Vendaval de sexo e paixão

Por: carla-354 • 11/07/2026 • 103470 leituras
Capa do conto
Vendaval de sexo e paixão
O ano, 1856 e, alguns subsequentes. O cenário, Condado de Calvert, Maryland, Estados Unidos da América. Os personagens, Liam Thornberg – fazendeiro e próspero mercador, Margareth McCoy Thornberg – esposa de Liam, Mason Thornberg – filho único de Liam e Margareth, Landon Chapman – sobrinho de Liam Thornberg que se juntou às forças Confederadas, Nathan McCoy – filho do irmão de Margareth McCoy Thornberg, o narrador desta História.
Cheguei à imensa propriedade em Calvert, que ocupa toda a península de mesmo nome a oeste da baía de Chesapeake, conduzido pela mão de uma assistente social, numa manhã clara e um pouco fria, alguns dias depois de ter presenciado aterrorizado nossa fazenda e minha casa em estilo georgiano com seus tijolos acastanhados, suas inúmeras janelas brancas acima do pórtico de entrada sustentado por quatro enormes colunas brancas que eu tentava abraçar, quase semanalmente, para ver o quanto meus braços já haviam crescido, sendo consumida por labaredas de fogo alaranjado que brotavam de dentro da casa e se dissipavam numa fumaça cinza que ganhava o céu. Eu estava acocorado com os pés na água junto aos braços da velha Ayme, que tremia feito uma gelatina, sob a pequena ponte de pedras que cruzava o riacho algumas centenas de metros diante da casa. Eu me divertia brincando de esconde-esconde com ela, mas desta vez a brincadeira não tinha nada de engraçado, eu podia sentir que alguma coisa muito ruim estava acontecendo e, que aquele esconde-esconde estava acontecendo por conta daqueles homens encapuçados, que circulavam pela fazenda com enorme alarido e brandindo enxadas, pás, paus e tochas no ar enquanto contemplavam as chamas consumindo a casa e as construções ao redor.
- Malditos yankees! Não haverá de sobrar um sobre a terra! – gritavam.
Eu não conseguia entender por que a velha Ayme estava chorando, ela nunca chorava. Eu enxuguei as lágrimas que desciam brilhantes sobre sua pele negra, mas sempre brotavam outras. Estava escuro quando ela cautelosamente saiu comigo do esconderijo, eu fiquei aliviado, pois meus pés estavam gelados de ficar tanto tempo dentro da água e minhas pernas formigavam quase adormecidas, eu sabia que ia levar uma bronca da minha mãe, pois ela não gostava que eu ficasse com os pés molhados.
- Anda já para o seu quarto! Vá tirar esses sapatos molhados! Quer ficar doente ardendo em febre? – eu já conhecia essas três frases de cor.
Só então me lembrei de que não tinha mais visto meus pais desde quando a Ayme correu comigo para debaixo da ponte. Enquanto caminhávamos pelo mato na escuridão eu perguntei a ela sobre eles, ela não me respondeu. Em seguida, perguntei para onde estávamos indo, ela me mandou parar de fazer perguntas, depois de ter me mandado calar a boca. A Ayme nunca tinha me mandado calar a boca.
Tia Margareth veio nos receber na varanda do enorme casarão branco com suas janelas de venezianas pintadas de um verde escuro, implantado num vasto gramado, que também tinha colunas em toda sua fachada, porém não tão grossas como as da minha casa. Eu a tinha visto com o tio Liam e o primo Mason no último Natal, quando foram nos visitar e ficaram alguns dias conosco. Embora estivesse com um sorriso no rosto quando abriu seus braços na minha direção, ele parecia não exprimir felicidade.
- Como você está meu pobre menino? – perguntou quando me abraçou e começou a chorar. Ultimamente todos choravam a minha volta.
- Bem, senhora Thornberg, preciso que assine uns papéis. – disse a assistente social que me acompanhava. Ela parecia ter pressa de se livrar de mim.
- Sim claro! Vamos entrar. – disse tia Margareth, enxugando o rosto e os olhos vermelhos.
Não demorou a que o tio Liam saísse de seu escritório e se juntasse a nós, na sala de pé direito alto de onde pendiam três lustres ornados com pedaços de cristal que brilhavam como as estrelas. Ele era um homem sisudo e barrigudo, suas costeletas eram tão largas que pareciam uma continuação de sua cabeleira negra, e eu nunca o tinha visto sorrir, por isso tinha um pouco de medo de me aproximar dele. Eu ficava olhando de longe para aquela figura de voz grossa que se assemelhava a trovões numa noite escura. A assistente social colocou numa pasta de couro envolta numa fita, uns papeis que tio Liam e tia Margareth tinham assinado e foi embora. Eu fiquei ali.
No dia 12 de abril de 1861 eu finalmente compreendi o significado de todas aquelas palavras estranhas que tinha ouvido ao longo dos últimos cinco anos residindo com meus tios e o primo Mason. Abolicionistas, escravagistas, confederados, sulistas e nortistas, secessão, latifundiários, além dos nomes dos generais Ulysses Grant e Robert Lee, tudo agora se juntava como as peças de um quebra-cabeça, estávamos numa guerra civil. Durante aqueles cinco anos, quando tio Liam recebia a visita de alguns homens muito bem vestidos, como ele, de casacas e gravatas, ao referir-se ao meu pai a palavra latifundiário sempre estava acompanhada, como se fosse um adjetivo que exprimisse uma qualidade do meu pai. No ar, sempre ficava um silêncio respeitoso entre eles, por alguns minutos, depois de ouvir mencionado o nome dele. Também foi o dia em que finalmente tive a certeza de que jamais voltaria a encontrar meus pais.
- O que foi? Por que está com essa cara? – perguntou o Mason, quando o encontrei selando um cavalo no estábulo.
- É a minha cara, ora essa! – respondi, ainda ouvindo na minha cabeça certas frases que meu tio e aqueles homens acabaram de trocar.
- Ela já é feia, mas hoje está pior! – exclamou ele. Aquele era um de seus passatempos favoritos, ficar me zoando.
- É melhor do que a sua com essa barbicha ridícula parecendo uma vassoura depenada. – devolvi. Ele riu.
- Vamos dar uma volta, vem! Vou selar a Flicka para você montar e darmos uma volta por aí. – propôs, abrindo a cocheira e guiando para fora a égua mais mansa do plantel.
- Você sabe que eu tenho medo de subir nesses bichos. Nunca mais vou subir num depois daquilo que aconteceu ano passado. – retorqui, referindo-me a um incidente que quase quebrou meu pescoço, quando fui arremessado pelo cavalo no qual estava montado dentro de uma valeta à beira da estrada.
- Aquilo só aconteceu por que você, tonto, soltou as rédeas. O cavalo entendeu que estava livre e podia galopar para onde lhe aprouvesse. – explicou ele, pela centésima vez, o que não me convencia da mansidão daqueles bichos.
- Tonto é você! Prefiro ficar aqui. – devolvi emburrado.
- Deixa de ser criança! Então sente aqui na garupa, eu levo você. Ou, vai querer passar a tarde toda aí sozinho, sem fazer nada? – insistiu.
- Mas, se você começar a fazer gracinhas e, disparar com o cavalo eu vou te dar um soco bem em cima dos rins, estou avisando! – ameacei, pois conhecia bem seu lado sádico que gostava de me por em apuros e me fazer medo.
- Tá bom, eu prometo! Agora chega de lengalenga senão vai anoitecer e nós ainda estaremos aqui discutindo por você ser um cagão. – protestou ele.
O Mason estava com vinte anos quando começou a guerra civil. Graças às amizades influentes do pai não fora convocado pelas tropas da União. E, talvez também, pelo fato de ser completamente alheio ao conflito que mobilizava a nação. A ele só interessava se divertir com as posses do pai, o que costumava provocar acaloradas discussões entre os dois, que beiravam às vias de fato, deixando tia Margareth aflita e desesperada num choro que demorava horas. Eu e ele nos dávamos bem para dois primos com cinco anos de diferença de idade. Ele costumava ser zeloso comigo quando não estava me provocando com alguma coisa. Eu gostava dele porque era a única pessoa naquela casa que não era um adulto voltado para seus compromissos e, tinha tempo para passar algumas horas conversando comigo, mesmo que fosse para me azucrinar. Outra coisa que eu admirava nele era a sua força. Ele era uma cabeça mais alto do que eu, mas tinha uns músculos enormes capazes de mover as coisas ou erguê-las sem um mínimo de esforço. E, de uns dois anos para cá, seu peito começou a ficar cheio de pelos, praticamente ao mesmo tempo em que aquela barbicha em seu rosto começou a ficar mais hirsuta. Um de seus trunfos quando queria me provocar era tripudiar sobre a minha falta de pelos pelo corpo, deixando-me tão zangado que demorava até uma semana para voltar a falar com ele.
