Alex tinha sumido na sexta-feira logo após regressar do trabalho, para um de seus compromissos misteriosos. Não dormira em casa desde então. Sunga, óculos de sol, fones de ouvido e celular, fui tomar sol no deque após uma breve imersão na jacuzzi. Não se passou nem um quarto de hora e o Ben estava ao meu lado, falante, irrequieto, cheio de piadas pornográficas. E, conhecendo-o como o conhecia, certamente sem ter estado dentro de uma buceta há alguns dias. O comportamento atirado dele nessas situações era quase uma marca registrada.
- Sunga nova? – começou, assim que se sentou ao meu lado sobre o tabuado do deque.
- Não começa, Ben, que saco! – exclamei, tentando me fazer de zangado.
- Calma! Só fiz uma pergunta!
- É, eu sei onde você quer chegar com essa pergunta.
- Se sabe, por que não facilita as coisas, estou matando cachorro a grito! – ele era tão safado e cativante ao mesmo tempo que não dava para ficar verdadeiramente furioso com ele. Era seu jeito, nada mais.
- Vai procurar um puteiro!
- Já conheço tudo que tem num puteiro. Não adianta procurar outros, pois são todos iguais. Quero novidades. – retrucou
- Vai bater uma punheta e depois se enfia debaixo da água fria. – devolvi, sem prestar muita atenção nele.
- Não estou precisando de um médico me prescrevendo tratamento. – afirmou.
- Disso eu sei! Você precisa de um psiquiatra e um psicólogo, e tem que ser dos bons. Quem sabe consigam dar um jeito nessa compulsão doentia. – asseverei.
- Você sabe que não preciso nada disso! Só preciso de você, que seja carinhoso comigo, que quebre meu galho.
- Pirou? Só pode! Está me achando com cara de puta?
- Jamais ia pensar isso de você. Você é meu amigo, é meu parça, meu quase irmão, podia se comover com a minha situação, se gostasse de mim nem que fosse um tantinho assim. – o pilantra não era fácil. Eu ri.
- Essa é a questão, não gosto de você! – provoquei. Ele soltou uma gargalhada.
- Você me ama, só não descobriu ainda! – exclamou. Foi minha vez de soltar uma gargalhada nervosa.
Desde que estávamos morando sob o mesmo teto, eu ainda não tinha chegado a uma conclusão se esse tanto que eu gostava dele era um gostar de colegas afinados, um gostar fraternal de irmãos que não conhece limites, ou um gostar inspirado na transformação que o corpo dele sofreu, de menino para homem, o que positivamente tinha modificado minha maneira de enxergá-lo. O fato de eu ter ficado repentinamente em silêncio, parecendo não encontrar uma maneira de contra-argumentar, deixou tudo mais estranho. Para disfarçar, liguei os jatos da jacuzzi e entrei nela, pensando estar seguro ali dentro. Ledo engano, ele me seguiu, e nem se preocupou em esconder a descarada ereção dentro da sunga. Não sendo gay, por que o cacete duro de um cara me deixava desconfortável? Aliás, por que certos tipos de caras me deixavam desconfortável? Era embaraçoso demais procurar uma explicação para isso.
- Seja sincero comigo. – recomeçou ele.
- Lá vem besteira!
- Não! Seja sincero. Se eu estivesse precisando de respiração boca-a-boca numa eventual emergência qualquer e só você estivesse comigo, você ia me salvar? – indagou.
- Te deixava morrer!
- Mentira! Você jurou por Hipócrates! Pedi para você ser sincero, porra! – retrucou irado.
- Sabe por que você está enchendo meu saco com essa conversa? Porque você sabe a resposta e porque você está dando voltas e voltas para dizer que está a fim da minha bunda. – devolvi. Ele ficou alguns minutos em silêncio dando petelecos na superfície da água.
- Ao contrário de você, eu sou sincero! Estou a fim de sua bunda, nunca escondi isso. A questão é, você sabendo disso e do quanto gosto de você, vai liberar ela para mim?
- Não sou gay! – respondi enfático.
- Não foi isso que perguntei! Também não é o fato de você ser ou não ser gay que está sendo discutido. Caralho, eu só quero saber se você deixa eu colocar meu pau na sua bunda, só isso, simples pra caralho. – retrucou ele.
- Saco, Ben! Eu não sei! Está contente agora? Eu não sei! Tá feliz! – exclamei exasperado. Nossos braços já estavam se roçando há algum tempo, depois da minha explosão, ele se virou para mim e me abraçou.
- Vamos descobrir juntos? – senti os lábios dele tocando os meus e, junto com um calafrio na coluna, senti o peso dele se debruçando sobre mim.
Minhas mãos seguiram tímidas em direção ao tronco dele e o seguraram hesitantes a princípio, antes de o envolverem. Ele se deliciava cada vez mais com o sabor da minha boca, ousava enfiando nela a língua impudica e safada da mesma maneira como fazia com as mulheres para deixar suas vaginas molhadas. Obviamente eu não tinha uma para ficar úmida, mas comecei a sentir o tesão me excitando, endurecendo meu pau, convulsionando meu cu. O Ben é um homem bonito, atlético, másculo, atraentemente sacudo, o que fazia com que os mais primitivos desejos lascivos aflorassem. Meu corpo nunca estivera em suas mãos como naquele momento, tão cheio de energia, encantadoramente esculpido pela natureza, definido e voluptuoso a ponto de incitar o tesão de qualquer um. O Ben não se privou de explorá-lo, não sabia se aquela seria a única oportunidade que teria para isso, e tratou de aproveitá-la ao máximo, tirando de sua sensualidade um prazer novo. Ele comprimia minhas costas contra a lateral da jacuzzi exatamente sobre uma das saídas dos jatos d’água, o que massageava minha pele que, em conjunto com o movimento de suas mãos, me deixava todo arrepiado. Também contribuía para esse estado alucinado, a visão de sua pica enrijecida ganhando volume e tamanho pela refração da água. Aos poucos ele foi puxando minhas pernas para cima, abrindo-as para se encaixar no meio delas, dobrando meus joelhos assim que eles emergiram. Eu parecia estar numa mesa ginecológica com ele libidinosamente encastoado nas minhas coxas. Enquanto me beijava impulsivo e determinado, sentindo como minha boca retribuía generosa às suas investidas, o movimento de sua pelve desvairada fazia com que o cacete dele deslizasse ao longo do meu rego lisinho. Eu chegava a ficar sem ar quando sentia a jeba dele pincelando minha rosquinha. Me encarando e ajoelhado na jacuzzi, ele guiou o caralho até a cabeça estufada ficar sobre a fendinha raiada do meu cu, colocou um beijo suave nos meus lábios e meteu seu falo em mim. Soltei um ganido que o deixou doido de tanto prazer. Eu precisei de uns segundos para me acostumar com aquele pinto do meu rabo, o que ele concedeu com um olhar embevecido antes de enfiar a caceta toda no meu cu. Ambos delirávamos de prazer com aquela conjunção tão perfeita. Acariciei o rosto dele sentindo as pontas dos meus dedos sendo pinicadas pela barba hirsuta que lhe conferia uma virilidade generosa. Deixei que o Ben estocasse meu cuzinho com toda a vastidão de sua tara, que crescia à medida que os meus espasmos anais mastigavam e sugavam sua rola para o interior do meu corpo. Meus gemidos o excitavam, faziam-no grunhir, exteriorizando luxuria e devassidão. Aquele par de olhos em encarando tão singelos e sedutores, implantavam no meu peito algo que até então eu nunca tinha sentido pelo Ben, cumplicidade e ternura. Envolto por esses sentimentos e por seu membro esfolando minha mucosa anal, comecei a gozar, ganindo e ejaculando até que toda a aquela tensão acumulada se dissipasse do meu corpo. Ele me lançou um sorriso ladino, quase tão perverso quanto a sevícia com a qual me fodia, o que o tornava ainda mais sedutor.
- Deixa eu gozar em você Tavinho? – murmurou, procurando segurar o urro que crescia em seus pulmões junto com a iminência do gozo.
Sem esperar pela resposta, talvez pela urgência, ele começou a esporrar meu cu, liberando naquele som roufenho todo o prazer que minha rosquinha apertada tinha lhe proporcionado. Nenhuma outra troca podia ser mais preciosa do que a que estávamos vivenciando, não apenas o prazer que comungávamos, mas a consolidação de algo que até então não existia em nosso relacionamento. Naquele instante percebi que ambos fazíamos descobertas, ele de como era prazeroso estar dentro de um cuzinho, e eu do quanto era fantástico estar conectado daquela maneira com o Ben, com um macho.
O que parecia ser apenas mais um dia comum de preguiça e descanso, acabou se tornando um dia cheio de significado para ambos. Ainda abrasados com os efeitos do coito inusitado, ele e eu passamos o dia trocando carícias, tocando nossas partes íntimas, desvendando os prazeres escondidos em nossos corpos. O que, em determinado momento, me levou a colocar a jeba dele na boca. Eu nunca havia feito sexo oral, muito menos com outro cara. No entanto, a anatomia do cacete dele, tão perfeita e bonita, aliado ao aroma nucífero que ele emanava, me incitou a experimentar algo novo. O Ben parecia não acreditar no que estava vendo. Aquele seu amigo de longa data, sempre tão comportado, discreto e recatado, repentinamente lhe fazendo as mais libidinosas carícias na pica, lambendo-a e ao sumo que sua excitação fazia verter, mordiscando-a zelosamente com aqueles dentes enormes que sempre iluminavam seu sorriso, chupando-a com ardor fazendo com que sua espinha fosse percorrida por uma descarga elétrica que rumava direto para a base da rola provocando nela movimentos pulsáteis e deleitantes. Ele quase podia sentir as vesículas seminais, a próstata e os testículos trabalhando tresloucadamente, umas produzindo o líquido viscoso e alcalino e os outros os espermatozoides que faziam dele um macho cobiçado, enquanto aquela boca sedosa trabalhando devotamente parecia estar enaltecendo sua masculinidade. Ele avisou que sentia o gozo chegando, protelou-o usurpando o cacete daquela boca aveludada que não o soltava e, vencido pelo olhar que lhe lancei, gozou contemplando em êxtase como seu sêmen ia sendo engolido à medida que os jatões de porra explodiam entre meus lábios vorazes.
- Por que nunca fizemos isso antes Tavinho? Por quê? Tivemos tantas chances. Sua bunda sempre me seduziu. Cara, você não faz ideia de quantas vezes tive vontade de enfiar minha rola nela, de quantas vezes me punhetei pensando nela. E agora descubro que você é capaz de ser muito mais generoso do que eu imaginei, muito mais gostoso do que muita buceta que fodi. – afirmou ele.
- Não sei! Para te falar a verdade, estou assustado com tudo isso. – respondi.
- Assustado? Você não curtiu? – questionou
- Não, não é isso! Justamente o contrário, eu curti muito. Assustado porque foi maravilhoso, e por eu ter sentido algo que nunca tinha sentido antes. – revelei.
- Ufa! Que alívio! Por uns segundos pensei que nunca mais teríamos a chance de repetir o que fizemos, e eu quero muito, Tavinho. Quero muito continuar comendo seu cuzinho. – a última frase ele sussurrou cheio de tesão, como se ela fosse uma promessa para a qual queria meu aval.
Tínhamos acabado de sair da ducha, depois da terceira trepada do dia, e preparávamos um jantar tardio quando o Alex voltou de seu fim-de-semana sigiloso, seguindo direto para seu quarto, após um rápido cumprimento quando passou pela cozinha. Às vezes eu tinha a impressão que ele nos evitava, que nós o entediávamos, que estava acima daquilo que a nossa amizade lhe dedicava. Essa furtiva passagem pela cozinha, após um fim de semana inteiro sem nossa companhia, era mais uma prova disso.
- É o jeito dele! – respondeu o Ben, quando lhe expus minha impressão. – Você sabe que ele se importa conosco. – emendou, para defender o amigo.
- Tenho a impressão de que ele não era assim quando ainda estávamos no interior. Eu nunca estranhei o comportamento dele naquela época. – devolvi.
- Éramos moleques naquele tempo, a gente muda! Mas, tenho certeza que a amizade dele continua sendo sincera.
- Sim, eu sei. Também acho que é. Mas ele podia ser mais dado, participar um pouco mais do tempo que dispomos para ficar juntos.
- Está começando a me deixar com ciúmes, ainda mais depois do dia maravilhoso de hoje! – exclamou o Ben, me dando uma gostosa encoxada contra a pia, onde consegui sentir o volume dentro do short dele se insinuando no meu rego.
- Você não vai contar nada, não é? – subitamente tive receio de ter revelada a minha devassidão. – Não quero que os outros saibam do que aconteceu hoje aqui.
- Os outros, ou o Alex?
- Dá na mesma, não dá?
- Por que tem medo que ele fique sabendo? Acha que não vai entender o que fizemos?
- Não sei! Só sei que não quero que ele saiba o que eu fiz.
- Nós fizemos! – corrigiu ele, de imediato.
- Tá bom, nós fizemos! O que não muda nada. – ele apenas riu e, ainda abraçado a mim, deu um chupão no meu pescoço, cuja marca deixada na minha pele carreguei constrangido por todo o dia seguinte.
