Homens baixinhos, gordos ou estilo "cria" , mas principalmente mais velhos (50 anos ou mais) ocupam meus pensamentos com frequência. Há algo neles — talvez a segurança, a experiência ou apenas o tabu da diferença de idade — que faz meu corpo reagir antes mesmo que eu perceba. Tenho 29 anos, e essa disparidade me excuta tanto quanto me assombra. Já perdi a conta de quantas vezes me toquei imaginando cenas nas quais eu me entrego completamente, sem perguntas, sem rostos, sem histórias.
Minha fantasia mais recorrente é simples e anônima: marcar um encontro às cegas, chegar a um lugar qualquer e deixar que um estranho me use como quiser. Nada de conversas, fotos ou julgamentos — apenas corpos que se encontram no escuro, guiados por um pacto silencioso de prazer e esquecimento. Às vezes, incluo na imaginação aqueles glory holes que vejo em filmes ou relatos: buracos numa parede, mãos que tocam sem ver, bocas que devoram sem revelar identidades. É o anonimato que me atrai, a sensação de ser apenas carne, sem nome ou responsabilidade.
Sei que é arriscado. O medo de violência, doenças ou arrependimentos me mantém longe de transformar isso em realidade, mas a mente é um território sem regras. Por isso, recorro à exibição online: fotos nas sombras, vídeos de partes do corpo, mensagens ambíguas. É uma forma de mitigar a vontade, mesmo que temporária. No entanto, por mais que eu tente racionalizar, o desejo volta sempre, mais intenso. Persiste como um sussurro no meu ouvido, lembrando que, um dia, a curiosidade pode vencer o instinto de preservação.