- Vamos dar uma espiada se já cresceram mais alguns pelos aí embaixo, ou se esse matinho ralo continua aí! – zombava, baixando minhas calças e deixando expostos os parcos pelos pubianos, os únicos que nasceram no meu corpo.
A baía de Chesapeake que experimentara anos de tranquilidade após as batalhas contra os ingleses para a independência, agora vivia mergulhada no caos, desde que a guerra civil explodiu e os combates pelo domínio da baía e, das prósperas indústrias às suas margens serviam de campo para disputas entre os dois exércitos. Os estaleiros, que também faziam parte dos negócios do tio Liam, estavam sob constante ameaça e deixavam-no com os nervos a flor da pele. O fato do Mason não dar nenhuma importância para a rotina da fazenda era uma das principais razões de suas brigas. E, com o tio Liam no limite de sua tolerância, as brigas se tornaram diárias.
- Você é um imprestável! Com as coisas no estado em que estão, você não faz outra coisa senão cavalgar por aí despreocupado enquanto a colheita do algodão está atrasada e estamos perdendo milhares de dólares. – berrou, dando um murro na mesa que fez os talheres do jantar saltarem sobre a toalha, ao nos juntarmos a ele à tia Margareth com mais de meia hora de atraso.
- Acalme-se, querido! Isso só pode fazer mal a sua saúde. – ponderou tia Margareth.
- O que faz mal a minha saúde é a vagabundice desse preguiçoso irresponsável! Há uma semana atolado com as coisas no estaleiro, penso que está tudo em ordem com a colheita do algodão e, quando circulo pela plantação, constato que nem um quarto do que precisava ter sido colhido está nos depósitos. Esse vagabundo não foi uma vez sequer checar como andavam as coisas por lá, apesar de eu ter recomendado uma dúzia de vezes, para que cuidasse disso na minha ausência. – reclamou ele, fazendo sua jugular engrossar no pescoço gordo, e perdigotos saírem de sua boca como gotas d’água num chafariz.
- Que culpa tenho eu se os escravos já não querem mais trabalhar como antigamente? Ao contrário do que você está afirmando, eu estive lá sim! Mas, ninguém me deu ouvidos quando disse que precisavam apressar a colheita. – protestou o Mason, também aos berros.
- Esses malditos confederados ainda vão afundar o país! Há tempos venho falando que precisamos trocar esses escravos preguiçosos por trabalhadores assalariados, motivados para o trabalho. No entanto, esses políticos não dão a mínima para quem gera a riqueza dessa nação. Estamos à mercê dos negros e agora também desses confederados desgraçados. – Tio Liam era um liberal e, imbuído desse ideal, vivia repetindo que a escravidão já não tinha lugar num mundo moderno. Embora ainda mantivesse negros trabalhando em suas terras, ele os havia alforriado, mas dava-lhes uns trocados a guisa de salário que não os permitia deixar as terras e viver apenas desse dinheiro. Era a libertação da escravatura à moda dos endinheirados da época.
- Essa guerra só está acontecendo por que vocês burgueses gananciosos e seus amigos políticos são incapazes de abrir mão dos atuais privilégios. – sentenciou o Mason.
- Saia das minhas vistas ou não respondo por mim, seu desgraçado! O único privilegiado aqui é você que não faz por merecer a comida que está diante dessa cara deslavada! – berrou tio Liam, estendendo os braços em direção ao pescoço do Mason. Na outra ponta da mesa tia Margareth começava a soluçar. Eu engolia com dificuldade as garfadas que colocava na boca, calado como um mudo.
Enquanto pratos e travessas se espatifavam no chão, o Mason saia da mesa esquivando-se das mãos do pai e, esse voltava a se aprumar na cadeira bufando feito um bisão selvagem. Só eu comi as framboesas com sorvete de creme, enquanto as criadas tiravam a mesa e limpavam o chão.
Eu sabia que o Mason ficava com o mesmo mau humor do pai depois dessas discussões e, que o mais prudente nesses momentos era ficar longe das vistas de ambos. Demorei-me um pouco na banheira quando subi para o meu quarto, esperando a água esfriar até o ponto de começar a incomodar. Era cedo para dormir, mas não se ouvia outro movimento pela casa que não fosse aquele vindo da cozinha, onde provavelmente o assunto corrente era a briga recém-terminada. Vesti meu pijama e fui me arriscar. Sem bater antes, abri cautelosamente a porta do quarto do Mason, nenhuma lâmpada estava acessa e, a única luz que se infiltrava pela janela onde as cortinas permaneciam abertas era uma lua em crescente. Foi ela que me permitiu distinguir o corpo do Mason estirado sobre a cama com a cabeça apoiada sobre os braços cruzados na nuca, olhando para o teto.
- O que foi que você perdeu aqui dentro, seu pestinha! – rosnou ele, assim que notou minha presença. O adjetivo pestinha era uma herança da minha primeira semana naquela casa e, ele o usava toda vez que estava zangado, mas não comigo, com o mundo.
- Vim saber se você precisa de alguma coisa. – falei baixinho, como se isso ajudasse a mantê-lo calmo.
- Que me deixem em paz! E isso inclui você! – retrucou, embora eu soubesse que não era verdade.
- Não fique assim. Eu vou contar para o tio Liam que você foi ver como andava a colheita, mas só quando a raiva dele passar. – anunciei.
- Não se meta nisso! – resmungou raivoso.
Eu já estava sentado na cama dele, gostava de estar ali, especialmente quando ele também estava. Durante os temporais do meu primeiro verão naquela casa, era para lá que eu corria quando a energia acabava e os raios chicoteavam o telhado. Agora, o que me trazia para cá era o Mason, que costumava ficar deitado quase sem roupa, absorto em seus pensamentos.
- Vai ficar aí sentado como as estátuas do colosso de Memnon? Pode deitar aqui, se jurar que vai ficar com essa boca fechada. – aquilo era sinal do que eu já vinha notando há algum tempo, a minha presença o acalmava, o fazia sentir-se bem consigo mesmo, embora ele não o admitisse.
Eu me deitei ao lado dele, pois a cama era larga o suficiente para acomodar a nós dois com folga. Também segui sua recomendação, mantendo-me calado por mais de uma hora. Mesmo estando louco para lhe contar que, as minhas imagens feitas com o daguerreótipo, do farol de Pooles Island, no fundo da baía de Chesapeake, que registrei durante um passeio de barco com ele durante a primavera tinham sido as vencedoras de um concurso promovido pelo comitê gestor do condado e, que eu receberia um troféu e um prêmio de cem dólares como primeiro colocado.
- Perdeu a língua? Faz uma hora que está aí mudo feito uma múmia? – quando estava assim era normal querer uma coisa e, depois de alguns minutos, querer exatamente o contrário. Isso era sinal de que queria fugir dos pensamentos que o atormentavam, e eu era a melhor solução para isso.
- Sabe aquelas imagens que fizemos do farol de Pooles Island? Eu concorri com elas no concurso do condado. Ganhei o primeiro prêmio! – revelei, pausando as palavras tentando imprimir naturalidade ao fato.
- Verdade? Que legal! Elas ficaram mesmo muito bonitas. Você mereceu, parabéns! – disse ele, dando uma cotovelada nas minhas costelas.
- Nós merecemos! Você me ajudou bastante. – devolvi, contente por ele estar voltando ao seu estado normal.
- Eu só ajudei a montar o tripé para o daguerreotipo, o enquadramento foi sensibilidade sua. – afirmou.
- Obrigado! – eu tinha um jeito de agradecê-lo que sempre o comovia, apesar de ele querer esconder esse sentimento de mim.
- Já é tarde! Dá o fora daqui antes que eu o expulse. – ele já havia se refeito da discussão com o pai.
- Quero dormir aqui esta noite! Deixa?
- Com essa bundinha arrebitada virada para o meu lado? Depois fica reclamando que eu sou um depravado.
- Eu falo isso quando você fica se exibindo ou fica mexendo nesse pauzão duro.
- Eu vou ficar de pau duro sabendo que esse bundão está tão perto.
- Não vou nem ligar para o que acontece dentro dessa calça. – desdenhei. Ele riu, o que me encheu de felicidade, pois seu humor havia voltado.