Foi estranho ir para a cama naquela noite sentindo a porra do Ben no meu cuzinho, assim como durante toda a manhã do dia seguinte. Estranho porque não quis me livrar dela, estranho porque a presença dela, enquanto atendia meus pacientes na correria diária, me era prazerosa e me fazia sentir como se a pele do Ben ainda continuasse tocando a minha. Talvez eu devesse mudar o adjetivo, de estranho para constrangedor, uma vez que, enquanto homem, eu não deveria estar me sentindo tão plenamente feliz por estar com o esperma de outro homem nas minhas entranhas. Mas, eu estava.
Minha implicância com o Ben por ele andar pela casa de cueca ou, às vezes, completamente nu, ficou no passado. Aquele sacão e rola relaxada balançando entre suas coxas agora me parecia sexy. Ao mesmo tempo, ele que já era bem abusado, começou a me dar abraços, encoxadas, beliscões ou lascivas passadas de mão na bunda sem o menor pudor. Disso, também comecei a gostar. Aliás, passei a gostar do toque dele, de sentir seu corpo enroscado no meu. Eu só me esquivava ou protestava sem muita ênfase, quando o Alex estava presente. Diante dele eu me recolhia, como se estivesse fazendo algo errado, à semelhança de um filho que diante dos pais se mostra mais comportado do que na realidade é.
Outra coisa que me incomodava, e isso com um fundamento irrefutável, eram os casinhos sexuais que o Ben continuava mantendo a pleno vapor fora de casa. Embora ele nunca o confessasse, era certo que o rodízio de mulheres em sua vida era bem constante. Não se passavam dois meses entre a menção repetida de um nome de mulher para outro. E, tanto o Alex quanto eu sabíamos que ele certamente estava engambelando duas ou mais ao mesmo tempo. Como médico, eu reprovava esse rodízio por questões de saúde, mais do que pela moralidade. Ficava preocupado por ele e por mim, com seu cacete visitando sabe-se lá que bucetas e o meu cuzinho simultaneamente. Por diversas vezes toquei no assunto com ele, que me garantiu que sempre fazia sexo seguro com elas, encapando a caceta.
- Não me prive desse prazer. Você é especial, com você eu sou eu mesmo, tal como vim ao mundo. Eu me sentiria rejeitado se você não me aceitasse ao natural, compreende? Eu jamais faria qualquer coisa que te colocasse em perigo, gosto demais de você para lhe causar dor ou sofrimento. Deixa eu continuar gozando no seu cuzinho, deixa? Metade do meu prazer me seria negado se tivesse que usar uma camisinha encapando minha pica e diminuindo a sensação de aconchego que sua mucosa aveludada me proporciona. – argumentou.
- Nesse papo manso caíram muitos incautos e incautas. Só se deram conta de que estavam fodidos quando diagnosticados com alguma doença venérea. É bem o papinho que todo macho malandro usa, você é único, você é especial, só com você é que transo sem proteção porque é você que eu amo, e por aí vai. Desculpas não faltam, a criatividade para inventá-las vai longe. – retruquei, pouco confiante em suas palavras.
- Eu sei que tem muito cara fazendo isso, até eu já me vali dessas desculpas. Mas, juro, com você é diferente. É diferente mesmo. Eu quero que as nossas transas sejam plenas para nós dois, sem mentiras, sem subterfúgios, sem falsidades. Você não acredita em mim?
- Malandro que é malandro sabe ser convincente. – respondi. Ele se zangou.
- Tudo bem! Se depois de todos esses anos de amizade, você só consegue me enxergar como sendo um malandro, o que é que posso fazer? De agora em diante só com camisinha! – sentenciou emburrado.
Eu não o achava um malandro, sabia que não era um mau-caráter, sabia que era um amigo sincero e tinha a nossa amizade acima de quaisquer outros valores, e fiz o que achava certo, expressar minha desconfiança e preocupação. Ele ficou uns dias zangado comigo, fingia ter perdido a atração e o desejo por mim, alegou estar cansado numa ocasião e indisposto com alguma coisa que havia comido noutra, para recusar minhas carícias quando quis seduzi-lo para irmos para a cama.
- Continua bravo comigo, porque falei para você usar proteção?
- Não fiquei bravo com você! De onde tirou essa ideia?
- Ah, não, deve ter sido impressão minha então.
- Com certeza é! – precisei rir daquela suposta convicção. – O que foi, eu disse algo engraçado?
- Não, claro que não! Me lembrei de uma piada que o pessoal contou no trabalho esta tarde. – devolvi, ao mesmo tempo em que aleguei estar com muito calor, fazia mesmo bastante calor naquela noite abafada quando estávamos assistindo juntos a um filme após o jantar, e tirei a camiseta ficando apenas com o short de aberturas nas laterais.
- Verdade, tá um calor da porra! – exclamou ele, que estava só de cueca e diante do ventilador ligado.
Ergui uma perna e apoiei o pé no assento da poltrona, as fendas laterais do short abriram expondo a dobra entre a minha coxa e a nádega. Da ponta do sofá onde ele estava, tinha uma visão que chegava até metade da minha nádega, que ele disfarçou e fingiu não lhe causar qualquer impacto. Minutos depois, estava enfiando uma das mãos pelo cós da cueca e coçando o saco ou ajeitando a rola. Eu fazia força para não rir. Ergui a outra perna e me virei de lado na poltrona, deixando a bunda virada na direção do olhar cobiçoso dele. Mais umas coçadas no saco me fizeram saber que estava tentando controlar a ereção que começou a ficar insidiosa, após uma das abas do meu short se dobrar para cima deixando a nádega daquele lado atentando sua masculinidade.
- Cazzo de calor! – exclamou, sem tirar os olhos do meu rabo, que o deixava excitado desde os tempos do colégio.
- Devíamos pensar em instalar um ar-condicionado também aqui na sala. – ponderei, ao que ele nem deu atenção. Ele estava concentrado no pau dele que estava duro, latejando, por minha bunda o enfeitiçando. Tinha perdido o fio da trama do filme, estava com muito tesão, queria trepar, queria meter na minha bunda sem precisar ceder em seu plano de se fazer de ofendido.
- Não vai ser um ar-condicionado que vai dar conta desse tipo de calor. Por que você precisa ser sempre tão complicado, Tavinho?
- Não entendi? O que tem o calor a ver comigo? – questionei, sabendo muito bem onde ele queria chegar com aquela conversa.
- Tem tudo a ver, porra! Tem que essa bunda gostosa deixou meu pau tão duro que está acabando comigo. – confessou.
- E por que você não vem até aqui para eu cuidar dele? – provoquei. Minutos depois eu estava deitado de bruços debaixo dele no sofá, sentindo aquela vara desencapada entrando e saindo do meu cuzinho, enquanto chupava e beijava seus dedos, gemendo sensualmente para enlouquecê-lo de vez.
- Puto! Você deveria ser punido por castigar a gente dessa maneira, sabia - afirmou, enquanto terminava de galar meu cuzinho e se abraçava ao meu tórax arfando feito um touro bravio. O assunto camisinha nunca mais foi mencionado. Sabendo dos riscos, mesmo assim achei que deixa-lo saber que confiava nele alicerçava nossa amizade.
Com o tempo, comecei a me questionar sobre o namoro com a Luiza. Já estava claro para mim que o sexo com o Ben era muito mais prazeroso do que com ela. O grau de cumplicidade e entrosamento que eu sentia ao me deitar com o Ben nem podia ser comparado ao que acontecia com ela. Se eu não era gay, como explicar essa tamanha diferença de prazer que eu sentia com um e não com o outro? Contudo, a Luiza era uma pessoa incrível, cheia de qualidades, eu gostava dela, e muito. Já tinha pensado até em elevar a nossa relação para um patamar mais alto, acenar com um compromisso maior para dali a algum tempo. A cada encontro eu ficava mais convencido de que era o certo a fazer. Porém, ao chegar em casa, bastava eu pôr os olhos sobre o Ben, sobre aquele seu jeitão despudorado, sobre aquele volume dentro das calças, sobre o sorriso libidinoso dele para minha convicção se esvair como a água no ralo. Já não bastasse isso, uma atração pelo Alex também começou a me atormentar as noites sob a forma de sonhos pecaminosos carregados de lascívia. Ora eram aqueles pelos sensuais que forravam o peito vigoroso dele, ora era sua voz grave e pausada, ora eram aqueles movimentos cautelosos, porém firmes, que caracterizavam seu jeito de caminhar e fazer as coisas, tudo me dava tesão. Quando ele e o Ben se punham a assistir aos jogos de futebol, relaxados e descontraídos, apenas xingando algum jogador por um lance malconduzido, instruindo em voz alta o que o outro dominando a bola deveria fazer, ou dando socos de felicidade no ar quando uma bola entrava na trave, se esquecendo completamente dos modos e do pudor, manipulando suas vergas dentro das bermudas, eu tinha vontade de me atirar nu no meio deles e deixar que me fodessem até estarem saciados. Eu não me reconhecia mais. Alguém saberia me dizer o que está acontecendo comigo?
Era impossível o Alex não saber o que estava rolando entre o Ben e eu. Inúmeras vezes ele tinha nos flagrado imediatamente após uma transa, quando ainda estávamos sob a euforia do tesão. Ele não era nenhum tolo, muito menos um alienado que demora a perceber o que rola a sua volta. Por que nunca fazia nenhum comentário? Por que fingia não saber que o Ben estava me enrabando? Por que se fazia de difícil, evitando minha companhia, fingindo não dar importância aos pequenos cuidados que eu tinha para com ele, como uma forma de lhe dar carinho que, de outro jeito ele certamente não aceitaria? Eu tinha que descobrir qual era a dele.
- Oi! Posso entrar? Trouxe um pedaço de torta para você, não quis se juntar a nós no jantar? – perguntei, ao bater em sua porta, invadir seu refúgio e encontra-lo diante do notebook.
- Estou sem fome! E, também muito ocupado. Tive que trazer trabalho para casa. – respondeu ele, sem desviar os olhos da tela.
- É a terceira vez esta semana que não janta conosco, faz mal ficar tanto tempo sem se alimentar direito. – devolvi, disposto a não sair do quarto dele tão cedo, ao menos até ele comer o pedaço da torta, o que me daria um tempinho para ficar junto dele. Ainda mais enfiado apenas naquele short azul-marinho desbotado que o deixava tremendamente sexy.
- Está controlando meus horários? – eu não esperava essa reação.
- Não! Estou preocupado com a sua saúde, mania de médico. – respondi.
- Pois te garanto que não tem com que se preocupar!
- Fico feliz em saber, mas deixar um hábito não é tão fácil assim. Portanto, vou continuar vigiando sua saúde. – essa afirmação ele não esperava.
- Hã! Faça como quiser! – devolveu. Outro já teria deixado ele falando com as paredes, mas não eu, que sentia estar sendo atraído para ele desde que descobri essa aura de mistério que o envolvia ao passarmos a dividir o mesmo teto.
- Está gostando do trabalho no escritório? – perguntei, a fim de ver se conseguia fazer com que me dirigisse o olhar, nem que fosse por uns míseros segundos.
- Sim.
- Você tem chegado tarde todos os dias, agora trouxe trabalho para casa, devem estar sendo bastante requisitado, o que é bom eu acho, não é? – engana-se ele, se pensa que não vou conseguir sua atenção.
- Mais ou menos!
- Mais ou menos, como? É bom para os negócios ter bastante trabalho! – afirmei
- Dependendo do ponto de vista!
- E qual é o seu ponto de vista?
- Uma hora qualquer te explico. – ele sabia ser desagradável, sabia como fazer alguém sentir que está sobrando, sabia como se livrar de uma conversa que não estava disposto a ter.
- Faça uma pausa e experimente a torta, o Ben adorou, incrementei uma recita básica e, modéstia à parte, ficou muito saborosa, vou fazer outras vezes. – sentenciei, simplesmente enfiando o prato sobre o teclado, enquanto apoiava a outra mão sobre seu ombro largo e nu.
No instante que toquei seu ombro, podia jurar que ele sentiu um calafrio perpassando seu corpo, tanto que a mantive ali, movendo sutil e delicadamente os dedos sobre aquela rigidez musculosa. Consegui o que queria, ele abandonou o trabalho e começou a comer, mas ainda não se atrevia a olhar na minha direção. Isso me deixou mais seguro, se o fizesse, ia acabar cedendo a sabe lá o que eu estivesse tentando com ele.
- Sua pele está fria! Talvez fosse prudente fechar um pouco a janela, você está sentado diretamente na corrente de ar. – afirmei, ao mesmo tempo em que fazia minha mão deslizar suavemente até o mamilo esquerdo dele.
- É o médico falando? Já disse que não precisa se preocupar com a minha saúde! – devolveu
- Não, não é o médico falando! É o velho amigo que quer seu bem-estar. – minhas respostas estavam mexendo com ele, mais do que ele queria admitir.
- Então esse velho amigo deveria ser mais cauteloso com essa mão para não enveredar por caminhos perigosos. – retrucou, ao engolir a última garfada da torta.
- Sei que estou seguro estando com você! E aí, gostou?
- Da torta?
- Claro! Do que mais seria? – de repente, ele girou a cadeira e ficou frente a frente comigo. Eu tinha conseguido o que queria, ele não apenas me encarava inquisitivo, como estava com os pensamentos todos embaralhados na cabeça.
