Ñ tem mas está história não é minha e sim minha amiga
Eu era uma presa fácil. Aos sete anos uma criança carente que ansiava por um pai. Apesar das brigas e do caos doméstico, era meu padrasto, quando estava sóbrio que me contava histórias e brincava comigo.
Em dias que minha mãe não estava em casa ou estava dormindo (ela tomava antidepressivo e dormia longa e pesadamente) acontecia o “nosso segredo”.
Lembro de tomarmos banho juntos e ele me deitar na cama nua. Ele abraçava e tocava meu corpo. A sensação era muito boa. Além do prazer físico eu me sentia vista, valorizada e amada por um adulto. Eu tinha um pai.
No livro “Eu sei porque o pássaro canta na gaiola”, Maya Angelou relata a violência sexual que sofreu na infância: “Ele me abraçou com tanto carinho que desejei que nunca me soltasse. Eu me sentia em casa. Pelo jeito como ele estava me abraçando, soube que nunca me soltaria nem deixaria nada de ruim acontecer comigo. Ele devia ser meu verdadeiro pai e nós finalmente tínhamos nos encontrado”.
Meu padrasto sempre me lembrava entre abraços e carícias que esse era o “nosso segredo”. Dizia que me amava mais do que as próprias filhas e que não queria que ninguém atrapalhasse as nossas brincadeiras. Prometia-me chocolate e presentes. Eu me sentia vista, valorizada e amada.
Nem tudo era prazeroso. Ele me pedia para tocar seu pênis. Depois me pedia para beijar seu membro e engoli-lo. Eu sentia como se fosse engasgar. Ele pegava minha cabeça e segurava com força para me manter em movimento. Sentia um gosto amargo e azedo descendo pela minha garganta. Um sabor pegajoso e com retro gosto que embrulhava minhas vísceras por horas. Quando me mostrava relutante, ele me lembrava que isso era parte do “nosso segredo”. Brincadeira entre pai e filha. Prometia-me mais chocolates e presentes. Lembrava-me que eu era a sua princesinha.
Eu fiquei menstruada aos dez anos. Se o estupro tivesse continuado, eu poderia ter ficado grávida aos dez anos.