Eu já o tinha flagrado me examinando pormenorizadamente quando íamos tomar banho no rio e minhas ceroulas molhadas colavam no meu corpo e ficavam transparentes, ou quando ia conversar comigo enquanto eu me banhava na banheira do meu quarto ou me enxugava ao lado dela. Seu olhar ganhava um brilho devasso, e eu nunca sabia como agir diante desse olhar. Eu sabia que ele era muito parecido com o olhar pelo qual eu olhava para o peito musculoso dele, e também, para o cacetão grosso e peludo que pendia entre suas coxas grossas. Ficávamos ambos inibidos quando notávamos que o outro tinha percebido esse olhar e, especialmente, o sentimento que o acompanhava. Embora ele fosse muito mais desinibido do que eu e, até bastante assanhado, particularmente quando estava na presença das gêmeas Mullins e seus ombros e colos expostos, sob a renda fina de seus vestidos. Depois de alguns minutos na presença delas ou de outras garotas da vizinhança, ele sempre precisava ajeitar, disfarçadamente, aquela pica enorme dentro das calças. Ultimamente, isso também vinha acontecendo quando ele olhava daquele jeito esquisito para mim.
- Eu te amo muito, Mason! – exclamei, num sussurro, quando estávamos aninhados em conchinha e eu segurava entre as minhas a mão do braço que ele passara pela minha cintura. Estávamos há tanto tempo em silêncio ouvindo o vento sacolejar as venezianas que eu achei que ele havia pegado no sono.
O braço que me cingia se comprimiu e me puxou para mais perto dele. Um beijo suave tocou a pele do meu pescoço e eu senti a respiração acalorada dele como uma lufada morna. Ele apertou a pelve contra minha bunda e eu senti sua ereção. Não me movi, apenas trouxe a mão que segurava para perto do rosto e a beijei. Ele desceu a calça do meu pijama e baixou suas ceroulas. A ereção quente tocou a pele da minha bunda antes de deslizar para dentro do meu rego, onde a senti pulsando, enquanto ele a movimentava vagarosamente entre os meus glúteos. Movi minhas pernas até conseguir tirar completamente a calça do pijama, o que me permitiu abri-las, e colocar minha bunda numa posição que se encaixou perfeitamente em sua virilha. Meu coração batia acelerado e fui tomado por uma ansiedade como nunca havia sentido antes, era o tesão, querendo que aquele contato físico se estreitasse ainda mais. Eu não sabia como isso seria possível, a menos que ambos fossemos dois líquidos que se fundem quando misturados. Mas, o Mason sabia como fazer isso, e eu fiquei imensamente contente quando ele começou a tentar, pois isso significava que ele estava sentindo a mesma coisa. Na quarta tentativa ele conseguiu concretizar essa fusão. A cabeçorra estufada daquele cacetão enorme que ele tinha entre as pernas, penetrou na minha rosquinha úmida e melada com seu pré-gozo, bruta e muito dolorosamente, após um impulso vigoroso de sua pelve contra minha bunda. Eu soltei um ganido quando aquela dor aguda e fina rasgou minhas preguinhas como o fio de uma faca afiada. Passado o impacto daquela invasão no que eu tinha de mais íntimo, meu desejo começou a se realizar, ele e eu estávamos tão estreitamente unidos que até o ritmo dos batimentos dos nossos corações havia se sincronizado. Dava para sentir isso porque o peito dele estava grudado nas minhas costas. Apesar da dor, eu empinava minha bunda para que aquela verga grossa pudesse deslizar mais vorazmente para dentro de mim. O Mason bufava, o ar escapava-lhe pelas narinas e pelos lábios semicerrados, impulsivo e agitado. Eu intercalava ganidos e gemidos, conforme a impetuosidade que o Mason imprimia ao seu pinto me estocava as entranhas. Meu corpo todo retesado tremia num furor insano. Eu estava tenso e teso, a pele toda arrepiada e o pau duro como o tronco de uma faia. Fiquei assim por um bom tempo, enquanto o Mason perpetrava um vaivém cadenciado no meu cu, até que uma onda quente e fluida como as águas que correm num riacho, se concentraram no meu baixo ventre e me fizeram expulsar toda aquela tensão numa ejaculação profusa e desopressora. Nada do que eu havia sentido até então fora tão prazeroso quanto a porra eclodindo do meu pinto, enquanto meu cu arregaçado acalentava aquele caralhão em seu seio. A mucosa do meu ânus parecia estar em carne viva e a rola do Mason continuava a me esfolar com aquele entra e sai interminável e voluptuosamente delicioso. A mesma tensão que eu havia sentido também retesava o corpo dele que, parecia se contrair cada vez mais à medida que a intensidade de suas estocadas aumentava. Os gemidos que ele liberava junto ao meu ouvido enquanto o lambia e mordiscava, se transformaram um bramido gutural quando ele gozou e encheu meu cuzinho de porra espessa e cremosa. Depois disso, só se ouvia sua respiração acelerada ecoando no quarto escuro.
- Eu também te amo, Nathan! Te amo muito! – exclamou, voltando a se comprimir contra o meu corpo.
Ele olhava fixamente para mim quando acordei na manhã seguinte com seu rosto praticamente colado ao meu. Um sorriso brilhou em seus lábios e seus olhos ao mesmo tempo, como o sol que se infiltrava pelas janelas. Eu levei minha mão até seu rosto e a deslizei contornando suas curvas. Ele a tomou entre a sua e a beijou. Pela primeira vez senti que não precisava falar nada para me comunicar com ele. Aquela troca de olhares era capaz de suprir e exprimir mais do que um milhão de palavras. Um alvoroço nos gramados que cercavam a casa nos tiraram daquele estado de magia. O Mason levantou-se, pelado e de pau duro, e foi até as janelas verificar do que se tratava. Seu semblante estava transfigurado quando se voltou para mim. Ergui-me às pressas e procurei pela calça do meu pijama debaixo das cobertas.
- Há uma porção de soldados confederados da cavalaria nos jardins, cercando a casa. – disse ele.
- Eles vão nos matar! – exclamei aterrorizado. Por uma fração de segundos, eu me vi abraçado à Ayme, debaixo da ponte de pedras diante da minha casa em chamas.
- Acalme-se! Não creio que vão nos fazer algum mal. Pelo que vi, há alguns oficiais bastante graduados entre eles. – revelou, tentando me acalmar.
- Precisamos descer. Daqui a pouco seu pai virá nos chamar. – subitamente, eu não sabia o que estava me apavorando mais, se aquela mancha de sangue que vi tingindo o lençol onde eu estava deitado ou, se a iminência de alguém invadir o quarto. O Mason também a viu e lançou os cobertores sobre ela, ao mesmo tempo em que me lançava um risinho triunfante.
Corri para o meu quarto e me vesti adequadamente para descer, onde encontrei os empregados alvoroçados e o tio Liam e a tia Margareth com as expressões lívidas. O tio Liam foi até a varanda, toda banhada pelo sol da manhã, onde dois oficiais cheios de galões presos às jaquetas atestavam seu status. O Mason foi o último a descer e, sua descontração me espantou. Mal se ouvia do imenso hall de entrada, onde um intrincado encaixe de placas de mármore formava uma espécie de rosácea no chão luminoso, o que se conversava na varanda. O tom equilibrado e monótono da conversa foi me tranquilizando. Se não estavam discutindo, era sinal de que não haveria confusão, pensei comigo mesmo. Convicto disso, tomei as mãos de tia Margareth entre as minhas e a levei até uma poltrona, garantindo-lhe que tudo ia ficar bem. Pouco depois, os oficiais entraram na sala seguindo o tio Liam. Ele nos apresentou, um a um.
- Esta é toda a minha família, como podem ver, senhores! – disse, voltando-se para os oficiais que seguravam seus quepes debaixo do braço, numa atitude respeitosa. Ambos acenaram com a cabeça em nossa direção e tentaram esboçar o que me pareceu ser um sorriso. Partiram em seguida, levando todos s soldados consigo.
Durante o café da manhã, o tio Liam explicou que estavam à procura de desertores e oficiais da União que estariam procurando formar uma resistência junto aos fazendeiros e pessoas influentes da região. Informou ainda, que não tinha deixado claro sua posição de republicano, o que os manteria longe dali. Pelo menos era com o que ele contava. De qualquer maneira, a paz que reinava até então na propriedade ficou abalada.