- O que quer comigo? Com essa visita ao meu quarto, todo dengoso e gentil?
- Te trazer para mais perto de nós! – eu ia dizer para mais perto de mim, mas achei prudente ser menos taxativo.
- Não quero atrapalhar o lance de vocês! – devolveu. Então ele sabe do Ben e eu, como suspeitei.
- Pode me responder algo com toda a sinceridade?
- Claro!
- Por que nunca falou nada sobre esse lance, sabendo que ele está acontecendo?
- Não é da minha conta!
- É uma pena! – subitamente, me senti sem forças para continuar aquela conversa. Me sentia sensível demais para ouvir algo que talvez viesse a me magoar.
- Boa noite! Não vá se esquecer de dormir, acho que já trabalhou bastante por hoje! – afirmei, ao deixar o quarto. – E, Ah! Cuidado com a janela aberta! – emendei, antes de fechar a porta, me encostar nela e respirar fundo, como se me faltassem as forças.
- Boa noite! – devolveu ele, voltando-se novamente para o notebook. – Obrigado pela torta! – exclamou, em voz mais alta, pois eu já havia encostado a porta.
Fui à cozinha, lavei o prato e os talheres, desliguei as luzes, pois vi que já era tarde e que o Ben já havia se recolhido. Tomei uma ducha e tentei dormir. Uma hora e meia depois, entrei no quarto do Ben, ele dormia como um anjo pecaminoso, a bermuda do pijama distendida por uma ereção e a respiração tranquila de um bebê. Tirei o pijama e entrei nu sob o lençol que o cobria. Minutos depois, a respiração dele roçava minha nuca, seu braço envolvia minha cintura e a pica se apoiava na minha nádega, melhor sonífero impossível.
A ousadia teve seu preço. Assim que o dia raiou e o alarme do celular do Ben tocou, ele enfiou vagarosamente a pica no meu cuzinho, enquanto eu me espreguiçava. Acabamos nos atrasando, uma vez que a pressa de seguir para o trabalho estava disputando a preferência com um coito moroso. Quando finalmente saí do quarto dele, após o banho conjunto, enrolado com uma de suas toalhas na cintura e os cabelos ainda molhados, dei de cara com o Alex no corredor, saindo para o trabalho.
- Dormiu bem? O café está pronto lá na cozinha! Se vocês não se apressarem vão perder a hora! – exclamou, me deixando sem graça.
Ele sabia. Desde quando eu não fazia ideia, mas ele sabia que o Ben estava me fodendo. Mais uma vez fiquei intrigado com esse aparente descaso dele. Nenhum comentário, nenhum gracejo, nenhuma piada sobre o assunto, não era o estilo dele. Sabendo que eu estava dando o cu, por que nunca se mostrou interessado em tirar pelo menos uma casquinha da oportunidade? Totalmente indiferente à minha bunda eu sabia que ele não era, já tinha me enrabado, tinha tirado meu cabaço. Será que adulto pensava de modo diverso daquele que o motivou a me enrabar na surdina dentro daquele ônibus?
- Você não acha estranho o Alex não tirar nenhum sarro com a nossa cara sabendo do que está rolando entre a gente? – questionei o Ben, enquanto tomávamos apressadamente nosso café preparado pelo Alex.
- Por que ele tiraria uma com a nossa cara? Deve estar achando natural, sempre soube que eu sou fissurado na sua bunda. – respondeu ele.
- Porque não é do perfil dele deixar algo assim passar batido. Você o conhece, sabe que ele não perde uma chance de zoar com alguma situação que fuja dos padrões. – argumentei.
- Por que você está tão preocupado com a opinião dele? – eis aí uma boa pergunta, para a qual eu evidentemente não tinha uma resposta.
Meu aniversário estava se aproximando. Fazia tempo que eu estava curioso para conhecer a Bia, a maior razão para que o Alex passasse quase todos os finais de semana fora de casa, e a desculpa para não nos acompanhar em inúmeras saídas. Eu já havia comentado com ele a minha curiosidade em conhecê-la, pedi que ele a trouxesse para um jantarzinho que prometi preparar, e a resposta foi surpreendente – ‘aqui não é ambiente para ela’. Como assim, aqui não é ambiente para ela? Por acaso o Ben e eu somos alguma espécie alienígena? Tarados pervertidos? Desclassificados que não sabem se comportar diante de uma mulher? Qual é a desse cara? Que marcássemos num barzinho então, sugeri, pois estava entusiasmado para conhecer a garota que conquistara o coração inflexível do meu amigo. Mas, em resposta recebi apenas desculpas sem fundamento. Então resolvi eu dar o primeiro passo, fazendo uma festinha pelo meu aniversário, apresentando a Luiza para eles, pois até então também ainda não a conheciam pessoalmente e, reiterando mais uma vez que o Alex trouxesse a Bia.
Fazia tempo que a casa não via tanto movimento. Eu havia juntado uma galera animada e apresentado a Luiza a eles, numa noitada bem festiva. A promessa de também conhecermos a Bia ia desaparecendo à medida que a noite avançava e ela não chegava.
- E a Bia? Será que ela não vem? – perguntei ao Alex.
- Deve estar um pouco atrasada, sabe como são as mulheres. – respondeu ele, na primeira vez que indaguei por ela.
Na segunda, a resposta foi definitiva, ela não viria. Havia surgido um problema inesperado e ela não podia vir, foi o que o Alex afirmou. Algo me dizia que ele nem a havia comunicado do meu convite. Por que outra razão ela deixaria de comparecer a um encontro para conhecer os amigos do namorado?
Era madrugada quando os últimos convidados se foram deixando a casa uma verdadeira zorra, mas a mim tremendamente feliz por estar cercado de pessoas com as quais me importava e que sabia também gostarem imensamente de mim. Embora a festa não tivesse o objetivo de receber presentes, havia uma porção deles sobre o aparador da sala quando eles se foram. Cada um dos meus amigos e amigas trouxe uma recordação, exceto o Alex. Não que eu estivesse esperando por algo dele; porém, o fato de não ter sido nem cumprimentado direito naquela manhã, tinha me deixado chateado. O Ben fez uma verdadeira festa quando se juntou a nós no café da manhã, além do presente, tascou-me um beijo libidinoso e sob o olhar do Alex, passou a mão na minha bunda com a mesma voluptuosidade que o fazia quando estávamos trepando.
- Tenho mais um presentinho te esperando! – disse o Ben, pouco antes de nos recolhermos, pegando na benga para deixar claro que tipo de presente era.
- Desculpe, Ben, hoje não! Acabei pegando uma puta dor de cabeça com toda essa agitação, além de estar caindo de cansaço. Não vou ser um bom parceiro nesse estado. – devolvi.
- Não tem como você não ser um bom parceiro! Só o fato de ficar enroscado no seu corpo já é motivo suficiente para eu me sentir satisfeito. – retrucou ele, compreensivo. Não era à toa que eu gostava tanto dele.
Eu tinha acabado de me despir e estava estirado sobre a cama com a cabeça apoiada sobre as mãos cruzadas no travesseiro, olhando pensativo para o teto, rememorando os acontecimentos daquele dia cheio de emoções. Quase não ouvi as batidas sutis na porta, e só percebi a presença do Alex quando a cabeça dele apontou entre a fresta da porta que ele cuidadosamente abriu.
- Oi! Posso entrar? Desculpe se te acordei.
- Ainda não estava dormindo. Precisa de alguma coisa? – era tão inusitada a presença dele no meu quarto que me surpreendi com aquela aparição àquela hora.
- Não, não preciso de nada! Só queria te entregar isso. – disse, me estendendo um pacote embrulhado em papel de presente. Ele afinal não havia se esquecido de mim.
- Obrigado! Você sabe que não era preciso. Meu maior presente é poder conviver com você todos os dias dentro dessa casa, não sabe? – devolvi, quando ele já estava sentado na beira da minha cama.
Ao desfazer o embrulho, me deparei com um porta-retrato no qual estava encaixada uma fotografia de nós dois nos tempos do colégio, posando abraçados e erguendo os troféus que havíamos conquistado, ao lado daquele ônibus que nos trouxe de volta para casa após os Jogos Interestaduais de Estudantes. Fiquei alguns minutos sem palavras, tentando sufocar um repentino nó que subia pela minha garganta.
- Lembra desse dia? Gostou? – questionou ele, percebendo que eu fazia um esforço gigantesco para controlar as emoções. O que ele estava pretendendo com esse presente?
- Claro! Gostei muito! Não sabia que você tinha essa fotografia. – respondi entusiasmado. Será que ele se lembrava de tudo daquele dia? – Nunca vou me esquecer de um só lance dos acontecimentos desse dia, nem que eu viva cem anos! – acrescentei, para ver qual seria sua reação.
- Nem eu! Foi o dia mais feliz da minha vida! – retrucou ele, me encarando com os olhos brilhando por algo que estava em seu peito, prestes a explodir.
Me inclinei cauteloso na direção dele e o abracei, me dando conta, só então, que ele estava metido apenas numa cueca, e que todo aquele tronco viril e nu estava envolto nos meus braços, pois meu primeiro instinto foi me atirar de encontro aqueles pelos sensuais que o revestiam. Assim que suas mãos se fecharam ao redor do meu torso, nossas bocas se encontraram, e o beijo longo e molhado nos acompanhou até ele ficar deitado em cima de mim, se mexendo impaciente de forma que nossas quase nudez se roçassem como numa dança de acasalamento. Ambos começamos a sentir nossas ereções se formando. Ele puxou minha bermuda do pijama para baixo e com a voracidade estampada na expressão de seu rosto, agarrou minhas nádegas, amassando-as com força e determinação. Eu nunca quis tanto alguma coisa quanto aquele cacete que roçava minhas coxas, quanto aquele macho entrando em mim e devassando minhas entranhas. Comecei a abrir as pernas trazendo os joelhos até quase a altura dos ombros dele, me abrindo e me oferecendo à sua devassidão, que brilhava no olhar compenetrado e cobiçoso. O Alex foi descendo beijos, lambidas, chupões dos meus mamilos para o peito, deste para o ventre e dali para o rego que ele mantinha aberto segurando minhas pernas no ar. Achei que fosse desmaiar de tanto tesão quanto senti a primeira lambida dele sobre as minhas pregas anais. Gemi ensandecido. O Ben nunca lambeu meu cu, e o Alex o fazia não só cheio de tesão, mas com a mesma diligência que um lobo fareja o cio de uma fêmea. Inebriado pelo êxtase de vê-lo e senti-lo ali me farejando feito um animal selvagem, eu rebolava assinalando que estava pronto e sôfrego para levar seu caralho no cu. Ele parecia não ter pressa, estava satisfeito ao ver minha submissão, e enfiou um dedo no meu cuzinho. Por sorte me lembrei que o Ben estava no quarto ao lado e controlei a intensidade do grito que soltei, pois o tesão que senti naquele instante, com o dedo entrando e o Alex estudando minha reação, não tinha preço. Enquanto aquele dedo se movia em círculos entre meus esfíncteres apertados, ele enfiava outro na minha boca, me instigando a chupá-lo para diminuir o ruído dos meus gemidos. Eu havia perdido completamente o controle do meu corpo, que apenas reagia aos estímulos, tremendo num frenesi que ganhava força. Como quem idolatra um deus, eu deslizava minhas mãos espalmadas sobre o peito dele, acariciando os pelos másculos. Eu queria descer e pegar naquele cacete duro que tinha armado uma barraca na cueca dele, mas na posição que me encontrava meus braços não o alcançavam.
- Fala para mim o que você quer? – indagou lascivo
- Teu cacetão! – respondi gemendo.
Ele tirou a cueca, se aproximou de mim quase sentando no meu peito e me deu seu falo babando. Eu sempre desconfiei que o Alex era bem-dotado. O volume que ele trazia debaixo das calças, a ferida que levou quase uma semana para cicatrizar quando ele me descabaçou, e o contorno quase obsceno que se desenhava quando ele perambulava pela casa dentro de um short, eram sinais óbvios de que seu falo fugia aos padrões. Agora eu tinha certeza disso. A centímetros do meu rosto estava uma jeba colossal, cabeçuda, grossa, peluda, reta embora ligeiramente desviada para a esquerda, nutrida por grossas veias dilatadas que formavam desenhos, sob a pele que a revestia, como se fosse o percurso de um rio e seus afluentes. Não era apenas linda, mas instigante e sedutora, exalando um perfume amendoado e selvagem. Com um sorriso no rosto ele acompanhou a delicadeza com a qual a minha mão se fechou ao redor dela, levando-a à minha boca. Antes de eu conseguir abocanhá-la, um espesso e viscoso fio de pré-gozo caiu sobre o meu queixo. Um outro já se formava, vertendo lento do largo orifício uretral,
Havia pouco mais de um ano que eu regressara a minha cidade natal no interior paulista após a conclusão do curso de medicina e da residência médica, que me privaram do convívio com ex-colegas de colégio que foram ficando cada vez mais apenas nas lembranças. O tênis clube da cidade continuava sendo um ponto de encontro das famílias, onde ocorriam os eventos sociais que costumavam preencher a coluna de fofocas do jornal da cidade. Tinha sido meu lugar favorito na cidade quando criança. Foi à beira das piscinas dele que fiz minhas primeiras amizades, foi nas águas delas que iniciei a prática da natação e onde conquistei minhas primeiras medalhas no esporte, foi onde dei meu primeiro beijo numa garota durante o concorrido baile anual da primavera quando já me julgava um homem e não mais um adolescente, embora minha idade comprovasse o contrário.
