Primeiros Amassos

Por: beta-ekato-1 14/07/2026 51168 leituras
Capa do conto
Sentada em seu colo, a respiração ofegante e os sentidos confusos entre o calor no contato entre as calças jeans de ambos e o frio batendo no peito desprotegido. Ela achava meio difícil acreditar naquilo tudo. Quando foi que tudo ficou daquele jeito? Foi tão rápido,tão instintivo, que ela já não raciocinava direito. Ele havia jogado a cabeça para trás, apoiado no sofá, e respirava ofegante como ela.
Conseguiu, sabe Deus como, desviar os olhos dos lábios vermelhos umedecidos pelos beijos dela e os deixou escorrer pelo peito também descoberto dele. Com alguma fascinação assistia o movimento da caixa torácica dele: alargando-se e voltando ao normal conforme ele inspirava e expirava.

Soltou-lhe os cabelos e deixou as mãos correrem o caminho que haviam feito os olhos, terminando com as mãos em volta do umbigo dele, uma em cada lado. Ela tinha no rosto uma expressão de de seriedade quase científica. Era meio difícil acreditar que estava ali, daquele jeito, com seu objeto de desejo. Tanto tempo olhando de longe, imaginando...
E agora ela estava ali, descobrindo que tudo o que ela sabia, na verdade, só achou que sabia. Era meio difícil assimilar. Prestava atenção ao calor da pele dele sob suas mãos, mas como se isso não fosse suficiente para confirmar a veracidade de tudo, fechou os dedos, dando um aperto na barriga dele, arranhando leve e vagarosamente a pele nua. Se deliciou ao ouvir um grunhido de prazer dele, lenha na
fogueira, prêmio que ela passaria a perseguir.

Levantou o olhar de leve e percebeu que o rosto dele não estava mais jogado para trás. Em vez disso, olhava para ela com uma expressão de leve deboche. Ou seria curiosidade? Naquele momento, todas as expressões eram meio parecidas - e não era por estarem na penumbra.
Ele deu uma risadinha, provavelmente da expressão dela enquanto voltava a olhar fixamente para a própria mão sobre a pele dele. As mãos dele, por sua vez, passaram pelas coxas dela, subindo pelo tronco e foram parar nos cabelos dela, segurando-os com certa brutalidade - o que a fez encará-lo mais uma vez, o rosto vermelho revelado.

E se beijaram mais uma vez. Ela, contudo, não conseguia se concentrar no beijo agora que havia se tocado do que estava acontecendo. Como se recém-acordada de um transe, prestava atenção em tudo tentando se localizar. Sentiu o calor do contato entre os dois troncos nus, o calor da pele dele contra a dela, sensação realçada pelo frio que fazia naquela noite. Enquanto a mão esquerda dele segurava os cabelos dela, a direita deslizou até o bolso de seu jeans e puxou o corpo dela para mais perto do dele. Ela sentiu um volume sob o jeans dele, mas tentou não pensar sobre isso. Aquilo tudo já era novidade demais.

Subiu as mãos pelo tronco dele até chegar ao rosto e afastou-se. Olhando no fundo dos olhos dele, sussurrou três palavras que ele não ouviu e o beijou, desistindo de tentar entender o que estava acontecendo, cedendo ao calor que lhe subiu à cabeça e dando adeus ao restinho de consciência que arrumou, seguindo em frente sem se atentar muito à possíveis conseqüências de qualquer coisa que ela fizesse
depois.

Sua imaginação também tem espaço aqui.

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