Foi com essa desculpa, a do que tinha acontecido naquela manhã, que o Mason apareceu no meu quarto após todos terem se recolhido. Ele ainda estava todo vestido, tal qual estava durante o jantar, enquanto eu havia recém saído do banho e vestia apenas uma ceroula, sentado na cama e, estava com a cara mergulhada nas páginas de A Inquilina de Wildfell Hall, escrito por Emilie Brönte sob o pseudônimo de Acton Bell, um romance que havia encomendado junto com outros títulos a uma livraria em Boston no trimestre anterior.
- Lendo mais uma estória mirabolante que depois vai te encher de ideais malucas? – questionou, para puxar conversa.
- Esta é bem legal! É de uma viúva aristocrata que se recusa a ter relações sexuais com o marido alcoólatra e decaído, numa afronta às convenções e leis. Uma feminista, eu diria. Você precisa ler. – respondi.
- Romances? Isso serve para sua cabecinha de vento, para quem vive sonhando com fantasias. – retrucou ele.
- Não tenho cabeça de vento! Se veio aqui para me perturbar, pode ir dando o fora!
- Você acha que os confederados vão começar a nos vigiar e perseguir, depois dessa estranha visita desta manhã? – perguntou, mudando de assunto.
- Foi muito bizarra mesmo. Para que tantos homens, se só queriam o apoio do tio Liam para encontrar desertores ou conspiradores, como alegaram? Aquilo tinha mais cara de intimidação, isso sim. – respondi, colocando o livro de lado.
- Dizem por aí que eles estão agindo cada vez com mais violência. Não duvido que tentem nos expulsar daqui, como fizeram com seus pais. – disse ele. O que mais uma vez reforçou em mim a certeza de que jamais voltaria e ver meus pais. Fiquei triste.
- É possível. Foi assim que vim parar aqui. – balbuciei taciturno.
- Desculpe, não quis te trazer lembranças dolorosas. – lamentou.
Enquanto conversávamos ele foi se despindo até ficar também só com as ceroulas, e veio recostar-se ao meu lado, como se fossemos um casal que fazia esse rito todas as noites. Acabei rindo da situação.
- O que foi? Por que está rindo? Não vejo nada de engraçado nessa guerra estúpida que está devastando o país e até agora já matou muitos inocentes. – ele franziu a testa, sério, quando me inquiriu.
- Não é disso que estou rindo! Como pode pensar isso de mim? – retruquei.
- Então não sei do que está achando graça!
- Da sua cara de pau! O que pensa que está fazendo pelado na minha cama?
- Não estou pelado! Se eu estou pelado, você também está! – afirmou.
- Eu não estou todo esparramado, com as pernas abertas e a braguilha escancarada, exibindo esse troço enorme. – argumentei, embora gostasse de olhar para ele quando estava com o torso musculoso exposto e aquele cacetão moldado rente a sua coxa esquerda.
- Na noite passada você não reclamou dele, até se divertiu um bocado! E foi você quem entrou no meu quarto para me seduzir. – exclamou, risonho.
- Eu não fui lá para te seduzir! Convencido!
- Mas, gostou do que fizemos, não foi? – perguntou presunçoso.
- Você me machucou! – devolvi num muxoxo. – Porém, não vou negar que tenha gostado. Está contente? Era isso que queria ouvir? – respondi.
- Era, era isso que eu queria ouvir. Você sabe que não te machuquei de propósito, não sabe? – questionou.
- Sei. É esse negócio aí que mais parece um tronco de carvalho do que um pênis. – devolvi. Ele riu. – Não deboche!
- Pênis? Só você para ser tão formal. Isso aqui se chama pica, caralho, cacete, rola. Mas, não pênis. – zombou sarcástico.
- Vá se catar!
- Quero catar você! Igualzinho a ontem. Para guardar o meu pênis nesse seu ânus delicioso. – disse saliente, ainda zombando.
- Tarado! – exclamei, enquanto ele fazia a pica emergir pela braguilha.
Ele se atirou sobre mim e começou a me beijar. Eu retribui cada um deles, movendo-me languidamente sob seu peso, e agitando minhas pernas para que ele tirasse minha ceroula. Ao invés disso, ele ajoelhou-se e baixou a dele, deixando o cacetão encorpado e pesado balançando a poucas polegadas do meu rosto. Pincelou-o ao redor da minha boca e me encarava cheio de tesão. Demorei a entender o que ele queria com aquilo e, mesmo sem saber quais eram suas intenções, o aroma almiscarado daquela carne intumescida me instigou a tocá-la e deslizar meus dedos pela cabeçorra que ia se inflando vistosa ao meu toque suave. Não demorei a constatar a aguinha espessa e pegajosa brotando da uretra e, num arroubo ousado, quis provar o sabor daquilo, e coloquei cabeçorra na boca, sugando e sorvendo aquele néctar saboroso. Ele me encarava extasiado e excitado, me estimulando a chupar e lamber sua rola, que engrossava perceptivelmente na minha mão. A mesma curiosidade me levou a mexer com seus bagos. Havia toda uma sensualidade em vê-los assim, tão de perto, por esse ângulo privilegiado, ao invés de tocá-los entre as pernas como fazia com os meus. Dessa forma, dava para senti-los moverem-se dentro do sacão, constatar seu tamanho colossal e acaricia-los vendo o deleite que isso provocava nele.
- Está gostando do brinquedinho novo? – grunhiu, entre gemidos de tesão.
- Estou encantado! Poderia passar a noite toda, tateando por aqui. – respondi, tão tomado pelo tesão quanto ele.
Pouco depois, ele investiu contra os meus glúteos, apartou-os, vasculhou o rego com um dedo libertino, excitou minhas preguinhas que, ao invés do rosado delicado da noite anterior, estavam ligeiramente inchadas e eritematosas, denunciando a sanha com que foram lanhadas. Deixei aflorar aos lábios uma espécie de miado agudo, semelhante ao das gatas no cio, quando o Mason tocou sua língua molhada no meu cu. Eu não acreditei quando percebi o quanto eu conseguia deixa-lo excitado, apenas expondo meu corpo, dando acesso à minha bunda e permitindo que ele vislumbrasse meu cuzinho. A insistência com a qual ele enfiava seu dedo no meu cu demonstrava como estava doido para me foder. Eu me virei de costas, ele colocou minhas pernas sobre os ombros e, nos encarando tomados de desejo, ele meteu o cacetão no meu cu. A dor foi mais intensa e devastadora que na noite anterior, pois eu ainda estava esfolado, mas o prazer sobreveio mais intenso quando o senti dentro de mim, fazendo parte do meu corpo com aquele latejar intenso e cadenciado com as batidas do meu coração.
- Eu te amo, Mason! – gemi mais uma vez.
- Eu te amo, Nathan! – ronronou ele. Meia hora depois, éramos outra vez dois corpos separados e ungidos pelo fluido do amor, exaustos e satisfeitos, se entrelaçando e se beijando, para selar aquele sentimento e aquela união sem nome, mas tão tangível quando a existência do próprio universo.
Na noite seguinte, vendo que ele se demorava a aparecer, fui eu dar em seu quarto. Ele, com os braços estendidos servindo de apoio à cabeça, parecia cochilar na água tépida da banheira. Ao mesmo tempo em que abriu os olhos, me lançou um sorriso safado de quem já esperava que sua demora fosse motivo para eu vir ao seu encalço, à procura de suas habilidades sexuais. Porém, controlou-se para não ser o protagonista da primeira investida, sublimando o desejo que a visão de meu tronco nu, com aqueles peitinhos gorduchos e, minha bunda carnuda prendendo o tecido da ceroula no rego, já começava a exercer sobre sua libido. Como de hábito, a conversa começou versando sobre assuntos triviais, que acabavam servindo de pretexto para o que estava prestes a acontecer. Já nas primeiras frases, eu tomei a felpuda esponja marinha nas mãos, derramei um pouco do sabonete líquido em suas lacunas e comecei a esfregar as costas do Mason. Aquilo era um bom disfarce para eu acariciar seus ombros largos e potentes, sem deixar explícito que agindo assim dava asas ao meu tesão. No entanto, minhas mãos, delicadas e leves, com seus dedos longos e delgados, vagando sobre sua pele eram motivo mais do suficiente para que o dele não pudesse ser disfarçado. Emergindo da superfície da água, como o periscópio de um submarino, surgiu a cabeçorra arroxeada expondo sua ereção. A imponência e desfaçatez com a qual ela veio à tona naquela água coberta de espuma, fez com que meu cuzinho assanhado começasse a se contrair voluntarioso e cheio de desejos. Ele se acomodou na banheira, abrindo bem as pernas, fazendo o sacão e a rola boiarem dentro d’água soltos e sedutores. Puxando pelo braço, ele fez minha mão chegar aos genitais, esperançoso de receber os afagos e as manipulações que o masturbariam. Aos poucos, a pica estava tão dura que eu mal conseguia movê-la. O braço que ele segurava para manter minha mão imersa na água, brincando com seu sexo, foi por onde ele me puxou para dentro da banheira, onde a água já estava arrepiadoramente fria e, o único calor vinha de seu corpão quente tomado pela luxúria. Assim que minhas ceroulas se molharam, o tecido ficou transparente e aderiu à minha pele, que podia ser vista entre a trama do tecido. As nádegas carnudas, não tinham soltado o tecido que sempre ficava aprisionado dentro do meu rego, e o Mason puxou minha ceroula pelo cós para que ele se embrenhasse ainda mais naquele sulco sensual que enchia sua mente de necessidades carnais. Ali mesmo, esparramando água pelo chão, ele me fodeu até que pequenos laivos de sangue brotaram das minhas preguinhas rotas. Meu cu já estava inundado com seu sêmen e, eu já havia gozado há algum tempo entre os gemidos e beijos com os quais cobri seu rosto amoroso e másculo.