- Ora, ora, o bom filho à casa torna! Otávio Breton! Ei-lo de volta às origens! – a voz festiva e alegre não me era desconhecida, embora estivesse alguns timbres mais grave.
- Ben! Benício Tardelli! O cara mais tarado que esta cidade já criou! Não dá nem para acreditar, saca só a beca do mauricinho! – exclamei quando encarei a cara risonha do garoto mais mulherengo do colégio, agora um homem com direito a uma barba bem desenhada na cara, o que lhe conferia um ar de astro de cinema. A garota que estava com ele me encarou com reservas, depois de eu ter chamado seu namorado de tarado.
- Você acredita que a gente chamava esse baita cara de Tavinho, amor? Bicampeão de natação dos jogos interestaduais de estudantes! De que ano mesmo? – continuou ele, me elogiando por feitos do passado.
- E você Ben! Cestinha do time de basquete, responsável por três taças de campeão do colégio! – devolvi, retribuindo o elogio e lhe dando os merecidos créditos que ainda deviam estar expostos na estante da sala do diretor.
Depois de uma meia hora nessa troca de confetes, questionamentos sobre nossas atuais profissões, indagações sobre nossos familiares, me dei conta de que havia esquecido por completo da minha prima que me acompanhava no baile e, a quem tinha deixado num grupinho para buscar umas bebidas. Ao arrastar meu amigo Ben e a namorada comigo até a mesa onde eu a havia deixado, constatei que meu esquecimento tinha sido providencial para ela, pois o carinha que não tirava os olhos de cima dela, acabou criando coragem com a minha ausência para se aproximar dela. Acho que foi por isso também que ela, me lançou um sorriso amarelo quando voltei acompanhado, fazendo as devidas apresentações, enquanto o que ela queria era ficar a sós com o sujeito boa-pinta que a chavecava. Outra descontente com aquela situação era a namorada do Ben, visivelmente incomodada pelo namorado estar dando mais bola para mim do que para ela. Para não estragar a noite da minha prima e, dar uma chance para o sujeito a deixar impressionada e convencida o suficiente para um futuro encontro, eu e o Ben procuramos um canto mais reservado do salão, enquanto a namorada entediada já começava a dar sinais de chilique iminente. Ele realmente não demorou a acontecer. Primeiro ela deu um tempo dizendo que ia ao toilette, levou uns vinte minutos para voltar, se enganchou no braço dele e, não duvido, deu alguns beliscões, pois o Ben perdeu por uns segundos o rumo do que estava dizendo para se voltar para o braço atacado pela leoa enciumada. Depois, deixou a tromba de descontentamento escancarada para quem quisesse ver, enquanto enchia o saco do Ben para que a levasse para casa, o que ele nem se deu ao trabalho de registrar, deixando-a tão puta que ela resolveu dar adeus e sumir no meio do salão lotado.
Eu não estava nem aí para a garota e, pelo visto, o Ben também não, tanto que nem um ‘tchau’ deu quando ela saiu pisando firme. Era bem o estilo dele, de início corria atrás delas feito um garanhão que sentiu o cheiro do cio no ar, quando elas caiam da lábia dele, não dava trégua às visitas em suas bucetas e, quando se cansava do brinquedo, ou achava que estava perdendo coisa melhor, vinha a indiferença que acabava por afugentá-las. Isso fez a fama de tarado se espalhar por todo colégio e, mesmo assim, sempre havia garotas candidatas ao posto de ficante da vez. A balada bombava à medida que a madrugada ia avançando, quase alheios a tudo ao redor, o Ben e eu íamos falando e rindo dos episódios do passado, quando quase simultaneamente, avistamos ninguém menos do que o terceiro mosqueteiro daquele trio popular que formávamos no colégio, Alex, Alex Dekaoury; que, ao nos avistar pelo escandaloso agitar de braços do Ben, veio direto em nossa direção com seu sorriso econômico e ponderado.
- Se não são meus dois escravos preferidos! – exclamou, quando chegou junto a nós, nos fazendo rememorar que, de certa forma, ele sempre tinha feito de ambos uma espécie de seus serviçais, quando aprontava alguma de suas inúmeras traquinagens e, pelas quais, muitas vezes, fomos o Ben e eu que acabamos parando na sala do diretor e, levando vexatórias cartas de advertência para casa. – Não sabia que estavam na cidade! Achei que estivessem perdidos mundo afora! – emendou, enquanto nos abraçava festivamente.
Fomos praticamente expulsos do clube pelos seguranças exaustos e de mau-humor que queriam fechar as instalações ao final do baile, quando o alvorecer já se anunciava entre as nuvens cinzentas que começavam a se iluminar e ganhar tons multicoloridos. Não fomos longe, uma mureta baixa na calçada do lado de fora do gradil do clube serviu de sala para o bate-papo saudoso que não encontrava fim, e onde terminamos de entornar as latas de cerveja surrupiadas, ainda geladas, enquanto o pessoal que tinha comandado o bar se ocupava de fechar o balanço da festa. Fazia tempo que eu não me sentia tão feliz, tão completo. O reencontro do trio me transportou a um tempo onde aqueles meus gigantescos problemas agora me pareciam apenas um grãozinho de areia na vastidão da praia e, onde mesmo assim, era na amizade deles que tudo encontrava solução.
- Tratem de ir curar essa bebedeira em suas casas! – ordenou zangado o segurança da guarita de entrada do clube. – Não me obriguem a chamar a polícia para fazer isso! – emendou, ante nossas caras abobalhadas que caíram na risada depois da ordem que nem sequer era cogitada acatar.
Afastamo-nos alguns metros, e foi só. O efeito diurético das cervejas já se fazia presente, banheiros só dentro do clube onde não seríamos aceitos nem que estivéssemos tendo um infarto ou, em nossas casas, para onde nem pensamos voltar antes do bate-papo estar concluído. As mini-azaléias do canteiro da mureta foram as agraciadas com o nosso mijo volumoso, enquanto a familiaridade daquela cena começava a deixar nossas palavras cada vez mais sinceras.
- Saca só a bunda do Tavinho! Você já viu bunda mais gostosa que essa? Pergunta se um rabão desses é coisa de homem. Meu caralho sempre foi tarado por esse bundão lisinho, e o seu Alex? – sentenciou o Ben quando foi a minha vez de aliviar a bexiga e, minha calça escorregou até os joelhos enquanto eu tentava acertar o canteiro com o jato do mijo e não os meus pés.
- Vai procurar a garota que você deixou na mão, ela deve estar interessada na tua pica, não eu! – devolvi, fazendo-o cair na risada.
- Lembra dessa bundinha pelada, Alex, no vestiário da quadra de esportes? A molecada ficava de pau duro quando o Tavinho tirava a sunga e ia para os chuveiros. Quantas noites não acordei todo esporrado na cama, sonhando com esse rabo. – revelou o Ben.
- Eu tô lá interessado em rabo de macho? Isso é coisa para tarados feito você! – retrucou o Alex, de forma tão enfática e desprovida de interesse que me deixou o restante do dia rememorando um episódio do passado, quando já me encontrava em casa e cuidando da ressaca por não estar habituado a beber.
Os jogos interestaduais de estudantes aconteceram noutro Estado naquele ano, o que levou o colégio a fretar dois ônibus para levar os esportistas até o evento. Ficamos alojados em duplas, em barracas montadas na quadra de esportes de um colégio participante que havia cedido suas instalações para as equipes. Eu dividi a minha com o Alex por toda a semana dos torneios, e tive que abrir meu saco de dormir ao lado do dele, no espaço confinado da barraca. Findos os jogos, fazia tempo que nosso colégio não tinha um desempenho tão bom como naquele ano. O Alex trouxe o primeiro troféu do colégio como campeão de judô, e sua segunda medalha de ouro no esporte pendurada no pescoço. O Ben, cestinha disparado dos jogos, com mais do que o dobro da pontuação do segundo colocado, fez com que o troféu de bicampeões daquele ano viesse para o nosso colégio. Eu, trouxe na bagagem o primeiro troféu do colégio de campeão de natação modalidade crawl, e vice-campeão individual nos 200 metros no nado Medley. A galera apesar de exausta devido as competições, embarcou nos ônibus de volta cantando, zoando e se vangloriando de como tinham vencido os adversários nesse ou naquele esporte. Os quilômetros de estrada que pareciam não ter fim, foram ajudando a derrubar um aqui outro acolá até que, já noite escura, só se ouvia o sussurro monótono do motor e do ar deslocado pela velocidade do ônibus e, de quando em vez, alguém roncando embalado na despreocupação da juventude. Como alguns pais de estudantes tinham ido participar da cerimônia de encerramento e entrega dos troféus, o ônibus tinha muitos lugares vazios; mesmo assim, o Alex e eu ocupávamos um par de bancos quase no final da cabine. Em determinada hora o sono também nos venceu. Eu me enrodilhei no assento voltado para a janela e contava com o embalo da vibração da carroceria para pegar no sono. Estava me arrependendo de não ter ocupado uma fileira de bancos vazia ao invés de ficar disputando aquele espaço exíguo com um cara tão grande quanto eu, quando senti o Alex encostado nas minhas costas e, constrangedoramente encaixado na curvatura saliente da minha bunda. Fizera um dia quente, por isso vesti apenas um short e uma camiseta, como a maioria da galera, para enfrentar a viagem de volta. Apesar do ar-condicionado ligado, o abafado da noite também estava presente na cabine que, somado ao calor que minava do corpão parrudo do Alex, me impediu de cair no sono profundo, e tive que me contentar com breves instantes de cochilo. Durante um deles, quando não ficava claro se estava realmente dormindo ou apenas sonhando, senti que uma mão puxava meu short para baixo e punha minha bunda a descoberto. Fatigado demais para dar importância a isso, encaixei meu rosto na concha que minhas mãos formavam abrigando minha cabeça junto ao espaldar da poltrona. Também tinha algo se insinuando entre as minhas coxas, nada que valesse apena conferir, uma vez que isso me tiraria aquele estado de torpor gostoso que ia ganhando força e me fazendo relaxar. No entanto, aquilo que começou como um tênue resvalar, começou a se intensificar e agora já era possível distinguir sensivelmente que alguém, sem roupa, estava me encoxando e que, aquele algo, antes flácido, estava tão rijo quanto uma barra de aço me cutucando muito próximo do cuzinho desprotegido. Melhor tentar outra posição, talvez o incômodo fosse embora e eu pudesse continuar dormindo. Porém, ao tentar pôr esse pensamento fugaz em prática, aquela coisa rija e molhada se posicionou sobre a minha rosquinha anal e, com um movimento abrupto, penetrou meu cu, me obrigando a soltar um ganido, tanto pelo susto, quanto pela dor de sentir algo se rasgando naquele lugar tão íntimo e resguardado. Eu conhecia aquele arfar, conhecia aquele hálito, conhecia aquele cheiro que estava junto à minha nuca, enquanto aquela coisa descomunal deslizava para dentro do meu cu. Não havia dúvida alguma de quem era o dono daqueles braços musculosos que envolviam meu tronco e me seguravam tão junto daquele tórax robusto que eu podia sentir o coração dele batendo numa cadência agitada ecoando nas minhas costas. À medida que aquela coisa enorme entrava em mim, a dor aumentava e eu precisava urgentemente encontrar outra posição, pois nas minhas entranhas as estruturas iam sendo deslocadas para alojar aquela coisa roliça e latejante, que eu bem sabia o que era. Para abafar minha respiração que se transformara num ganido constante e alto o suficiente para fazer alguém despertar e voltar sua atenção para onde estávamos, uma mão pesada cobriu meus lábios, sufocando minha agonia. A penetração em profundidade terminou quando senti que, além daquilo que estava entalado no meu cu, minhas nádegas aprisionavam algo do tamanho de uma bola de tênis, pois não só o volume, como a textura, a pelagem macia e a consistência se assemelhavam a ela. Por alguma razão eu não reagia. Eu sabia o que estava acontecendo, sabia quem estava fazendo aquilo comigo, mas não reagia. Até curti aquele vaivém que começou a mover o troço roliço e quente através dos meus esfíncteres, me proporcionando uma sensação ímpar e inusitada. Até aquela agonia inicial deu lugar a uma calmaria que me mantinha encaixado no meio daquelas coxas peludas e fortes, fazendo com que da mão pesada que cobria minha boca, apenas dois dedos inquietos penetrassem nela. Eu os chupei, pois mesmo naquela escuridão eu seria capaz de descrevê-los em detalhes, já os tinha visto centenas de vezes e, sabia a quem pertenciam. Um repentino trecho de ondulações na pista fez o ônibus sacolejar, transmitindo a reverberação para aquilo que estava no meu cu. O vaivém cessou, ficaram apenas as vibrações, houve uma estocada bruta que garantiu a penetração completa e, logo em seguida, aquela umidade escorrendo para dentro de mim, morna, pegajosa e tão abundante que me senti encharcado por dentro. O arfar na minha nuca estava tão próximo que o ar exalado roçava minha pele, uma lambida e uma mordiscada que a prendeu entre dentes afiados me fez gemer, não de dor, mas causada por uma sensação prazerosa que eu até então desconhecia. Aos poucos, e com a vibração da carroceria, senti aquilo deslizando lentamente para fora do meu cu, deixando nele a umidade, a ardência, e o enorme vazio. Eu estava mais desperto do que nunca, estava imobilizado num estado de puro êxtase, mesmo quando Alex virou seu corpo para o outro lado e caiu no sono. Jamais, em tempo algum, qualquer um de nós fez qualquer alusão ao que aconteceu naquelas poltronas, o que o passar dos anos foi deixando aquilo mais parecido com alguma cena de um filme, um pensamento passageiro e delirante, um algo que na realidade talvez nunca tivesse acontecido de fato. De qualquer modo, a fala do Alex em relação a observação do Ben, trouxe esse episódio à tona das minhas memórias.
