Rapunzel: O Que o Príncipe Nunca Soube

Por: felipe-263 • 07/07/2026 • 140376 leituras
Capa do conto
Era uma vez, numa torre tão alta que as nuvens beijavam suas janelas de pedra, uma jovem chamada Rapunzel. Seus cabelos dourados desciam como uma cachoeira de luz até o chão da floresta, e seus olhos guardavam a inocência intocada de quem nunca havia contemplado o mundo além daquele horizonte de rocha.

Sua única verdade era Gothel, a mulher que a chamava de filha e que subia todas as noites pela trança de ouro, trazendo o mundo exterior em histórias mastigadas. Rapunzel a amava com a devoção cega dos prisioneiros.

Naquela noite, contudo, o silêncio da torre parecia mais espesso.

— Mãe? — Rapunzel perguntou, a voz pequena, um sussurro no escuro, quando viu Gothel soltar as amarras do vestido. O tecido pesado caiu ao chão como as pétalas de uma flor murcha.

— Por que a senhora se despe diante do frio?

Gothel sorriu, a pele madura brilhando à luz trêmula das velas.

— Porque hoje você vai aprender o que é ser mulher, minha flor.

— Mas… — Rapunzel mordeu o lábio inferior, as mãos juntas ao peito.

— Eu já sou mulher, não sou? A senhora mesma disse que meu corpo floresceu.

— Cresceu a carne, mas não a alma. — Gothel aproximou-se, suas mãos frias emoldurando o rosto jovem da filha, os polegares acariciando as bochechas quentes.

— Deixe sua mãe lhe ensinar os mistérios do jardim.

Rapunzel cedeu. Sempre cedia. Havia uma santidade inquestionável nos comandos daquela mulher.

Gothel a conduziu até o leito de palha e penas. Com uma lentidão cerimonial, afastou as pernas da jovem, abrindo-as como quem abre as páginas de um livro sagrado e proibido.

— Olhe — murmurou Gothel, apontando para o próprio corpo nu, exposto à penumbra.

— Veja a arquitetura de sua mãe. Veja o solo de onde você brotou.

Rapunzel olhou, os olhos arregalados, a respiração presa na garganta. Era um território desconhecido, um segredo sob a carne.

— Mãe… isso… isto não é pecado? — a voz tremeu, uma corda esticada.

— A senhora sempre disse que os olhos de Deus tudo veem.

Gothel riu baixinho, um som aveludado que flutuou pelo teto arqueado da torre.

— Deus está ocupado governando os reis, minha flor. E sua mãe está aqui.

Ela tomou a mão trêmula da jovem e a guiou pelo ventre macio, descendo até a umidade oculta.

— Sinta. Sinta o calor que a gerou. Isto não é pecado. É o amor em seu estado mais puro.

Os dedos de Rapunzel moveram-se por puro instinto, impulsionados pela curiosidade e pelo comando. A textura era quente, viva, estranha.

— Agora — Gothel sussurrou, deitando-se ao lado dela, as coxas abertas como asas de uma ave noturna.

— Beije sua mãe. Ali. Onde nenhum príncipe jamais ousará tocar.

— Beijar? — Rapunzel franziu a testa, o coração batendo contra as costelas.

— Mas mãe… ali não há lábios de fala…

— É a outra boca, minha flor. A boca que silencia o mundo e que só pertence a nós duas.

Rapunzel hesitou. Olhou para o rosto da mãe, banhado por uma doçura magnética. Olhou para a penumbra entre as pernas dela, o véu de pelos dourados que imitava os seus. Parecia errado; um nó apertava seu estômago. Mas a mãe era a dona da verdade.

A jovem desceu.

O primeiro toque de seus lábios foi tímido, seco. Gothel soltou um gemido baixo, profundo, e suas mãos longas enroscaram-se desesperadamente nos cabelos de ouro da filha, prendendo-a ali.

— Isso… use a língua, minha flor… colha o mel…

Rapunzel obedeceu. Sua língua encontrou a carne macia e úmida. Um sabor ferroso, salgado, completamente novo. Ela não compreendia o motivo dos gemidos da mãe, nem por que as mãos de Gothel puxavam seu couro cabeludo com tanta urgência, mas continuou. Sorveu, guardou o gosto, alimentou-se do prazer alheio como se fosse o seu próprio dever sagrado.

— Mãezinha… — murmurou contra a pele quente.

— Está correto? A senhora encontra paz assim?

— Sim, sim… continue, minha flor… não pare…

Quando Gothel arqueou o corpo e estremeceu, o som que ecoou pela torre foi como o canto de uma sereia moribunda. Logo depois, com os olhos ainda nublados, ela virou o corpo de Rapunzel, fazendo-a deitar de costas.

— Agora é a sua vez.

— Minha vez de quê, mãe?

A resposta não veio em palavras. A cabeça de Gothel desceu entre as pernas da jovem. O primeiro toque de sua língua fez Rapunzel soltar um grito agudo.

Não de dor. De susto. De uma eletricidade violenta que ela não sabia nomear.

— Mãe! Mãe, o que é isso? Está… está queimando… meu corpo não me pertence!

— É o prazer, minha flor. Deixe que sua mãe desate os seus nós.

E Gothel persistiu. Sua boca moldou-se à inocência da filha, sugando e pressionando com a experiência de quem domina um instrumento antigo. Rapunzel arqueou as costas, os dedos cravando-se nos lençóis ásperos, os olhos inundados por uma mistura de lágrimas, confusão e êxtase.

— Mãezinha… eu não entendo… mas não pare… por favor, não pare…

— Nunca, minha flor. Nunca mais.

Quando o ápice desabou sobre ela, Rapunzel acreditou piamente que a morte havia entrado pela janela. O corpo convulsionou, a visão apagou-se por um segundo e um som ancestral rasgou sua garganta — o primeiro grito de gozo daquela torre isolada do mundo.

Instantes depois, Gothel a puxou para o peito, os corpos colados pelo suor.

— Agora, minha filha, dancemos juntas. Deite-se ao contrário. Boca na boca.

Trêmula, exausta e com a mente fragmentada, Rapunzel obedeceu. Inverteu a posição no leito, o rosto mergulhado na intimidade da mãe, sentindo o hálito quente de Gothel contra a sua própria pele ainda pulsante.

— Assim… — a voz de Gothel era um feitiço. — Alimente-se de mim enquanto eu colho o seu fruto.

E no compasso daquela noite eterna, a torre transformou-se num casulo de sons abafados e humores compartilhados.

— Mãe… — a voz de Rapunzel ecoava abafada, perdida entre as coxas de Gothel.

— Isso é o amor?

— É o único amor que existe para você, minha flor.

Rapunzel não alcançou a resposta com a razão. Mas seu corpo, já corrompido e domesticado, entendeu o suficiente para continuar. Lamberam-se, sugaram-se e perderam-se uma na outra até que o último espasmo as unisse, os corpos entrelaçados e colados como os fios de cabelo que as isolavam do resto dos homens.

Lá fora, a lua fria iluminava a copa das árvores. Lá dentro, a inocência morria devagar, noite após noite, enredada nos mesmos fios dourados que prendiam a jovem ao topo do mundo.

Sua imaginação também tem espaço aqui.

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