Era assim, com esse novo tipo de relacionamento entre nós dois, que os dias se passavam cada vez mais significativos e vivazes para ambos. Não apenas as desavenças entre o Mason e o tio Liam assumiam proporções quase insuperáveis, deixando a já delicada saúde de tia Margareth mais precária devido ao estado de nervos em que ficava ao ver o marido e o filho chegarem ao limite das vias de fato. Como também, a guerra civil em seu segundo ano, que já havia se espalhado por todo estado de Maryland, dando lugar a mais sangrenta batalha já vista na história militar americana, a batalha que ficou conhecida como batalha de Antietam em 17 de setembro de 1862, onde mais de 22.700 combatentes morreram, se feriram e desapareceram. Vencida pelas tropas da União, comandadas pelo general George McClellan, a batalha foi decisiva para o resultado final da guerra, pois ela foi o começo da consolidação da supremacia da União.
- Enquanto esses jovens morrem dando suas vidas por uma causa, esse vagabundo é incapaz de me ajudar a gerir os negócios. – afirmou tio Liam dando início mais uma discussão com o filho.
- Nada do que eu faço é bom o suficiente para você! Com a mesma hipocrisia de ter dado a liberdade aos escravos, mas que continuam a nos servir pela necessidade de não conseguirem sobreviver com os minguados US$ 13,45 mensais que você paga a eles, você alega que está me dando autonomia para tomar as decisões. Pensa que não estou sabendo que você está não apenas checando tudo o que eu faço como também modificando o que eu fiz. Diante disso, não vejo por que me incumbir de alguma responsabilidade se você mesmo a desautoriza diante dos empregados. – protestou o Mason, deixando o tio Liam mais uma vez fora de si.
- Miserável, imprestável! Você está ouvindo seu filho, Margareth? Mal saiu dos cueiros e quer me ensinar como tocar os negócios.
- Eu vou fazer jus aos seus adjetivos! De agora em diante, não conte mais comigo para nada. – afirmou o Mason.
- Vou deserda-lo, seu vagabundo! – ameaçou tio Liam.
- Enfie seu dinheiro onde bem entender! – revidou o Mason. Tio Liam partiu para cima dele e quis acertar-lhe um bofetão no rosto. O Mason reteve sua mão no ar, torceu seu braço, obrigando-o a se dobrar sobre si mesmo e a girar o corpo para que o braço não quebrasse, nesse movimento perdeu o equilíbrio e o Mason ainda o empurrou fazendo-o cair no chão da biblioteca onde o criado trazendo o café quase foi atingido pelo corpo do tio Liam.
- Suma daqui! Saia dessa casa antes que eu o denuncie como desertor ou coisa pior para esses generais que estão loucos para enforcar traidores. – ameaçou, não conseguindo se levantar sozinho.
Eu não sabia a quem socorrer primeiro. Tia Margareth, sentada em sua poltrona junto à lareira, começou a apresentar uma crise de falta de ar, algo que vinha se repetindo frequentemente nos últimos meses após o rigoroso inverno. Tio Liam, estrebuchava no chão tentando colocar-se de pé, tomado de uma fúria incontrolável que o impedia de executar os movimentos certos. Mason possesso, que deixava a biblioteca com os punhos cerrados para não voltar a desferir outros golpes contra o próprio pai. Finalmente, corri até tia Margareth, pois ela estava lívida e o ar parecia não chegar a seus pulmões. O criado deixou a bandeja que trazia sobre uma mesinha e correu em socorro do tio Liam. Mason desapareceu, solitário com seu infortúnio.
- Mande chamar o comandante das tropas estacionadas as margens do rio Potomac, urgente! Diga-lhe que vou lhe entregar um traidor! – berrou para o criado que o ajudava.
- Deus do céu, Liam, você enlouqueceu? Você não pode fazer isso com seu próprio filho! – implorou tia Margareth, quase desfalecendo em meus braços.
- Eu não tenho nenhum filho! Esse miserável não é meu filho! – berrava descontrolado. – Vá, ande! O que ainda faz aqui parado? Eu lhe dei uma ordem e quero que seja cumprida.
- Tio Liam, por favor, não faça isso! Eles o enforcarão! – implorei.
- Pois que façam o que quiserem!
O criado, felizmente, ainda estava perdido com o pedido quando o encontrei na cozinha. Questionou-me se deveria mesmo mandar aquele aviso. Levei um tempo até convencê-lo a não levar adiante essa história, pois temia ser castigado. Acabamos por inventar uma estória plausível que não o comprometeria e nem traria as tropas até a casa. Só então fui procurar pelo Mason, pois sabia que ele estava arrasado com aquilo tudo. Procurei-o em seu quarto, mas este estava imerso na escuridão. Saí pelos arredores, procurando em todos os lugares onde sabia que ele gostava de refugiar quando queria ficar só com seus pensamentos. Não o encontrei em lugar algum e comecei a me desesperar. De repente, lembrei-me da praia. Um criado quis me impedir de ir até lá alegando que ela tinha se transformado num local perigoso à noite, desde que tropas vagavam pela costa na calada da noite. Eu não podia esperar. Meu grande amor perambulava sem rumo em algum lugar e, naquele estado de espírito não se podia confiar em seu discernimento. Acabei por alcança-lo, sentado numa pequena elevação junto à praia, com a cabeça apoiada sobre os braços cruzados sobre as pernas, a mais de três quilômetros de casa.
- Graças a Deus, Mason! Finalmente o encontrei. Você quase me mata do coração. – exclamei, arfando de cansaço pela caminhada apressada.
- Você não deveria ter vindo atrás de mim, é muito perigoso. – exclamou.
- Se é para mim, também é para você. Vamos, vamos voltar para casa. – implorei.
- Eu não tenho mais casa! Você não ouviu o que ele disse? – argumentou.
- Não leve isso em conta, ele estava fora de si. Amanhã tudo voltará ao normal. – ponderei.
- Não haverá amanhã! Não desta vez! Eu vou deixar Calvert e seguir a minha vida, não a que ele quer me impor. – respondeu.
- Não diga bobagem! Seu lugar é aqui.
- Nathan, ouça bem o que vou lhe dizer! Eu vou cuidar da minha vida. Não quero mais ficar nesse lugar, não quero mais viver sobre o mesmo teto desse homem mesquinho e insuportável. – a certeza que brilhava em seu olhar naquele momento me deixou em pânico.
- Você não pode fazer isso! Sua mãe não está bem. Eu não posso ficar sem você.
- Ela vai melhorar assim que não precisar mais assistir a essas brigas. E, você. Bem, você é um garoto, sua vida está apenas começando.
- Mason, eu te amo! Ficar sem você é o mesmo que decretar minha sentença de morte. Você não vai fazer isso comigo, vai? – eu chorava, enquanto sacudia aqueles ombros imensos que mal se moviam.
Ele voltou comigo para casa, levei-o diretamente ao meu quarto e o despi. Ajoelhei-me a seus pés e comecei a chupar sofregamente aquele caralhão. Quando a pica estava tão dura quanto uma barra de ferro, rocei minha bunda nela até ele me agarrar e me atirar sobre a cama, metendo a jeba no meu cuzinho e me possuindo como um garanhão arrebatado. Gani durante todo o coito, só recobrando minha respiração normal e batimentos calmos do meu coração quando já estava todo galado de esperma e sua rola amolecia lentamente nas minhas entranhas. Atirei-me sobre ele e o cobri de beijos, tentando garantir que ele não deixasse a cama enquanto dormíamos. Na manhã seguinte eu estava sozinho entre os lençóis manchados de sangue e eu soube que ele havia partido me deixando para trás. Nem quando vi minha casa em chamas senti tanto medo. Como seria viver de agora em diante, se nem ao menos o paradeiro dele eu sabia.