No segundo verão depois disso, cada um de nós seguiu seu caminho com a conclusão do colégio e o ingresso nas faculdades em outras cidades. Antes disso, ainda trouxemos mais alguns troféus para ornar a sala do diretor e, de certa forma, imortalizar nossa passagem por ali.
O reencontro daquela noite, uma década depois, foi tão especial justamente por conta desses feitos durante a adolescência. Não éramos mais os garotos a poucos anos da fase adulta que desde a infância foram construindo aquela amizade, estávamos de volta como homens feitos com suas carreiras tomando impulso. O curioso é que durante todo esse tempo não mantivemos contato, mas no reencontro ficou evidente que as coisas pareciam ter ficado paradas apenas um breve lapso de tempo, como acontecia quando dizíamos – até amanhã – ao voltarmos para nossas casas depois de um dia cheio de acontecimentos.
Na mesma semana retomamos a amizade, combinando um chope ao cair da tarde, onde aquela década obscura foi sendo desvendada papo após papo. Foi seguindo assim por alguns meses, quando fomos percebendo que nenhum de nós estava feliz com a maneira como nossas carreiras se desenvolviam naquela cidade. Era como se estivéssemos pisando no freio ao invés do acelerador. Eu trabalhava num hospital privado da cidade, cumprindo uma jornada exaustiva e dando três plantões de vinte e quatro horas durante os finais de semana, restando-me apenas um para curtir a vida, os amigos e a família. Geralmente estava tão cansado que era como se eu não estivesse ao lado deles por inteiro. Os melhores cargos, com menos horas e mais bem remunerados, estavam nas mãos dos filhos de médicos renomados da cidade que também eram donos dos hospitais, laboratórios e clinicas privadas deixando para quem, como eu, que não tinha nenhum parente nessa condição, sujeitos a pegar o que havia disponível. Com o Alex, que cursou direito e se especializou em direito empresarial internacional também não havia onde aplicar todos seus conhecimentos, atuando como advogado assistente num escritório tradicional da cidade, uma vez que no dele, apareciam alguns gatos pingados com questões simples que mal davam como cobrir os custos de aluguel e secretária. A situação do Ben se assemelhava à nossa. Engenheiro de software, pós-graduado em inteligência artificial, sua atuação se restringia à prestação de assistência técnica às poucas industrias da cidade com capacidade de requerer seus serviços.
Nossa conversa daquele final de tarde, que foi avançando noite adentro, na mesa dos jardins de um badalado barzinho versava sobre essa insatisfação coletiva. Éramos intrépidos, ousados, e aquela cidade se mostrava pequena e provinciana demais para acomodar nossos sonhos. Ao sermos convidados a nos retirar pelos garçons que queriam fechar o estabelecimento depois de um dia cansativo, e vermos que éramos os últimos a ocupar uma mesa, fechamos a questão. Íamos juntos procurar outro lugar para viver e prosperar. A capital se afigurou a opção mais promissora, mas a batida do martelo ainda ia depender de mais algumas rodadas de chope na mesa de um bar, antes de darmos início à grande mudança.
Tudo acertado, chegamos à capital na véspera de um feriadão, quando meio mundo parecia fazer o trajeto inverso, congestionando as pistas da rodovia no sentido contrário, numa sexta-feira de chuva fina. Teríamos feito a opção certa? Foi o que nos perguntamos ao ver todos aqueles carros seguindo rumo ao interior do Estado. Chegar ao apartamento alugado algumas semanas antes foi um calvário, e vê-lo completamente vazio, desolador. Havia muito o que fazer antes de termos um mínimo de conforto entre aquelas paredes. Porém, éramos otimistas, estávamos ali para dar a cara a bater, seja o que Deus quiser dissemos quando, sentados no chão da sala, devorávamos uma pizza e brindávamos com o tilintar das próprias latinhas de cerveja o nosso novo endereço.
O Ben foi o primeiro a se empregar. O currículo que enviara quando ainda estava no interior e nossas conversas não passavam de suposições, levou-o a uma conceituada empresa do ramo, e a uma posição bem-remunerada. Eu fui o segundo, um contrato junto a um hospital de porte me levou a assumir a chefia dos médicos intensivistas e, menos de um mês depois, outro convite para integrar a equipe assessores clínicos de uma rede de laboratórios, acabou por ocupar todo meu tempo disponível que, apesar disso, ainda tinha uma carga horária bem menos estafante do que aquela que eu cumpria no interior. O Alex foi o último a ser recompensado por sua dedicação na procura de um bom emprego. Um escritório especializado em fusões e aquisições o chamou para reforçar o time de advogados, acenando com uma participação como sócio dentro de vinte e quatro meses, se ele se adaptasse bem à equipe.
Já durante o primeiro ano, fomos constatando que o apartamento não atendia integralmente nossas necessidades. O fato de haver apenas uma suíte e dois quartos nos levou a sorteá-la nos palitos, o maior ficou com o Alex e, portanto, ele assumiu o espaço mais privilegiado. A disposição dos cômodos também foi se mostrando pouco prática para as atividades que fazíamos no apê e, a necessidade de encontrar um lugar que tivesse mais a nossa cara, foi se tornando mais urgente.
- Dá para você cobrir essa coisa com o básico para que não sejamos obrigados a dar de cara com esse bagulho cada vez que você sai do banheiro, Ben? Caralho! Já te pedi isso umas mil vezes, cara! – protestei, mais uma vez, ao entrar em casa e dar de cara com a pica do Ben oscilando feito o pêndulo de um relógio entre as suas pernas. O safado se limitou a rir.
- Quem sabe você acaba se encantando com ele e me dando uma chance nessa bundona gostosa! – exclamou, procurando com o olhar a conivência do Alex que, como sempre, estava mais interessado em seus problemas do que nos de qualquer outro.
- Fala alguma coisa, cara! Manda ele parar com isso. As janelas dos prédios vizinhos estão tão próximas que qualquer hora dessas a polícia vem tocar aqui nos acusando de atentando violento ao pudor. Você bem sabe que isso é crime. – pedi ao Alex, uma vez que durante aqueles meses de convívio, foi ele que começava a despontar como a liderança no apartamento.
- Há controvérsias se trata-se mesmo de atentado violento ao pudor ou, se estamos falando das complexidades do crime de importunação sexual – devolveu ele, indiferente às minhas queixas.
- É crime, seja lá a ladainha que vocês advogados inventam para safar seus clientes. E, para mim, você é cumplice desse tarado doente! – exclamei zangado, fazendo com que os dois se entreolhassem como se estivessem realmente mancomunados.
Afora essas pequenas rusgas, comuns quando os relacionamentos perdem aquele crivo social e se tornam tão íntimos que permitem discordâncias sem perderem sua força motriz, vivíamos muito bem adaptados às manias uns dos outros.
Fui o primeiro a anunciar que estava namorando. Tinha conhecido a Luiza no hospital durante um dos meus plantões. Ela estava de plantão no Pronto-Socorro infantil quando nos conhecemos, atendendo a uma criança vítima de atropelamento que havia entrado em estado comatoso e precisava ser transferida para acompanhamento na UTI. Ela era bonita, alta, loira natural, tinha um sorriso de arrasar quarteirões e um par de olhos que eram pura bondade. Por cerca de um mês ficamos naquele chove-não-molha, tomando café juntos na lanchonete do hospital durante os breves intervalos de pausa, fingindo que os encontros para o almoço eram apenas uma coincidência e trocando emojis diários pelo celular. Na primeira oportunidade, convidei-a para um cineminha, ela retribuiu me convidando para um churrasco na casa de um casal amigo, alguns dias depois. Ao deixa-la em casa nele final de tarde rolou o beijo que já não foi o mesmo de quando nos despedimos após a sessão de cinema. Havia nele um acordão de que tínhamos passado para um estágio mais avançado e, dali em diante, entendemos que estávamos compromissados. Contudo, só fiz o anúncio dentro de casa quando completamos três meses de encontros, e eles começaram a ser objeto de curiosidade por parte do Alex e do Ben.
As saídas do Ben não eram levadas a sério, uma vez que a garota sempre tinha outro nome novo, o que nos levava a nem nos darmos ao trabalho de cravar o nome da garota com a qual ele estava saindo. Tal qual na época do colégio, quando seguramente mais da metade das meninas já agasalhou a jeba do Ben nas bucetas, o Alex e eu sabíamos que a mulherada da empresa na qual o Ben trabalhava estava entrando para a mesma estatística.
Sempre o mais reservado de todos, o Alex não fazia comentários sobre suas saídas, seus encontros, onde tinha passado a noite ou o final de semana inteiro. Quando o colocávamos contra a parede, ele dissimulava inventando uma estória qualquer. Mas, havia alguém, ao menos eu tinha certeza que sim, pois vi o nome Bia na tela do celular dele, em duas ocasiões em que estava distante do aparelho quando ele tocou. Para atender as ligações, ele se enfiava em seu quarto e, nem as tentativas do Ben ouvir a conversa atrás da porta deram resultado. E assim, nos conformamos com aquela aura de mistério que sempre rondou a personalidade do Alex. Ele era assim, esquivo, taciturno, misterioso e, pronto. Não havia o que fazer para mudar isso.
No dia em que fui ao churrasco com a Luiza na casa do casal amigo dela, passamos por uma casa com placa de – Vende-se – na mesma rua. O imóvel estava meio decadente, mas o quintal do casal, que estava localizado num terreno com a mesma metragem, despertou meu interesse pela casa.
- Uma reforma? Isso é um porre! É o jeito mais fácil de foder com as nossas contas bancárias, uma vez que você começa achando que vai ser uma coisa simples e quando se dá conta teve que refazer praticamente tudo.
- E você, Alex, qual seu veredicto? – questionei, uma vez que o Ben hesitava com a ideia.
- Concordo com o Ben. Porém, seria um desafio bem legal encarar um projeto desses. Já vimos que o apê não nos atende e que uma mudança terá que ser encarada mais cedo ou mais tarde. Eu topo, se não for algo muito grande. – afirmou
- Dois contra um, vencemos! – exclamei, contente.
- Dois contra um o caralho! O Alex não concordou, só disse o que pensava a respeito. Daí a se enfiar numa reforma custosa tem muito chão! – retrucou ele. Olhei para o Alex. Ele meio que esperava por isso. Cada vez que os três entravam num impasse, eu lançava esse olhar na direção dele, pois parecia que ele sempre ia tomar meu partido.
- Vamos ver a casa primeiro! Depois me decido por quem vou apoiar. – sentenciou, ao que lhe dirigi um sorriso, pois estava quase certo que ele me apoiaria. Já o Ben começava a entender que tinha perdido a batalha.
Unanimemente gostamos da casa. Havia muito a fazer, mas ela tinha caído nas graças dos três, cada um ao seu modo, projetou o que esperava dela após a reforma. Contratamos um engenheiro e pusemos mãos à obra. A previsão de entrega, conforme nossos desejos, aconteceu dois meses antes do combinado e, a um custo ligeiramente maior que orçado sem arruinar nossas finanças. Enfim, estávamos satisfeitos. Cada um tinha sua suíte, bastante ampla, que garantia privacidade, e as áreas comuns bem planejadas e decoradas com a ajuda da irmã do Alex, que era arquiteta, eram motivo de elogios para todos os amigos que passamos a convidar regularmente para festinhas, churrascos, ou mesmo visitas ocasionais.
Quem basicamente cuidava das refeições que fazíamos em comum era o Alex e eu, pois o Ben era uma negação na cozinha, para não dizer um verdadeiro desastre. Num dos costumeiros conselhos nos quais nos reuníamos para discutir algum tópico, o condenamos a se manter o mais afastado dela possível, pois até as louças e aparelhos portáteis ele conseguia quebrar com uma facilidade tremenda. Para nos recompensar por isso, ele assumia a churrasqueira quando promovíamos os encontros com os amigos, e era muito bom nisso.
A presença de um quintal espaçoso no imóvel nos levou a instalar uma jacuzzi a céu aberto num deque que a irmã do Alex nos sugeriu construir por achar que era o toque que faltava para deixar o espaço aconchegante. Virou meu calvário toda vez que a usava. Desde os tempos do colégio, o Ben se assanhava para o meu lado toda vez que não encontrava em quem meter a rola insaciável. Chegamos a nos engalfinhar algumas vezes, mas isso nunca o intimidou ou o fez parar de me assediar. Com o tempo, deixei de me irritar com ele, só contornando suas investidas ora com mais firmeza, ora dando de ombros.
