Parte 3: O Café da Manhã das Verdades

Por: fernanda-167 • 09/07/2026 • 487200 leituras
Capa do conto
A luz da manhã entrava pela fresta da cortina, implacável. Na mesa da cozinha, o som da colher batendo na xícara de café era o único ruído. Ele estava sentado à minha frente, os olhos baixos, a postura entregando o peso da noite anterior. O corpo dele ainda guardava a memória do cansaço — o tipo de cansaço que não se cura apenas com sono.

O Fim do Jogo
Eu coloquei o celular dele sobre a mesa, com a tela voltada para cima. O ícone amarelo brilhava como um desafio.

— "Você esqueceu de fechar o aplicativo ontem à noite," — eu disse calmamente, tomando um gole do meu café.

Ele congelou. O pânico atravessou o rosto dele, seguido por uma onda de vergonha. — "Eu... eu ia te explicar. Eu juro que ia deletar, eu só..."

O Pacto Silencioso
Eu o interrompi com um gesto. — "Não peça desculpas. E não delete."

Ele me olhou, confuso. Eu me inclinei para frente, fixando meus olhos nos dele. — "Eu gosto do que ele faz com você. Gosto de como você volta. Gosto de encontrar o rabo que eu tanto prezo já pronto, relaxado e marcado por quem não sou eu. Suas mentiras eram o tempero, mas a verdade... a verdade é o que nos mantém aqui."

O alívio que inundou o rosto dele foi quase palpável. A mentira, que era um fardo, tornou-se o nosso alicerce. Ele não precisava mais se esconder; agora, ele tinha a minha permissão — e o meu desejo — para ser a presa de outros, sabendo que eu seria sempre o predador final.

Sua imaginação também tem espaço aqui.

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