À mesa do café, tia Margareth abriu uma folha de papel onde o Mason se despedia dela. O papel tremia em suas mãos e as lágrimas desceram copiosas pelo seu rosto cansado. Ela pousou a folha dobrada ao lado do guardanapo e tomou seu café. Ela nunca mais foi a tia Margareth que eu conhecia até então.
- É melhor assim! Talvez possamos viver em paz nesta casa a partir de agora. – afirmou tio Liam, embora dentro dele algo também houvesse mudado.
Tentei durante dias encontrar o Mason em algum lugar dos arredores. Aventurei-me pelas cidades vizinhas à procura dele, ninguém o tinha visto ou sabia dele. Fui ao porto na baía de Chesapeake com um daguerreótipo que havia feito dele alguns meses antes. Um funcionário de uma empresa de vapores o reconheceu e, me disse que ele tinha embarcado num vapor que partira para a Europa dois depois que ele saiu de casa. Devido à guerra, outro funcionário da companhia se recusou a me dizer em que portos europeus o vapor ancoraria. Voltei para casa arrasado. Conhecendo o Mason como eu conhecia, ele faria de tudo para que a influência do pai não o alcançasse, e isso significava nunca mais dar notícias suas a quem quer que fosse.
Nos primeiros meses de 1863, quando o resultado das batalhas já tendia sutilmente em favor da União e, se tornavam mais sangrentas devido ao total desrespeito aos direitos humanos, a mansão em Calvert foi abalada por um fato terrível. A irmã viúva de tio Liam, que residia em Baltimore com o filho Landon, apareceu desesperada, no meio da noite, assolada por uma nevasca fortíssima. O cocheiro que guiava a carruagem que precedia aquela na qual ela viajava, esmurrou a porta por volta da uma hora da manhã. Eu ouvi a movimentação dos criados e, por uns instantes, pensei que fosse o Mason. Desci apressado enrolado num robe, pouco antes do tio Liam aparecer no topo da escada. A carruagem que trazia a irmã do tio Liam parou pouco depois diante da varanda e ela desceu aflita, irrompendo pela porta sem se dar pela minha presença. Ao avistar o irmão, atirou-se em seus braços num choro histérico, e não se compreendia o que estava dizendo.
Eu perguntei ao cocheiro o que estava acontecendo, e ele me levou até a carruagem da qual ela havia descido. No chão, sobre um acolchoado, um homem corpulento, aparentemente sob o efeito de algum tranquilizante, se agitava desconexamente. Ele trajava um uniforme do exército confederado e, mesmo no escuro, pude constatar que havia manchas de sangue na casaca. Num olhar mais atento, guiado pela lanterna que o cocheiro enfiou dentro da carruagem, pude ver que uma bandagem ao redor dos olhos do homem estava tingida de sangue e que, partes de seu rosto estavam chamuscadas. Instei para que o levassem o mais rapidamente para um dos quartos no andar superior, a fim de averiguarmos seu estado e descobrir o que tinha acontecido.
Tio Liam tentava acalmar a irmã para entender o que ela dizia. Aos poucos, foi ficando claro que o Landon havia abraçado a causa dos confederados. Como muitos jovens rebeldes da época, alistara-se apesar dos conselhos da mãe. Num enfrentamento com as tropas da União, foi atingido pela explosão da uma carga de dinamite que, não só o atirou pelos ares, como também o cegou com estilhaços e queimaduras. Os soldados da União empreenderam uma busca pelos feridos para terminar o serviço que não obtiveram no campo de batalha. Ele seria executado caso o encontrassem, o que levou a mãe a fugir de Baltimore na calada da noite.
- Como você me omite o fato de seu filho se aliar a esses rebeldes? Você jamais deveria ter permitido isso. – censurou tio Liam, o que mortificava ainda mais a pobre irmã.
- Você não sabe o que é criar um filho homem sem pai! Eles se acham autossuficientes. Não dão a mínima para conselhos ou pedidos. Landon tornou-se um afrontador de todos os nossos costumes. Não consigo controla-lo. E, agora preciso tentar salvar sua vida e, preciso que você me ajude. Não tenho a quem recorrer sem correr riscos. – desabafou ela.
- A presença dele nessa casa pode nos colocar a todos em risco! Os soldados da União estão por toda parte à procura de traidores. Ademais, ele precisa de cuidados médicos. Ele precisa de um hospital. – sentenciou tio Liam.
- Por tudo que há de mais sagrado, me ajude a salvá-lo! – implorou desesperada.
- Podemos procurar o doutor Scott, acho que ele vai nos ajudar sem fazer muitas perguntas. – sugeri, lembrando-me de um jovem médico cuja irmã mais nova não parava de se insinuar para o Mason.
- Aquilo não é um médico, é um charlatão. É um almofadinha que acha que só por que frequentou a universidade está acima dos demais. – afirmou. Tio Liam, na verdade, tinha desavenças com o pai do doutor Scott, que já se estendiam por anos, sem que nenhum deles se recordasse exatamente a causa que os levou a romperem relações.
- Se o levarmos até o hospital, eles o denunciarão. Eu converso com o doutor Scott, o senhor não precisa se envolver. – argumentei.
- Eu estou envolvido até o pescoço, ele está na minha casa. – retrucou, mas concordou que eu chamasse o médico.
Bryce Scott era um pouco posudo, mas era um sujeito de boa índole. Ele um dia quase flagrou o Mason e eu transando num bosque nos limites da propriedade do tio Liam, numa tarde quente de verão, à beira do riacho. Pela respiração afogueada do Mason e, pela tremedeira que o flagrante desencadeou em mim, ambos tentando subir as ceroulas até a cintura, ele percebeu o que tinha acontecido. Não fez nenhuma observação a respeito, e manteve sua discrição.
Tive que me conter para não desmaiar quanto ele tirou a bandagem improvisada do rosto do Landon. Ao redor dos olhos a carne estava a descoberto. Nas próprias cavidades orbitárias só havia uma massa avermelhada coberta por coágulos enegrecidos. A criada, que trazia os apetrechos para que se pudesse lavar e limpar a região, caiu sobre a peseira da cama assim de largou as coisas sobre uma mesinha que eu havia aproximado da cama.
- Afaste-se se não quiser cair também. – disse o Bryce.
- Eu vou ajuda-lo, é só me dizer o que devo fazer! Não pense que me impressiono por qualquer coisinha. – devolvi. Ele riu, provavelmente, por ver que quase já não havia mais sangue sob a pele do meu rosto.
- Então comece por me passar estas ataduras embebidas nessa solução. – sentenciou, dando início ao tratamento. Eu o supria na mais cautelosa pressa, acompanhando cada movimento de suas mãos.
- Por que ele não grita quando você toca o ferimento?
- Devem ter lhe ministrado algum tranquilizante. Ele está em estado de choque, pode estar inconsciente devido à dor, isso é o que o está mantendo menos agitado. – explicou.
- Teria sido clorofórmio? – perguntei. Ele me encarou surpreso.
- De onde você sabe que se usa clorofórmio para sedar pacientes?
- Eu li que em Londres e, mesmo aqui, estão usando o éter e o clorofórmio para fazer cirurgias sem dor desde a década de 40. – afirmei. Ele riu novamente.