Domingo lindo de sol, quente desde cedo, nada a fazer a não ser aproveitar para descansar. A Luiza estava de férias e viajou com os pais por três semanas para a Turquia. Portanto, sem namorada. O Alex tinha sumido na sexta-feira logo após regressar do trabalho, para um de seus compromissos misteriosos. Não dormira em casa desde então. Sunga, óculos de sol, fones de ouvido e celular, fui tomar sol no deque após uma breve imersão na jacuzzi. Não se passou nem um quarto de hora e o Ben estava ao meu lado, falante, irrequieto, cheio de piadas pornográficas. E, conhecendo-o como o conhecia, certamente sem ter estado dentro de uma buceta há alguns dias. O comportamento atirado dele nessas situações era quase uma marca registrada.
- Sunga nova? – começou, assim que se sentou ao meu lado sobre o tabuado do deque.
- Não começa, Ben, que saco! – exclamei, tentando me fazer de zangado.
- Calma! Só fiz uma pergunta!
- É, eu sei onde você quer chegar com essa pergunta.
- Se sabe, por que não facilita as coisas, estou matando cachorro a grito! – ele era tão safado e cativante ao mesmo tempo que não dava para ficar verdadeiramente furioso com ele. Era seu jeito, nada mais.
- Vai procurar um puteiro!
- Já conheço tudo que tem num puteiro. Não adianta procurar outros, pois são todos iguais. Quero novidades. – retrucou
- Vai bater uma punheta e depois se enfia debaixo da água fria. – devolvi, sem prestar muita atenção nele.
- Não estou precisando de um médico me prescrevendo tratamento. – afirmou.
- Disso eu sei! Você precisa de um psiquiatra e um psicólogo, e tem que ser dos bons. Quem sabe consigam dar um jeito nessa compulsão doentia. – asseverei.
- Você sabe que não preciso nada disso! Só preciso de você, que seja carinhoso comigo, que quebre meu galho.
- Pirou? Só pode! Está me achando com cara de puta?
- Jamais ia pensar isso de você. Você é meu amigo, é meu parça, meu quase irmão, podia se comover com a minha situação, se gostasse de mim nem que fosse um tantinho assim. – o pilantra não era fácil. Eu ri.
- Essa é a questão, não gosto de você! – provoquei. Ele soltou uma gargalhada.
- Você me ama, só não descobriu ainda! – exclamou. Foi minha vez de soltar uma gargalhada nervosa.
Desde que estávamos morando sob o mesmo teto, eu ainda não tinha chegado a uma conclusão se esse tanto que eu gostava dele era um gostar de colegas afinados, um gostar fraternal de irmãos que não conhece limites, ou um gostar inspirado na transformação que o corpo dele sofreu, de menino para homem, o que positivamente tinha modificado minha maneira de enxergá-lo. O fato de eu ter ficado repentinamente em silêncio, parecendo não encontrar uma maneira de contra-argumentar, deixou tudo mais estranho. Para disfarçar, liguei os jatos da jacuzzi e entrei nela, pensando estar seguro ali dentro. Ledo engano, ele me seguiu, e nem se preocupou em esconder a descarada ereção dentro da sunga. Não sendo gay, por que o cacete duro de um cara me deixava desconfortável? Aliás, por que certos tipos de caras me deixavam desconfortável? Era embaraçoso demais procurar uma explicação para isso.
- Seja sincero comigo. – recomeçou ele.
- Lá vem besteira!
- Não! Seja sincero. Se eu estivesse precisando de respiração boca-a-boca numa eventual emergência qualquer e só você estivesse comigo, você ia me salvar? – indagou.
- Te deixava morrer!
- Mentira! Você jurou por Hipócrates! Pedi para você ser sincero, porra! – retrucou irado.
- Sabe por que você está enchendo meu saco com essa conversa? Porque você sabe a resposta e porque você está dando voltas e voltas para dizer que está a fim da minha bunda. – devolvi. Ele ficou alguns minutos em silêncio dando petelecos na superfície da água.
- Ao contrário de você, eu sou sincero! Estou a fim de sua bunda, nunca escondi isso. A questão é, você sabendo disso e do quanto gosto de você, vai liberar ela para mim?
- Não sou gay! – respondi enfático.
- Não foi isso que perguntei! Também não é o fato de você ser ou não ser gay que está sendo discutido. Caralho, eu só quero saber se você deixa eu colocar meu pau na sua bunda, só isso, simples pra caralho. – retrucou ele.
- Saco, Ben! Eu não sei! Está contente agora? Eu não sei! Tá feliz! – exclamei exasperado. Nossos braços já estavam se roçando há algum tempo, depois da minha explosão, ele se virou para mim e me abraçou.
- Vamos descobrir juntos? – senti os lábios dele tocando os meus e, junto com um calafrio na coluna, senti o peso dele se debruçando sobre mim.
Minhas mãos seguiram tímidas em direção ao tronco dele e o seguraram hesitantes a princípio, antes de o envolverem. Ele se deliciava cada vez mais com o sabor da minha boca, ousava enfiando nela a língua impudica e safada da mesma maneira como fazia com as mulheres para deixar suas vaginas molhadas. Obviamente eu não tinha uma para ficar úmida, mas comecei a sentir o tesão me excitando, endurecendo meu pau, convulsionando meu cu. O Ben é um homem bonito, atlético, másculo, atraentemente sacudo, o que fazia com que os mais primitivos desejos lascivos aflorassem. Meu corpo nunca estivera em suas mãos como naquele momento, tão cheio de energia, encantadoramente esculpido pela natureza, definido e voluptuoso a ponto de incitar o tesão de qualquer um. O Ben não se privou de explorá-lo, não sabia se aquela seria a única oportunidade que teria para isso, e tratou de aproveitá-la ao máximo, tirando de sua sensualidade um prazer novo. Ele comprimia minhas costas contra a lateral da jacuzzi exatamente sobre uma das saídas dos jatos d’água, o que massageava minha pele que, em conjunto com o movimento de suas mãos, me deixava todo arrepiado. Também contribuía para esse estado alucinado, a visão de sua pica enrijecida ganhando volume e tamanho pela refração da água. Aos poucos ele foi puxando minhas pernas para cima, abrindo-as para se encaixar no meio delas, dobrando meus joelhos assim que eles emergiram. Eu parecia estar numa mesa ginecológica com ele libidinosamente encastoado nas minhas coxas. Enquanto me beijava impulsivo e determinado, sentindo como minha boca retribuía generosa às suas investidas, o movimento de sua pelve desvairada fazia com que o cacete dele deslizasse ao longo do meu rego lisinho. Eu chegava a ficar sem ar quando sentia a jeba dele pincelando minha rosquinha. Me encarando e ajoelhado na jacuzzi, ele guiou o caralho até a cabeça estufada ficar sobre a fendinha raiada do meu cu, colocou um beijo suave nos meus lábios e meteu seu falo em mim. Soltei um ganido que o deixou doido de tanto prazer. Eu precisei de uns segundos para me acostumar com aquele pinto do meu rabo, o que ele concedeu com um olhar embevecido antes de enfiar a caceta toda no meu cu. Ambos delirávamos de prazer com aquela conjunção tão perfeita. Acariciei o rosto dele sentindo as pontas dos meus dedos sendo pinicadas pela barba hirsuta que lhe conferia uma virilidade generosa. Deixei que o Ben estocasse meu cuzinho com toda a vastidão de sua tara, que crescia à medida que os meus espasmos anais mastigavam e sugavam sua rola para o interior do meu corpo. Meus gemidos o excitavam, faziam-no grunhir, exteriorizando luxuria e devassidão. Aquele par de olhos em encarando tão singelos e sedutores, implantavam no meu peito algo que até então eu nunca tinha sentido pelo Ben, cumplicidade e ternura. Envolto por esses sentimentos e por seu membro esfolando minha mucosa anal, comecei a gozar, ganindo e ejaculando até que toda a aquela tensão acumulada se dissipasse do meu corpo. Ele me lançou um sorriso ladino, quase tão perverso quanto a sevícia com a qual me fodia, o que o tornava ainda mais sedutor.
- Deixa eu gozar em você Tavinho? – murmurou, procurando segurar o urro que crescia em seus pulmões junto com a iminência do gozo.
Sem esperar pela resposta, talvez pela urgência, ele começou a esporrar meu cu, liberando naquele som roufenho todo o prazer que minha rosquinha apertada tinha lhe proporcionado. Nenhuma outra troca podia ser mais preciosa do que a que estávamos vivenciando, não apenas o prazer que comungávamos, mas a consolidação de algo que até então não existia em nosso relacionamento. Naquele instante percebi que ambos fazíamos descobertas, ele de como era prazeroso estar dentro de um cuzinho, e eu do quanto era fantástico estar conectado daquela maneira com o Ben, com um macho.
O que parecia ser apenas mais um dia comum de preguiça e descanso, acabou se tornando um dia cheio de significado para ambos. Ainda abrasados com os efeitos do coito inusitado, ele e eu passamos o dia trocando carícias, tocando nossas partes íntimas, desvendando os prazeres escondidos em nossos corpos. O que, em determinado momento, me levou a colocar a jeba dele na boca. Eu nunca havia feito sexo oral, muito menos com outro cara. No entanto, a anatomia do cacete dele, tão perfeita e bonita, aliado ao aroma nucífero que ele emanava, me incitou a experimentar algo novo. O Ben parecia não acreditar no que estava vendo. Aquele seu amigo de longa data, sempre tão comportado, discreto e recatado, repentinamente lhe fazendo as mais libidinosas carícias na pica, lambendo-a e ao sumo que sua excitação fazia verter, mordiscando-a zelosamente com aqueles dentes enormes que sempre iluminavam seu sorriso, chupando-a com ardor fazendo com que sua espinha fosse percorrida por uma descarga elétrica que rumava direto para a base da rola provocando nela movimentos pulsáteis e deleitantes. Ele quase podia sentir as vesículas seminais, a próstata e os testículos trabalhando tresloucadamente, umas produzindo o líquido viscoso e alcalino e os outros os espermatozoides que faziam dele um macho cobiçado, enquanto aquela boca sedosa trabalhando devotamente parecia estar enaltecendo sua masculinidade. Ele avisou que sentia o gozo chegando, protelou-o usurpando o cacete daquela boca aveludada que não o soltava e, vencido pelo olhar que lhe lancei, gozou contemplando em êxtase como seu sêmen ia sendo engolido à medida que os jatões de porra explodiam entre meus lábios vorazes.
- Por que nunca fizemos isso antes Tavinho? Por quê? Tivemos tantas chances. Sua bunda sempre me seduziu. Cara, você não faz ideia de quantas vezes tive vontade de enfiar minha rola nela, de quantas vezes me punhetei pensando nela. E agora descubro que você é capaz de ser muito mais generoso do que eu imaginei, muito mais gostoso do que muita buceta que fodi. – afirmou ele.
- Não sei! Para te falar a verdade, estou assustado com tudo isso. – respondi.
- Assustado? Você não curtiu? – questionou
- Não, não é isso! Justamente o contrário, eu curti muito. Assustado porque foi maravilhoso, e por eu ter sentido algo que nunca tinha sentido antes. – revelei.
- Ufa! Que alívio! Por uns segundos pensei que nunca mais teríamos a chance de repetir o que fizemos, e eu quero muito, Tavinho. Quero muito continuar comendo seu cuzinho. – a última frase ele sussurrou cheio de tesão, como se ela fosse uma promessa para a qual queria meu aval.
Tínhamos acabado de sair da ducha, depois da terceira trepada do dia, e preparávamos um jantar tardio quando o Alex voltou de seu fim-de-semana sigiloso, seguindo direto para seu quarto, após um rápido cumprimento quando passou pela cozinha. Às vezes eu tinha a impressão que ele nos evitava, que nós o entediávamos, que estava acima daquilo que a nossa amizade lhe dedicava. Essa furtiva passagem pela cozinha, após um fim de semana inteiro sem nossa companhia, era mais uma prova disso.
- É o jeito dele! – respondeu o Ben, quando lhe expus minha impressão. – Você sabe que ele se importa conosco. – emendou, para defender o amigo.
- Tenho a impressão de que ele não era assim quando ainda estávamos no interior. Eu nunca estranhei o comportamento dele naquela época. – devolvi.
- Éramos moleques naquele tempo, a gente muda! Mas, tenho certeza que a amizade dele continua sendo sincera.
- Sim, eu sei. Também acho que é. Mas ele podia ser mais dado, participar um pouco mais do tempo que dispomos para ficar juntos.
- Está começando a me deixar com ciúmes, ainda mais depois do dia maravilhoso de hoje! – exclamou o Ben, me dando uma gostosa encoxada contra a pia, onde consegui sentir o volume dentro do short dele se insinuando no meu rego.
- Você não vai contar nada, não é? – subitamente tive receio de ter revelada a minha devassidão. – Não quero que os outros saibam do que aconteceu hoje aqui.
- Os outros, ou o Alex?
- Dá na mesma, não dá?
- Por que tem medo que ele fique sabendo? Acha que não vai entender o que fizemos?
