O SABOR DE UMA DOCE VINGANÇA ! PRÓLOGO

Por: amanda-382 • 10/07/2026 • 366721 leituras
Capa do conto
Entrei em casa arrastando os pés. Cada músculo do meu corpo implorava por descanso. Nem acendi todas as luzes. Só joguei as chaves na mesa e fui direto para o quarto, chutando os sapatos no caminho. Meu corpo afundou no colchão, e o sono veio como uma correnteza forte, me puxando para a inconsciência em segundos. 

Mas algo me acordou pouco tempo depois!

Primeiro, o cheiro. 

Pesado, sufocante, enjoativo. 

Depois, o calor. Crescente. Opressor. 

Tossi, tentando entender o que estava acontecendo. Meus olhos se abriram devagar, e o que vi me deixou paralisado. Sombras estranhas dançavam pelas paredes. Um brilho alaranjado tremulava pelo quarto. 

Meu estômago se revirou. 

Então ouvi. 

O estalo seco da madeira queimando. 

O ar quente raspava minha garganta como lixa. O cheiro de fumaça era tão forte que meus pulmões pareciam encolher. Meu coração disparou, e um pensamento cortou minha mente como um raio: 

**A casa está pegando fogo.** 

O choque me prendeu por um segundo, mas o medo me lançou para frente. Pulei da cama, tonto, os pés descalços tropeçando no chão quente. Corri até a porta e puxei a maçaneta—mas assim que encostei nela, o calor fez minha pele queimar. Soltei um grito, recuando. 

O corredor estava em chamas. 

O desespero me agarrou pela garganta. Minhas pernas tremiam. O fogo estava se espalhando rápido demais. O teto rangia alto, ameaçando desabar. 

Precisei forçar o cérebro a funcionar. **A janela. Eu preciso sair pela janela!** 

Corri até ela, mas a porcaria estava emperrada. Meus dedos escorregaram no suor e na fuligem. Minhas mãos tremiam. O ar ficava mais pesado a cada segundo, me sufocando. Meu peito doía. 

**Eu vou morrer aqui.** 

Esse pensamento me atingiu como uma faca. 

Não. Não podia acabar assim. 

Peguei uma cadeira e, gritando, arremessei contra o vidro com toda a força que tinha. O estrondo do vidro estilhaçando me deu um lampejo de esperança. O vento fresco invadiu o quarto, mas o calor das chamas já lambia as paredes. 

Com um último impulso, me joguei para fora. 

Caí no chão com um impacto brutal, o braço rasgando no vidro quebrado. A dor explodiu, mas era o menor dos meus problemas. Rolei na grama, engolindo o ar da noite com desespero, tossindo tanto que achei que meus pulmões fossem sair pela boca. 

**Estou vivo.** 

A constatação me atingiu com força. Mas antes que eu pudesse sentir qualquer alívio, senti que estava sendo observado. 

Levantei a cabeça, ainda ofegante. 

Flávio. 

Ele estava ali, parado, a poucos metros. A luz do incêndio iluminava seu rosto, e seus olhos estavam fixos em mim. 

Sem reação. 

Sem emoção. 

Sem fazer nada. 

Apenas me encarando. 

Um arrepio subiu pela minha espinha, mais forte que o calor do fogo. Meu coração, que já estava acelerado, pareceu querer rasgar meu peito. 

— Flávio… — minha voz saiu rouca, quase irreconhecível. 

Ele não respondeu. Nem piscou. 

Apenas continuou ali. 

Me observando. 

E foi nesse momento que percebi: o fogo dentro da casa não era a única ameaça.

Sua imaginação também tem espaço aqui.

Escreva o seu conto

🕐 Últimos contos adicionados