Antes de sair, ele me deixou uma porção de instruções, e disse que voltaria no final do dia para ver como o Landon reagiria. Eu já sabia que nenhum criado, talvez à exceção da senhora Ogden, me ajudaria com o convalescente. Os meses se passaram e acabaram confirmando minha previsão. Era a senhora Ogden quem fazia todos os preparativos para as trocas de curativos, para o banho e cuidados pessoais do doente e instruía as outras criadas enquanto faziam a troca das roupas de cama. Outro que me ajudava toda vez que precisávamos deslocar o paciente era o jovem Eliaj, filho de um dos casais de ex-escravos do tio Liam, uma vez que o corpão musculoso do Landon era tão pesado quanto uma rocha. No mais, era eu quem passava boa parte do dia lidando com os cuidados que ele demandava. Tia Margareth não suportava olhar para aquele rosto de órbitas vazias, assim como a própria mãe do Landon que, apenas a muito custo, conseguia se aproximar do filho e contemplar as sequelas que selaram o futuro de seu único filho. Tio Liam fingia estar acima desses melindres femininos, como costumava dizer, mas também não se sentia confortável diante do que via. Nos três primeiros meses o Landon não deixou o quarto e nem o leito onde se recuperava e onde, muitas noites, ardia em febre e tinha convulsões que lhe exauriam todas as forças. Sua mãe voltou a Baltimore quando o doutor Scott disse que a pior fase havia passado e que, de agora em diante, o restabelecimento do Landon dependeria mais de seu estado psicológico e de sua vontade de continuar a viver. Apesar de poder se deslocar pela casa com a ajuda de alguém, ele não fazia as refeições junto conosco na sala de jantar do andar inferior, por conta das imposições de tia Margareth.
Durante esse período inicial, onde os cuidados com sua recuperação eram constantes, aconteceu um fato insólito que acabou por determinar meu relacionamento com o Landon. O episódio aconteceu durante uma das trocas de bandagens em seus olhos, que costumavam ser muito dolorosas e o deixavam apreensivo. Ele segurou uma das minhas mãos e me pediu para ter cuidado e ir removendo o curativo sujo com muita cautela.
- Claro! Você precisa ter um pouco de paciência, eu sei que deve doer bastante, mas vou fazer a troca bem lentamente. – asseverei.
- Suas mãos são muito suaves e delicadas, você deve ser uma garota muito sensível e carinhosa. – disse, quando terminei o curativo. A senhora Ogden e eu nos entreolhamos sem dizer nada, pensamos que ele talvez estivesse tendo um daqueles ataques febris que o faziam delirar, embora não estivesse suado e, nem apresentasse a pele fria como das outras vezes.
Porém, em outras ocasiões ele voltou a me confundir com uma garota, e eu percebi que ele não estava delirando, que pensava que eu era realmente uma mulher. Meu timbre de voz ainda oscilava bastante e, não era complicado para mim, deixa-lo mais agudo quando falava baixinho. Minhas mãos eram bastante femininas, como o Mason também costumava se referir a elas quando eu o acariciava. Então compreendi de onde vinha a confusão que o Landon estava fazendo com relação a mim. Não sei o que me levou a não desmentir a ideia que fazia da minha pessoa, o fato é que me calei e deixei o tempo correr. Como poucos na casa lidavam com ele e, sabiam que seu juízo estava bastante abalado depois que se cientificou que perdera definitivamente a visão, não lhe davam ouvidos quando resmungava alguma coisa.
À medida que suas condições físicas melhoravam, as psicológicas se tornavam cada vez mais doentias. De ranzinza ele passou a ser agressivo, xingando e recusando-se a fazer determinadas coisas. Depois, começou a mostrar seu lado irônico e debochado, despejando suas frustrações sobre mim. E, por fim, resignou-se e só falava que teria sido melhor ter morrido na explosão do que estar condenado a essa vida sem perspectivas.
- Sabe, eu andei pensando. Você deve ser uma garota horrível, talvez gorda, até estrábica, nenhum homem deve se interessar por você, por isso fica aqui perdendo seu tempo com um cego que não pode ver seus defeitos. – havia sarcasmo em sua voz quando me disse isso.
- Você é um completo idiota! Tinha tudo para ter uma vida plena e pôs tudo a perder alistando-se aos confederados. Sabia que estão perdendo cada vez mais batalhas? Logo terão que se render. De que adiantou você se juntar a eles? – revidei rancoroso.
- Você é uma garota mimada que nasceu em berço de ouro e jamais se preocupou com a escravidão ou com o que quer que seja. Tudo chega às suas mãos sem o menor esforço. Não sabe o que move um homem a querer mudar o mundo. Então, não fale sobre aquilo que não compreende! – devolveu irritado.
- Você já era cego antes da explosão! A cegueira apenas mudou de lugar, migrou do cérebro para os olhos. – afirmei.
- Se você fosse homem eu daria um soco bem no meio da sua cara, para deixa-la ainda mais feia do que deve ser. – ameaçou.
- Ainda bem que não enxerga nem onde está o seu pinto quando precisa mijar, pelo menos não vai conseguir me atingir com essa sua ingratidão.
- Você é a pessoa mais irritante que já conheci. – berrou ele.
- E você, é o sujeito mais imbecil que já conheci! Fique aí com seu mau humor e vá se danar. – respondi, deixando-o só, remoendo seu ódio.
- Espere! Preciso mijar, leve-me até o banheiro.
- Vire-se! Mije nas calças! Mije aonde quiser! Mije nessa sua cabeça dura! – exclamei, deixando o quarto e batendo ruidosamente a porta.
Quando a senhora Ogden deixou o almoço do Landon no quarto, voltou e me disse que ele estava perguntando por mim.
- Ele que fique sozinho, talvez aprenda a ser mais agradecido. – respondi. Só fui dar uma espiada após o jantar, para ver se ele tinha conseguido ir para a cama, sozinho.
As cortinas das janelas ainda estavam abertas, assim como uma folha das vidraças, por onde entrava uma brisa morna. Ele estava sentado junto à janela, na escuridão. Foi curioso constatar que isso não fazia nenhuma diferença para ele. Para o Landon a escuridão seria eterna, não importando quantas luzes estivessem a sua volta. Senti remorsos pelo que lhe disse naquela manhã.
- Já é tarde, não vai dormir? – perguntei, tirando-o de seus pensamentos.
- Estou sem sono! O que quer aqui? Tripudiar sobre o meu destino?
- Talvez, se você continuar a me dar motivos para isso.
- Me sinto perdido quando você não está por perto, parece que a cegueira aumenta.
- Você precisa aprender a se adaptar a essa nova realidade. Vai acabar encontrando jeitos de fazer o que fazia antes, só que de modo diferente. Isso vai te dar mais confiança em si mesmo. – ponderei.
- É, acho que sim.
- Venha, eu te ajudo a ir para a cama. Se continuar aí em frente à janela, sem camisa, logo teremos que tratar de uma pneumonia. – ele se deixou conduzir até a cama sem resistência.
Desde que as feridas nos olhos haviam cicatrizado, e ele saído da restrição do leito, eu, às vezes, me sentia embaraçado ao tocar em seu tronco vigoroso e aproximar-me de seus genitais durante o banho ou, como agora, cingi-lo com meus braços para guia-lo até algum lugar. O calor que emanava dele me trazia recordações do Mason, de quando eu o esfregava na banheira, de quando eu brincava com a ponta dos dedos entre os pelos sensualmente distribuídos por aquele torso viril, de quando eu o beijava após ele ejacular seu sumo másculo e quente no meu cuzinho. Toda vez que eu me recordava desses momentos, sentia uma tristeza enorme me invadir. Ficava imaginando por onde o Mason andaria. Se já teria se esquecido de mim, se tinha encontrado alguém com quem estivesse fazendo amor com a mesma intensidade que nós fazíamos e, se um dia voltaria a vê-lo.
- Por que ficou triste? – perguntou o Landon.
- Não estou triste. – garanti.
- Está sim! Posso não enxergar, mas a cada dia consigo ver com mais clareza o que se passa com as pessoas. Pelo menos a cegueira tem alguma vantagem. – proferiu ele.
- Você deve estar delirando!
- É um namorado. Ele também está na guerra? – suspeitou.
- Não tenho namorado! Sou jovem demais para isso. – devolvi.
- Quer ficar para titia? Quantos anos você tem?
- Não é da sua conta! Se você fosse um cavalheiro, jamais perguntaria a idade de uma donzela. – argumentei.
- E você, é uma donzela? – ele me reteve junto dele quando se recostou na cabeceira da cama, sem me soltar.
- Também não é da sua conta!
- Deite-se aqui comigo. Faz uma eternidade que não transo. Podemos resolver nossas carências essa noite. – afirmou, julgando que eu fosse uma mulher.