- Não sei! Só sei que não quero que ele saiba o que eu fiz.
- Nós fizemos! – corrigiu ele, de imediato.
- Tá bom, nós fizemos! O que não muda nada. – ele apenas riu e, ainda abraçado a mim, deu um chupão no meu pescoço, cuja marca deixada na minha pele carreguei constrangido por todo o dia seguinte.
Foi estranho ir para a cama naquela noite sentindo a porra do Ben no meu cuzinho, assim como durante toda a manhã do dia seguinte. Estranho porque não quis me livrar dela, estranho porque a presença dela, enquanto atendia meus pacientes na correria diária, me era prazerosa e me fazia sentir como se a pele do Ben ainda continuasse tocando a minha. Talvez eu devesse mudar o adjetivo, de estranho para constrangedor, uma vez que, enquanto homem, eu não deveria estar me sentindo tão plenamente feliz por estar com o esperma de outro homem nas minhas entranhas. Mas, eu estava.
Minha implicância com o Ben por ele andar pela casa de cueca ou, às vezes, completamente nu, ficou no passado. Aquele sacão e rola relaxada balançando entre suas coxas agora me parecia sexy. Ao mesmo tempo, ele que já era bem abusado, começou a me dar abraços, encoxadas, beliscões ou lascivas passadas de mão na bunda sem o menor pudor. Disso, também comecei a gostar. Aliás, passei a gostar do toque dele, de sentir seu corpo enroscado no meu. Eu só me esquivava ou protestava sem muita ênfase, quando o Alex estava presente. Diante dele eu me recolhia, como se estivesse fazendo algo errado, à semelhança de um filho que diante dos pais se mostra mais comportado do que na realidade é.
Outra coisa que me incomodava, e isso com um fundamento irrefutável, eram os casinhos sexuais que o Ben continuava mantendo a pleno vapor fora de casa. Embora ele nunca o confessasse, era certo que o rodízio de mulheres em sua vida era bem constante. Não se passavam dois meses entre a menção repetida de um nome de mulher para outro. E, tanto o Alex quanto eu sabíamos que ele certamente estava engambelando duas ou mais ao mesmo tempo. Como médico, eu reprovava esse rodízio por questões de saúde, mais do que pela moralidade. Ficava preocupado por ele e por mim, com seu cacete visitando sabe-se lá que bucetas e o meu cuzinho simultaneamente. Por diversas vezes toquei no assunto com ele, que me garantiu que sempre fazia sexo seguro com elas, encapando a caceta.
- Não me prive desse prazer. Você é especial, com você eu sou eu mesmo, tal como vim ao mundo. Eu me sentiria rejeitado se você não me aceitasse ao natural, compreende? Eu jamais faria qualquer coisa que te colocasse em perigo, gosto demais de você para lhe causar dor ou sofrimento. Deixa eu continuar gozando no seu cuzinho, deixa? Metade do meu prazer me seria negado se tivesse que usar uma camisinha encapando minha pica e diminuindo a sensação de aconchego que sua mucosa aveludada me proporciona. – argumentou.
- Nesse papo manso caíram muitos incautos e incautas. Só se deram conta de que estavam fodidos quando diagnosticados com alguma doença venérea. É bem o papinho que todo macho malandro usa, você é único, você é especial, só com você é que transo sem proteção porque é você que eu amo, e por aí vai. Desculpas não faltam, a criatividade para inventá-las vai longe. – retruquei, pouco confiante em suas palavras.
- Eu sei que tem muito cara fazendo isso, até eu já me vali dessas desculpas. Mas, juro, com você é diferente. É diferente mesmo. Eu quero que as nossas transas sejam plenas para nós dois, sem mentiras, sem subterfúgios, sem falsidades. Você não acredita em mim?
- Malandro que é malandro sabe ser convincente. – respondi. Ele se zangou.
- Tudo bem! Se depois de todos esses anos de amizade, você só consegue me enxergar como sendo um malandro, o que é que posso fazer? De agora em diante só com camisinha! – sentenciou emburrado.
Eu não o achava um malandro, sabia que não era um mau-caráter, sabia que era um amigo sincero e tinha a nossa amizade acima de quaisquer outros valores, e fiz o que achava certo, expressar minha desconfiança e preocupação. Ele ficou uns dias zangado comigo, fingia ter perdido a atração e o desejo por mim, alegou estar cansado numa ocasião e indisposto com alguma coisa que havia comido noutra, para recusar minhas carícias quando quis seduzi-lo para irmos para a cama.
- Continua bravo comigo, porque falei para você usar proteção?
- Não fiquei bravo com você! De onde tirou essa ideia?
- Ah, não, deve ter sido impressão minha então.
- Com certeza é! – precisei rir daquela suposta convicção. – O que foi, eu disse algo engraçado?
- Não, claro que não! Me lembrei de uma piada que o pessoal contou no trabalho esta tarde. – devolvi, ao mesmo tempo em que aleguei estar com muito calor, fazia mesmo bastante calor naquela noite abafada quando estávamos assistindo juntos a um filme após o jantar, e tirei a camiseta ficando apenas com o short de aberturas nas laterais.
- Verdade, tá um calor da porra! – exclamou ele, que estava só de cueca e diante do ventilador ligado.
Ergui uma perna e apoiei o pé no assento da poltrona, as fendas laterais do short abriram expondo a dobra entre a minha coxa e a nádega. Da ponta do sofá onde ele estava, tinha uma visão que chegava até metade da minha nádega, que ele disfarçou e fingiu não lhe causar qualquer impacto. Minutos depois, estava enfiando uma das mãos pelo cós da cueca e coçando o saco ou ajeitando a rola. Eu fazia força para não rir. Ergui a outra perna e me virei de lado na poltrona, deixando a bunda virada na direção do olhar cobiçoso dele. Mais umas coçadas no saco me fizeram saber que estava tentando controlar a ereção que começou a ficar insidiosa, após uma das abas do meu short se dobrar para cima deixando a nádega daquele lado atentando sua masculinidade.
- Cazzo de calor! – exclamou, sem tirar os olhos do meu rabo, que o deixava excitado desde os tempos do colégio.
- Devíamos pensar em instalar um ar-condicionado também aqui na sala. – ponderei, ao que ele nem deu atenção. Ele estava concentrado no pau dele que estava duro, latejando, por minha bunda o enfeitiçando. Tinha perdido o fio da trama do filme, estava com muito tesão, queria trepar, queria meter na minha bunda sem precisar ceder em seu plano de se fazer de ofendido.
- Não vai ser um ar-condicionado que vai dar conta desse tipo de calor. Por que você precisa ser sempre tão complicado, Tavinho?
- Não entendi? O que tem o calor a ver comigo? – questionei, sabendo muito bem onde ele queria chegar com aquela conversa.
- Tem tudo a ver, porra! Tem que essa bunda gostosa deixou meu pau tão duro que está acabando comigo. – confessou.
- E por que você não vem até aqui para eu cuidar dele? – provoquei. Minutos depois eu estava deitado de bruços debaixo dele no sofá, sentindo aquela vara desencapada entrando e saindo do meu cuzinho, enquanto chupava e beijava seus dedos, gemendo sensualmente para enlouquecê-lo de vez.
- Puto! Você deveria ser punido por castigar a gente dessa maneira, sabia - afirmou, enquanto terminava de galar meu cuzinho e se abraçava ao meu tórax arfando feito um touro bravio. O assunto camisinha nunca mais foi mencionado. Sabendo dos riscos, mesmo assim achei que deixa-lo saber que confiava nele alicerçava nossa amizade.
Com o tempo, comecei a me questionar sobre o namoro com a Luiza. Já estava claro para mim que o sexo com o Ben era muito mais prazeroso do que com ela. O grau de cumplicidade e entrosamento que eu sentia ao me deitar com o Ben nem podia ser comparado ao que acontecia com ela. Se eu não era gay, como explicar essa tamanha diferença de prazer que eu sentia com um e não com o outro? Contudo, a Luiza era uma pessoa incrível, cheia de qualidades, eu gostava dela, e muito. Já tinha pensado até em elevar a nossa relação para um patamar mais alto, acenar com um compromisso maior para dali a algum tempo. A cada encontro eu ficava mais convencido de que era o certo a fazer. Porém, ao chegar em casa, bastava eu pôr os olhos sobre o Ben, sobre aquele seu jeitão despudorado, sobre aquele volume dentro das calças, sobre o sorriso libidinoso dele para minha convicção se esvair como a água no ralo. Já não bastasse isso, uma atração pelo Alex também começou a me atormentar as noites sob a forma de sonhos pecaminosos carregados de lascívia. Ora eram aqueles pelos sensuais que forravam o peito vigoroso dele, ora era sua voz grave e pausada, ora eram aqueles movimentos cautelosos, porém firmes, que caracterizavam seu jeito de caminhar e fazer as coisas, tudo me dava tesão. Quando ele e o Ben se punham a assistir aos jogos de futebol, relaxados e descontraídos, apenas xingando algum jogador por um lance malconduzido, instruindo em voz alta o que o outro dominando a bola deveria fazer, ou dando socos de felicidade no ar quando uma bola entrava na trave, se esquecendo completamente dos modos e do pudor, manipulando suas vergas dentro das bermudas, eu tinha vontade de me atirar nu no meio deles e deixar que me fodessem até estarem saciados. Eu não me reconhecia mais. Alguém saberia me dizer o que está acontecendo comigo?
Era impossível o Alex não saber o que estava rolando entre o Ben e eu. Inúmeras vezes ele tinha nos flagrado imediatamente após uma transa, quando ainda estávamos sob a euforia do tesão. Ele não era nenhum tolo, muito menos um alienado que demora a perceber o que rola a sua volta. Por que nunca fazia nenhum comentário? Por que fingia não saber que o Ben estava me enrabando? Por que se fazia de difícil, evitando minha companhia, fingindo não dar importância aos pequenos cuidados que eu tinha para com ele, como uma forma de lhe dar carinho que, de outro jeito ele certamente não aceitaria? Eu tinha que descobrir qual era a dele.
- Oi! Posso entrar? Trouxe um pedaço de torta para você, não quis se juntar a nós no jantar? – perguntei, ao bater em sua porta, invadir seu refúgio e encontra-lo diante do notebook.
- Estou sem fome! E, também muito ocupado. Tive que trazer trabalho para casa. – respondeu ele, sem desviar os olhos da tela.
- É a terceira vez esta semana que não janta conosco, faz mal ficar tanto tempo sem se alimentar direito. – devolvi, disposto a não sair do quarto dele tão cedo, ao menos até ele comer o pedaço da torta, o que me daria um tempinho para ficar junto dele. Ainda mais enfiado apenas naquele short azul-marinho desbotado que o deixava tremendamente sexy.
- Está controlando meus horários? – eu não esperava essa reação.
- Não! Estou preocupado com a sua saúde, mania de médico. – respondi.
- Pois te garanto que não tem com que se preocupar!
- Fico feliz em saber, mas deixar um hábito não é tão fácil assim. Portanto, vou continuar vigiando sua saúde. – essa afirmação ele não esperava.
- Hã! Faça como quiser! – devolveu. Outro já teria deixado ele falando com as paredes, mas não eu, que sentia estar sendo atraído para ele desde que descobri essa aura de mistério que o envolvia ao passarmos a dividir o mesmo teto.
- Está gostando do trabalho no escritório? – perguntei, a fim de ver se conseguia fazer com que me dirigisse o olhar, nem que fosse por uns míseros segundos.
- Sim.
- Você tem chegado tarde todos os dias, agora trouxe trabalho para casa, devem estar sendo bastante requisitado, o que é bom eu acho, não é? – engana-se ele, se pensa que não vou conseguir sua atenção.
- Mais ou menos!
- Mais ou menos, como? É bom para os negócios ter bastante trabalho! – afirmei
- Dependendo do ponto de vista!
- E qual é o seu ponto de vista?
- Uma hora qualquer te explico. – ele sabia ser desagradável, sabia como fazer alguém sentir que está sobrando, sabia como se livrar de uma conversa que não estava disposto a ter.
- Faça uma pausa e experimente a torta, o Ben adorou, incrementei uma recita básica e, modéstia à parte, ficou muito saborosa, vou fazer outras vezes. – sentenciei, simplesmente enfiando o prato sobre o teclado, enquanto apoiava a outra mão sobre seu ombro largo e nu.
No instante que toquei seu ombro, podia jurar que ele sentiu um calafrio perpassando seu corpo, tanto que a mantive ali, movendo sutil e delicadamente os dedos sobre aquela rigidez musculosa. Consegui o que queria, ele abandonou o trabalho e começou a comer, mas ainda não se atrevia a olhar na minha direção. Isso me deixou mais seguro, se o fizesse, ia acabar cedendo a sabe lá o que eu estivesse tentando com ele.
- Sua pele está fria! Talvez fosse prudente fechar um pouco a janela, você está sentado diretamente na corrente de ar. – afirmei, ao mesmo tempo em que fazia minha mão deslizar suavemente até o mamilo esquerdo dele.
- É o médico falando? Já disse que não precisa se preocupar com a minha saúde! – devolveu
- Não, não é o médico falando! É o velho amigo que quer seu bem-estar. – minhas respostas estavam mexendo com ele, mais do que ele queria admitir.
- Então esse velho amigo deveria ser mais cauteloso com essa mão para não enveredar por caminhos perigosos. – retrucou, ao engolir a última garfada da torta.
- Sei que estou seguro estando com você! E aí, gostou?
- Da torta?
- Claro! Do que mais seria? – de repente, ele girou a cadeira e ficou frente a frente comigo. Eu tinha conseguido o que queria, ele não apenas me encarava inquisitivo, como estava com os pensamentos todos embaralhados na cabeça.
- O que quer comigo? Com essa visita ao meu quarto, todo dengoso e gentil?
- Te trazer para mais perto de nós! – eu ia dizer para mais perto de mim, mas achei prudente ser menos taxativo.
- Não quero atrapalhar o lance de vocês! – devolveu. Então ele sabe do Ben e eu, como suspeitei.
- Pode me responder algo com toda a sinceridade?
- Claro!
- Por que nunca falou nada sobre esse lance, sabendo que ele está acontecendo?
- Não é da minha conta!
- É uma pena! – subitamente, me senti sem forças para continuar aquela conversa. Me sentia sensível demais para ouvir algo que talvez viesse a me magoar.
- Boa noite! Não vá se esquecer de dormir, acho que já trabalhou bastante por hoje! – afirmei, ao deixar o quarto. – E, Ah! Cuidado com a janela aberta! – emendei, antes de fechar a porta, me encostar nela e respirar fundo, como se me faltassem as forças.
- Boa noite! – devolveu ele, voltando-se novamente para o notebook. – Obrigado pela torta! – exclamou, em voz mais alta, pois eu já havia encostado a porta.
Fui à cozinha, lavei o prato e os talheres, desliguei as luzes, pois vi que já era tarde e que o Ben já havia se recolhido. Tomei uma ducha e tentei dormir. Uma hora e meia depois, entrei no quarto do Ben, ele dormia como um anjo pecaminoso, a bermuda do pijama distendida por uma ereção e a respiração tranquila de um bebê. Tirei o pijama e entrei nu sob o lençol que o cobria. Minutos depois, a respiração dele roçava minha nuca, seu braço envolvia minha cintura e a pica se apoiava na minha nádega, melhor sonífero impossível.
A ousadia teve seu preço. Assim que o dia raiou e o alarme do celular do Ben tocou, ele enfiou vagarosamente a pica no meu cuzinho, enquanto eu me espreguiçava. Acabamos nos atrasando, uma vez que a pressa de seguir para o trabalho estava disputando a preferência com um coito moroso. Quando finalmente saí do quarto dele, após o banho conjunto, enrolado com uma de suas toalhas na cintura e os cabelos ainda molhados, dei de cara com o Alex no corredor, saindo para o trabalho.
- Dormiu bem? O café está pronto lá na cozinha! Se vocês não se apressarem vão perder a hora! – exclamou, me deixando sem graça.
Ele sabia. Desde quando eu não fazia ideia, mas ele sabia que o Ben estava me fodendo. Mais uma vez fiquei intrigado com esse aparente descaso dele. Nenhum comentário, nenhum gracejo, nenhuma piada sobre o assunto, não era o estilo dele. Sabendo que eu estava dando o cu, por que nunca se mostrou interessado em tirar pelo menos uma casquinha da oportunidade? Totalmente indiferente à minha bunda eu sabia que ele não era, já tinha me enrabado, tinha tirado meu cabaço. Será que adulto pensava de modo diverso daquele que o motivou a me enrabar na surdina dentro daquele ônibus?
- Você não acha estranho o Alex não tirar nenhum sarro com a nossa cara sabendo do que está rolando entre a gente? – questionei o Ben, enquanto tomávamos apressadamente nosso café preparado pelo Alex.
- Por que ele tiraria uma com a nossa cara? Deve estar achando natural, sempre soube que eu sou fissurado na sua bunda. – respondeu ele.
- Porque não é do perfil dele deixar algo assim passar batido. Você o conhece, sabe que ele não perde uma chance de zoar com alguma situação que fuja dos padrões. – argumentei.
- Por que você está tão preocupado com a opinião dele? – eis aí uma boa pergunta, para a qual eu evidentemente não tinha uma resposta.
Meu aniversário estava se aproximando. Fazia tempo que eu estava curioso para conhecer a Bia, a maior razão para que o Alex passasse quase todos os finais de semana fora de casa, e a desculpa para não nos acompanhar em inúmeras saídas. Eu já havia comentado com ele a minha curiosidade em conhecê-la, pedi que ele a trouxesse para um jantarzinho que prometi preparar, e a resposta foi surpreendente – ‘aqui não é ambiente para ela’. Como assim, aqui não é ambiente para ela? Por acaso o Ben e eu somos alguma espécie alienígena? Tarados pervertidos? Desclassificados que não sabem se comportar diante de uma mulher? Qual é a desse cara? Que marcássemos num barzinho então, sugeri, pois estava entusiasmado para conhecer a garota que conquistara o coração inflexível do meu amigo. Mas, em resposta recebi apenas desculpas sem fundamento. Então resolvi eu dar o primeiro passo, fazendo uma festinha pelo meu aniversário, apresentando a Luiza para eles, pois até então também ainda não a conheciam pessoalmente e, reiterando mais uma vez que o Alex trouxesse a Bia.
Fazia tempo que a casa não via tanto movimento. Eu havia juntado uma galera animada e apresentado a Luiza a eles, numa noitada bem festiva. A promessa de também conhecermos a Bia ia desaparecendo à medida que a noite avançava e ela não chegava.
- E a Bia? Será que ela não vem? – perguntei ao Alex.
- Deve estar um pouco atrasada, sabe como são as mulheres. – respondeu ele, na primeira vez que indaguei por ela.
Na segunda, a resposta foi definitiva, ela não viria. Havia surgido um problema inesperado e ela não podia vir, foi o que o Alex afirmou. Algo me dizia que ele nem a havia comunicado do meu convite. Por que outra razão ela deixaria de comparecer a um encontro para conhecer os amigos do namorado?
Era madrugada quando os últimos convidados se foram deixando a casa uma verdadeira zorra, mas a mim tremendamente feliz por estar cercado de pessoas com as quais me importava e que sabia também gostarem imensamente de mim. Embora a festa não tivesse o objetivo de receber presentes, havia uma porção deles sobre o aparador da sala quando eles se foram. Cada um dos meus amigos e amigas trouxe uma recordação, exceto o Alex. Não que eu estivesse esperando por algo dele; porém, o fato de não ter sido nem cumprimentado direito naquela manhã, tinha me deixado chateado. O Ben fez uma verdadeira festa quando se juntou a nós no café da manhã, além do presente, tascou-me um beijo libidinoso e sob o olhar do Alex, passou a mão na minha bunda com a mesma voluptuosidade que o fazia quando estávamos trepando.
- Tenho mais um presentinho te esperando! – disse o Ben, pouco antes de nos recolhermos, pegando na benga para deixar claro que tipo de presente era.
- Desculpe, Ben, hoje não! Acabei pegando uma puta dor de cabeça com toda essa agitação, além de estar caindo de cansaço. Não vou ser um bom parceiro nesse estado. – devolvi.
- Não tem como você não ser um bom parceiro! Só o fato de ficar enroscado no seu corpo já é motivo suficiente para eu me sentir satisfeito. – retrucou ele, compreensivo. Não era à toa que eu gostava tanto dele.
Eu tinha acabado de me despir e estava estirado sobre a cama com a cabeça apoiada sobre as mãos cruzadas no travesseiro, olhando pensativo para o teto, rememorando os acontecimentos daquele dia cheio de emoções. Quase não ouvi as batidas sutis na porta, e só percebi a presença do Alex quando a cabeça dele apontou entre a fresta da porta que ele cuidadosamente abriu.
- Oi! Posso entrar? Desculpe se te acordei.
- Ainda não estava dormindo. Precisa de alguma coisa? – era tão inusitada a presença dele no meu quarto que me surpreendi com aquela aparição àquela hora.
- Não, não preciso de nada! Só queria te entregar isso. – disse, me estendendo um pacote embrulhado em papel de presente. Ele afinal não havia se esquecido de mim.
- Obrigado! Você sabe que não era preciso. Meu maior presente é poder conviver com você todos os dias dentro dessa casa, não sabe? – devolvi, quando ele já estava sentado na beira da minha cama.
Ao desfazer o embrulho, me deparei com um porta-retrato no qual estava encaixada uma fotografia de nós dois nos tempos do colégio, posando abraçados e erguendo os troféus que havíamos conquistado, ao lado daquele ônibus que nos trouxe de volta para casa após os Jogos Interestaduais de Estudantes. Fiquei alguns minutos sem palavras, tentando sufocar um repentino nó que subia pela minha garganta.
- Lembra desse dia? Gostou? – questionou ele, percebendo que eu fazia um esforço gigantesco para controlar as emoções. O que ele estava pretendendo com esse presente?
- Claro! Gostei muito! Não sabia que você tinha essa fotografia. – respondi entusiasmado. Será que ele se lembrava de tudo daquele dia? – Nunca vou me esquecer de um só lance dos acontecimentos desse dia, nem que eu viva cem anos! – acrescentei, para ver qual seria sua reação.
- Nem eu! Foi o dia mais feliz da minha vida! – retrucou ele, me encarando com os olhos brilhando por algo que estava em seu peito, prestes a explodir.
Me inclinei cauteloso na direção dele e o abracei, me dando conta, só então, que ele estava metido apenas numa cueca, e que todo aquele tronco viril e nu estava envolto nos meus braços, pois meu primeiro instinto foi me atirar de encontro aqueles pelos sensuais que o revestiam. Assim que suas mãos se fecharam ao redor do meu torso, nossas bocas se encontraram, e o beijo longo e molhado nos acompanhou até ele ficar deitado em cima de mim, se mexendo impaciente de forma que nossas quase nudez se roçassem como numa dança de acasalamento. Ambos começamos a sentir nossas ereções se formando. Ele puxou minha bermuda do pijama para baixo e com a voracidade estampada na expressão de seu rosto, agarrou minhas nádegas, amassando-as com força e determinação. Eu nunca quis tanto alguma coisa quanto aquele cacete que roçava minhas coxas, quanto aquele macho entrando em mim e devassando minhas entranhas. Comecei a abrir as pernas trazendo os joelhos até quase a altura dos ombros dele, me abrindo e me oferecendo à sua devassidão, que brilhava no olhar compenetrado e cobiçoso. O Alex foi descendo beijos, lambidas, chupões dos meus mamilos para o peito, deste para o ventre e dali para o rego que ele mantinha aberto segurando minhas pernas no ar. Achei que fosse desmaiar de tanto tesão quanto senti a primeira lambida dele sobre as minhas pregas anais. Gemi ensandecido. O Ben nunca lambeu meu cu, e o Alex o fazia não só cheio de tesão, mas com a mesma diligência que um lobo fareja o cio de uma fêmea. Inebriado pelo êxtase de vê-lo e senti-lo ali me farejando feito um animal selvagem, eu rebolava assinalando que estava pronto e sôfrego para levar seu caralho no cu. Ele parecia não ter pressa, estava satisfeito ao ver minha submissão, e enfiou um dedo no meu cuzinho. Por sorte me lembrei que o Ben estava no quarto ao lado e controlei a intensidade do grito que soltei, pois o tesão que senti naquele instante, com o dedo entrando e o Alex estudando minha reação, não tinha preço. Enquanto aquele dedo se movia em círculos entre meus esfíncteres apertados, ele enfiava outro na minha boca, me instigando a chupá-lo para diminuir o ruído dos meus gemidos. Eu havia perdido completamente o controle do meu corpo, que apenas reagia aos estímulos, tremendo num frenesi que ganhava força. Como quem idolatra um deus, eu deslizava minhas mãos espalmadas sobre o peito dele, acariciando os pelos másculos. Eu queria descer e pegar naquele cacete duro que tinha armado uma barraca na cueca dele, mas na posição que me encontrava meus braços não o alcançavam.
- Fala para mim o que você quer? – indagou lascivo
- Teu cacetão! – respondi gemendo.
Ele tirou a cueca, se aproximou de mim quase sentando no meu peito e me deu seu falo babando. Eu sempre desconfiei que o Alex era bem-dotado. O volume que ele trazia debaixo das calças, a ferida que levou quase uma semana para cicatrizar quando ele me descabaçou, e o contorno quase obsceno que se desenhava quando ele perambulava pela casa dentro de um short, eram sinais óbvios de que seu falo fugia aos padrões. Agora eu tinha certeza disso. A centímetros do meu rosto estava uma jeba colossal, cabeçuda, grossa, peluda, reta embora ligeiramente desviada para a esquerda, nutrida por grossas veias dilatadas que formavam desenhos, sob a pele que a revestia, como se fosse o percurso de um rio e seus afluentes. Não era apenas linda, mas instigante e sedutora, exalando um perfume amendoado e selvagem. Com um sorriso no rosto ele acompanhou a delicadeza com a qual a minha mão se fechou ao redor dela, levando-a à minha boca. Antes de eu conseguir abocanhá-la, um espesso e viscoso fio de pré-gozo caiu sobre o meu queixo. Um outro já se formava, vertendo lento do largo orifício uretral,
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