Fiquei apavorado quando ele não me largou, imaginando como seria quando ele descobrisse como havia se enganado a meu respeito. Ao mesmo tempo, meu cuzinho clamava por uma rola e, a do Landon era generosamente dotada e, estava sedenta para voltar a lhe conferir os prazeres do sexo. Ele me puxou de lado com tanta força que acabei caindo sobre a cama e ele se atirou imediatamente sobre mim. Tateando os dedos pelo rosto, beijou minha boca assim que a identificou pelo tato. Sôfrego e cheio de tesão ele meteu a língua nela enquanto me beijava comprimindo intensamente seus lábios contra os meus e, os mordiscando a cada mudança de posição. Suas mãos entraram por debaixo da minha camisa e deslizaram até meus peitinhos. Ele os amassou com a mão vigorosa até me fazer gemer. Atrapalhado, tentou desabotoar minha camisa num frenesi que não atendia à sua urgência, por isso agarrou-a entre os dedos e a abriu, arrancando os botões que voaram pelo ar. Guiou novamente as mãos sobre meu torso nu, deslizando-as desde o ventre até os peitos onde voltou a agarra-los e começou a chupa-los numa sanha voraz. Não demorei a sentir suas mãos entrando na minha calça e se aprofundando em direção às minhas nádegas. Pouco depois de ele puxar minhas calças para baixo, eu me agitei e saí debaixo dele. Mais alguns toques ao redor das minhas coxas e ele descobriria que todo aquele tesão não vinha da necessidade de copular com uma fêmea, que estava prestes a ter uma relação sexual com outro homem.
- O que foi? O que aconteceu? – perguntou excitado, quando lhe escapuli das mãos.
- Não posso fazer isso! Você não sabe o que está fazendo! – exclamei ofegante.
- Eu sei que te desejo. Eu sei que quero te comer. Eu sei que quero trepar com você. – garantiu, tateando ao redor para ver se conseguia me agarrar novamente. – E você também quer, eu sinto que quer tanto quanto eu. – afirmou. O pior é que ele tinha razão, meu cuzinho se contraía de desejo.
- Mas, não de frente! Só concordo se você me pegar por de trás. – sugeri.
- A única vez que peguei alguém por trás, foi uma vadiazinha! Ela era mais apertada atrás do que na frente, onde já devia estar bem usada. – murmurou ele. Aquilo me deixou tão excitado que me pus ao alcance de suas mãos.
Quando tirei suas calças a benga já saltou dura e molhada para fora. Eu a coloquei na boca e comecei a chupar, lamber e mordiscar cada milímetro daquela carne suculenta e quente. O Landon gemia com a suavidade dos meus toques em seu falo carente. Toda sua sensibilidade desceu para a virilha, onde agora havia uma boca macia masturbando seu caralho com sugadas libidinosas que o enchiam de prazer. Ele agarrou minha cabeleira e socava minha cabeça contra sua virilha, fazendo com que a pica grossa se entalasse na minha garganta, quase me sufocando. Eu precisava, a todo o momento, empurrar suas coxas peludas para longe para conseguir respirar sem aquele cacetão na minha goela. Numa dessas vezes, quando a pica recuava lentamente e meus lábios se comprimiam sobre as veias latejantes dela, os jatos de porra começaram a encher minha boca. Eu os engolia me lambuzando todo com aquele néctar másculo de sabor acentuado e cheiro almiscarado. Ele grunhia contorcendo-se de prazer, sentindo seu esperma sendo sugado diretamente da fonte.
- Você sabe como satisfazer um homem, como ninguém. – rosnou, deixando os jatos de porra jorrar, desopressores, na minha boca.
Pouco depois, eu estava de bruços, ele encaixado nas curvas da minha bunda e enfiado no meu cu. Enquanto o vaivém me torturava e me enchia de prazer, ele acariciava meus mamilos e chupava meu pescoço, intensificando as estocadas que atingiam minha próstata como os golpes de um pugilista e, me obrigavam a ganir no silêncio da noite alta. Lambuzei o lençol com meu gozo, enquanto meu cu levava suas estocadas. Saí de mansinho do quarto, com o cuzinho inundado de esperma, escorrendo pelo rego através das pregas feridas, quando ele cochilava regozijado no prazer que acabara de sentir. Ao chegar ao meu quarto eu ainda sentia os espasmos contraindo meus músculos numa tremedeira excitada. Também sentia uma estranha sensação de remorso, como se o que acabara de acontecer no quarto ao lado fosse uma traição ao Mason. Chorei pensando nele, sentado na banheira de água quente, enquanto lavava o sêmen do Landon do meu cuzinho. Eu nunca tinha feito isso antes. Sempre cultuava aquela umidade que o Mason deixava impregnada em mim como se fosse um talismã de valor inestimável.
- Está na hora de deixar este quarto! Você já está embolorado de tanto ficar aqui dentro! Vamos dar uma volta nos jardins, tomar sol e aspirar ar puro! – exclamei, ao irromper no quarto do Mason, na manhã seguinte, enquanto ele terminava de tomar seu café.
- Eu não sei se você se lembra, mas eu estou convalescendo. Sou um homem doente. Não posso mais perambular por aí como fazia antigamente. – retrucou ele, fazendo cara de coitado.
- Bem! Não me parece que você esteja mais doente. Pelo que você fez ontem à noite, estou convicto de que já recuperou todas as suas forças. – devolvi. Ele riu.
- Não tenha tanta certeza disso! Você vai saber quando eu estiver totalmente recuperado. – afirmou safado.
- Se a safadeza voltou é por que também voltou a ser o velho e audacioso Landon. Não o conheci naqueles tempos, mas da sua fama já ouvi muita coisa. E, pouco recomendável, diga-se de passagem! – revelei.
- São intrigas! – respondeu sorrindo. Estranhei novamente aquela expressão. Sua boca sorria, mas a falta dos olhos deixava aquele sorriso menos expressivo. Sem dúvida, olhos falam, pensei comigo mesmo. São eles que dão refinamento às emoções que expressamos.
Todos se espantaram quando nos viram descendo as escadas. Afora a cara estupefata do tio Liam e, a de preocupação e de repelência de tia Margareth, os criados esboçavam um discreto sorriso de contentamento, como se as nuvens escuras que pairavam sobre a casa tivessem se dissipado. Foram eles que, solícitos, vieram em nosso amparo, prontificando-se a me ajudar a leva-lo para os jardins. Era uma bonita manhã de primavera e, logo o sol esquentou. O Landon tirou o casaco e a camisa, expondo a pele branca aos raios luminosos e quentes. Ele era um homem bonito e viril. Provavelmente, muitas garotas o tinham desejado. Fiquei um tempo, em silêncio, admirando seu porte físico e não me conformei com essa beleza e essa virilidade toda sendo desperdiçada. No fundo, torci para que algum dia uma garota conseguisse enxergá-lo para além da cegueira e, o fizesse feliz.
- Por que está tão calado? – perguntou, notando que eu mal me movia na poltrona de vime ao lado da sua.
- Estava prestando atenção ao canto dos passarinhos. Preste atenção! – respondi, omitindo a verdade.
- São realmente sons muito belos. Você é uma garota muito romântica! Deve ter lido centenas de romances e se colocado no lugar das moças virgens e sonhadoras. – afirmou.
- O que o faz pensar assim? – perguntei curioso com aquela observação.
- Pela maneira como você tremia em meus braços ontem, ao ter minha pica dentro de você. – respondeu seguro. – Parecia uma avezinha assustada.
- Pois você está muito engado! Não sou nenhuma virgenzinha assustada. – assegurei, indignado.
- Se não é numa virgem, aposto que tem o dedo do meu primo, ou melhor, o cacete dele envolvido nessa história. – ponderou, curioso. – Pensando bem, aquele boquete não é coisa de principiante. Gozei um bocado na sua boca, não foi?
- É esse o seu único assunto? Se for, eu vou te deixar aqui falando bobagens e vou procurar coisa melhor para fazer. – respondi, esquivo.
- Quando vamos repetir aquilo? – inquiriu, a tempo do criado que veio trazer uma jarra de limonada ouvir o final da conversa.
- Contente agora? Em breve toda Calvert estará a par de suas safadezas. – retruquei zangado.
- Só as minhas? – ambos rimos.
Por duas vezes passamos por um susto danado, quando grupamentos da cavalaria da União passaram pela propriedade fingindo uma visita de cortesia. Por via das dúvidas, escondi o Landon numa reentrância entre duas colunas no corredor de acesso aos quartos que estava camuflada por um painel de madeira móvel, quando os militares chegaram. Desci com a maior cara lavada para fazer sala aos visitantes, pois eles sabiam quantas pessoas havia na casa. Felizmente, a testa suada do tio Liam pode ser atribuída ao calor.
- Deus do céu! Essa foi por pouco! – exclamou tia Margareth, assim que eles partiram.
- Vocês precisam agir com mais naturalidade. Afinal, estão apenas hospedando um sobrinho. – sugeri.
- Um sobrinho que aderiu a causa dos confederados, que estava envolvido na ex

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